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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Tempos Inesquecíveis

Meu Deus!!!
Estou a chegar à idade de dizer "no meu tempo..." ou, como no anúncio, "eu ainda sou do tempo em que...".
Mas a verdade é que ontem recebi este mail, e não resisti a partilhar com todos aqueles que também se conseguem rever nestas palavras, pois "eu ainda sou do tempo em que..." - e bem gostaria de voltar a viver esses dias:
  • As decisões importantes eram tomadas mediante um prático pim, pam, pum...
  • Os erros de gramática se emendavam dizendo simplesmente: "Arranca a folha e faz outra vez!"
  • O pior castigo era dizerem-nos para escrever 5 vezes: "Não devo..."
  • Ter muito dinheiro significava poder comprar mais doces, rifas ou um gelado no recreio...
  • Um saco com caricas podia manter-nos felizes e ocupados durante toda a tarde...
  • Era normal termos 2 ou 3 melhores amigos e todos os que tinham mais de 18 anos eram velhos...
  • Polícias e Ladrões era um jogo que se jogava no recreio e onde era muito mais divertido ser ladrão em vez de polícia...
  • Venenosa referia-se a uma espécie de cobra ou substância e não a pessoas...
  • Para viajar da terra ao céu só se tinha de pensar que se era astronauta ou super-herói...
  • Era óptimo jogar futebol, sem que as regras tivessem importância...
  • O pior que podia acontecer com o sexo oposto era ser-se apanhado a brincar com carrinhos ou com bonecas...
  • Levar uma arma para a escola queria apenas dizer que se tinha sido apanhado com uma fisga na mão...
  • "O último a chegar é burro" é o grito que nos fazia correr desenfreadamente até sentirmos que nos rebentava o coração...
  • Ninguém no mundo era mais bonito que a nossa mãe. Só ela beijava os arranhões e fazia com que nos sentíssemos logo melhor...
  • Desilusão era ter-se sido escolhido em último lugar para a equipa da escola...
  • Guerra só significava atirar caroços de cereja e bolinhas de papel durante as horas livres...
  • Os balões eram a mais moderna, eficiente e poderosa arma que se tinha inventado...
  • A guerra era uma coisa que tinha acontecido antes de nascermos e que nunca voltaria a suceder...
  • Os gelados e a fruta eram os alimentos essenciais...
  • Não havia nada melhor do que as tardes de Verão, para brincar com os amigos ou para esperar ver passar o vizinho ou vizinha de que tantos gostávamos...
  • Os irmãos mais velhos eram o pior tormento, mas também eram os mais fieis e ferozes protectores...
Quem se consegue lembrar da maioria destas coisas significa que ainda está vivo e aproveitou a vida.
Algumas destas coisas são anteriores ao meu tempo, mas a verdade é que me lembro de muitas delas com saudade.
Não sou saudosista, ao contrário do que possa transparecer nas palavras a seguir, mas a verdade é que hoje em dia já não existe nada disto. Já não se vai para a praceta jogar com os amigos e vizinhos, não se fazem fogueiras nos santos populares, não fazemos festas na rua ou na garagem do vizinho...
Quem pensaria em fazer jogos de pião, em jogar com caricas, jogar ao mundo com estacas e piões?
Quem joga ao mata, sem ser na ginástica da escola (se é que ainda se joga)?
Passámos de um mundo em que se vivia com pouco e nos divertíamos com os amigos, na rua, em festas e bailes, para um mundo em que as festas são em casa ou em recintos alugados, não há brincadeiras na rua e quem sabe o que são pracetas sem carros e onde se pode jogar?
E, apesar de já não ser criança há muito tempo, de acompanhar os tempos modernos, sinto falta desses tempos em que se podia brincar livremente na rua e com caricas...
PDI é lixada!!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

TRINTÕES

Espero que se deliciem tanto como eu com este artigo do Nuno Markl que me enviaram por mail (e as saudades daqueles tempos.... aiai....):

A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas,lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...
E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!
E pior, nunca caiu de uma. É um mole.
Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.
Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.
Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.
Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.
No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?
E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.
Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.
Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'

(Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'... Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Saudades do Sevilla e de começar a jogar pólo

Ontem quando andava a passear na neta, à procura de fotos de pólo aquático, encontrei um site fabuloso, recheado de fotos do tempo em que comecei a jogar pólo aquático.
E as saudades vieram todas, junto com as memórias.
É que parecendo que não... o tempo não pára e já lá vão mais de 20 anos!
A minha primeira recordação é de estar cansada da natação de competição e o Brandão, na altura a treinar os rapazes do C.N.O. me convidar para treinar com eles. Era complicado, pois eu tinha 16 anos na altura e os treinos eram à noite - e só rapazes. E os meus pais não gostavam muito, pois ia e vinha a pé da piscina. Mas eu adorava aquilo. Desporto colectivo, treinar e tentar superar os rapazes - era tão maria-rapaz nessa altura (ainda sou... mas nessa altura exagerava).
E rapidamente me tornei a "mascote" da equipa. Acompanhava-os para todo o lado e para todos os torneios. Os meus preferidos eram o da Amadora (ainda com a sua piscina descoberta) e o do Aminata em Évora, na sua lindíssima piscina descoberta.
E uma das principais razões que me levavam a gostar particularmente destes torneios era... A equipa do Sevilha, que podem ver aqui nesta foto.
Desde os primeiros torneios que vieram jogar a Portugal que me encontrava ou cruzava com eles, e mantenho ainda com alguns uma amizade (à distância) de mais de 20 anos.
Nesta foto podemos ver o Alfredo, com quem namorei durante 2 anos (sim... mais por carta - que encontrei quando andava a arrumar a casa para a mudança para a Holanda - agora sem efeito). Não era o mais bonito ou engraçado deles (as meninas andavam sempre atrás de outros... mas era o mais calado, o mais inteligente... um doce de pessoa). Como não recordar o JuanLu, que era lindíssimo quando não estava com os seus óculos enormes (agora arquitecto), tão tímido no início, em casa de quem passei algumas férias, nomeadamente no Europeu de 1997. E que é uma pessoa verdadeiramente única e especial. Com o Ruper, escondido ao fundo, o Tano, enorme mas simplesmente espectacular, o José (arquitecto com o JuanLu), que casou com uma Paula e tem uma filha Paulita, o Carlos que fez a locução dos Europeus comigo... e tantos, tantos outros de quem não recordo os nomes, mas recordo vivamente as caras.
Eram uma equipa espectacular, e eu adorava quando os encontrava nos torneios. estavam sempre bem dispostos, sempre a brincar... e mesmo assim ganhavam facilmente qualquer torneio. E para virem cá jogar, não hesitavam em se meter num carro e vir às suas custas. Nesta foto já encontram a equipa um pouco mais velhinha... Já adultos. Afinal... já estávamos em 1995, o Peter Cutino já jogava com eles e estava a 1 ano de se tornar treinador deles, o JuanLu já estava sem óculos, o Ruper tinha "crescido" e o Tano já estava mais baixinho que os outros, mas sempre enorme, o Escalante sempre branquinho como se fosse da Europa do Norte a comparar com o Novato... sempre bronzeado.
Quando os conheci estávamos em 1986... quando começaram a vir jogar a Portugal.
Primeiro num torneio no Algés, depois na Amadora (onde jogava um Barradas muito novinho, um Souto que hoje treina o Arsenal, o José Augusto, o Tobé... só para dizer alguns) e no mesmo ano em Évora. Como eram todos juntos e eu estava sempre com a equipa masculina do Oeiras (na altura havia poucas equipas e o Oeiras, apesar da sua piscina com pé, tinha uma excelente equipa), acabamos por nos encontrar e ir mantendo contacto.
Além de ter sido em Évora que eu fiz o meu primeiro jogo "oficial" de pólo aquático com uma equipa feminina, jogando pela equipa que o Aminata tinha, contra a equipa do Algés (já com a Lena, a Patrícia e todo o seu núcleo "duro")
1 ano depois formávamos uma equipa feminina no Oeiras, que no seu início contava de 8 ou 9 jogadoras, mas básicamente jogava eu e outra rapariga (da qual não recordo agora o nome... ai a PDI) e o nosso jogo consistia em... uma era central e a outra pivot. Ganhávamos sempre facilmente a bola e depois era passar para a outra, que tinha saído em contra-ataque. Eu tinha saído do Andebol e da Natação de Competição e ela da Natação... por isso era só passar e rematar.
Lembro-me que jogávamos quase sempre contra a Amadora... e ganhávamos sempre!!! O que era um orgulho, pois só treinávamos uma vez por semana aos sábados (como "equipa").
No decorrer dos anos a amizade manteve-se, mais com o Ruper (com quem ainda falo para os Torneios em Dos Hermanas ou convites para cá virem) e com o JuanLu, que agora faz parte da direcção do Sevilla.
Também não vou esquecer o convite que me fizeram quando vieram cá em 1997, ano em que fazia a locução do Torneio de Loulé (outra das coisas a que nunca faltava), e me convidaram para fazer a locução no Europeu de Sevilha, pois tinham adorado a locução em Loulé!
Fiquei encantada... e ao mesmo tempo aterrorizada, pois (como já disse) sou terrivelmente tímida e na altura custava-me muito mais que agora estar a fazer locução - ainda por cima de um Europeu, onde teria de fazer em Castelhano e Inglês.
Fiquei em casa do JuanLu (ele viveu quase sempre em casa dos pais, uma ENORME vivenda no exterior de Sevilha), no quarto da irmã e ia fazer a locução de todos os jogos masculinos, conjuntamente com o Carlos.
Como as coisas estavam a correr bem e o sotaque castelhano estava a aparecer rapidamente, acabaram por me convidar para fazer também a locução de alguns jogos femininos.
E o maior elogio que recebi nesses campeonatos foi de um jornalista português, que publicou no seu jornal que a locutora portuguesa não teve hipóteses de falar, pois a selecção nacional não marcou (estava a fazer a locução de um dos jogos da nossa selecção). O que ele não sabia era que nesse jogo... só estava eu a fazer a locução... em Castelhano e Inglês. :-)
A foto que está acima, onde eu apareço perto do Chiqui, com o Ruper, Juanlu e tantos outros... foi a do jogo que fizemos entre os Voluntários que estavam no Europeu. Mais uma vez... eu e uma ex-jogadora da selecção espanhola numa equipa só de rapazes. Mas foi muito divertido.
O acolhimento deles é fabuloso, fazem com que estejamos sempre bem e estão sempre preocupados que nos falte algo.
E nunca vou esquecer a dança que me fizeram... ao som de uma das minhas músicas preferidas (Ese Toro enamorado de la Luna). Lindo! Fabuloso! É realmente único quando uma pessoa dança para nós. E... os sevilhanos sabem dançar. Pelo menos o Chiqui sabia (apesar de ter tantos parafusos no corpo que nos aeroportos tinha de ir com declaração - consequência da maluquice de querer passar de uma varanda para outra... num 14º andar... ter caído... e sobrevivido).
São realmente tempos que me deixam alguma nostalgia (e me fazem perceber que os anos passaram)... não só pelos torneios a que ia (pensar que eu ia aos primeiros Torneios do Aminata e já não no XXI ou XXII...e as pessoas que lá estão agora... muitas não eram nem nascidas!), as pessoas que conheci e que me marcaram e permaneceram na minha vida, os contactos e amizades que fiz... a despreocupação de jogar pelo prazer de jogar... jogar com os rapazes sem haver malícia ou segundas intenções... não ter de pensar que tinha de ir trabalhar, ou estudar, ou sair a correr para algum sitio.
Foram tempos excelentes... e que vão ficar para sempre no meu coração, como muitas das pessoas nestas fotos... que me trouxeram tantas recordações ao deparar com elas!!!
Já tinha tido muitas recordações ao encontrar as cartas do Alfredo, e de mais alguns que fui conhecendo ou com quem convivi ao longo dos anos (como ia esquecer as cartas do Roberto? do Óscar?)... mas realmente ver as caras... ver as pessoas... é outra coisa!
Belos tempos!!! Deixaram boas recordações e muitas saudades!!!
E além de ser um clube que eu adoro... é uma das minhas cidades preferidas no mundo!
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiii..... SAUDADES!!!

quinta-feira, 20 de março de 2008

O sol brilha

Finalmente parou de chover e voltou o sol.
Ainda não voltou a brilhar a 100% no meu coração (há que ser honesta) e ainda não me tirou o frio e o gelo que se me entranham nos ossos há demasiado tempo, mas voltou a fazer sorrir, a trazer esperança e acima de tudo a dar beleza às coisas que nos rodeiam.
As nuvens vão-se afastando (o não fazerem perguntas nem me "obrigarem" a falar sobre o que se passou também ajuda) e os primeiros raios de sol começam a entrar no coração, e na vida.
E hoje estive na praia!!!
É uma coisa que sempre me ajudou em todos os momentos da vida e que já não me lembrava como pode acalmar a alma.
Mesmo não podendo ainda surfar (sim, sim... para além de algumas outras razões, ainda estou a aprender e continuo agarrada ao meu bodyboard), dá uma paz e tranquilidade à alma que nenhum outro sítio consegue dar.
E junto ao mar, vendo as ondas e as nuvens no céu, o sol a brilhar... tudo parece tão relativo, tão pequeno, tão sem importância.
Lembrei-me da paixão que sempre tive, desde criança, pela praia.
Dos dias de Verão que passava na praia com o grupo de amigos, das escapadelas da escola para ir até à praia (até ser apanhada e ter levado uma tareia enorme por mentir), de agarrar na mota ou no carro e ir namorar para a praia, ou simplesmente passear à beira-mar quando estava mais triste ou algo corria mal, de ir ler para a frente da Praia Grande, só para estar a ver o mar...
Lembrei-me do meu primeiro desgosto amoroso (quem nunca esquece o primeiro amor)... e como os meus amigos me ensinaram a fazer bodyboard (que para mim foi uma forma de vencer o meu medo das ondas maiores) e isso me ajudou a superar a dor. O gozo que era irmos para a água e tentar apanhar ondas. Cheguei ao ponto de passar noites no parque de campismo da Praia Grande com uma amiga (quando tinha casa perto), só para estarmos mais perto da praia e estarmos na água logo ao amanhecer. As quedas, os "enrolanços", as pranchas partidas... coisa de "loira" mesmo... ou de "cota" a querer ser nova (sim, foi também a altura da minha primeira mota... a minha linda XT que vendi quando saí dé Portugal).
Com o passar dos anos, a ida para o sul de França (onde não há ondas e o mar é lindo, mas estático) e as cargas de trabalho (sim... sou uma daquelas "workaholics" da pior espécie, que se acha insubstituivel e a melhor do mundo...), o mar e a praia foram sendo, aos poucos, relegados para segundo plano.
Também devo admitir que folgava aos fins de semana e sempre detestei ir para a praia nessas alturas, com os milhares de pessoas à procura de um raio de sol e as romarias das famílias... e sempre me senti "envergonhada" de querer aprender a surfar com a minha idade (sim... coisas de "cota"), apesar de conseguir levantar-me às sete da manhã (coisa que sempre me custou quando era para trabalhar ou mesmo para ir para os centros de treino) e estar lá ao nascer do sol, entrar na água e relaxar (muitas vezes nem era para apanhar ondas... só para estar em cima da prancha a aproveitar aqueles momentos de tranquilidade). E quando chegavam os grupos... era a minha hora de partir.
Mas até isso fui deixando de lado... outras coisas e "valores" se sobrepunham. E depois o grupo de amigos actual não gostava de surf, praia era para "torrar"... fui esquecendo osignificado que a praia e o mar sempre tiveram para mim.
De tal forma, que ia trocar o meu belo país por outro, sem as nossas praias, sem o nosso sol (estava a tentar convencer-me que conseguiria algum dia viver longe do mar)...
Mas hoje... ao ver o mar, ao ver a praia quase deserta, ao conseguir ler o meu livro sossegada... recordei tudo.
O prazer de estar à beira-mar a ver o por do sol, o prazer de estar na praia à noite... a ouvir o barulho do mar, ao nascer do sol... numa praia deserta no inverno, ...
E acima de tudo... recordei o prazer que me dá estar na água com a minha prancha... a relaxar... e o quanto isso me ajuda a esquecer tudo o resto na vida que, se pensarmos bem, não terá importância nenhuma daqui a algum tempo.
Tudo na vida passa... mas uma coisa fica - o MAR.
Sempre diferente, sempre em mutação, sempre belo, sempre com os seus perigos escondidos, sempre respeitado, mas sempre... sinónimo de paz de espírito.
Da próxima vez que algo vos "atormentar" o espírito, não vos deixar estar em paz ou simplesmente precisarem de relaxar e pensar... experimentem ir até ao mar, uma praia que gostem... e ficar só a ver mutações do oceano, ouvir o som da água, das ondas.... vão ver que saem de lá com outra disposição.
Eu sei que saio sempre!
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