Mostrar mensagens com a etiqueta amor e recomeçar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amor e recomeçar. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

10/365 - TERMINOU! Esquecer? Perceber? Aprender?

O post de hoje é um "repost" de uma das primeiras coisas que escrevi quando iniciei este blog há muitos anos atrás. 
Não só porque esta semana de regresso às aulas tem sido mais dura que o esperado e com o cansaço acumulado a inspiração começa a falhar (e ainda só passaram 10 dias do desafio), mas também porque ao reler achei que se mantinha super actual... 
Nunca ninguém sonha passar por uma ruptura, mas a verdade é que a maioria passa por isso num momento ou noutro na vida. E o apoio dos amigos é importante, da família.
Então vamos tentar não dizer as coisas erradas, pode ser? A intenção é a melhor, já se sabe, mas as palavras, sobretudo em momentos de fragilidade emocional, podem ser esmagadoras e ferir ainda mais...

Está tudo acabado ! Terminou ! Morreu tudo entre nós ! Quero o divórcio! Não te quero ver mais! Esquece que existo! Já não gosto mais de ti! Preciso de espaço! Etc…..
Tudo isto são expressões para dizer que a nossa relação com alguém acabou (amigos, família, namorados ou esposos, …).

E qual é a reacção dos que nos são próximos (ou afastados) e que se preocupam connosco?
Ainda bem… Estás melhor assim… Não te merecia… Esquece…. A vida continua e só tens é de olhar para a frente…etc. etc.
Tudo é feito ou dito para nos confortar… Mas… será que se analisam bem as coisas?

Primeiro que tudo…porque terminou uma relação?
Com excepção da morte de alguém, que não se pode evitar (e sobre a qual falarei um dia), tudo o resto não pode nem deve ser atribuído a uma só pessoa.
Por muito solidários que queiramos ser com a pessoa que nos é querida… este tipo de expressões só pode ajudar quem se quiser colocar no papel de vítima!

Esquece?!
Como se pode esquecer num dia, ou numa semana, ou no tempo que for preciso… uma relação que se tinha com alguém?
Como se apagam todas as recordações que partilhámos com esse alguém?
Os projectos feitos em conjunto? As alegrias, as dificuldades?

Hoje em dia parece que se vive num mundo sem sentimentos, em que tudo é imediato e não se deve nem se pode sofrer uma perda… tem de se seguir em frente… o futuro é que interessa.
Concordo que deixar passar a vida a olhar para o passado e para o que acabou é um erro, mas acima de tudo é necessário saber porque se chegou a esse estado de perda.
E… pela minha experiência pessoal… só perdemos alguém na vida por… falta de comunicação!
Numa relação (seja de amizade, seja de amor, seja de que tipo for…) existem sempre 2 pessoas. É alimentada por 2 pessoas.
Há alturas em que uma delas contribui mais, outras em que recebe mais do que dá, outras em que se calhar só recebe… mas está sempre presente.
E se as coisas começam a ser difíceis (alguém conhece uma relação, de qualquer tipo, que não tenha tido altos e baixos?), é com base na comunicação que se resolvem.
A verdade é que hoje em dia as pessoas só comunicam no início da relação… e por norma, a partir daí, idealizam o resto ou sonham com o que gostavam que a outra fosse, sem verdadeiramente olhar para ela, ouvir, compreender ou aceitar…. E acima de tudo sem falar!
É cada vez mais complicado encontrar amigos que comuniquem regularmente e da mesma forma que comunicavam ao início, casais que partilhem o que sentem como partilhavam no início, etc….
O tempo, a vida rotineira, a correria do dia a dia fazem com que as pessoas deixem de dar valor à comunicação. Espera-se que o outro perceba, conheça os sinais… adivinhe… mas… falar, comunicar, dizer o que se passa e sente… isso é mais complicado. Não há tempo! Não é preciso!
Por isso é que se chega a um ponto de ruptura? Não por culpa de um ou de outro… mas porque se deixam acumular as coisas sem se falar delas, sem se tentar perceber, resolver.
E não é a forma como se apresenta a ruptura que deve contar e ser valorizada… mas sim o facto de se ter chegado a esse ponto.
Muitas vezes há sinais… que são visíveis. Outras vezes não há sinais (ou não se querem ver). Mas a ruptura chega porque uma das partes desiste (ou nunca o fez) de falar. De comunicar, de partilhar.
Num casamento, numa amizade, numa relação de qualquer tipo… não pode ser só um lado a dar e outro a receber. Não deve haver um lado que aguenta tudo e outro que recebe. Um lado que é forte e outro fraco. Um lado que quer fazer o outro feliz e o outro que só quer receber felicidade.
Tem de ser uma partilha… de bom, de mau, de felicidade, de infelicidade, mas acima de tudo… de muita comunicação.
Nos casamentos diz-se que é para o bem e para o mal… e a verdade é que, muitas vezes, as pessoas se afastam no mal…
Há muitas pessoas que tem bastante dificuldade em exprimir sentimentos (e os homens em particular, muitas vezes pela forma negativa como foram educados ou a sociedade encara esse tipo de comunicação vinda de um homem). Ou que acham que aguentam tudo… mas a verdade é que… se não se conseguirem abrir, se não conseguirem partilhar o que querem, o que gostam, o que estão a sentir… nunca vão ser completas… nem felizes…e não vão aguentar!
Não se pode pedir abertura a outra pessoa, sem se estar preparado para dar e receber essa mesma abertura.
Qualquer relação é feita de reciprocidade… e sem ela… nada existe ou pode ser construído.

Por isso, da próxima vez que alguém perto de vocês termine uma relação… não digam para esquecer, para andar para a frente, etc…. De certeza que eles já sabem tudo isso.Perguntem antes se comunicavam? Se quando estavam felizes ou tristes falavam sobre isso? Procuravam soluções? Se quando estavam juntos partilhavam os sentimentos e opiniões ou só as coisas boas e guardavam as más?
Ou se apenas se limitavam a andar juntos, de “olhos fechados”, fingindo que estava tudo bem… e só quando uma das partes decidiu que não estava bem e queria sair… é que se aperceberam que as coisas nunca foram ditas ou faladas…

A felicidade numa relação vem de dentro, da partilha – e de aceitar que se podem partilhar as coisas más e os maus sentimentos.E se terminou… mais do que pensar em esquecer…se valeu a pena….no sofrimento que se sente… na forma como terminou….
Pensem se fizeram tudo ou disseram e ouviram tudo o que deviam?
Se conseguiram aceitar as diferenças de opinião, gostos, personalidade do outro lado?
Se conseguiram aceitar as semelhanças de feitios e caracteres de cada um?
Se falaram sobre os diferentes horários de cada um, de prioridades, de espaços, …?
Se tentaram perceber se estava tudo a ser dito ou se, como eu, estavam a viver numa nuvem… negra?
Se lutaram para ter uma relação ou esperaram que fosse tudo um mar de rosas e ignoraram os espinhos?

Se fizeram sempre tudo isto…. Tenho muitas dúvidas que verdadeiramente consigam terminar a relação…
E se, apesar de tudo isto, terminou… então é porque efectivamente não eram feitos para estar numa relação… e com tudo isto sempre feito… não fica mágoa, não há dor, não há sofrimento… pois é uma decisão consensual – são demasiado diferentes para estar numa relação de qualquer tipo.

TERMINOU com dor, mágoa, sofrimento (de um ou ambos os lados)... Não é a forma como acabou que é importante ou doi mais(apesar de contar para a dor)…. Mas o facto de se ter falhado…de ter acabado…e de na maior parte dos casos ser por se ter esquecido uma coisa tão simples e básica como… COMUNICAR!

Pensem nisto da próxima vez que disserem a alguém para esquecer e seguir em frente, pois se as pessoas não tiverem presente o que falhou e o que podem e devem mudar… não serve de nada atribuir a culpa à outra parte…porque nunca se vai esquecer!
Mais do que esquecer… percebam!
E percebam que esquecer… leva o seu tempo. E cada pessoa é diferente da outra e precisa de espaço e tempo para si antes de esquecer (uns esquecem na hora, outros em 24h, outros num ano, outros … nunca esquecem).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Questão existencial

Este post não é para comentários ou explicações ou negativismos.ou palmadinhas nas costas.. apenas uma questão existencial minha (que não me vai impedir de seguir para a frente com a minha vida, entenda-se bem)...
Mas realmente só posso ter mesmo um feitio de merda e insuportável....
Senão como se explica que o pai da nuvenzinha tenha decidido ir embora, deixar-me a mim e à filha e preferir, segundo ele diz, estar sozinho?
E nã me venham com a treta que o problema é dele, porque ninguém acaba uma relação sem haver culpa da outra parte (mesmo quando pode, ou não, haver outra pessoa ao barulho, uma relação acaba por culpa das duas partes... digo eu...)
É que com a ex-mulher, que sempre disse nunca ter amado, casou-se e viveu 8 anos e teve 2 filhos.
Comigo, que era suposto ser o amor da vida dele (até usava aliança, coisa que disse nunca ter feito durante o anterior casamento), nem 1/4 disso aguentou! Só pode mesmo ser problema do meu feitio de merda, não consigo ver outra explicação (porque ele jura a pés juntos que não é por causa de outra mulher.... claro...)
Enfim... fica a questão, que assumo será rapidamente arrumada nas coisas que passaram na minha vida e me marcaram como mais uma aprendizagem para o futuro (especialmente que não se pode confiar cegamente em toda a gente) - que mais poderia/deveria ter feito?
Dei tudo o que tinha e não tinha, a minha casa, vida, alma, apoiei em tudo e mais alguma coisa,... e mesmo assim não chega... ainda tinha de estar sempre bem e ser a amante perfeita?
Não sou perfeita, sou muito, muito imperfeita. 
E estou cansada, muito cansada. 
Não consigo ser a mulher perfeita, a mãe, a amante... mas nunca desisti de lutar por algo em que acreditava... até dia 24/12/2010, em que percebi que estava a lutar sozinha. 
E em que percebi que realmente devo ser muito má pessoa, pois se a outra tinha tantos defeitos, não o apoiava, etc... e mesmo assim ele lutou pela relação e pelos filhos durante 8 anos... eu e a minha filha não devemos mesmo valer a pena o esforço.
Só isso me entristece... mas passa depressa.... o sorriso dela faz com que estas tristezas sejam rapidamente esquecidas.
Pode ser que um dia consiga perceber... mas se esse dia não chegar não vou morrer...
Porque está óbvio que com esta idade não vou conseguir mudar de feitio... por mais que tente...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Amor e amar

Muita gente me tem perguntado porque tinha uma imagem com um coração partido no messenger e a indicação "Fechado para Balanço".
Substituí por esta, que adoro e que, para mim, vale mil palavras.
Voltando à pergunta inicial que me fazem, porque "fechei" o coração?
Acho que nunca ninguém "fecha" verdadeiramente o coração a nada nem a ninguém, mas por vezes é necessário fazer uma pausa, uma reflexão e para mim chegou esse momento, esse ponto.
Chegou a altura de lidar verdadeiramente com a dor e a ferida causada pela minha separação.
Chegou o momento de analisar os sentimentos há muito enterrados, os que teimam em aparecer, os que não deixo aparecerem, os que gostavam de poder aparecer, os que tem uma possibilidade de virem a aparecer, etc.
Ontem disseram-me que o coração serve só para fazer passar sangue e que a cabeça é que realmente precisa de ser limpa.
Não sei se será bem assim - é muito racional para quem é mais emocional e tem a alma (leia-se coração) ao pé da boca como eu.
Mas neste balanço que teimo em fazer, nesta introspecção confusa dos últimos dias, uma coisa salta - o problema pode nem ser o coração mas sim a auto-estima, ou a falta dela.
Porquê?
Quando estava bem e "feliz", com o trabalho e a vida organizada, tinha mais quase 20kg.
E estando bem com os meus amigos e tendo um relativo sucesso com o sexo oposto, não tinha metade da atenção ou das solicitações com que me deparo nos dias que correm.
Uma coisa eu sabia nessa altura - quem estava comigo era por mim, a complexa, neurótica, divertida, problemática, orgulhosa, ocupada, louca pessoa.
Hoje em dia... sinto-me bem melhor, com bastante menos peso físico mas com um peso no coração muito maior, pois não consigo avaliar quem está comigo por mim ou quem está pela aparência exterior, pela embalagem.
Não me engano nem vou enganar ninguém, nunca fui feia (nem mesmo quando tinha peso a mais - até porque há gostos para tudo), mas também nunca fui nem sou particularmente bonita. Interessante, simpática (hahaha) mas nada de especial ou que faça virar cabeças.
Então o que atrai tanto as pessoas hoje que não as atraía há 6 meses?
Esse é o primeiro ponto em análise e debate no meu coração/cabeça, pois mesmo se o coração acredita em tudo o que lhe querem fazer crer (santa ingenuidade que não há meio de desaparecer), a cabeça tem aquela irritante tendência de racionalizar as coisas.
Depois há aquela dicotomia que acontece muitas vezes a muita gente, que é a diferença entre as palavras ditas e as acções realizadas, especialmente das pessoas que estão à nossa volta e/ou dizem gostar de nós.
Sendo uma pessoa "carente" (sim, sim, a aparência é de quem não liga a isso e de quem faz as coisas por si e não pelo que os outros dizem, ou que não precisa de estar a ouvir palavras doces pois é muito independente), sempre pensei que gostava de ouvir as palavras meigas de quem diz gostar de mim ou mesmo se diz "apaixonado" por mim.
Mas hoje em dia dou por mim a pensar no quão ocas e vazias são as palavras quando não são acompanhadas por acções.
Ou de quão insignificantes podem ser as acções se de vez em quando não tiverem continuação nas palavras...
Uma acção vale mil palavras, mas uma palavra... pode ir com o vento tão rapidamente...
Podemos ouvir dizer mil vezes que nos amam, que gostam de nós, a moderna versão que não é carne nem peixe do "adoro-te" (mas admitam que "amo-te" é um bocado piroso em português), mas depois a verdade vem sempre ao cima com as acções (e tive a prova disso em Março, com o homem que me disse na véspera que tudo o que queria no mundo era que eu fosse feliz e no dia a seguir acabou tudo).
De que serve dizer que gostam de alguém se depois não contactam com a pessoa, não partilham as situações, uma emoção, um sentimento, um problema, ...?
Não a procuram? Não estão juntos (física ou emocionalmente)?
Faz-me pensar no meu primeiro (único?) grande amor e no que ele me dizia quando ia de férias sozinho com os amigos - "amo-te, mas quando estou longe de ti nem penso em ti, aproveito os dias ao máximo".
Uma parte de mim compreende isso, até porque namorei com estrangeiros vezes suficientes para saber amar à distância.
Mas há outra parte de mim que não consegue compreender esta forma egoísta de amar, de gostar com data e hora e implicando a presença física da pessoa.
Eu consigo estar bem, divertir-me, aproveitar o tempo sozinha (longe de quem gosto) e mesmo assim sentir prazer, desejo de partilhar o meu dia, um momento com a pessoa que eu gosto (um mail ao fim do dia, uma conversa no skype, um sms que lhe lembra que por mais que me divirta penso nele... tantas pequenas coisas que o fazem perceber que faz parte de mim e da minha vida, mesmo não estando fisicamente ao meu lado).
Não consigo compreender o gostar só de palavras, da mesma forma que não consigo aceitar o gostar só de acções, sem palavras.
Tenho falado muito com alguns casais que conheço e realmente os mais felizes são os que, mesmo separados fisicamente, mesmo divertidos, mesmo aproveitando o seu tempo, procuram sempre partilhar uma pequena porção do seu dia com a pessoa que amam ou de quem gostam (e vejo isso, nomeadamente, nos torneios internacionais, com alguns árbitros que estão bem casados e outros que... nem tanto).
Mas eu tenho de encontrar a paz no meu coração para encontrar o equilíbrio e perceber, fazer a triagem entre os que falam para me seduzir, atraídos por uma qualquer aparência exterior que em nada me corresponde, e os que calam mas estão lá, sempre presentes, com as suas pequenas acções cheias de significado, nunca esquecendo, nunca deixando passar um dia sem aquela lembrança, aquele pormenor, aquela atenção especial.
E chegamos à imagem que ilustra esta divagação, que é a que realmente reflecte o meu momento actual.
O coração está sarado (a cicatriz está escondida atrás, encostada á parede para não se abrir), mas será que ele está pronto para ir para a rua, para a luz?
Será que vale a pena estar a arriscar a tranquilidade e a paz da solidão por alguma relação superficial, sem futuro, baseada na aparência e no aspecto físico?
Será que descansou, que cicatrizou o suficiente para saber triar o que é verdadeiro do que é temporário?
Do que pode vir a ser real daquilo que não passa de uma ilusão de Verão?
O mundo está lá fora, mas não sei se quero partir para lá, não assim, não com uma embalagem desprotegida.
Não sei se quero sair do meu cantinho, do meu sossego, para a dor de estar a viver uma ilusão.
Durante muitos anos disse que queria estar com alguém que gostasse de mim bem gorda, (pois assim ele merecia que eu perdesse peso) mas a verdade é que eu não gostava de mim assim, como tal nunca podia ter alguém que gostasse verdadeiramente de mim.
Mas estando mais magra não confio nas pessoas que se aproximam de mim, o que causa um certo desconforto (será que a minha imagem mental de mim própria é assim tão má?).
Qual o ponto de equilíbrio?
Confiar que as pessoas se aproximam pela embalagem exterior e depois gostam do interior?
E porque não gostavam antes?
É esta a minha "luta interna" do momento e por isso estou "fechada para balanço" e estou sossegada, no meu cantinho a ver o que se passa "lá fora".
Para perceber se quem gosta de mim o faz por mim ou pela embalagem e, simultaneamente, para analisar se o facto de gostar de alguém justifica que saia deste cantinho confortável para a angústia e paixão de viver uma relação (mesmo que á distância).
Até porque sempre disse que não queria casar e cada vez mais penso que para viver uma relação hoje em dia teria de ser diferente do "tradicional", teria de ser uma relação em que cada um tem a sua vida e o seu espaço, mas não podem passar um sem o outro.
Complicado?
Talvez defeito de ter amado um holandês como amei, o facto de termos namorado à distância, o facto de já ter vivido com alguém me tenha feito assumir o que sempre pensei - o amor não pode ser sufocante e uma vivência a dois pode sufocar, especialmente se não houver amor, cumplicidade, partilha, objectivos comuns, cumplicidade.
Para manter a paixão na relação não há nada como cada um ter o seu espaço individual e poderem partilhar esse espaço com o outro, mantendo ao mesmo tempo a sua individualidade.
Dizem-me que isso é egoísta, partilhar os bons momentos e nos maus "fugir" para a sua casa e o seu espaço, mas não o vejo assim.
Muitas relações à minha volta sufocam porque as pessoas não tem para onde ir quando precisam de espaço, de gerir as suas mágoas ou zangas sozinhas antes de se confrontarem.
Se as pessoas pudessem ir para o seu espaço pessoal e digerir calmamente as situações, quando regressam estão muito mais calmas e as coisas são mais racionais e muito mais pequenas do que parecem. E a relação cresce e fortifica-se.
Porque mesmo separadas fisicamente as pessoas estão ligadas emocionalmente e espiritualmente e o contacto é indispensável, por isso as partilhas de espaço.
É egoísta pensar assim, eu sei.
Resulta provavelmente de não ter filhos, de ter tido um pai "ausente" fisicamente durante uma boa parte da minha vida, do excelente exemplo de uma das minhas melhores amigas que vive assim há anos (e tem 4 filhos em conjunto com o namorado), de acreditar que um coração tem espaço para ser partilhado, sem ser preciso que o outro queira ficar com todo o espaço, de acreditar que cada pessoa precisa do seu espaço e tempo, de gostar de alguém que está longe. (física e emocionalmente)... nem sei... são tantas coisas!
Mas uma coisa sei, o dia que sair para a luz, vai ser por alguém que me consiga demonstrar que gosta de mim.
E para isso não precisa de estar 24h por dia comigo, não precisa de estar a ligar a toda a hora ou mesmo de estar comigo todos os dias.
Precisará é de me mostrar que é de mim que gosta, que pensa em mim diariamente (por mais longe e divertido que esteja) e que não consegue estar um dia sem falar ou ter algum tipo de contacto comigo, partilhando comigo o bom e o mau.
E por essa pessoa, que me demonstrará que gosta de partilhar as suas coisas comigo, seja o seu espaço físico, sejam as suas emoções, seja o seu corpo... eu saio do meu cantinho e vou para o sol.
Por essa pessoa eu arrisco-me a apanhar um escaldão, arrisco-me aos golpes de vento, arrisco-me a ser ferida novamente e arrisco-me a uma felicidade que pode até ser de curta duração, limitada, impossível!
Mas sem ter a confiança nos sentimentos e desejos de quem quer estar comigo... o meu cantinho é um excelente sítio para estar, sossegada, a analisar os sentimentos e à espera daquela pessoa que vai estender a mão para me levar para o sol novamente.
Até me provarem que o facto de estar disposta a sair para o sol e escaldar-me outra vez vale a pena... vou continuar como na foto, a olhar para fora!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Amar e Recomeçar

Hoje devia estar feliz... mas neste momento não estou.
Achava que era forte, que estava a crescer, que estava a conseguir vencer as mágoas... mas no final não foi, mais uma vez, senão uma representação, uma ilusão.
Que acabou, como se acaba uma peça quando cai a cortina no teatro.
Tento, tentei esquecer que me tinham partido o coração como ninguém o fez nunca.
Fiquei preocupada com a tristeza que senti do outro lado do ecrã pela morte súbita do melhor amigo.
Com a tristeza pela vida que se alterou.
E mesmo sabendo que nunca sentiu essa tristeza pelo que eu sofri, pela minha partida, achei que tinha esquecido, que tinha vencido a dor.
Achei que conseguia ser o ombro amigo, a pessoa que anima, faz sorrir.
Como sempre fiz com toda a gente à minha volta, também hoje achei que conseguia vestir o papel de palhaço, que com o coração despedaçado faz rir os outros.
E então, pela primeira vez em meses, sentei-me, escrevi, troquei mensagens, mails. Ouvi falar, deixei desabafar os sentimentos (na medida do possível para quem sempre escondeu e sempre quis guardar o controlo).
E até me estava a sentir bem!
Sentia-me como "uma pessoa crescida" que consegue dar à volta ao que viveu.
Mas no meio de tudo, no meio da brincadeira para animar o outro lado.... apareceram algumas indirectas... algumas referências (acredito que inocentes e sem maldade - afinal, eu não estava com a minha "pele" de palhaço vestida?!) ao que vivi, a situações românticas criadas no passado.
E aí... veio a triste realidade.
O desiquilibrio da minha nuvem...
Desapareceu o sorriso de quem estava a conseguir ter uma conversa "normal".
Desapareceu a satisfação de estar a animar o outro lado, a fazer esquecer a dor pela perda do amigo.
E ficou novamente a dor. A tristeza. A incomprensão.
Ficou aquela noção de que ainda não "cresci" o suficiente para conseguir ignorar algumas dores.
Ainda não consigo ser aquele ombro que foi maltratado, chicoteado, mas mesmo assim está lá para apoiar nos momentos difíceis.
Depois daquela alusão, ficou aquele sentimento egoísta de... e quando eu precisei de ti, onde estavas?
Quando me partiste o coração, pisaste, atiraste os bocadinhos ao vento, onde estavas?
Mas tal como chegou, essa dor passou.
São momentos, são recordações, é passado!
O que conta é poder ser "maior" que isso e poder ajudar os outros, independentemente de ser uma ajuda unilateral, independentemente do que nos fizeram.
Não sou Jesus ou uma santa. Não dou a outra face! Tenho pés de barro!
Mas vou aprender a superar estas coisas.
Vou conseguir aceitar que todos temos lados bons e maus e que os lados maus magoam as outras pessoas.
E vou aprender a superar essa mágoa.
Porque ela vai ficar para sempre. É uma cicatriz que vai sempre marcar o meu coração e a minha alma.
Mas eu vou aprender a não a deixar reabrir a ferida!!!
Tal como sempre enfrentei os meus medos... também neste caso vou enfrentar a faca que me cortou.
E vou viver feliz!!!
E vou falar com ele e ajudar sempre que precisar. Por mais que doa.
Porque sou assim... e há coisas que não adianta negar, pois nunca vão mudar.
Basta encontrar um novo rumo!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Peter - e como a vida é tão curta para tristezas

Sei que tenho escrito pouco, que tenho usado mais as músicas para tentar transcrever sentimentos ou emoções, mas a verdade é que durante o dia passo a vida a pensar em coisas que gostava de escrever e partilhar... mas quando chega a altura de me sentar em frente ao computador... é a "branca" total.

No entanto hoje recebi uma mensagem do meu ex (sim, aquele que me estilhaçou o coração e a alma) que me fez repensar novamente as minhas prioridades.
Ele escreveu para me contar que um dos melhores amigos dele, que eu tinha conhecido numa das minhas estadias na Holanda, tinha falecido esta noite com um cancro fulminante!
Tinha 43 anos, casado, 2 filhos e, desde o momento que descobriu acidentalmente que tinha cancro nos intestinos (o mais mortal de todos) até à data em que faleceu, viveu menos de 3 meses.
O cancro é uma doença traiçoeira, que nos apanha desprevenidos, sem dar sinal até ser, na maior parte das vezes, fatal. E causa devastação nas suas vitimas e em todos os que lhes estão mais próximos.
E sei disso por experiência própria, pois tenho vários casos na família, dos quais o da minha madrinha representa um exemplo de sucesso e coragem.

Mas voltando à mensagem dele, fez-me pensar em quão tola eu sou, ou tão mesquinha, em estar triste, desiludida com ele, sabendo que ele, já na altura em que decidiu acabar tudo por mail, estava preocupado com o amigo.
Fez-me pensar na inutilidade de guardar tristezas e mágoas (mesmo nos casos de grandes mágoas), pois a vida é tão curta! Hoje estamos aqui, amanhã já não estamos.
Uma das minhas citações preferidas sempre foi "Não faças da vida um rascunho, pois podes não ter tempo de passar a limpo".
A morte do Peter e a dor dos amigos e família só fizeram com que me relembrasse disso.
Como poderia não dar o meu apoio, não estar ao lado dele no momento em que perde o amigo de mais de 35 anos de vida? Como não apoiar uma pessoa que sofre profundamente pela rapidez do processo, uma pessoa que estava esperançada nas melhoras do seu amigo, visto o tratamento estar a resultar, e que de repente o vê falecer em menos de uma semana?
Sou doida? Louca? Ingénua? Parva?
Devia ignorar esta pessoa e a sua dor e esquecer que o conheci?
Não consigo!!!
Por muita dor que me tenha causado, sei o que é perder um amigo, sei o que é perder um elemento da família (para ele o Peter era quase família) e sei como todos os apoios são importantes.
Também sei o que é um cancro, o que é saber que alguém que amamos tem cancro, o que são tratamentos a um cancro, o que é acreditar nas melhoras e depois descobrir que era ilusão....
E por isso, chega de tristezas pelas minhas "mágoas" e "dores de coração", pois comparadas com a morte não são nada.
Chega de afastar quem me magoou e está na altura de encarar tudo o que vivi como mais uma forma de aprendizagem e crescimento.
Estou muito, muito triste pela morte do Peter (apesar de o ter conhecido pouco), mas ainda mais triste pela dor que o Paul está a sentir neste momento e não o poder apoiar mais.
E por isso a minha actual mudança de vida (já em curso).
Acabaram as tristezas, os choradinhos, o trabalho que me deixa infeliz, estar triste com o que acontece aos outros, sofrer com as dores alheias, olhar para trás, etc.
Está na altura de aproveitar a vida ao máximo, fazer o que quero, quando quero, o que me deixa feliz, olhar para as infelicidades e quedas da nuvem como formas de encontrar alguma felicidade que de outra forma nunca veria.
Hoje estou aqui, amanhã posso ser levada por um cancro, por um acidente estranho, por qualquer acaso do destino!!!
E se vou continuar a precisar de tempo para digerir as minhas tristezas e quedas, vou tentar que ele seja sempre o mais curto possível e que possa continuar a seguir em frente.
O Paul já me tinha contactado algumas vezes e eu sempre recusei manter contacto (a mágoa era muito grande).
Mas depois de hoje, da sua rápida mensagem (e das que se seguiram), da dor que se sentia nas entrelinhas, só posso dizer que ele é humano, com defeitos e qualidades. Ele já na altura em que soube da notícia ficou de rastos e repensou muito as suas prioridades (se calhar foi uma das razões que o levou a tomar a decisão que tomou...), e se calhar eu fui demasiado egoísta para perceber ou dar mais apoio...
E assumir que eu só tenho de deixar de ser mesquinha e pequenina e de olhar para o meu umbigo e devo começar a viver a vida ao máximo enquanto aqui estou e apoiar os meus amigos, aproveitar a sua amizade, a sua companhia ao máximo!!!
E se isso significa abdicar de mim e do que sinto para ajudar os outros (como tantas vezes fui "acusada"), assim seja!
Mas não suporto a ideia de que alguém de quem gosto ou gostei esteja a sofrer... especialmente quando é por ter perdido alguém próximo!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O primeiro dia do resto da minha vida!

Estava muito hesitante sobre ó título a dar a esta entrada (ou será post? mensagem?... nunca sei).
Primeiro pensei em Faz hoje um mês, porque:
Faz hoje um mês que o meu coração foi despedaçado de surpresa, que a pessoa a quem eu o tinha entregue, junto com a minha alma, a minha vida, o meu espírito... decidiu que um mail chegava para acabar tudo e até hoje não falou comigo a dar mais explicações;
Faz hoje um mês que percebi que a pessoa por quem ia abandonar a minha família, o meu país, amigos, projectos, carreira... não queria saber disso... pelo menos foi o que demonstrou na forma como agiu e terminou as coisas;
Faz hoje um mês que percebi que falar é fácil... mas comunicar e sentir o que se diz... é mais complicado... e que as palavras ditas e não sentidas.. doem mais;
Faz hoje um mês que tomei (mais uma vez consciência) que quando se desce da nuvem.... não podemos pensar que as pessoas são como nós... não devemos acreditar em tudo o que se diz, e que quando dizem que... "só quero que sejas feliz e fazer-te feliz"... significa mais... "quero que sejas feliz quando eu quiser e me apetecer e tiver tempo livre para isso";
Faz hoje um mês que percebi que a minha noção de Amor e Amo-te é muito diferente da realidade;
Faz hoje um mês que caí mais uma vez da minha nuvem... mas desta vez a ferida foi muito profunda e demorou (demora) a sarar (e a culpa é minha, pois estava tão distraída que nem reparei que aproximava um tornado...ou será que ele veio de supresa?);
Faz hoje um mês que percebi que não posso continuar a seguir o meu coração, o que sinto, acreditar estupidamente nas pessoas e no que dizem... e que devo "procurar o meu reflexo nos olhos do outro"... ou ouvir mais a cabeça antes de descer da nuvem;
E podia continuar... mas depois decidi que esse não seria o título.
Porquê?
Porque se faz hoje um mês que me estilhaçaram o coração e a alma... também é hoje o primeiro dia ddo resto da minha vida!!!
Por isso, o título só poderia ser este!!!
E, como boa mulher que sou (apesar do ar de Maria-rapaz)... não há nova vida que comece sem uma mudança de visual. Por isso... corte radical, voltar à minha cor natural de cabelo (ou perto, porque quem cai na asneira de pintar uma vez o cabelo... vai ter problemas o resto da vida), passar uma tarde na esteticista, ver roupa nova... apanhar sol (nos intervalos da chuva)... Comer um bom MacDinalds que já não comia há meses (e aqui até ouço o meu tio e alguns amigos estremecer "MacDonalds?! Em vez de celebrar e ir a um bom restaurante... MacDonalds?!).
Pois é, MacDonalds! E o meu Happy Meal (há que preservar a figura, que vai diminuindo (afinal sempre há vantagens em nos despedaçarem o coração), para que o boneco (que antes era para a filha dele) possa voltar a ir para os alunos da minha mãe.
Ao mesmo tempo, dá-me vontade de rir... porque noto o avançar da idade em pequeninas coisas que vão acontecendo!
Ou realmente os meus sentimentos são mais intensos... ou foram muitas coisas ao mesmo tempo (o que a maior parte das pessoas pensa)... mas antigamente (ou "no meu tempo"...para parecer ainda mais velha) quando tinha um desgosto (de qualquer tipo, mas especialmente os "amorosos") não conseguia parar de comer. Quando estava mais cansada, desgastada, estressada (há que usar as novas expressões do acordo ortográfico... mesmo que pareçam estranhamente similares ao... brasileiro... como esqui, râguebi, sutiã... e lá estou eu a divagar...)... só me apetecia comer "fast-food" (ou "junk-food"), bolos, gelados,.... enfim... tudo o que faz bem (e a sorte é que nunca gostei de chocolate). E sempre "invejei" as pessoas que me diziam que quando estavam "deprimidas" nem conseguiam pensar em comer e perdiam imenso peso.
Pois é... estou "velha" (será que algum dia me vou aperceber disso? E entre aspas porque a idade não está no BI mas na alma e no coração)! Desta vez perdi demasiado peso (não que não fizesse falta perder...foi o aspecto positivo).
Ainda pensei adiar a vida nova por mais umas semanas, para ver se perdia o que faltava (eram só mais 3 ou 4 kg) ... mas decidi que um mês de isolamento e de sentir pena de mim por uma pessoa que nem se explica... era mais do que suficiente e que bastava de perder peso e alegria de viver.
Na última semana já tinha começado a escalar de novo para a minha nuvenzinha... que é tão confortável... hoje foi só subir o último degrau e voltar a sentar-me no meu mundo (tão particular e tão... meu) a observar o que se passa no mundo das pessoas "normais".
E agora está na altura de avançar... tentar resolver a situação profissional de uma vez por todas (e a saúde beneficiará com isso), decidir o que quero fazer (trabalhar para mim? Ser profissional independente? Procurar lugar de novo na gestão?....) e acima de tudo, voltar ao convívio dos meus amigos.
Porque... o defeito de viver numa nuvem... é que por vezes se torna solitário. E como toda a vida sempre resolvi os meus problemas ou tristezas sozinha... a tendência é afastar-me de tudo e de todos e só regressar quando está tudo bem de novo (no primeiro dia do resto da minha vida).
Se por um lado sei que não é o correcto e passo a vida "a levar na cabeça" porque os amigos são mesmo para estes momentos... por outro as experiências de partilhar a minha nuvem com alguém tem sido tão desastrosas que prefiro continuar a resolver as coisas sozinha. Quem me conhece e se quer manter como meu amigo, já compreende e aceita isso. Quem não compreende ou aceita... também não valia a pena considerar amigo...
E que melhor símbolo para demonstrar uma nova vida... que a foto que tirei ao símbolo da Liberdade, reconhecido no mundo inteiro (resto da vida = vida nova = Liberdade de amar, sentir, viver!).
Depois de grande indecisão, pois a minha foto preferida está mais.. "artística", com mais nuvens... optei por esta - está límpida, com o céu claro e a minha nuvem a aparecer...
É um dia novo, uma vida nova! Um visual novo (sem precisar de ir a nenhum programa de TV para um "extreme make-over" ou "Dr. preciso de ajuda"...) e com uma alma nova...
O dia em que conquistei de novo a minha Liberdade :-)

quinta-feira, 27 de março de 2008

TERMINOU! Esquecer? Perceber? Aprender?

Está tudo acabado ! Terminou ! Morreu tudo entre nós ! Quero o divórcio! Não te quero ver mais! Esquece que existo! Já não gosto mais de ti! Preciso de espaço! Etc…..
Tudo isto são expressões para dizer que a nossa relação com alguém acabou (amigos, família, namorados ou esposos, …).

E qual é a reacção dos que nos são próximos (ou afastados) e que se preocupam connosco?
Ainda bem… Estás melhor assim… Não te merecia… Esquece…. A vida continua e só tem é de olhar para a frente…etc. etc.
Tudo é feito ou dito para nos confortar… Mas… será que se analisam bem as coisas?

Primeiro que tudo…porque terminou uma relação?
Com excepção da morte de alguém, que não se pode evitar (e sobre a qual falarei um dia), tudo o resto não pode nem deve ser atribuído a uma só pessoa.
Por muito solidários que queiramos ser com a pessoa que nos é querida… este tipo de expressões só pode ajudar quem se quiser colocar no papel de vítima!

Esquece?!
Como se pode esquecer num dia, ou numa semana, ou no tempo que for preciso… uma relação que se tinha com alguém?
Como se apagam todas as recordações que partilhámos com esse alguém?
Os projectos feitos em conjunto? As alegrias, as dificuldades?

Hoje em dia parece que se vive num mundo sem sentimentos, em que tudo é imediato e não se deve nem se pode sofrer uma perda… tem de se seguir em frente… o futuro é que interessa.
Concordo que deixar passar a vida a olhar para o passado e para o que acabou é um erro, mas acima de tudo é necessário saber porque se chegou a esse estado de perda.
E… pela minha experiência pessoal… só perdemos alguém na vida por… falta de comunicação!
Numa relação (seja de amizade, seja de amor, seja de que tipo for…) existem sempre 2 pessoas. É alimentada por 2 pessoas.
Há alturas em que uma delas contribui mais, outras em que recebe mais do que dá, outras em que se calhar só recebe… mas está sempre presente.
E se as coisas começam a ser difíceis (alguém conhece uma relação, de qualquer tipo, que não tenha tido altos e baixos?), é com base na comunicação que se resolvem.
A verdade é que hoje em dia as pessoas só comunicam no início da relação… e por norma, a partir daí, idealizam o resto ou sonham com o que gostavam que a outra fosse, sem verdadeiramente olhar para ela, ouvir, compreender ou aceitar…. E acima de tudo sem falar!
É cada vez mais complicado encontrar amigos que comuniquem regularmente e da mesma forma que comunicavam ao início, casais que partilhem o que sentem como partilhavam no início, etc….
O tempo, a vida rotineira, a correria do dia a dia fazem com que as pessoas deixem de dar valor à comunicação. Espera-se que o outro perceba, conheça os sinais… adivinhe… mas… falar, comunicar, dizer o que se passa e sente… isso é mais complicado. Não há tempo! Não é preciso!
Por isso é que se chega a um ponto de ruptura? Não por culpa de um ou de outro… mas porque se deixam acumular as coisas sem se falar delas, sem se tentar perceber, resolver.
E não é a forma como se apresenta a ruptura que deve contar e ser valorizada… mas sim o facto de se ter chegado a esse ponto.
Muitas vezes há sinais… que são visíveis. Outras vezes não há sinais (ou não se querem ver). Mas a ruptura chega porque uma das partes desiste (ou nunca o fez) de falar. De comunicar, de partilhar.
Num casamento, numa amizade, numa relação de qualquer tipo… não pode ser só um lado a dar e outro a receber. Não deve haver um lado que aguenta tudo e outro que recebe. Um lado que é forte e outro fraco. Um lado que quer fazer o outro feliz e o outro que só quer receber felicidade.
Tem de ser uma partilha… de bom, de mau, de felicidade, de infelicidade, mas acima de tudo… de muita comunicação.
Nos casamentos diz-se que é para o bem e para o mal… e a verdade é que, muitas vezes, as pessoas se afastam no mal…
Há muitas pessoas que tem bastante dificuldade em exprimir sentimentos (e os homens em particular, muitas vezes pela forma negativa como foram educados ou a sociedade encara esse tipo de comunicação vinda de um homem). Ou que acham que aguentam tudo… mas a verdade é que… se não se conseguirem abrir, se não conseguirem partilhar o que querem, o que gostam, o que estão a sentir… nunca vão ser completas… nem felizes…e não vão aguentar!
Não se pode pedir abertura a outra pessoa, sem se estar preparado para dar e receber essa mesma abertura.
Qualquer relação é feita de reciprocidade… e sem ela… nada existe ou pode ser construído.

Por isso, da próxima vez que alguém perto de vocês termine uma relação… não digam para esquecer, para andar para a frente, etc…. De certeza que eles já sabem tudo isso.
Perguntem antes se comunicavam? Se quando estavam felizes ou tristes falavam sobre isso? Procuravam soluções? Se quando estavam juntos partilhavam os sentimentos e opiniões ou só as coisas boas e guardavam as más?
Ou se apenas se limitavam a andar juntos, de “olhos fechados”, fingindo que estava tudo bem… e só quando uma das partes decidiu que não estava bem e queria sair… é que se aperceberam que as coisas nunca foram ditas ou faladas…

A felicidade numa relação vem de dentro, da partilha – e de aceitar que se podem partilhar as coisas más e os maus sentimentos.
E se terminou… mais do que pensar em esquecer…se valeu a pena….no sofrimento que se sente… na forma como terminou….
Pensem se fizeram tudo ou disseram e ouviram tudo o que deviam?
Se conseguiram aceitar as diferenças de opinião, gostos, personalidade do outro lado?
Se conseguiram aceitar as semelhanças de feitios e caracteres de cada um?
Se falaram sobre os diferentes horários de cada um, de prioridades, de espaços, …?
Se tentaram perceber se estava tudo a ser dito ou se, como eu, estavam a viver numa nuvem… negra?
Se lutaram para ter uma relação ou esperaram que fosse tudo um mar de rosas e ignoraram os espinhos?

Se fizeram sempre tudo isto…. Tenho muitas dúvidas que verdadeiramente consigam terminar a relação…
E se, apesar de tudo isto, terminou… então é porque efectivamente não eram feitos para estar numa relação… e com tudo isto sempre feito… não fica mágoa, não há dor, não há sofrimento… pois é uma decisão consensual – são demasiado diferentes para estar numa relação de qualquer tipo.

TERMINOU com dor, mágoa, sofrimento (de um ou ambos os lados)... Não é a forma como acabou que é importante ou doi mais(apesar de contar para a dor)…. Mas o facto de se ter falhado…de ter acabado…e de na maior parte dos casos ser por se ter esquecido uma coisa tão simples e básica como… COMUNICAR!

Pensem nisto da próxima vez que disserem a alguém para esquecer e seguir em frente, pois se as pessoas não tiverem presente o que falhou e o que podem e devem mudar… não serve de nada atribuir a culpa à outra parte…porque nunca se vai esquecer!
Mais do que esquecer… percebam!
E percebam que esquecer… leva o seu tempo. E cada pessoa é diferente da outra e precisa de espaço e tempo para si antes de esquecer (uns esquecem na hora, outros em 24h, outros num ano, outros … nunca esquecem).

segunda-feira, 17 de março de 2008

Coragem de viver

Decididamente, vivo numa nuvem (um dia terei de me conformar com isso)
Uns dias azul, outros rosa e em alguns dias negra... mas sempre a minha nuvem.

Mas sempre me irá surpreender a falta de coragem das pessoas, especialmente em arriscarem!
Sei que parece fácil dizer isto, especialmente hoje de coração partido, mas a verdade é que hoje em dia as pessoas não tem a coragem de investir em si.

A maioria pensa demasiado num futuro que pode nem acontecer e com base nisso tomam decisões de vida e deixam de apostar no mais importante - serem felizes e viverem o momento.
Vejo pessoas anos a fio num trabalho (nem vou chamar emprego) em que não são felizes. Mas não mudam, não procuram algo que as deixe realizadas... porque ali já sabem com o que contam.
Vejo pessoas em casamentos infelizes... mas mais vale casadas e acompanhadas que sós.
Vejo pessoas que por terem sofrido uma desilusão (pessoal, profissional, ...) deixam de arriscar, deixam de viver! Porque se podem "magoar" mais tarde.

Não será esta falta de coragem uma forma de ir morrendo aos poucos?
Porque se recusam as pessoas a viver a felicidade hoje, por pensarem que amanhã se podem magoar e não arriscam?
Porque se recusam a procurar os seus sonhos, por medo de falhar?
Mais grave... porque boicotam a sua felicidade, por medo de não corresponderem ao que acham ser as expectativas dos outros?
Porque não dizem o que pensam, por medo de falhar ou de magoar as pessoas, quando as magoam mais por não dizer ou pela falsidade decorrente de se dizer uma coisa e fazer outra?

A vida são dois dias... e o Carnaval 3!
Algumas frases que, sendo clichés (será que agora é assim que se escreve) dizem muito da forma como aproveito a vida (na maior parte das vezes, ou nos dias de nuvem azul):
Nascemos sem pedir e morremos sem querer - há que aproveitar o intervalo!
A vida não é medida pelo número de respirações que damos, mas sim pelos momentos que nos fazem prender a respiração!
E a minha preferida de sempre:
Não faças da tua vida um rascunho....
pois podes não ter tempo de a passar a limpo!
Sendo que esta última, para mim... é a definição de coragem de viver => apostar no dia de hoje, no presente, pois podemos não ter tempo de corrigir tudo no futuro!

Esta postura já me custou muitas "amizades", algumas relações e alguns trabalhos... mas sou teimosa e acredito que se deve aproveitar o dia de hoje e pensar nos problemas amanhã (e isto de uma forma diária... vão ver que vai afastando os problemas).
Conheço demasiadas pessoas que escolhem não arriscar, pois podem sofrer e fazer sofrer os outros. Ou porque estão na sua zona de conforto. Meus amigos... vão sofrer toda a vida por antecipação em vez de aproveitarem a felicidade do presente.
Mais vale ser feliz um minuto, uma hora... do que toda a vida infeliz com medo de vir a ser... infeliz!
Relendo o que escrevi, nem parece um texto de uma optimista que vive numa nuvem só sua... mas deve ser da chuva... ou das últimas quedas que tem sido um pouco frequentes (sim, que isto de envelhecer não ajuda ninguém). Mas prometo subir de novo para a minha nuvem (sempre o fiz e nem a idade vai mudar isso), talvez verde desta vez (cor da esperança) e continuar a enviar raios de sol ao meu redor muito em breve (me aguarde...)
E para ti (que sabes quem és), está organizado, mas foi assim que saiu...
Related Posts with Thumbnails