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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tempo Certo

Numa altura particularmente dolorosa para a minha família, em que a minha avó está a sofrer e a lutar pela vida, estas palavras e este pequeno pensamento veio trazer algum conforto (dentro do possível).
E, mais importante, podem ser usadas e aplicadas em qualquer momento e situação da nossa vida.
Para reflectir!

Tempo Certo

De uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas;
tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto.
Mas a natureza humana não é muito paciente.
Temos pressa em tudo e aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo.
Mas alguém poderia dizer: Qual é esse tempo certo?

Bom, basta observar os sinais.
Quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do quotidiano enviarão sinais indicando o caminho certo.
Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer.
Mas, com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa.

Basta você acreditar que nada acontece por acaso.
Talvez seja por isso que você esteja agora lendo estas linhas.
Tente observar melhor o que está a sua volta.
Com certeza alguns desses sinais já estão por perto e você nem os notou ainda.
Lembre-se, que o universo sempre conspira a seu favor quando você possui um objectivo claro e uma disponibilidade de crescimento.
Paulo Coelho

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Diferenças 1968-2008

Um texto que recebi por mail.
será que evoluimos assim tanto?
Será que estes aspectos assinalados reflectem evolução?

Melhoramos muita coisa, evoluimos, mas será que os valores morais melhoraram?
Será que não nos tornámos fracos?
Dependentes de todas as teorias, doenças, médicos, curas... tudo e mais alguma coisa?
Vivemos num mundo mais rápido, mais evoluído, mas igualmente mais poluido, mais pobre, com mais guerras e morte... mais medo, ansiedade, stress...

Fica a dúvida!

Vejamos como mudaram os tempos...

  • Situação: O fim das férias.

Ano 1968:
Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar.
Ano 2008:
Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e caganeira.

  • Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.

Ano 1968:
Não se passa nada.
Ano 2008:
As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.

  • Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga.

Ano 1968:
O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
Ano 2008:
A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

  • Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.

Ano 1968:
Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.
Ano 2008:
A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a Moura Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

  • Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.

Ano 1968:
Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.
Ano 2008:
Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

  • Situação: O Luís parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.

Ano 1968:
O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.
Ano 2008:
Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

  • Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria abraça-o para o consolar.

Ano 1968:
Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.
Ano 2008:
A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego.
Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

  • Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado 'chocolate' ao outro.

Ano 1968:
Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa.
Amanhã são colegas.
Ano 2008:
A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

  • Situação: Fazias uma asneira na sala de aula.

Ano 1968:
O professor espetava duas valentes lostras bem merecidas. Ao chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito'
Ano 2008:
Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.

É o que temos !!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Passagem do tempo

Temos tendência a esquecer que o tempo passa, e para todos nós.
Tendência a esquecer que com o tempo também os nossos reflexos vão desaparecer, a nossa audição, paciência, atenção...
E não temos paciência para as pessoas que sempre foram os nossos modelos e que, por sua vez, também envelheceram e perderam as capacidades que tinham e que sempre idolatramos.
Eu falo por mim, que muitas vezes esqueço que a rapidez de aprendizagem, reflexos, força, energia, ...., dos meus pais, avós e familiares não é a mesma de quando eu estava a crescer, não tem a mesma capacidade de adaptação às novas tecnologias e às "modernidades" que eu ou que uma pessoa de uma geração abaixo da minha!
E tenho de aprender a respeitar isso, a ser paciente, porque quando estava a crescer também foram pacientes comigo enquanto eu aprendia....
Aqui fica uma pequena apresentação que fala exactamente... da passagem do tempo!

Passagem do tempo.

Desejo-te Tempo

Antes de ler o texto, vejam a animação!
Desejo-te Tempo!

Não te desejo um presente qualquer,
Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem.
Desejo-te tempo, para se divertir e para sorrir;
Desejo-te tempo para que os obstáculos sejam sempre superados
E muitos sucessos comemorados.
Desejo-te tempo, para planejar e realizar,
Não só para si mesmo, mas também para doá-lo aos outros.
Desejo-te tempo, não para ter pressa e correr,
Desejo-te tempo para encontrar você mesmo,
Desejo-te tempo, não só para passar ou para vê-lo no relógio,
Desejo-te tempo, para que você fique;
Tempo para encantar-se e tempo para confiar em alguém.
Desejo-te tempo para tocar as estrelas,
E tempo para crescer, para amadurecer.
Desejo-te tempo para aprender e acertar,
Tempo para recomeçar, se fracassar.
Desejo-te tempo também para poder voltar atrás e perdoar.
Desejo-te tempo, para ter novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.
Desejo-te tempo para ser feliz.
Para viver cada seu dia, cada sua hora como um presente.
Desejo-te tempo, tempo para a vida.
Desejo-te tempo. Tempo. Muito tempo!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Para onde vai o tempo?

Hoje recebi o telefonema de uma querida amiga que há muito tempo não vejo.
É verdade que fui eu que me afastei, mas a verdade é que o contacto pontual que mantemos me parece sempre pouco e sinto falta dos tempos em que passeávamos e falávamos de tudo e de nada.
Estivemos bastante tempo a colocar a conversa "em dia" e depois estive a ler alguns dos últimos trabalhos dela.
Confesso que senti(sinto) inveja.
Não será inveja dos textos em si, mas sim do acto de escrever, desta paixão por colocar (tinha escrito "meter", mas não se mete nada no papel.... ai este "pretuguês" que está cada dia pior) no papel o que nos rodeia e o que vivemos.
Digo e repito que adoro escrever e é para mim uma enorme forma de terapia, mas sempre me faltou a disciplina para o fazer regularmente.
Desde criança que me oferecem diários, mas ao contrário dela, que há 28 anos colecciona os dela e vai registando diariamente os seus pensamentos e vivências, eu nunca consegui escrever nos meus para além de alguns dias, pontualmente semanas e muito raramente meses.
Mesmo o blog, uma tentativa de ter uma "espécie" de diário, denota esta falta de disciplina, esta inconstância que me caracteriza - um dia faço, dez dias não.
E ao ver o carinho que ela tem pelos seus diários, ao ver os seus textos, ao ver a paixão que é para ela ler e escrever, não posso deixar de sentir uma pontada de inveja, por não conseguir ter esse espírito, essa disciplina.
Invejo-a quando diz que não consegue sair de casa sem um livro para ler, o seu caderno e uma caneta onde vai escrevendo o que lhe apetece.
Invejo quando diz que ela vai escrevendo o livro da sua vida aos bocadinhos, dia a dia, e acima de tudo invejo o prazer que sente quando relê todas estas pequenas notas.
Milhares de vezes durante o dia (e a noite) as ideias e as palavras atropelam-se na minha cabeça, lutando para sair, seja oralmente seja através da escrita - mas não consigo levantar-me, parar o que estou a fazer e escrever.
Verdade seja dita, a maioria das vezes é quando estou a conduzir ou em alguma situação sozinha, em que não tenho com quem partilhar.
Mas mesmo nestas situações, em que não tenho possibilidade de escrever, penso - vou gravar!
E não consigo. As palavras não saem.
Penso em dizer tudo o que estou a sentir, a pensar, mas só o facto de pensar em abrir a boca e dizer... bloqueia-me. Fico muda, sem voz.
São palavras, mas não são para ser ditas, são para ser sentidas e passadas ao papel.
Criticam-me muitas vezes por não falar, não dizer o que penso ou sinto e em vez disso escrever - mas a verdade é que cada vez mais me apercebo que detesto falar e prefiro escrever (menos emoção e mais directo), mas sinto que não consigo escrever o que quero, como quero, quando quero.
Será que é porque me quero "obrigar" a escrever e nunca consegui fazer nada por obrigação?
Porque é que adoro escrever, mas consigo ocupar o dia, a cabeça, os dedos, a mente, com milhares de pequenas coisas sem importância e não consigo encontrar um momento para escrever?
Porque será que adorava ser como a minha madrinha, como esta minha amiga, cheias de atenções e carinhos para quem os rodeia, escrevendo os seus textos, cartões nos aniversários e épocas festivas, pequenas notas cheias de atenção e carinho... mas por mais que tente não o consigo?
Invejo a clareza dos textos dela, o sentimento e a poesia das palavras da minha madrinha, a intelectualidade dos textos do meu tio, a ciência nos da minha irmã... mas não consigo!
Não consigo pensar em sentar-me e escrever (mesmo quando quase me apetece gritar com as ideias que insistem em me "atormentar"), não consigo ser clara, sintética e resumida, não consigo ter poesia, ser rebuscada... só consigo ser incoerente, divagar, deambular de ideia em ideia sem fio condutor.
E invejo... porque quero crescer e ser assim.
Quero ser como ela(s).
Mas parece que as horas desaparecem, que há sempre algo "mais importante" para fazer, que o tempo não chega para tudo.
E de repente apercebo-me que as horas se escoaram, os dias passaram, meses... e nem consegui escrever, nem consegui estar com as pessoas que são importantes, nem consegui fazer aquilo que queria/devia/esperava.
Como se consegue fazer tudo e ainda ter tempo e paixão para escrever?
Como é que antes conseguia trabalhar em 2 e 3 sitios ao mesmo tempo e agora, que tenho tempo livre, parece que as horas e minutos se escoam e não consigo fazer nada?
Porque agarro no computador e passo o tempo a trabalhar, sem sentir que estou a produzir, sem sentir que estou a fazer algo útil, sem conseguir escrever?
Para onde vai o tempo do meu dia?
Da minha vida?
Para onde vai o tempo que me impede de estar com os amigos, escrever, e fazer aquilo de que realmente gosto e realmente me importa?
imagem: gettyimages
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