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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Capuchinho Vermelho

Uma fabulosa explicação/interpretação desta história do nosso imaginário infantil, na sua versão brasileira.
Recomendo a todos os pais e professores a sua leitura, para a poderem explicar devidamente às crianças.

Chapéuzinho Vermelho

Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores — o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, - natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.).

Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?" Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde".

Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology Of Everiday Life", The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez — o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado — e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó.

Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranóica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behavior in the Human Female". W. B. Saunders Company, Publishers.) Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.

Extraído do livro "Lições de Um Ignorante", José Álvaro Editor - Rio de Janeiro, 1967, pág. 31
imagem: www.mkgeventos.com.br

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Tempos Inesquecíveis

Meu Deus!!!
Estou a chegar à idade de dizer "no meu tempo..." ou, como no anúncio, "eu ainda sou do tempo em que...".
Mas a verdade é que ontem recebi este mail, e não resisti a partilhar com todos aqueles que também se conseguem rever nestas palavras, pois "eu ainda sou do tempo em que..." - e bem gostaria de voltar a viver esses dias:
  • As decisões importantes eram tomadas mediante um prático pim, pam, pum...
  • Os erros de gramática se emendavam dizendo simplesmente: "Arranca a folha e faz outra vez!"
  • O pior castigo era dizerem-nos para escrever 5 vezes: "Não devo..."
  • Ter muito dinheiro significava poder comprar mais doces, rifas ou um gelado no recreio...
  • Um saco com caricas podia manter-nos felizes e ocupados durante toda a tarde...
  • Era normal termos 2 ou 3 melhores amigos e todos os que tinham mais de 18 anos eram velhos...
  • Polícias e Ladrões era um jogo que se jogava no recreio e onde era muito mais divertido ser ladrão em vez de polícia...
  • Venenosa referia-se a uma espécie de cobra ou substância e não a pessoas...
  • Para viajar da terra ao céu só se tinha de pensar que se era astronauta ou super-herói...
  • Era óptimo jogar futebol, sem que as regras tivessem importância...
  • O pior que podia acontecer com o sexo oposto era ser-se apanhado a brincar com carrinhos ou com bonecas...
  • Levar uma arma para a escola queria apenas dizer que se tinha sido apanhado com uma fisga na mão...
  • "O último a chegar é burro" é o grito que nos fazia correr desenfreadamente até sentirmos que nos rebentava o coração...
  • Ninguém no mundo era mais bonito que a nossa mãe. Só ela beijava os arranhões e fazia com que nos sentíssemos logo melhor...
  • Desilusão era ter-se sido escolhido em último lugar para a equipa da escola...
  • Guerra só significava atirar caroços de cereja e bolinhas de papel durante as horas livres...
  • Os balões eram a mais moderna, eficiente e poderosa arma que se tinha inventado...
  • A guerra era uma coisa que tinha acontecido antes de nascermos e que nunca voltaria a suceder...
  • Os gelados e a fruta eram os alimentos essenciais...
  • Não havia nada melhor do que as tardes de Verão, para brincar com os amigos ou para esperar ver passar o vizinho ou vizinha de que tantos gostávamos...
  • Os irmãos mais velhos eram o pior tormento, mas também eram os mais fieis e ferozes protectores...
Quem se consegue lembrar da maioria destas coisas significa que ainda está vivo e aproveitou a vida.
Algumas destas coisas são anteriores ao meu tempo, mas a verdade é que me lembro de muitas delas com saudade.
Não sou saudosista, ao contrário do que possa transparecer nas palavras a seguir, mas a verdade é que hoje em dia já não existe nada disto. Já não se vai para a praceta jogar com os amigos e vizinhos, não se fazem fogueiras nos santos populares, não fazemos festas na rua ou na garagem do vizinho...
Quem pensaria em fazer jogos de pião, em jogar com caricas, jogar ao mundo com estacas e piões?
Quem joga ao mata, sem ser na ginástica da escola (se é que ainda se joga)?
Passámos de um mundo em que se vivia com pouco e nos divertíamos com os amigos, na rua, em festas e bailes, para um mundo em que as festas são em casa ou em recintos alugados, não há brincadeiras na rua e quem sabe o que são pracetas sem carros e onde se pode jogar?
E, apesar de já não ser criança há muito tempo, de acompanhar os tempos modernos, sinto falta desses tempos em que se podia brincar livremente na rua e com caricas...
PDI é lixada!!!
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