Mostrar mensagens com a etiqueta tristeza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tristeza. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sou uma pessoa

Fiquei feliz.... ouvi a minha cara-metade dizer à ex dele que estava com os filhos de férias em casa "de uma pessoa".
Não é motivo para ficar feliz?
Quer dizer...
...ser considerada uma pessoa ao fim de tanto tempo juntos é melhor que o que li aqui.
Pelo menos não sou um animal, uma coisa!
E ainda tive direito a ouvir o rapaz dizer que era uma exagerada em ficar tão "feliz"... que o facto de ter dito "uma pessoa" em vez do meu nome ou algo mais pessoal não queria dizer nada, que ela sabia de mim e que estavam comigo...
Ou seja, ela sabe de mim há algum tempo, sabe que estamos de férias juntos e mesmo assim não tenho direito a mais do que a ser considerada "uma pessoa"...
Sem nome, sem categoria (sei lá.... até uma amiga soa melhor que uma pessoa, não?), uma simples "pessoa", que ele acabou de conhecer, de encontrar na rua.
Sei que ele bloqueia em momentos de pressão e que ela lhe estava a dar uma bronca por estar aqui e que ele não a quer magoar (afinal, é a mãe dos filhos dele, a pessoa com quem foi casado, independentemente dos motivos que levaram a tal casamento)...
Sei que ele lhe tinha explicado que estava aqui...comigo...
Mas, vamos ver do ponto de vista feminino, pior, do ponto de vista da ex... o que significa ouvir dizer que se está "com uma pessoa"...
Agora eu sou a ex... O meu companheiro, pai dos meus 2 filhos, agarra neles e vai passar férias com a actual companheira, de cuja existência já tenho conhecimento há algum tempo. Falo com ele e ele diz-me que está de férias em casa de uma pessoa (que eu sei que é ela). Nada de stress... se não tem nome nem categoria ao final deste tempo juntos é porque é apenas mais uma, nada de preocupações.
Estou certa ou errada?
Tudo está bem e resolvido, mas a verdade é que fiquei mesmo "feliz" de perceber que sou uma pessoa - mesmo que ele tenha passado o resto do tempo a dizer que sou a pessoa que ama e com quem quer passar a vida...
O que percebi com aquelas palavras, aquele telefonema, é que nunca terá coragem de me dar nome e categoria na presença da ex....
E o que isso significa(ou) isso para mim?
O que sou eu em presença dela?
Mais uma?
A tal?
Uma pessoa.... ou EU, com a minha identidade?
Hoje fiquei "feliz", percebi que sou uma pessoa na vida da minha cara-metade!
Será que estou assim tão errada em estar "feliz" com isto?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Pensamentos

Perguntam-me porque não peço ajuda...
Mas ajuda pede-se?
Como se faz isso?
Diz-se... estou triste, ajuda-me?
Estou doente, apoia-me?
Ou espera-se que as pessoas que nos rodeiam e conhecem percebam os sinais?
E nos ajudem porque gostam de nós e se preocupam e não porque lhes pedimos!
Assumo que não sei pedir ajuda, nunca soube!
Sou melhor a ver os problemas dos outros e a ajudar, porque não preciso que me digam que estão mal... observo e "ofereço-me", arranjo maneira de estar presente.
Talvez seja educação, talvez seja sentimento, talvez seja feitio ou defeito.
Mas nunca consegui pedir ajuda, porque nunca ninguém precisou de ma pedir para a obter.
Há alturas em que uma pessoa se sente sozinha, se sente em baixo, cansada, doente.
Há outras em que está cheia de energia, sorridente, confiante.
Se não precisamos anunciar ao mundo que estamos bem e felizes, se não precisamos pedir aos amigos e a quem nos rodeia que esteja connosco quando estamos bem, porque o devemos fazer quando estamos mais em baixo?
Porque estamos rodeados de pessoas quando estamos felizes e bem, mas quando estamos cansados ou doentes ficamos sozinhos e nos cobram o facto de não pedirmos ajuda?
Porque nos aceitam quando estamos bem e nos criticam quando estamos mal?
Porque não precisamos dizer estou feliz para estarem connosco, mas precisamos dizer estou mal preciso de ti?
Se calhar devia ter seguido outra área de estudos/profissional, ou se calhar sou egoísta demais e prefiro resolver os meus dias maus sozinha.
Se calhar estou tão habituada a ajudar os outros sem que mo peçam ou precisem de sinalizar que me esqueço de mostrar os sinais de cansaço.
Não sei...
Mas sei que quando uma pessoa está em baixo, a solução não é nem nunca foi perguntar o que se pode fazer!
É como vermos que uma pessoa não parece estar bem e insistirmos "Estás bem?", "O que tens?", etc...
Isso não ajuda, pois se a pessoa estava bem ou mais ou menos, estas perguntas só pioram.
Perguntar "O que posso fazer?" não é nem nunca foi a solução para nada.
Quando se quer ajudar alguém, ou apoiar, ou seja o que for, basta estar presente!
Basta não julgar, não criticar, estar presente!
Apoiar ou ajudar alguém que não esteja bem é, simplesmente, fazer algo, dizer algo, mostrar que se está lá e se aceita que a pessoa não esteja bem, ou cansada, ou triste, ou doente, ou o que for!
Porque qualquer pessoa que não esteja feliz (alguém é verdadeiramente feliz?) só precisa de saber que a aceitam como é. E quando quiser falar, melhorar, superar... é ela que toma a iniciativa de falar, ou superar, ou esquecer.
Porque, simplesmente, algumas pessoas conseguem superar as coisas que sentem ou vivem sem precisar de falar delas, só por saberem que estão rodeadas de pessoas que as amam como são, com dias bons e dias maus, com doenças ou saudáveis, tristes ou felizes.
Superar as coisas não é dizer "ajuda-me" ou "faz isto"!
É saber que nos podemos apoiar em alguém sem sermos julgados, analisados, criticas, censurados, apiedados, por isso!
E mais importante que aquele que nos aprecia pelo nosso lado bom, é aquele que está presente quando o nosso lado mau se revela!
Para isso é importante acompanhar as pessoas que amamos. Saber como estão, ultrapassar pequenas questões que se calhar nos afectaram em momentos em que nós também não estávamos bem.
Para se ajudar e apoiar alguém que esteja triste, cansada, doente... se calhar é preciso esquecer coisas que nos magoaram, nos afectaram... porque o importante é que a pessoa que amamos, o amigo, a família... precisa de nós!
E mais importante que tudo - seja quem for que esteja nessa situação, não precisa falar!!!
Porque sabemos o que fazer para que se sinta melhor!!!
Sem julgar, sem criticar, sem pensar!
Já dizia o poeta "Ama-me quando eu menos o merecer, pois será quando mais precisarei".
É só o que uma pessoa precisa!
E isso, não se pede - sente-se!
Porque sabem o que é mais triste do que estar triste, cansado, em baixo?
É perguntarem-nos o que podem fazer para melhorar, voltarmos a ser o que éramos!

domingo, 5 de outubro de 2008

Tristeza e Solidão

"Quantos sofrimentos nos custaram os males que nunca ocorreram"
Jefferson, Thomas
"O segredo para ser infeliz é ter tempo livre para se preocupar se se é feliz ou não"
Shaw, Bernard

Estas duas frases continuam presentes na minha cabeça.
Sobre a primeira já falei anteriormente.
E reflecte um facto simples da vida - o tempo livre nos faz pensar demasiado nas coisas e, se não arranjamos forma de o ocupar de tal maneira que não precisamos pensar em nós... acabamos por nos aperceber das infelicidades que ocupam espaço na nossa vida e especialmente no nosso coração.
Mas podemos associar este pensamento ao primeiro e reflectir no porquê de tanta gente hoje em dia gostar de sofrer por antecipação.
Fala-se muito de sermos uma geração egoísta, que só pensamos em nós e que queremos as coisas para hoje, da maneira mais fácil e rápida, em vez de lutar e trabalhar por elas.
Ao mesmo tempo, cada vez lutamos menos pelas relações, pelo amor, pelos amigos.
Se é algo que começa a custar, vamos embora, que é para isso que existem os divórcios ou, no caso dos amigos, se "perdem" os telemóveis e os contactos.
Mas há outra "raça" de pessoas, as que gostam de "prever" o futuro, antecipar o que pode acontecer mal e, em consequência, sofrer por antecipação e vivem em constante sofrimento.
Há as pessoas que não aceitam um trabalho porque a médio prazo vão ter muitos problemas, ou vão sentir-se imcompreendidas ou, em muitos casos, porque são superiores às tarefas em causa e depois vão estar subaproveitadas, etc.
Há as que não se apaixonam ou se ligam a outras pessoas, porque um dia vão ser magoadas e acham que assim não se vão magoar.
Há as que não confiam em nada nem em ninguém, porque todos são "traidores" e um dia vão ver a sua confiança atraiçoada.
Há as que procuram todos os problemas possíveis e impossíveis numa situação ou relação, e se não existirem criam, pois assim sofrem logo no início e podem afastar-se de consciência "tranquila" porque "nunca iria resultar".... sem mesmo tentarem.
Infelizmente hoje em dia muitos sofrem pelos males que nunca aconteceram - e que provavelmente nunca vão acontecer!
As pessoas felizes, além de não terem tempo para estarem a pensar se são felizes ou não, também não estão a pensar nas catástrofes que podem acontecer, limitando assim a sua felicidade.
As pessoas felizes, ou saudavelmente felizes, vivem a vida como ela é, superando os obstáculos que apareçam, quando aparecerem, vivendo a felicidade do momento sem estarem a "profetizar" a infelicidade do futuro.
Os que tem a coragem de acreditar num futuro sorridente são considerados ingénuos, infantis, o que quiserem... mas a verdade é que assim não sofrem, nem estão a antecipar desgraças.
E as pessoas que procuram a felicidade são capazes de superar as maiores dificuldades ou os momentos mais difíceis, pois sabem que não vale a pena viver uma vida de infelicidade, e que os momentos difíceis são ultrapassados com tempo, e se tornam em ténues memórias, diante de uma vida de felicidade.
Pela minha parte, claro que tenho os meus momentos de tristeza, especialmente quando me "deixo" cair na tentação de ter demasiado tempo livre para pensar.
Claro que tenho os momentos em que olho à volta e vejo um futuro sombrio.
Mas sempre me recusei e vou continuar a recusar viver em função de qualquer problema que possa acontecer no futuro, em função da tristeza e de algum "mal" que venha a caminho num futuro longínquo, que pode nem se concretizar.
Prefiro optar por viver um dia de cada vez, procurar estar o mais ocupada possível e sem pensar no que me poderá fazer infeliz e, acima de tudo, acreditar num futuro risonho.
Não acredito em deixar de amar porque me vão magoar, não acredito em deixar de confiar porque me vão trair, em deixar de apostar porque vou perder!
Também não acredito em passar uma vida de sofrimento por "amor".... a algo ou alguém!
Chamem-me ingénua, inocente, o que quiserem... mas opto por viver a minha vida assim e, se e quando tiver de sofrer (pois sou e serei traída, enganada, atacada, ....) é o no momento em que acontecer e não antes.
Prefiro viver os meus dias acreditando na felicidade (mesmo que aparente ou superficial) do que vivê-los no terror de ser infeliz!
Porque a infelicidade existe na vida de toda a gente, mas será um dia, uma semana, um momento que passa, enquanto a felicidade é uma escolha nossa que pode durar toda uma vida.
Só é preciso a coragem de escolher viver projectando felicidade em vez de viver antecipando a infelicidade, viver em liberdade de sentimentos e emoções.
E tu? Como vives?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Tristeza

Tristeza, que me inunda a alma e o coração!
Tristeza de me entender sozinha...
Tristeza de compreender quão fugaz é o amor...
Tristeza de perceber que não adianta lutar quando se está sozinha na luta...
Tristeza de não ser capaz de sonhar...
Tristeza por estar numa nuvem negra e não branca...
Tristeza por querer dormir e não conseguir...
Tristeza por continuar a lutar contra moinhos de vento...
Tristeza pelas injustiças do mundo e da vida...
Tristeza pela ausência de palavras...
Tristeza pelas palavras que são só... palavras...
Tristeza pela dor que me atravessa o coração e a alma...
Tristeza pela hipocrisia e mentira que me rodeia...
Tristeza por ter de "crescer" e encarar a realidade...
Mas acima de tudo
tristeza por amanhã ser um novo dia sem ti!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Inconsolable

I close the door
Like so many times, so many times before
Felt like a scene on the cutting room floor
When I let you walk away tonight
Without a word

I try to sleep, yeah
But the clock is stuck on thoughts of you and me
A thousand more regrets unraveling, ohh
If you were here right now, I swear,
I'd tell you this

CHORUS:
Baby I don't want to waste another day
Keeping it inside it's killing me
Cause all i ever want, it comes right down to you
I'm wishing I could find the words to say
Baby I would tell you every time you leave
I'm inconsolable

I climb the walls
I can see the edge but I can't take the fall, no.
I've memorized the number
So why can't I make the call?
Maybe 'cause I know you'll always be with me
In the possibility

CHORUS:
Baby I don't want to waste another day
Keeping it inside it's killing me
Cause all I ever want, it comes right down to you
I'm wishing I could find the words to say
Baby I would tell you every time you leave
I'm inconsolable

I don't want to be like this,
I just want to let you know,
Everything that I'm holding,
Is everything I can't let go, can't let go.

CHORUS:
Baby I don't want to waste another day
Keeping it inside it's killing me
Cause all I ever want, it comes right down to you
I'm wishing I could find the words to say
Baby I would tell you every time you leave
I'm inconsolable

Don't you know it baby
I don't want to waste another day

I'm wishing I could find the words to say
Baby I would tell you every time you leave
I'm inconsolable

Para ver o vídeo, carregar na imagem

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Amar e Recomeçar

Hoje devia estar feliz... mas neste momento não estou.
Achava que era forte, que estava a crescer, que estava a conseguir vencer as mágoas... mas no final não foi, mais uma vez, senão uma representação, uma ilusão.
Que acabou, como se acaba uma peça quando cai a cortina no teatro.
Tento, tentei esquecer que me tinham partido o coração como ninguém o fez nunca.
Fiquei preocupada com a tristeza que senti do outro lado do ecrã pela morte súbita do melhor amigo.
Com a tristeza pela vida que se alterou.
E mesmo sabendo que nunca sentiu essa tristeza pelo que eu sofri, pela minha partida, achei que tinha esquecido, que tinha vencido a dor.
Achei que conseguia ser o ombro amigo, a pessoa que anima, faz sorrir.
Como sempre fiz com toda a gente à minha volta, também hoje achei que conseguia vestir o papel de palhaço, que com o coração despedaçado faz rir os outros.
E então, pela primeira vez em meses, sentei-me, escrevi, troquei mensagens, mails. Ouvi falar, deixei desabafar os sentimentos (na medida do possível para quem sempre escondeu e sempre quis guardar o controlo).
E até me estava a sentir bem!
Sentia-me como "uma pessoa crescida" que consegue dar à volta ao que viveu.
Mas no meio de tudo, no meio da brincadeira para animar o outro lado.... apareceram algumas indirectas... algumas referências (acredito que inocentes e sem maldade - afinal, eu não estava com a minha "pele" de palhaço vestida?!) ao que vivi, a situações românticas criadas no passado.
E aí... veio a triste realidade.
O desiquilibrio da minha nuvem...
Desapareceu o sorriso de quem estava a conseguir ter uma conversa "normal".
Desapareceu a satisfação de estar a animar o outro lado, a fazer esquecer a dor pela perda do amigo.
E ficou novamente a dor. A tristeza. A incomprensão.
Ficou aquela noção de que ainda não "cresci" o suficiente para conseguir ignorar algumas dores.
Ainda não consigo ser aquele ombro que foi maltratado, chicoteado, mas mesmo assim está lá para apoiar nos momentos difíceis.
Depois daquela alusão, ficou aquele sentimento egoísta de... e quando eu precisei de ti, onde estavas?
Quando me partiste o coração, pisaste, atiraste os bocadinhos ao vento, onde estavas?
Mas tal como chegou, essa dor passou.
São momentos, são recordações, é passado!
O que conta é poder ser "maior" que isso e poder ajudar os outros, independentemente de ser uma ajuda unilateral, independentemente do que nos fizeram.
Não sou Jesus ou uma santa. Não dou a outra face! Tenho pés de barro!
Mas vou aprender a superar estas coisas.
Vou conseguir aceitar que todos temos lados bons e maus e que os lados maus magoam as outras pessoas.
E vou aprender a superar essa mágoa.
Porque ela vai ficar para sempre. É uma cicatriz que vai sempre marcar o meu coração e a minha alma.
Mas eu vou aprender a não a deixar reabrir a ferida!!!
Tal como sempre enfrentei os meus medos... também neste caso vou enfrentar a faca que me cortou.
E vou viver feliz!!!
E vou falar com ele e ajudar sempre que precisar. Por mais que doa.
Porque sou assim... e há coisas que não adianta negar, pois nunca vão mudar.
Basta encontrar um novo rumo!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Peter - e como a vida é tão curta para tristezas

Sei que tenho escrito pouco, que tenho usado mais as músicas para tentar transcrever sentimentos ou emoções, mas a verdade é que durante o dia passo a vida a pensar em coisas que gostava de escrever e partilhar... mas quando chega a altura de me sentar em frente ao computador... é a "branca" total.

No entanto hoje recebi uma mensagem do meu ex (sim, aquele que me estilhaçou o coração e a alma) que me fez repensar novamente as minhas prioridades.
Ele escreveu para me contar que um dos melhores amigos dele, que eu tinha conhecido numa das minhas estadias na Holanda, tinha falecido esta noite com um cancro fulminante!
Tinha 43 anos, casado, 2 filhos e, desde o momento que descobriu acidentalmente que tinha cancro nos intestinos (o mais mortal de todos) até à data em que faleceu, viveu menos de 3 meses.
O cancro é uma doença traiçoeira, que nos apanha desprevenidos, sem dar sinal até ser, na maior parte das vezes, fatal. E causa devastação nas suas vitimas e em todos os que lhes estão mais próximos.
E sei disso por experiência própria, pois tenho vários casos na família, dos quais o da minha madrinha representa um exemplo de sucesso e coragem.

Mas voltando à mensagem dele, fez-me pensar em quão tola eu sou, ou tão mesquinha, em estar triste, desiludida com ele, sabendo que ele, já na altura em que decidiu acabar tudo por mail, estava preocupado com o amigo.
Fez-me pensar na inutilidade de guardar tristezas e mágoas (mesmo nos casos de grandes mágoas), pois a vida é tão curta! Hoje estamos aqui, amanhã já não estamos.
Uma das minhas citações preferidas sempre foi "Não faças da vida um rascunho, pois podes não ter tempo de passar a limpo".
A morte do Peter e a dor dos amigos e família só fizeram com que me relembrasse disso.
Como poderia não dar o meu apoio, não estar ao lado dele no momento em que perde o amigo de mais de 35 anos de vida? Como não apoiar uma pessoa que sofre profundamente pela rapidez do processo, uma pessoa que estava esperançada nas melhoras do seu amigo, visto o tratamento estar a resultar, e que de repente o vê falecer em menos de uma semana?
Sou doida? Louca? Ingénua? Parva?
Devia ignorar esta pessoa e a sua dor e esquecer que o conheci?
Não consigo!!!
Por muita dor que me tenha causado, sei o que é perder um amigo, sei o que é perder um elemento da família (para ele o Peter era quase família) e sei como todos os apoios são importantes.
Também sei o que é um cancro, o que é saber que alguém que amamos tem cancro, o que são tratamentos a um cancro, o que é acreditar nas melhoras e depois descobrir que era ilusão....
E por isso, chega de tristezas pelas minhas "mágoas" e "dores de coração", pois comparadas com a morte não são nada.
Chega de afastar quem me magoou e está na altura de encarar tudo o que vivi como mais uma forma de aprendizagem e crescimento.
Estou muito, muito triste pela morte do Peter (apesar de o ter conhecido pouco), mas ainda mais triste pela dor que o Paul está a sentir neste momento e não o poder apoiar mais.
E por isso a minha actual mudança de vida (já em curso).
Acabaram as tristezas, os choradinhos, o trabalho que me deixa infeliz, estar triste com o que acontece aos outros, sofrer com as dores alheias, olhar para trás, etc.
Está na altura de aproveitar a vida ao máximo, fazer o que quero, quando quero, o que me deixa feliz, olhar para as infelicidades e quedas da nuvem como formas de encontrar alguma felicidade que de outra forma nunca veria.
Hoje estou aqui, amanhã posso ser levada por um cancro, por um acidente estranho, por qualquer acaso do destino!!!
E se vou continuar a precisar de tempo para digerir as minhas tristezas e quedas, vou tentar que ele seja sempre o mais curto possível e que possa continuar a seguir em frente.
O Paul já me tinha contactado algumas vezes e eu sempre recusei manter contacto (a mágoa era muito grande).
Mas depois de hoje, da sua rápida mensagem (e das que se seguiram), da dor que se sentia nas entrelinhas, só posso dizer que ele é humano, com defeitos e qualidades. Ele já na altura em que soube da notícia ficou de rastos e repensou muito as suas prioridades (se calhar foi uma das razões que o levou a tomar a decisão que tomou...), e se calhar eu fui demasiado egoísta para perceber ou dar mais apoio...
E assumir que eu só tenho de deixar de ser mesquinha e pequenina e de olhar para o meu umbigo e devo começar a viver a vida ao máximo enquanto aqui estou e apoiar os meus amigos, aproveitar a sua amizade, a sua companhia ao máximo!!!
E se isso significa abdicar de mim e do que sinto para ajudar os outros (como tantas vezes fui "acusada"), assim seja!
Mas não suporto a ideia de que alguém de quem gosto ou gostei esteja a sofrer... especialmente quando é por ter perdido alguém próximo!

domingo, 8 de junho de 2008

Triste

Parece incrível!!!
Quando estava a ficar bem, estava alegre, a fazer coisas que gosto e me apaixonam... conseguem fazer com que fique realmente triste, desiludida, decepcionada - nem sei descrever o estado.
A minha paixão, desde muito nova, sempre foi o pólo aquático.
Por esta modalidade demorei mais anos a tirar o meu curso (pois estudava, trabalhava e jogava) e coloquei em espera e atrasei muitos projectos pessoais e profissionais que interferissem com ela.
Mais tarde dediquei-me à arbitragem e locução (inicialmente apoiando como oficial e locutora, mais tarde através do curso de árbitro) e pela arbitragem deixei inclusive de jogar, tendo retomado a actividade como jogadora quando percebi que era chamada mais vezes como oficial do que como árbitro e que para isso não precisava estar sem jogar.
Como locutora cheguei a ser convidada para eventos no estrangeiro, nomeadamente um europeu e alguns torneios, sem falar nos inúmeros eventos nacionais e internacionais em que participei aqui, no nosso Portugal.
De uma forma geral, sempre coloquei de lado compromissos familiares, com namorados, amigos, etc... para estar disponível sempre que precisassem de mim. Prescindi de gozar férias durante anos, pois trabalhando numa empresa privada não podia ser "requisitada" e a única forma de poder colaborar ou ajudar era em período de férias, acumulei dias de folga para poder ir a torneios, gastei fortunas em deslocações.... e sempre tive o maior prazer nisso, orgulho, vaidade, divertimento.
Era para mim uma oportunidade de conhecer pessoas diferentes, rever alguns amigos que de outra forma não revia, conhecer novas realidades, etc.
No início deste ano a minha situação profissional alterou-se, bem como a pessoal logo a seguir.
Isto deu-me o tempo e a liberdade de fazer algo que há muitos anos desejava - criar alguma coisa que servisse para ajudar a modalidade e especificamente a arbitragem.
Nunca tendo tomado partidos em "politiquices" e "guerras" (e por muitos sendo criticada por isso), procurava e procuro trabalhar em prol da modalidade. Seja expondo casos menos claros, dando voz àqueles que não querem ou podem ser identificados, apoiando os menos experientes, criando manuais ou usando contactos internacionais para se ver a realidade internacional e como a podemos adoptar algumas práticas correntes no nosso país, a minha ideia sempre foi ter um espaço de debate ou um espaço onde poderia colocar propostas e sugestões - que poderiam ou não ser usadas ou adoptadas (não é nem nunca foi minha intenção que esse espaço fosse um local de "guerras" ou auto-promoção, pois o que eu penso pode estar certo ou errado, pode ser usado ou não, mas reservo-me o direito a uma opinião e de a transmitir).
Ao mesmo tempo, nunca censurei comentários nem ideias, pois acredito na liberdade de expressão e acho que não se pode nem deve confundir a opinião de uma pessoa com as suas acções ou profissionalismo.
O facto de eu acreditar numa coisa, ou pensar de determinada forma, não faz de mim uma pior profissional.
E sou tão estúpida que nem o facto de pensar que as coisas estão mal, nem o facto de saber que sou usada para tapar buracos ou que estou a investir o meu dinheiro sem retorno me faz parar, me faz recuar, me faz deixar as pessoas que me "usam" em maus lençóis. Sou estúpida porque adoro isto e adoro que as coisas corram bem.
Mas decididamente cada pessoa tem a sua "medida de água" e a minha transbordou!
E não querendo tornar públicos os factos que originaram o meu desencanto ao fim de tantos anos (a pedido de uma pessoa que muito respeito), sou atacada e difamada!
Não basta o desrespeito com que sou tratada... ainda me difamam e denigrem em público!!!
Mas estou triste porque percebo que não tive mais do que merecia, por acreditar nas pessoas, pelos anos e anos de estupidez e investimento pessoal e profissional!!!
Estou triste porque percebo que um dia vou ter de descer da minha nuvem e deixar de acreditar nas pessoas, deixar de acreditar que as pessoas são fundamentalmente boas para perceber que já tenho idade de deixar de acreditar no Pai Natal e perceber que há pessoas que só pensam nelas e que se não se concorda com elas ou se expõe as suas fraquezas nos vão atacar de forma infame e má-fé.
Estou triste porque, apesar de tudo, tentava acreditar que o desrespeito com que fui tratada e que me levou a deixar (pelo menos a nível federativo) a coisa que mais me apaixonava na vida tinha sido um mal entendido meu, um excesso de sensibilidade... e acordo com a prova que mais uma vez estava a ser ingénua!
Estão muito triste e desiludida porque acreditava que se podia fazer algo para tirar esta modalidade (arbitragem) do buraco em que estava, mas percebi que mereci este ataque pessoal por ser tão ingénua de acreditar nisso! Por tentar ser honesta para comigo e com os meus valores em vez de me associar a algo em que não acredito ou me auto-promover.
Fui denegrida e difamada por me recusar a manter um relacionamento pessoal ou mais intímo com alguém que não me diz nada? Por não lamber as botas a quem devo? Por expor situações que deviam estar enterradas? Por não perceber como as coisas funcionam e mesmo assim falar delas? Por ter uma opinião própria e não a calar? Por dar a cara pelo que acredito? Por lançar para o ar propostas e alternativas à situação actual?
Não sei!!!
Só sei que fui desrespeitada, ofendida, difamada, denegrida... e por muito que não ligue, que ache que a vida segue em frente... estou triste!!!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Et maintenant

Sim, eu sei que agora só coloco músicas e escrevo pouco...
Mas a verdade é que só agora consegui ter paz no coração para poder dedicar as músicas que na altura não conseguia por estar com ele demasiado despedaçado (vá-se lá perceber porquê).
E as letras destas músicas reflectem o que me vai, ou foi, no coração de uma forma mais bonita e clara que as minhas palavras poderiam reflectir.
Pensei colocar uma versão mais actual, cantada pela Lara Fabian (afinal era uma mulher a cantar o que eu sentia), mas a versão original é muito melhor e mais poderosa, por isso optei por essa.
Em Março, na altura da Páscoa e até ao final do mês... o que sentia era mesmo isto:



Et maintenant que vais-je faire
De tout ce temps que sera ma vie
De tous ces gens qui m'indiffèrent
Maintenant que tu es partie

Toutes ces nuits, pourquoi pour qui
Et ce matin qui revient pour rien
Ce cœur qui bat, pour qui, pourquoi
Qui bat trop fort, trop fort

Et maintenant que vais-je faire
Vers quel néant glissera ma vie
Tu m'as laissé la terre entière
Mais la terre sans toi c'est petit

Vous, mes amis, soyez gentils
Vous savez bien que l'on n'y peut rien
Meme Paris crève d'ennui
Toutes ses rues me tuent

Et maintenant que vais-je faire
Je vais en rire pour ne plus pleurer
Je vais brûler des nuits entières
Au matin je te haïrai

Et puis un soir dans mon miroir
Je verrai bien la fin du chemin
Pas une fleur et pas de pleurs
Au moment de l'adieu

Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Família

Hoje estou triste.

Estou mesmo muito triste, desapontada, desiludida, decepcionada, .....
Não sei se será só porque estou mais cansada (o que me faz ser mais sensível a algumas coisas), se é porque o trabalho que passeia a tarde a fazer não serviu de nada (a moldura estava avariada e não tinham outra), se é por esta chuva que não passa... ou se é porque a união familiar e os valores são algo a que sempre dei muito valor e cada vez vejo menos na minha própria família.
Atenção que com esta última afirmação não estou a apontar dedos, não estou a acusar ninguém (quem sou eu para o fazer?), pois acredito que cada qual tem as suas razões para tomar as atitudes que toma.
Mas com uma vida tão curta e que passa tão depressa, será que vale a pena guardar ressentimentos ou fomentar a desunião por coisas pequeninas ou mesquinhas?
Será que quando estivermos para morrer ou numa altura de necessidade, as coisas a que demos tanta importância, que nos fizeram cortar laços com a família, serão assim tão importantes?

Estou triste porque a minha avó (a única que me resta) vai fazer 88 anos no sábado (sim, nem é num dia de semana, é no fim de semana) e dos 3 filhos que teve, 6 netos vivos e 4 bisnetas... no seu almoço de anos só vai ter a presença da filha mais velha, da mais nova e genro, da neta mais velha e da neta mais nova e namorado.
6 pessoas a representarem 88 anos de vida!!!

88 ANOS!!!
Uma vida cheia de coisas boas e más, sucessos e dificuldades, uma idade invejável e uma família numerosa (algo que eu sei que nunca terei) e... a maior parte da família não consegue arranjar tempo ou colocar de lado compromissos e/ou as disputas para celebrar esta data com ela?!
A maioria de nós não sabe se vai chegar a essa idade, muito menos com a saúde e vitalidade que ela tem.

Despedaça-me o coração pensar que não vai ter a família toda reunida à sua volta nesta data tão especial!
Todos os anos, meses, dias, horas e minutos que podemos passar com ela serão sempre de menos (e pessoalmente já lamento não passar mais tempo com ela, nem falar mais com ela).
Pensar que não se conseguem colocar de lado "rivalidades", "intrigas", "invejas" e mais "mesquinhices" para estar com a "velhota"... é para mim algo de muito, muito triste.
Mas pelo menos vai ter a companhia de quem não se importa de colocar de lado, cancelar ou adiar qualquer compromisso para que ela esteja acompanhada e mimada neste dia (mais uma vez, não duvido que todos a adorem... mas realmente não consigo compreender as prioridades, só que cada pessoa tem a sua vida e valores e não sou ninguém para os julgar por isso).
Só lamento muito não conseguir ter a família que pensava, ou sonhava - a que consegue arranjar tempo para celebrar mais um ano de vida da sua matriarca!
Lamento não conseguir dar-lhe uma foto de família pelos seus 88 anos... entristece-me pensar que se valoriza mais o "ter razão", ou o "querer ganhar", ou mesmo razões "financeiras ou interesseiras" do que mimar a mãe, avó ou bisavó que ainda temos!
Espero que aguente até aos 90 - pode ser que nessa data se dê mais valor e se consiga reunir a família toda mais uma vez.

Lamento o desabafo, não vou falar mais sobre isto (nem quero falar), pois para mim é muito triste pensar nisto!

Deve ser por estar na minha nuvem e estar este mau tempo que fico triste, mas gostava muito de poder dar a alegria à minha avó de ter a SUA família reunida no seu aniversário.
E de conseguir mostrar à minha avó que por ela TODOS eram capazes de colocar de lado qualquer coisa e qualquer desentendimento pessoal para poderem estar com ela...

Mas pode ser que no seu enterro se consiga (infelizmente vai ser tarde demais para ela ver)!

domingo, 25 de maio de 2008

Te Busqué

Hoje estou com esta música na cabeça.
Os efeitos de uma simples mensagem...

I've been high I've been low
I've been fast I've been slow
I've had nowhere to go
Missed the bus missed the show
I've been down on my luck
I've felt like giving up
My life locked in a trunk
When it hurt way too much
I needed a reason to live
Some love inside me to give
I couldn't rest I had to keep on searching

[chorus]
Te busque debajo de las piedras y no te encontre
En la mañana fria y en la noche te-busque
Hasta enloquecer
Pero tu llegaste a mi vida como una luz
Sanando las heridas de mi corazon
Haciendo-me sentir vivo otra vez

I've been too sad to speak and too tired to eat
Been too lonely to sing the devil cut off my wings
I've been hurt by my past but I feel the future

In my dreams and it lasts I wake up I'm not sure
I wanted to find the light something just didn't feel right
I needed an answer to end all my searching

[chorus]

I look in the mirror the picture's getting clearer
I wanna be myself but does the world really need her
I ache for this earth
I stopped going to church
See God in the trees makes me fall to my knees
My depression keeps building like a cup overfilling
My heart so rigid I keep it in the fridge
It hurts so bad that I can't dry my eyes
cause' they keep on refilling
with the tears that i cry

[chorus x 3]

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Depressão - a doença mais comum nas mulheres?

Como tanta gente me diz ultimamente que sofro de depressão (pelos meus ocasionais momentos de tristeza... ok... um pouco mais frequentes nestes últimos tempos, mas perfeitamente superáveis), fui novamente ver o que se chama de depressão (neste caso seria por "amor") no meu blog de psicanálise preferido (e eu que até nem acredito muito nisso e penso que cada um deve ter a força de sair de seus "buracos" ou tristezas por si e para si...).
Mais uma vez vou tentar adaptar o texto brasileiro (e para ti B, que achas que os brasileiros tem uma visão simplista das coisas... eles também são os que mais pensam nisto...)

Depressão... onde está o desejo?
Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, a depressão é o mal mais comum entre as mulheres, superando o câncer de mama e doenças cardíacas (Revista Veja de Março de 1999 - Brasil).
O peso da depressão na ocorrência de enfarte é tão grande que ela passou a ser factor de risco isolado pela Federação Mundial de Cardiologia (Revista Veja de Maio de 2002 - Brasil)
Comparando essas informações constatamos que a depressão é um mal que cresce diariamente, isso quer dizer que a cada hora mais pessoas deixarão de fazer as suas actividades, de concluir tarefas, seus actos diários, não encontrando mais prazer em seu quotidiano.
E será que isso aparece de um momento para outro?
Não!
O deprimido é aquele que vai ao longo de sua vida cedendo em seu desejo, abrindo mão de seu prazer até o ponto onde, para muitos, não é possível levantarem-se da cama;
aliado a isso tem também emagrecimento, dores e muita tristeza, mais do que tristeza, nos dizem sentir "uma dor profunda na alma, que não sei de onde vem"; "tudo é cinza, e não importa se o dia está ensolarado"; "eu não vivo, me arrasto a cada dia"; esses são os ditos que escutamos dos pacientes que nos procuram.

Existe algo que caracteriza a depressão que é uma tristeza imensa e o fato de que o sujeito abandonar o que fazia diariamente, não encontrando forças para seus afazeres do dia-a-dia.
Até chegar ao consultório de um psicanalista, o sofredor se entupiu de medicamentos - alguns com eficácia e outros não – sendo tratados organicamente para equilibrar a química cerebral que estava desregulada, mas a maioria das vezes não falaram sobre a dor e angústia do que sentem, e alguns médicos são unânimes em reconhecer que os pacientes não podem ser tratados somente com medicamentos, precisam falar e descobrir o sentido do que lhe aconteceu.
Essa doença da alma, como é chamada, é a quinta maior questão de saúde pública e em 2020 segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) deverá ser a segunda causa de morte.
Podemos dizer que a depressão é uma das patologias do dizer.
O psicanalista francês Jacques Lacan diz que se trata de uma cobardia do desejo frente a seu desejo.
Mas será que existem no mundo 330 milhões de cobardes, sendo destes 10 milhões somente no Brasil?
Não é dessa cobardia que falamos, mas da dificuldade que o sujeito tem diante de seu desejo, esse que é inconsciente e difere da vontade consciente.
Se o desejo não fosse enigmático como poderíamos explicar o fato das pessoas dizerem que querem que tal coisa aconteça e que trabalham totalmente no caminho contrário disso?
E aqueles sujeitos que adoecem justamente no momento que conseguem realizar algo em sua vida?
Escutamos dos pacientes que chegam com a queixa de depressão, que caíram nessa doença num momento significativo de suas vidas: morte de um parente, perda ou ganho de um amor, emprego, nascimento de um filho, saída dos filhos de casa, etc.
Nunca é sem um entrelaçamento com algo acontecido.
Também verificamos, que ao longo do tempo esses sujeitos se foram calando, fazendo o que os outros queriam, pediam ou determinavam, e que em relação ao desejo deles se foram amortecendo, usando uma mordaça invisível em sua boca, mas visível quanto às consequências mostradas em seu corpo.
Alguns até se apresentam como "depressivos crónicos" onde dizem que nada , nem ninguém poderá tirar isso dele, sendo às vezes a única coisa que sobrou, pois já perderam todo o resto: trabalho, namorado, estudos etc.
E existem saídas?
É possível que o sujeito retome sua vida, seu desejo?
O que vimos na clínica é que, à medida que esses pacientes vão falando do "mal-dito" se vão encontrando em seus dizeres, vão mudando o seu discurso e "desenlouquecendo" a química cerebral.
Onde podem articular o seu corpo à sua fala, não mais se colocando como massa corporal orgânica, mas como um corpo que é afectado pelo dizer, pelo discurso, ou de outra forma, pelo simbólico, esse registro que nos tira da animalidade.
É falando que esses pacientes descobrem o curto - circuito de suas falas e colocam seu corpo em outro lugar, no verbo.
Dra_Andreneide DantasPsicanalista
in: http://psycneuro.blogspot.com/

Bem... se analisar muitas das coisas ditas... eventualmente até terei passado por uma fase de depressão. A perda de peso, a tristeza, a vontade de não fazer nada...
Mas fazendo uma análise racional (e não emocional... que é o que faço na maior parte das vezes... de forma impulsiva)... até foi/é bom que isso tenha acontecido!

  • A perda de peso foi ideal (estava a precisar e pela primeira vez fiquei sem apetite em vez de me enterrar em comida rápida);
  • A vontade de não fazer nada fez com que percebesse que não era feliz com o que fazia e me levasse a procurar novas alternativas (se não de trabalho ou de profissão, pelo menos de algo que me fizesse feliz, ocupasse o meu tempo e a minha cabeça - a escrita)
  • A tristeza - faz parte da vida. Todos tem altos e baixo. O que interessa é terem a força de sair deles. E mesmo que sejam como eu (uma pessoa que não fala dos seus problemas ou tristezas), a escrita permite "desabafar", permite que os outros saibam o que sentem, sem aquela pressão do "Estás bem?", "Vamos falar disso", "Tens de falar para resolver". É perfeito poder escrever... ajuda a tristeza a voltar para o fundo do coração, permite analisar o porquê de existir e procurar a cura... e se forem como eu e escreverem no vosso blog... permite que os outros a partilhem de forma indirecta convosco, sem terem de a reviver a cada vez que falam nela.

Por isso, se pensarmos bem... uma depressão de vez em quando até faz bem! Faz-nos crescer, ficar mais fortes - sermos melhores pessoas no futuro!
Viver sempre felizes e satisfeitos, não será uma forma de utopia maior do que viver numa nuvem?
Não são "as coisas que não matam, engordam" que nos fazem ficar mais fortes, crescer como pessoas? E reconhecer as nossas fraquezas não nos ajuda a aprender a superá-las (ou aceitá-las)?
Por isso digo e confirmo...depois de uma tempestade, devemos olhar para as nuvens e o céu azul, pois há sempre nuvens livres para onde subir! Há sempre o sol e o mar! De que adianta ficar triste ou deprimido quando há tanta coisa bonita para se ver e viver?

Sozinha no meio da multidão

Tenho frio!
Muito frio... daquele frio que está nos ossos, no coração, na alma... que não sai... que nem o sol consegue aquecer.

E estou cansada! Tão cansada!
Estou cansada de se idealista, de confiar nas pessoas, de acreditar... de lutar... de ser forte... de ser "extrovertida"... uma querida... aceitar todos pelo que são.

Sinto-me vazia, esgotada... no limite das minhas forças.
Mas não posso nem vou ceder!

E é triste sentir isto e perceber... que ninguém me conhece verdadeiramente.
Por vezes, se penso nisso... é incrível como as pessoas "compram" a imagem que lhes vendo.
Como se podem enganar sobre aquela imagem de força... de alegria... o famoso sorriso que encerra o não menos famoso mau-feitio.

E sinto-me sozinha! Mais sozinha do que nunca!
Cansei de ser quem os outros pensam que sou, ou querem ver:

A pessoa forte e em quem toda a família pode confiar para ajudar nos problemas, apoiar, estar lá quando mais ninguém está.
A filha, irmã, neta, sobrinha que está sempre bem... que aceita as "bofetadas", maus tratos e más disposições de toda a gente e ainda dá a outra face e o chicote se for preciso... e que nunca se queixa de ser a última prioridade de todos (porque os outros tem muito mais problemas... ou se calhar é porque vivem para eles e eu não...), que não se importa de ser a menos importante... afinal é para isso que sou tão indepente e forte, certo?
A funcionária exemplar, que se mata a trabalhar para que tudo esteja feito (e bem feito, que se é para fazer, mais vale fazer bem) a horas, mesmo que para isso se sacrifique a vida pessoal.
A líder exemplar, que consegue formar equipas, levar as pessoas a darem o melhor de si... e mesmo assim respeitar a sua individualidade e carácter, pondo-se em primeiro lugar para poupar quem ainda tem vida e é mal pago (eu sei que assim nunca irei a lugar nenhum).
A responsável que cumpre e supera objectivos, mas que é penalizada porque não era o modelo e chefe que se queria - uma pessoa que não faz nada e diz sim a tudo...
A desportista que quer fazer algo pelo desporto que ama... e que só tropeça em pedras e obstáculos... que é usada e abusada sem sequer um agradecimento, mas persiste no seu idealismo.
A amiga que está lá quando precisam... mas que quando precisa descobre que está sozinha... pois parece que se não se for dizer às pessoas que se está mal... eles não conseguem ver isso.
A pessoa que se apaixona perdidamente e acredita em tudo o que lhe dizem... e que é atirada para o meio duma auto-estrada, de um carro em movimento, como um animal que se abandona porque já não temos tempo ou paciência para gostar dele.
A namorada que aceita os defeitos e as dificuldades, que está lá para apoiar... que é magoada mas compreende que as pessoas são diferentes... que luta pelo amor que sente... e perde sempre...
A pessoa que é pior que os palhaços do circo, que vai a eventos sorrir e animar os outros, quando tem a alma a sangrar.
A idealista que acha que as pessoas são boas e que com comunicação tudo se resolve. Apenas para se aperceber que embora ela comunique... os outros não o fazem e ela é que fica mal...

Cansei de ser assim... da dor que implica... do frio que se sente. E o pior é que não sei mudar.
Faz parte de mim... esta coisa de pensar nos outros para evitar pensar em mim. De encontrar quem precisa de ajuda para evitar pensar que eu queria era ter alguém que o fizesse por e para mim.
Cansei de acreditar ... de sonhar... e de acordar sempre com a realidade...quem precisa de espaço... acaba sozinha no meio da multidão, pois ninguém presta atenção aos seus gritos surdos... estão todos demasiado distraídos e absorvidos nos seus problemas.

Eu sei que passa... sempre passou...
Mas com o passar dos anos e as nódoas negras... vai custando mais e mais a passar...
A multidão é cada vez maior... e eu sinto-me cada vez mais pequena... cada vez com mais frio... cada vez mais sem voz...

E não há lareira ou aquecedor que me tire este frio da alma, dos ossos, do corpo...

Só me resta esperar que venha o calor... e que consiga enterrar novamente este frio... e voltar a ser aquela pessoa que esperam que seja... que não dá problemas a ninguém... que está sempre a rir... que está sempre disponível, mesmo que implique ser pisada uma e outra vez.

Há sempre a esperança de um dia a minha nuvem ficar mais perto do sol... e assim poder estar sempre quente... mas cada vez duvido mais...
E a cada dia... a cada nova desilusão... a cada nova "facada"... a cada nova descoberta da realidade... sinto que ela em vez de ir em direcção ao sol... vai em direcção ao pólo norte... e eu estou só de calções e t-shirt...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Tristeza

E lá está... estava tão bem... feliz mesmo... e conseguiram que ficasse de novo triste!!!
O que vale é que será por pouco tempo... já começo a recuperar depressa dos "trambolhões".
Tinha tantas ideias... tantas escolhas para escrever hoje... mas uma porcaria de um mail indesejado veio estragar tudo isso.
Não consigo compreender como funciona a cabeça das pessoas... e está provado que nunca compreenderei como funciona o coração!
Porque é que, quando se acaba com alguém da forma como acabaram comigo... quando se dizem as coisas que foram ditas (ou será que devia dizer escritas... pois nem tive direito a uma conversa?) e que me apanharam completamente de surpresa... não se fecha essa porta e se deixa a pessoa recuperar a sua vida?
Porque é que se empurra alguém da sua nuvem, quando ela estava lá bem alto... bem feliz... e se atira essa pessoa para um poço sem fundo (tipo aqueles que temos nos nossos pesadelos... em que nos sentimos a cair e não vemos o fim)... e quando a pessoa volta a subir para a nuvem (sim, mesmo nos pesadelos acabamos por acordar...) se vai lá empurrar de novo?
É algo que realmente não percebo... talvez porque aqui nas nuvens se trabalhe de outra maneira... se tenha outro respeito pelas pessoas e sentimentos... mas porque é que as pessoas agem desta forma...?
Alguém me consegue explicar porque é que uma pessoa decide acabar com outra, de surpresa, por mail, sem uma palavra, uma conversa (mesmo telefónica)... com a simples explicação de... deixei de gostar de ti - e depois não a deixa viver a sua vida em paz?!
Eu, isto não consigo perceber... sente-se que nos arrancaram o coração... que nos atiraram de cabeça da nossa nuvem T0 (a minha é um excelente T2 que até já estava pronto para alugar...)... ficamos destroçados... tentamos perceber e não conseguimos... MAS... como o tempo tudo cura... vamos conseguindo superar as coisas.
Até porque se deixaram de nos amar (ou se calhar nunca amaram)... e da forma como foram feitas as coisas... para quê chorar por essa pessoa e pelo que aconteceu? E há coisas muito mais importantes na vida que merecem a nossa energia do que isso.
Então conseguimos "enterrar" a mágoa... recolhemos os bocadinhos de coração que estão espalhados por todo o lado (como se uma mina os tivesse feito explodir), levantamos a cabeça e seguimos em frente.
E pensamos.. ok, está acabado, desliga-se a ficha... pelo menos não temos que contactar ou ver essa pessoa que tanto nos magoou!
Errado!!! E inocência de viver numa nuvem!!! Inocência de acreditar nas pessoas!!! De confiar sempre, mesmo quando nos pisam...
Porque quem nos magoa assim... não vai desistir à primeira. E é isso que não percebo... e não consigo perceber... e me deixa triste.
Porque não nos deixam em paz?!
Não é uma relação que acabou de forma natural... saudável.
Não é uma relação que acabou de comum acordo.
Ou se calhar eu não consigo ser assim tão civilizada que mantenha uma relação cordial com quem me tentou destruir (e digo tentou... porque embora me tenha sentido destruída... não há ninguém que o vá conseguir NUNCA).
Desde esse fatídico dia (porque foi um dos piores da minha vida... e na pior altura possível)... lutei para desligar, para esquecer.
Mas cada vez que recupero a minha felicidade, o meu sorriso... tenho uma mensagem ou um mail de tal pessoa.
E é só para magoar!
Só para ferir... esfregar terra na ferida que estava a fechar.
E para quê? Com que objectivo?
Se uma pessoa já acabou connosco de surpresa, com a indicação que de um dia para outro deixou de gostar de nós, se já disse que se calhar nunca gostou... para quê repetir isso mais de um mês depois?! Ou semanalmente por sms ridículos que nos vão enviar as nossas coisas (são só coisas... nunca servirão para tapar buracos ou sentimentos)...
Porque não deixar que cada um siga a sua vida?!
Se eu consigo avançar (e fui eu que caí da minha nuvem), porque não o faz quem nunca gostou de mim?
Porque insiste em repetir que está feliz, que não sente a minha falta... que não sou nada para ele... que já comprou a casa que durante meses dizia que iria ser a nossa casa... e o carro que não queria comprar...?
É que quando ele se tornou "nada" para mim, eu não precisei de lhe dizer isso, ou repetir regularmente!
O que faço ou não dos meus dias e da minha vida é assunto meu ... e deixo que siga a sua vida sem o informar disso - para quê?!
Porque esta insistência em se meter na minha? Em me fazer recordar algo que quero esquecer?
Não percebo... e isso deixa-me triste...
Mas amanhã o sol sobe de novo, brilha de novo... e eu vou buscar nova inspiração.
Hoje é que fiquei triste (sei que não devia, que não merece, etc....mas fiquei) - e o pior é... NEM SEI PORQUÊ!
Related Posts with Thumbnails