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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

12/365 - Perdoar ou não perdoar?

Recebi esta imagem.
Quem a enviou indicava que nunca perdoaria, pois tinha dado amor, carinho, cuidado e não tinha recebido nada, antes pelo contrário.
Da minha parte, chamem-me inocente, ingénua, otária, mas perdoaria, como sempre perdoei e continuo a perdoar tudo e todos.
Talvez seja parecida com a minha avó, que sempre dizia "perdoo mas não esqueço"...
Mas a verdade é que na maioria dos casos perdoo e esqueço, ou enterro tão fundo no coração (e na alma) que na maioria dos casos sou pisada uma e outra vez pelas mesmas pessoas, fico negra de tanta pancada que levo, magoada até ao mais profundo do meu ser, mas continuo a repetir os mesmos erros, especialmente quando se trata de família ou amigos chegados, e a perdoar uma e outra vez!
Porque prefiro acreditar que as pessoas não fazem por mal, tiveram um mau dia, mudaram (como eu mudo e mudei ao longo dos anos), não tem um fundo mau, etc.
Somos MUITO mais felizes quando perdoamos e seguimos em frente com a nossa vida do que quando vivemos amargurados e a repisar as mágoas que temos!
Serve de algo não perdoar? Ganhamos algo com isso?
E vocês, o que fariam?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

11/365 - Gratidão

Mudar!
Pensar positivo (ainda mais do que as pessoas acreditam que penso)!
Ser Grata!
Esquecer/Ignorar o que não me faz feliz!

Alguns dos lemas de vida que tem sido descurados nos últimos anos, seja pelo cansaço extremo a que me deixei chegar (mental e físico), seja pelo desgaste emocional e financeiro das situações vividas nesse período.
É uma opção, nem sempre bem entendida e que nem sempre eu própria consigo cumprir, pois é fácil ceder ao facilitismo da "vitimização". Mas tenho tantos exemplos assim, de pessoas que culpam tudo e todos pelo que lhes acontece, em vez de assumirem os erros e lutarem para se erguerem que me recuso a ser esse tipo de pessoa, ou esse tipo de modelo, para a minha filha!
Não vivo de aparências, mas não apregoo as minhas desgraças ou as mágoas. Se as tenho, ou quando existem, faço como os cães e vou para o meu canto remoer um pouco, para depois regressar alegre e feliz como sempre, "esquecendo/ignorando" tudo o resto, pois é irrelevante.
Se é uma máscara? Sim, muitas vezes é uma máscara! Porque não gosto de andar a reclamar de tudo, porque não gosto de me queixar e sobrecarregar os outros com os meus problemas, mas sobretudo porque acredito piamente que tudo tem um propósito e uma solução e que com o tempo tudo de resolve! E também porque aprendi, com o tempo, que não é por nos queixarmos que as coisas se resolvem, nem as pessoas ficam melhores...
Há algum tempo, num almoço, perguntaram-me "Como estás?"
Respondi que estava bem, como sempre respondo. A reacção que recebi (a esperada de quem fez a pergunta) nunca deixa de me surpreender " Bem?! Bem?! Como podes dizer que estás bem se estás desempregada e tens uma filha para sustentar e uma casa para pagar? Achas que isso é estar bem?..."
A verdadeira "mentalidadezinha" de merda! Parece que se espera que as pessoas chorem os seus males e andem para aí a queixar-se a torto e a direito ou sempre de má cara. É que nem se tenta ver mais além...
Quando fiz as duas biópsias com uma remoção de tumor pelo meio, também me perguntavam como estava, e também ficavam com uma cara estranha quando respondia que estava muito bem.
Não sei se é um hábito tipicamente português, se faz parte da cultura ou tradição, ou se é algo das pessoas que me rodeiam... mas só estão bem a queixar-se ou a chafurdar na desgraça dos outros - é tudo uma desgraça. Como é que chegámos a este ponto?
Porque é que diria que é algo que me preocupa (ainda) não ter O trabalho, se posso ver pelo lado positivo como uma forma de me cultivar através dos cursos que faço, melhorar o meu CV, encontrar um novo rumo, fazer voluntariado, estar com a minha filha e, acima de tudo, recuperar energias física e mentais?
Há que ser honesta, são muitos mais os motivos para agradecer e ser positiva do que os que existem para enterrar a cabeça na areia: tenho uma filha linda que me adora, uma casa, comida na mesa, o que vestir e calçar, uma família (imperfeita, mas que existe e está lá para o melhor e o pior, nem que seja como exemplo do que não fazer), poucos mas bons amigos, o mar perto de casa, estou a fazer um curso que é interessante e um excelente complemento para a minha carreira, tenho saúde e dois braços para trabalhar... o que mais se pode pedir?
Não digo que se tenha de andar todo o dia, ou todos os dias, sorridente e a cantar! Não sejamos extremistas. Nem que se tenha de andar todo o dia com uma máscara colocada, para que os outros não percebam os nossos problemas. O segredo é mesmo esse - é que não deve ser uma máscara!
Os problemas existem, vão existir sempre enquanto não lidarmos com eles e os resolvermos, ou enquanto os ignorarmos ou não tivermos forças de os enfrentar. Temos é de conseguir ver o lado positivo da coisa (o que nem sempre é fácil, especialmente quando existem "estrelinhas" pelo meio), aproveitar o momento e não focar no negativo.
Simplista? Talvez. Nem sempre eu consigo, ainda há muito trabalho pela frente.
Mas muito possível. Porque estamos rodeados de pessoas das quais dependemos e que dependem de nós e energia positiva atrai energia positiva (sempre acreditei nisso).
Alguns exemplos:
Se estou no parque a brincar com a minha filha, porque é que vou estar a remoer no stress que algumas situações familiares me causam, em vez de aproveitar estes momentos com ela para ser feliz e criar memórias felizes?
Se estou a almoçar com uma amiga, porque é que vou perder tempo a queixar-me da vida, quando podemos estar a falar de coisas tão mais agradáveis e a fazer projectos futuros?
Se  estou a namorar, porque é que me vou focar em tudo o que pode dar errado, ou tudo o que ele tem de mal, ou todos os problemas que eu possa ter ou na nossa bagagem, em vez de me focar no quão felizes somos juntos e no que podemos construir?

GRATIDÃO!
Praticar, hoje e sempre - ser grata pelo que tenho! Porque é preciso tão pouco para ser(mos) feliz(es)! 
E o desafio deste ano é, também, praticar a gratidão. Diariamente escrever 3 coisas pelas quais estou grata e ver, no final do ano, a evolução!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

10/365 - TERMINOU! Esquecer? Perceber? Aprender?

O post de hoje é um "repost" de uma das primeiras coisas que escrevi quando iniciei este blog há muitos anos atrás. 
Não só porque esta semana de regresso às aulas tem sido mais dura que o esperado e com o cansaço acumulado a inspiração começa a falhar (e ainda só passaram 10 dias do desafio), mas também porque ao reler achei que se mantinha super actual... 
Nunca ninguém sonha passar por uma ruptura, mas a verdade é que a maioria passa por isso num momento ou noutro na vida. E o apoio dos amigos é importante, da família.
Então vamos tentar não dizer as coisas erradas, pode ser? A intenção é a melhor, já se sabe, mas as palavras, sobretudo em momentos de fragilidade emocional, podem ser esmagadoras e ferir ainda mais...

Está tudo acabado ! Terminou ! Morreu tudo entre nós ! Quero o divórcio! Não te quero ver mais! Esquece que existo! Já não gosto mais de ti! Preciso de espaço! Etc…..
Tudo isto são expressões para dizer que a nossa relação com alguém acabou (amigos, família, namorados ou esposos, …).

E qual é a reacção dos que nos são próximos (ou afastados) e que se preocupam connosco?
Ainda bem… Estás melhor assim… Não te merecia… Esquece…. A vida continua e só tens é de olhar para a frente…etc. etc.
Tudo é feito ou dito para nos confortar… Mas… será que se analisam bem as coisas?

Primeiro que tudo…porque terminou uma relação?
Com excepção da morte de alguém, que não se pode evitar (e sobre a qual falarei um dia), tudo o resto não pode nem deve ser atribuído a uma só pessoa.
Por muito solidários que queiramos ser com a pessoa que nos é querida… este tipo de expressões só pode ajudar quem se quiser colocar no papel de vítima!

Esquece?!
Como se pode esquecer num dia, ou numa semana, ou no tempo que for preciso… uma relação que se tinha com alguém?
Como se apagam todas as recordações que partilhámos com esse alguém?
Os projectos feitos em conjunto? As alegrias, as dificuldades?

Hoje em dia parece que se vive num mundo sem sentimentos, em que tudo é imediato e não se deve nem se pode sofrer uma perda… tem de se seguir em frente… o futuro é que interessa.
Concordo que deixar passar a vida a olhar para o passado e para o que acabou é um erro, mas acima de tudo é necessário saber porque se chegou a esse estado de perda.
E… pela minha experiência pessoal… só perdemos alguém na vida por… falta de comunicação!
Numa relação (seja de amizade, seja de amor, seja de que tipo for…) existem sempre 2 pessoas. É alimentada por 2 pessoas.
Há alturas em que uma delas contribui mais, outras em que recebe mais do que dá, outras em que se calhar só recebe… mas está sempre presente.
E se as coisas começam a ser difíceis (alguém conhece uma relação, de qualquer tipo, que não tenha tido altos e baixos?), é com base na comunicação que se resolvem.
A verdade é que hoje em dia as pessoas só comunicam no início da relação… e por norma, a partir daí, idealizam o resto ou sonham com o que gostavam que a outra fosse, sem verdadeiramente olhar para ela, ouvir, compreender ou aceitar…. E acima de tudo sem falar!
É cada vez mais complicado encontrar amigos que comuniquem regularmente e da mesma forma que comunicavam ao início, casais que partilhem o que sentem como partilhavam no início, etc….
O tempo, a vida rotineira, a correria do dia a dia fazem com que as pessoas deixem de dar valor à comunicação. Espera-se que o outro perceba, conheça os sinais… adivinhe… mas… falar, comunicar, dizer o que se passa e sente… isso é mais complicado. Não há tempo! Não é preciso!
Por isso é que se chega a um ponto de ruptura? Não por culpa de um ou de outro… mas porque se deixam acumular as coisas sem se falar delas, sem se tentar perceber, resolver.
E não é a forma como se apresenta a ruptura que deve contar e ser valorizada… mas sim o facto de se ter chegado a esse ponto.
Muitas vezes há sinais… que são visíveis. Outras vezes não há sinais (ou não se querem ver). Mas a ruptura chega porque uma das partes desiste (ou nunca o fez) de falar. De comunicar, de partilhar.
Num casamento, numa amizade, numa relação de qualquer tipo… não pode ser só um lado a dar e outro a receber. Não deve haver um lado que aguenta tudo e outro que recebe. Um lado que é forte e outro fraco. Um lado que quer fazer o outro feliz e o outro que só quer receber felicidade.
Tem de ser uma partilha… de bom, de mau, de felicidade, de infelicidade, mas acima de tudo… de muita comunicação.
Nos casamentos diz-se que é para o bem e para o mal… e a verdade é que, muitas vezes, as pessoas se afastam no mal…
Há muitas pessoas que tem bastante dificuldade em exprimir sentimentos (e os homens em particular, muitas vezes pela forma negativa como foram educados ou a sociedade encara esse tipo de comunicação vinda de um homem). Ou que acham que aguentam tudo… mas a verdade é que… se não se conseguirem abrir, se não conseguirem partilhar o que querem, o que gostam, o que estão a sentir… nunca vão ser completas… nem felizes…e não vão aguentar!
Não se pode pedir abertura a outra pessoa, sem se estar preparado para dar e receber essa mesma abertura.
Qualquer relação é feita de reciprocidade… e sem ela… nada existe ou pode ser construído.

Por isso, da próxima vez que alguém perto de vocês termine uma relação… não digam para esquecer, para andar para a frente, etc…. De certeza que eles já sabem tudo isso.Perguntem antes se comunicavam? Se quando estavam felizes ou tristes falavam sobre isso? Procuravam soluções? Se quando estavam juntos partilhavam os sentimentos e opiniões ou só as coisas boas e guardavam as más?
Ou se apenas se limitavam a andar juntos, de “olhos fechados”, fingindo que estava tudo bem… e só quando uma das partes decidiu que não estava bem e queria sair… é que se aperceberam que as coisas nunca foram ditas ou faladas…

A felicidade numa relação vem de dentro, da partilha – e de aceitar que se podem partilhar as coisas más e os maus sentimentos.E se terminou… mais do que pensar em esquecer…se valeu a pena….no sofrimento que se sente… na forma como terminou….
Pensem se fizeram tudo ou disseram e ouviram tudo o que deviam?
Se conseguiram aceitar as diferenças de opinião, gostos, personalidade do outro lado?
Se conseguiram aceitar as semelhanças de feitios e caracteres de cada um?
Se falaram sobre os diferentes horários de cada um, de prioridades, de espaços, …?
Se tentaram perceber se estava tudo a ser dito ou se, como eu, estavam a viver numa nuvem… negra?
Se lutaram para ter uma relação ou esperaram que fosse tudo um mar de rosas e ignoraram os espinhos?

Se fizeram sempre tudo isto…. Tenho muitas dúvidas que verdadeiramente consigam terminar a relação…
E se, apesar de tudo isto, terminou… então é porque efectivamente não eram feitos para estar numa relação… e com tudo isto sempre feito… não fica mágoa, não há dor, não há sofrimento… pois é uma decisão consensual – são demasiado diferentes para estar numa relação de qualquer tipo.

TERMINOU com dor, mágoa, sofrimento (de um ou ambos os lados)... Não é a forma como acabou que é importante ou doi mais(apesar de contar para a dor)…. Mas o facto de se ter falhado…de ter acabado…e de na maior parte dos casos ser por se ter esquecido uma coisa tão simples e básica como… COMUNICAR!

Pensem nisto da próxima vez que disserem a alguém para esquecer e seguir em frente, pois se as pessoas não tiverem presente o que falhou e o que podem e devem mudar… não serve de nada atribuir a culpa à outra parte…porque nunca se vai esquecer!
Mais do que esquecer… percebam!
E percebam que esquecer… leva o seu tempo. E cada pessoa é diferente da outra e precisa de espaço e tempo para si antes de esquecer (uns esquecem na hora, outros em 24h, outros num ano, outros … nunca esquecem).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

9/365 - As mães são bipolares, não são?

Já muita gente falou neste tema, é algo em que penso recorrentemente e só posso concluir que a verdade é que, como mães, só podemos ser esquizofrénicas ou bipolares. Senão, usando apenas um "suponhamos" e ignorando o óbvio, que somos as melhores mães do mundo, que só usamos disciplina positiva e parentalidade positiva, nunca gritamos e acima de tudo nunca damos uma palmada no rabo, mesmo a sério, claro.... vejamos alguns exemplos:
Num momento estamos a gritar " Ou arrumas já tudo ou vai direitinho pela janela fora!!!". No momento seguinte estamos a abraçar e a dar beijinhos e a ajudar a arrumar porque ficaram a fazer beicinho ou a chorar por estarmos zangadas ou tristes!
Num momento estamos a dizer, com a nossa cara de bruxa má "Vais já para a cama e nem quero ouvir mais um pio!" e logo a seguir estamos a ajudar a deitar, a dar beijinhos, a ler uma historia e a dizer "amo-te muito, sonhos cor-de-rosa!" com a voz mais melosa do mundo!
Num momento estamos em profundo stress e completamente descabeladas, para sair de casa de manhã com mil e um sacos e mochilas, aos gritos que estamos atrasados (como sempre). A seguir estamos a sentar com cuidado no carro, a dar um beijo e vamos a cantar todo o caminho até à escola!
Num momento fugimo para a casa de banho, porque precisamos de respirar e de um tempo para nós, no momento seguinte depois da porta se abrir e entrarem "para não estarmos sozinhas", estamos a contar-lhes histórias enquanto a nossa privacidade foi, literalmente, pelo cano.
Num momento estamos a dizer que não podem comer chocolates, gomas ou bolachas porque está na hora de comer, mas nós estamos escondidas na cozinha a "preparar" a comida e a enfardar pão com manteiga, batatas fritas ou bolachas às escondidas!
Num momento só queremos um dia de descanso, um fim de semana de paz e sossego, mas na mesma tarde em que o conseguimos já estamos mortas de saudades e ansiosas por um telefonema!
Num momento ansiamos pelo tempo em que eram bebés e dependiam de nós, no seguinte pelo momento em que serão crescidos para programas a dois.
Num momento não os deixamos levar aquela roupa porque é simplesmente horrível, no seguinte estamos a comprar-lhes os sapatos de brilhantes mais pirosos do mundo só porque... são tão giros e ela adora!
Num momento estamos irritadíssimas porque fazem caretas com a comida e não querem comer, demoram horas ou, sem provar, olham e dizem que não gostam. No momento seguinte estamos a tentar controlar o riso (por os genes serem tão fortes), já que quando lhes dizemos que tem de comer tudo, "pois há muitas crianças que não tem nada para comer e deviam agradecer por ter comida", eles respondem o mesmo que nós respondíamos na sua idade "Mamã, mas se tem fome podes dar a minha comida que eu não quero!" 
Como estes há tantos, mas tantos mais exemplos a dar... que podíamos estar aqui a noite toda.
O top dos tops é acabar de gritar/zangar/castigar/aborrecer com algo e logo a seguir dar abraços, carinhos, beijinhos, miminhos e dizer palavras de amor para os deixar a descansar tranquilos, sabendo que por mais asneiras que façam vamos sempre amá-los mais que à vida!
Quem é que também acha que é bipolar em relação aos filhos?


domingo, 8 de janeiro de 2017

8/365 - Birras em 2017

Para 2017, a minha adorável nuvenzinha tem 3 desejos:
- Ir à Disneylandia no Natal
- Ter um cão ou um gato
- Que a mamã tenha um trabalho novo

O primeiro implica poupar muito dinheiro e vai ser complicado, pois já foi um esforço ir em 2016, o segundo ainda mais complicado vai ser, pois a mamã é alérgica a gatos e por muito que adore cães não acredita muito em cães fechados em apartamentos*, mas o terceiro é simplesmente adorável e ela explicou que não basta ser um trabalho novo, quer que seja um em que a mamã possa ser feliz, ter muito dinheiro e tempo para estar com ela!

Depois de falarmos as duas sobre os nossos desejos para este novo ano, chegámos à conclusão que temos um desejo comum - acabar com as birras, os gritos, as respostas tortas e as irritações sempre que as coisas não lhe agradam (e eu controlar a minha impaciência e irritação com as mesmas birras e gritos, que sempre foi algo que me tira logo do sério).
O remédio para encontrámos para as duas? Respirar fundo e.... um abraço apertado seguido de um pedido de desculpas!

Ainda só passaram 8 dias, ela continua a ter momentos de frustração (é um dos seus grandes eixos de progresso, saber lidar com esses sentimentos e com a irritação), mas passam rapidamente com um abraço. A melhor parte é que a iniciativa já parte dela em algumas das vezes, quando me vê mais calada ou a afastar para respirar e não dizer nada que não devo ("mamã, um abraço para fazer as pazes?") ... e as coisas retomam o seu ritmo normal e feliz, como deve de ser quando uma mãe e uma filha se amam.

A meta é conseguirmos, as duas, melhorar muito neste aspecto, diminuir as birras, aumentar o dialogo positivo e construtivo (ela bloqueia muito) e chegarmos ao fim do ano ainda mais unidas!

Um desafio acrescido se avizinha, pois amanhã começam as aulas e o acordar (ainda) mais cedo - vamos ver se as coisas continuam no bom caminho!


*Se souberem de um Toy Poodle ou um Chevalier king Charles para adopção ou doação avisem, são as únicas excepções admitidas cá em casa, mas como sou contra comprar cães quando há tantos a precisar de serem adoptados, só mesmo se for oferecido ou adoptado :)

sábado, 7 de janeiro de 2017

7/365 - A igreja

A igreja é pequena, muito pequena (é uma antiga ermida).
Está a precisar de obras urgentes (somos sempre relembrados disso em cada celebração). O telhado tem a madeira a ceder, a tinta das paredes está a cair, os bancos estão velhos... e no entanto o que se sente é amor e alegria!
Os mais pequeninos sentam-se do lado direito, os mais crescidos do lado esquerdo e o grupo de jovens na frente, com a viola ou os seus instrumentos (hoje era um Djembé) e as vozes bem afinadas. Os adultos ficam nas filas atrás ou, como no meu caso, no "andar de cima". Tanto o pároco como os seus ajudantes são simplesmente... fabulosos, ou não fossem Consolata!
A minha fé, ou falta dela, sempre foi algo controverso ao longo da minha vida. Cresci como católica praticante até ao Crisma. Com a morte do meu irmão a fé sofreu um grande abalo e mesmo sendo catequista, os escândalos e abusos da igreja acabaram por a destruir, pelo menos na parte do ir à missa ou das confissões, que confesso sempre ter achado um pouco hipócritas.
No entanto, esta igreja, este padre, este grupo de jovens, a minha filha e a sua alegria contagiante, a alegria que se vive nestas missas estão a conseguir reconciliar-me com a minha fé.
Apesar de a ter batizado (quase mais como tradição familiar, confesso, e noutra igreja), nunca lhe quis impor nenhuma fé. Sempre desejei que ela estudasse as diferentes religiões, como eu fiz e, se se identificasse com alguma, seria livre de a seguir.
Mas um dia, ao acompanhar a amiga à catequese, ela apaixonou-se! Adorou a catequese, adorou a missa e ficou convertida - nasceu uma "beata"!
Hoje em dia ela desiste de ir ao teatro, a festas de anos, a saídas.... para não faltar à catequese e à missa! Só mesmo por algo muito especial (ou alguém) é que ela abdica destes seus momentos.
E como a compreendo!
Começam sempre com a catequese, que é à base de actividades de carácter lúdico-social e no final tem uma missa especialmente vocacionada para os jovens, dos mais pequeninos que iniciam o seu caminho na fé aos mais crescidos. A missa é muito musical, com a maioria das orações a serem cantadas pelo grupo de jovens, orientados por missionários Consolata com vozes simplesmente incríveis! Em quase todas as missas há um ecrã onde estão a ser projectadas as leituras ou as letras das músicas e das orações, para que todos possam seguir. Os sermões são curtos, muito interactivos, com questões e brincadeiras com os jovens, de forma a que compreendam o que foi dito de uma forma adequada e adaptada a eles. As músicas das orações são também, por vezes, em dialectos africanos, com tanta musicalidade que os jovens até dançam ao ritmo delas! Mesmo o momento da comunhão é lindo, com os mais pequeninos a também irem "comungar", com os bracinhos cruzados em frente do peito e o pároco a dar-lhes a benção!
Mas, o mais especial, para mim, é mesmo a oração do Pai Nosso! Não há missa nenhuma que este momento não me traga lágrimas aos olhos de emoção! É a introdução e os gestos, é o facto de todos eles darem as mãos e criarem uma enorme corrente que atravessa toda a igreja de um lado ao outro de entre todas as filas enquanto rezam o Pai Nosso, é a alegria com que se dão à oração... simplesmente ... sem palavras!
Será que é agora que me concilio com a minha religião?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

6/365 - Coração de ouro

Muitas vezes tenho dúvidas se estou a fazer as coisas bem, se lhe estou a transmitir os valores certos, se não está excessivamente mimada. E depois há aqueles momentos em que o coração derrete.
O primeiro tinha sido no dia de Natal.
Depois de acordar, de ter corrido para a sala e ter visto que o Pai Natal tinha comido tudo e lhe tinha deixado o presente sonhado, vira-se para mim com o ar mais triste do mundo e diz:
- Mamã, fizemos um grande erro!
Perguntei o que tinha acontecido, qual o problema e respondeu, novamente com o ar mais pesaroso do mundo:
- Mamã, o Pai Natal é tão querido, traz presentes a todos os meninos, anda por todo o lado, mas nunca ninguém lhe dá um presente! Nós devíamos ter dado um presente ao Pai Natal mamã!
Claro que prometi que para o ano lhe deixaríamos um presente, pois este ano ele já não voltava.
Pois acreditam que hoje se passou o mesmo?
Como ela passou esta semana com a avó, quando fui ter com ela levei os presentes e o bilhete que os Reis Magos tinham deixado quando cá passaram. Abriu todos no carro a caminho de casa e as exclamações de alegria eram mais que muitas, pois, surpreendentemente, deram tudo o que ela queria (como é que eles sabem estas coisas?).
Mas no final veio o silêncio... e com voz triste lá me disse:
- Mamã, também não deixámos nenhum presente aos Reis Magos! Eles também trazem presentes aos meninos, também andam por todo o lado e ninguém pensa neles! 
Anuí e disse que tinha toda a razão. Perguntei o que gostava de lhes deixar. A resposta dela foi simplesmente deliciosa:
- Mamã, este ano já não podemos deixar nada, que eles já foram embora, Mas vamos pensar em prendas para todos para o ano, pode ser mamã? Eles são sempre tão queridos, sabem sempre o que eu gosto, trazem prendas para todos os meninos e eu gostava muito, muito de lhes dar prendas. Podemos para o próximo Natal deixar uma prenda ao Anjinho de Natal*, ao Pai Natal e aos Reis Magos?
Como poderia negar isto? 
Especialmente a uma criança que adora dar presentes a TODA a gente no Natal. Até na escola entrega um mimo a todas as pessoas, da cozinheira à senhora da portaria, passando por todas as auxiliares (sim... este ano foram "só" 43).
Pode ter birras, ser mimada... mas tem um coração de ouro! 

* O Anjinho de Natal é o anjinho que todos os dias do calendário do advento lhe vem trazer uma tarefa para fazer e depois na manhã seguinte lhe deixa um miminho

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

5/365 - Estacionamento

 Ia começar por dizer que "poucas coisas me irritam tanto como quem estaciona mal"... mas com o meu mau feitio não seria bem verdade!
Uma das constatações do último ano é que a falta de civismo das pessoas ao estacionar cresce de dia para dia e é gritante.
Não vou sequer dedicar-me ao fenómeno das grávidas, idosos ou pessoas com deficiência que insistem em querer estacionar naqueles lugares reservados que TODOS sabem serem para jovens, executivos apressados que "demoram só um minuto", homens grávidos ou pessoas que sofrem de estupidez crónica devidamente comprovada!
Hoje vou dedicar-me ao fenómeno das pessoas que não conseguem perceber para que servem aquelas riscas que alguém se deu ao trabalho de pintar no chão e que, como são "menos dotadas" a nível intelectual, acreditam serem marcas para estacionar os carros!
Mas será que ainda não perceberam que aquelas riscas não passam de arte? Sim, arte!
Ou, no máximo, uma forma de ocupar e dar trabalho a pessoas que de outra forma não teriam o que fazer para ganhar algum dinheiro extra e ocuparem os dias. Há que gastar tintas, investir no embelezamento das cidades e das estradas (afinal tudo cinzento fica feio) e, ao mesmo  (investir na economia), tempo (prevenir a ociosidade), dar trabalho a pessoas que de outra forma ficariam em casa sem nada para fazer (diminuição das desigualdades sociais).
Não consigo perceber como ainda há quem se dê ao trabalho de fazer manobras para tentar encaixar os carros entre as riscas - só posso concluir que são... otários!!!
Ainda não perceberam que o desafio é ver quem consegue meter a risca melhor entre as rodas do carro (NUNCA, mas NUNCA o carro entre as riscas!!!)? Ou, o top dos tops, conseguir que o carro fique atravessado e assim conseguir ter as rodas de trás numa risca e as da frente noutra risca?
Isso sim, meus amigos, é saber estacionar, e à patrão!!!
Agora aqueles choninhas que insistem em estacionar o carro em filinhas certinhas lado a lado, dentro das risquinhas para que os outros consigam abrir as portas e sair sem riscar o carro do lado, honestamente... deviam ir novamente para a escola de condução! Mas tem algum sentido isso?! Será que não tiveram aulas de condução? De código da estrada?
Pode ser que agora com as imagens finalmente percebam que, a melhor forma de estacionar, sempre que houver riscas no chão, NUNCA é entre as riscas (não foi para isso que elas foram colocadas, ok?), mas sim da forma mais artística que conseguirem de forma a pisarem pelo menos uma das riscas, idealmente as duas para serem uns verdadeiros Ases da estrada!


PS - para quem possa não ter percebido, este post é uma ironia à estupidez que reina em quem não sabe respeitar os outros quando estaciona os carros

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

4/365 - Cinderela no Gelo

Mais um dia de férias da Miss, mais uma actividade há muito planeada - o muito aclamado Cinderela no Gelo.
Há hora marcada lá estávamos, com a miss muito ansiosa. Foram muito simpáticos e colocaram-nos mesmo na frente ao centro, em vez de ficarmos na lateral onde eram os bilhetes que tinhamos.
Depois dos avisos que não se podia filmar e só se podiam tirar fotos sem flash, começou o espectáculo. Foi quando houve um momento de desilusão da miss (e devo confessar que meu) - nenhuma das cabeças de cartaz estava presente (Rita Ribeiro, Nuno Guerreiro e Liliana Santos). Se para a Liliana Santos havia um aviso na entrada a dizer que não iria no dia 8 (hoje é dia 4), nada indicava que nenhum deles estaria presente hoje, o que acho que seria de bom tom, pois as pessoas compraram bilhetes com base na comunicação das estrelas do show!
Passada a desilusão inicial, aproveitámos o espectáculo ao máximo e, mesmo com outras estrelas, valeu mesmo a pena!
Apesar de a minha pequena nuvenzinha ter preferido outro principe e Cinderela (gostava mais da cara dos outros), no final confessava que tinha adorado tudo! Apaixonou-se pela música (fez-me comprar o CD que estamos a ouvir em repeat no carro desde esta tarde), cenários, encenação, actores (com aquela excepção...), danças, ... enfim, por tudo!
No fim estava tão encantada que até quis tirar foto com todo o elenco (ela que é sempre tímida para isso) e depois até quis uma só com a Cinderela!
Apesar de termos outros actores (que constavam também no programa), foi uma excelente ideia ir hoje de tarde, já não era período de férias para a maioria das escolas,  estava tudo tranquilo e foi muito fácil tirar as fotos com toda a simpática equipa de actores!
Há alguns anos que acompanhamos as encenações feitas por esta companhia e adoramos sempre!
Recomendo vivamente - e se ainda não viram aproveitem para ver, estão em cartaz até dia 8 de Janeiro no Alegro de Alfragide!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

3/365 - A solidão

Poderia escrever muito sobre isto, mas a Lénia, no seu Not So Fast, escreveu tão melhor do que eu, parecia que me estava a retratar:

"Talvez fosse o final da solidão, pensei, não sabendo ainda que era apenas o princípio" - João Tordo.
Guerra antiga, esta. Uma vida inteira sozinha. Sem amarras. Sem pertencer a lado nenhum. Sem me sentir suficiente para fazer ninho. Um coração sedento de carinho, vazio de tudo. Ainda assim, um coração disposto a dar. Um coração disposto a partir-se em milhares de bocadinhos. Prefiro isso a não sentir. Até podia resguardar-me e defender-me e montar toda uma muralha à minha volta, tornar-me inatingível, inalcansável, impenetrável. Mas, e depois? Isso é viver? Isso é alguma coisa? Para mim, não. E sei que esta falta de defesas me torna um alvo fácil. Sei que estou mesmo a jeito de me estraçalhar em menos de nada. Já aconteceu. E depois? Depois juntei os bocadinhos e colei-os como pude. Ficaram resquícios, claro que sim. Ficou aquela certeza de que nunca serei suficiente. De que haverá sempre um "mas" guardado para mim.Tenho sido talvez demasiado transparente nesta fase que estou a passar. Não tenho escondido os danos. Não tenho fugido do mundo. Não tenho fingido. Dei o corpo às balas. E morri.Tenho tentado conhecer-me neste processo. Sempre disse que era bicho do mato, solitária e abandonada. Demorei a perceber que sou eu que afasto as pessoas. Que sou eu que não me apego. Não me agarro. Porque não acredito que alguém queira agarrar-se a mim. E deixo-me ficar. Sossegada e sozinha no meu canto. Agora, talvez demasiado transparente, tenho recebido coisas de sítios que eu achava que nem sabiam que eu existia. Amigos antigos, que o tempo e a vida levaram para longe, voltaram para me dar um carinho. Para me dar força. Para me dizer que vale a pena. E eu... eu fujo. Aceito o que me dão, mas não me deixo ficar. Finjo que está tudo bem, não quero que as pessoas se incomodem comigo e saio de cena. Porque acho sempre que não mereço que percam tempo comigo. Porque nunca ninguém me olhou nos olhos para me dizer "quero-te aqui comigo". Seja de que forma for. Ou talvez o tenham feito e eu não tenha visto. Ou talvez eu tenha tanto medo de ser abandonada, deixada para trás, rejeitada que não faço casa em lado nenhum.Sou a pessoa mais carente que conheço. E tudo o que eu queria era aprender a aceitar o que me dão e a não pedir nada. Mãos abertas para aceitar o que chega, mãos abertas para deixar voar o que não quer ficar. E um abraço apertado no final da solidão.

A verdade é que, como ela, com o tempo aprendi a fingir cada vez melhor. Mesmo aqueles que me conhecem bem (ou pensam que sim) dificilmente conseguem perceber se estou bem ou mal. Aprendi que é melhor estar sempre bem, aprendi que não está lá ninguém quando preciso de ajuda, porque aprendi que tenho de ser a força motor que puxa tudo e todos.
E não faz mal.
Faz parte da vida (pelo menos da minha).

Como ela, nunca consegui fazer parte de nenhum grupo, nunca consegui sentir que me integrava, saltitava de lado para lado como borboleta - e sempre acharam que era uma fantástica RP :)

Sempre ouvir que "és tão forte", ou "aceitas tudo tão bem", ou "não sei como consegues"... sem mostrar absolutamente nada se me estão a magoar ou a deitar abaixo com negativismos e toxicidade é uma arte que fui aperfeiçoando ao longo dos anos!

Talvez seja assim, talvez sejam fases, talvez seja necessário ser assim... quando se tem filhos não nos podemos ir abaixo, quando temos um pai em constante depressão e que depende de nós para (quase) tudo não podemos fraquejar, quando a super-mulher que é a nossa mãe já está cansada de levar o mundo aos ombros e mostra claros sinais de depressão, temos de a apoiar e não sobrecarregar mais...

Mas se pensar bem, a verdade é só uma: não vale a pena que se incomodem comigo, eu estou bem, estou sempre bem - são 33 anos de aprendizagem :)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

2/365 - Oceanário, peixes e birras

Último dia de férias antes do regresso às aulas (meu).
O dia perfeito para arruinar mais algumas decisões de Ano Novo!
Com bilhetes para o Oceanário e a necessidade de pijamas novos para a pequena nuvem, lá rumámos nós ao maior antro de consumo de Lisboa.
Objectivo: Entrar, comprar pijamas, entrar na loja espanhola para ver se tinha vestidos para ela e sair rapidamente.
Resultados: Entrámos, fomos ver os pijamas, comprámos uns sapatos de brilhantes (que ela disse logo que a avó ia odiar), uma chávena térmica para a mamã se habituar ao chá de noite e saímos. Fomos almoçar junk food porque "ainda me faltam 2 bonecos para acabar a colecção mamã" e só depois é que demos uma passagem rápida em duas (sim, não foi só na loja prevista) lojas para ver se encontrávamos algum vestido ou sweat para ela.
Quando finalmente fomos para o Oceanário já passava das 15h. De notar que a vontade dela não era muita, mas achei que fosse cansaço, afinal o espaço é muito giro!
Entrámos e ela sempre a furar pelo meio de toda a gente ia vendo o que a apaixonava - 15 minutos no aquário gigante logo na entrada, uma breve passagem pelos papagaios e quando chegámos aos pinguins foi a loucura! Estava na hora de serem alimentados e estivemos lá uns bons 20 minutos a ver tudo.
Mas a paixão acabou aqui. Depois tudo teve um ritmo muito mais rápido, especialmente porque encontrou um mapa e o que queria era ir riscando o que estava feito e faltava ver.
Descemos ao piso inferior e ficou fascinada com uma das monitoras, que lhe mostrou pele e dentes de tubarão, explicando de quais eram, como os tinha obtido e  como eles comiam. Aproveitou para ficar um pouco a ver a vida marinha. Mas a pausa foi sol de pouca dura. Já estava farta e só queria "picar ponto" e ir embora, passava o tempo a puxa-me e a dizer para irmos. Parámos ainda um pouco nos peixes chatos de areia, de onde afinal já não queria sair e ainda noutra zona do aquário central, mas depois foi rápida a sair.
Já no exterior perguntei se tinha gostado. Disse que.... sim.... mas aqueles sim de "frete" ...para agradar! Como a resposta fora muito evasiva perguntei se não gostava do Oceanário e, perante a resposta dela, não pude evitar uma gargalhada interior - estará a passar demasiado tempo com a avó?
" Mamã, são peixes!!! O que há para ver? Vemos e acabou! Já quando venho com a escola estou sempre a perguntar à professora quando vamos embora. É giro, mas não para estar aqui parada a olhar para os peixes sem fazer nada!"
Seguiu-se um erro crasso, digno de uma mãe "principiante". Fomos a outro lado ver se tinham o pijama que queria e se podia andar na pista de gelo que lá tinham, mas... ela adormeceu no carro!
Claro que quando acordou estava INSUPORTÁVEL com birras de sono (a genética é mesmo uma coisa tramada)... foi terrível, especialmente quando lhe disseram que não podia andar logo na pista e tinha de esperar e eu disse que era muito tarde e se voltava noutro dia!  Parecia que uma criança possuída na minha frente e não a pequena e adorável nuvenzinha. Houve birras, gritos, bater.. um pouco de tudo o que me leva a paciência aos limites.
Consequência: Explicação que esse tipo de comportamento não era admissível, especialmente quando repetido à exaustão e que tinha como consequência perder regalias, como ver TV. Na continuação e como continuava a ser casmurra (ok, ok, continuamos nos genes) devolvi-lhe a minha metade do colar do coração, explicando que não queria ser a melhor amiga de uma pessoa com aquele tipo de comportamento! E ela sempre impassível e sem dar a mínima parte de fraca e ainda a dra resposta de quem se faz de forte e parece estar a "gozar com a nossa cara" - para não se perceber o quanto está a sofrer!
Só já em casa da avó, onde vai passar o resto da semana, lhe caiu a ficha, quando eu me ia embora. Ela nem ia dar beijos de despedida, mas quando a avó disse para vir soçobrou em lágrimas... que eu não queria ser mais amiga, que ela tinha sido má....
Lá tivemos a conversa mãe e filha, os abraços apertados para consolar os soluços que lhe saiam descontroladamente do peito e voltei a colocar o colar, com grande alegria dela.
Confesso: Este início do ano e estas birras estão a colocar à prova toda e qualquer resolução e qualquer vontade de disciplina positiva (especialmente com o cansaço), mas está na hora de mudar atitudes e comportamentos e ou é agora ou pode ser tarde de mais. E um dos valores que para mim é fundamental é o respeito à família, especialmente aos pais e avós!
Momento fofo do dia: Quando questionada sobre quais tinham sido os desejos para o Ano Novo, a resposta foi "Queria muito ter um gato! Ou podia até ser um cão! Mas de verdade. Ahhhh, e que a minha mamã encontrasse um trabalho!"
Dá-me cabo da paciência, mas é o meu amor maior!

domingo, 1 de janeiro de 2017

1/365 - Ano Novo Vida Nova?

Primeiro dia de 365 páginas em branco. O momento das grandes resoluções e decisões, com a motivação ao rubro!
Primeiro minuto do ano, primeiras decisões:
- comer melhor e perder peso
- cozinhar mais
- ter mais paciência com a nuvenzinha, não gritar tanto e estudar mais e aplicar mais os principios da disciplina positiva
- treinar mais
- ler mais
- conviver mais
- escrever mais
- estudar mais
- arranjar novo trabalho que me apaixone
- afastar as pessoas tóxicas que me sugam energias (no mínimo)
- dedicar-me a voluntariado
- ver menos TV e sair mais e fazer mais actividades outdoor
- Ter a casa arrumada e organizada
- Criar uma rotina de trabalhos de casa, estudo e actividades extra-curriculares
- Ter horários mais rígidos para a hora de dormir e ler sempre uma história
- Dormir na cama :)
- Não comer fast-food nem refrigerantes 
- Tirar muito mais fotos com a máquina e trabalhar a parte da fotografia
- Poupar o máximo de dinheiro possível
- Não fazer compras por impulso e comprar só o indispensável
- Fazer o máximo de coisas em casa para comprar o mínimo possível
Segundo minuto do ano:
- Esquece lá isso, a única decisão é mesmo ganhar o Euromilhões. Assim posso ajudar tudo e todos e garantir o futuro da nuvenzinha!

A verdade é que todos os anos se tomam (sim, não sou só eu) imensas decisões, particularmente no final do ano. Escrevem-se listas, estamso todos super motivados e convictos que "este ano é que é"!
Mas normalmente no dia 15, já a maioria das pessoas não se lembra de metade do que decidiu.

Claro que no meu caso nem é preciso chegar a dia 15, basta acordar para que metade das resoluções vá logo ao ar! 
Resumindo o primeiro dia: a pequena miss dormiu pouco, pelo que passou o dia birrenta e refilona como só ela sabe, como tal lá se foi a resolução da paciência ao ar! Com tanta birra e cansaço acabámos por sair tarde de manhã, fomos almoçar com a avó e depois ficámos por lá em vez de sair (sim, adormeci), pelo que lá se foi a resolução de sair mais e fazer mais actividades (nem me lembrei que era o último dia do Cascais Christmas Village). Viemos para casa para ela começar a fazer os TPC da escola (sim... estão atrasados), e foi um berreiro e birras contínuas porque ODEIA ter de corrigir as coisas (os genes são tramados). Chegou uma das minhas melhores amigas para jantar e a resolução de ser mais paciente com ela continuava a ser constantemente adiada! E então na hora de dormir foi completamente posta de lado.... estava tudo espalhado por todo o lado, do quarto dela, ao meu, casa de banho, sala... todo o lado. E sem nenhuma intenção de limpar ou arrumar! Bolas... assim não há resolução de Ano Novo que aguente! Depois de mais uma crise de birras de sono, depois de uma explicação sobre as consequências de ficar tudo desarrumado, lá conseguimos pelo menos manter uma resolução e ler a primeira história do livro de 365.
Decididamente.... não nasci para resoluções de Ano Novo!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Cenas da vida de uma desempregada à procura de emprego #1


Já tinha ouvido falar tanta gente, mas hoje foi a minha vez de "sentir na pele" a situação de tentativa de exploração dos desempregados!
Resumindo, depois de (finalmente) completar o meu perfil e CV no portal de emprego do governo, recebo um e-mail (menos de 5 minutos depois) a pedir o meu CV actualizado para uma possível entrevista de emprego.
Depois do envio do mesmo, e passados cerca de 2 minutos recebo um telefonema, do qual saliento os seguintes pontos (resumindo de uma forma mais suave a agradável):
- Não quero mulheres jovens, porque podem ter filhos e isso faz perder muito tempo
- Não quero mulheres com namorados, pois depois eles não as deixam viajar
- Não quero pessoas muito novas, porque podem mudar de objectivos, nem muito velhas, porque se acomodam e não fazem nada
- Não quero pessoas com animais, pois fazem perder tempo e são piores que filhos, são uma prisão.
Pede-me para analisar o site da empresa (a menina dos seus olhos) e, depois de anuir, fiquei de contactar para marcar entrevista para o dia seguinte.
Depois de analisar o site (extremamente básico para uma empresa que se supunha ser de um artigo de luxo), enviei mail solicitando esclarecimento sobre qual a função em específico para que me tinham contactado, assim como tipo de contrato.
Começa aqui o ridiculo:
1º Acusa-me de querer saber a retribuição sem sequer saber as funções (quando nunca lhe tinha perguntado isso), e indica-me diversas funções, mencionando que a remuneração dependeria do tipo de competência que demonstrasse, na prática, ter para cada uma delas.
2º Quando lhe refiro que nunca lhe perguntei a remuneração mas sim a função, responde que todas as funções teriam formatos de contrataão distintos e, citando "em nenhum caso suspendendo o fundo de desemprego sem conclusões, de parte a parte, sobre a perspetiva do seu enquadramento"!!!
Ora bem.... então eu iria para uma empresa, para uma de 6 funções, mas não suspendendo o fundo de desemprego???!!!
Como é que isso funciona?
Ia trabalhar de borla até "descobrirem" onde me enquadrava e entretanto recebia do desemprego?
Really????
Eu sei que vivo numa nuvem, mas não precisam de abusar da minha boa vontade - se é para trabalho voluntário eu escolho o quê e como, não preciso de entrevistas de recrutamento!!!
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