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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sonho? Realidade?

Era incrível!
Sentia-se como se estivesse num filme, numa cena de uma história inventada por algum cientista maluco.
Parecia aquele filme, com aquele actor que ela sempre adorara... aquele que era realizador, o do "Braveheart"... o Mel Gibson!
Sim, era quase como ele, naquele filme em que ele conseguia ouvir o pensamento das pessoas com quem se cruzava.
Só que ela não ouvia os pensamentos, ela lia o que as pessoas realmente sentiam.
Sim, lia!
Os pensamentos das pessoas que a rodeavam pairavam por cima das cabeças delas, quais balões de banda-desenhada, como nos livros da Mafaldinha, ou do Cebolinha & Cascão, ou nos Patinhas da sua infância.
Devia estar a sonhar!!!
Beliscou-se até gritar de dor, para ter a certeza que estava acordada.
E no entanto... ali estava ela, sentada a um canto da sala, tranquilamente, como se estivesse a ler atentamente o livro que tinha nas mãos, mas na realidade seguindo a dicotomia entre o que ouvia as pessoas falarem, e o que os balões suspensos tinham escrito, sobre o que pensavam na realidade.
Um psicólogo analisaria as posturas corporais, as entoações, mas ela nem precisava disso, pois conseguia ler o que elas pensavam!!!
Prestou mais atenção ao que a rodeava, as conversas que decorriam nos diferentes grupinhos que sempre se formam nestas ocasiões, mas passado um pouco começou a sentir-se triste, até deprimida, por conseguir ler o que as pessoas realmente pensavam e por se aperceber da diferença entre o que diziam/faziam e o que lia nos seus balões.
Enquanto apenas ouvira as conversas e escutara as banalidades e observara os sorrisos, tinha tido a ilusão que todos estavam bem, que se tinham reunido para celebrar, para dar energia positiva, e que todas as pequenas "questiúnculas" eram coisas do passado.
Iludira-se com a ideia que há males que até vem por bem e estava feliz de ver que finalmente se tinham superado todas aquelas pequenas crises que acontecem nos pequenos núcleos em que estamos inseridos.
Mas agora, ao ler todos aqueles balões, que aparentemente só ela conseguia ver, pois todos estavam tão tranquilos e continuavam na sua conversa de circunstância, sentia-se triste.
Preferia não os ler, preferia poder ignorar o que diziam, nas suas letras, tão nitidas!
Ouvia alguém abrir a boca e rir, enquanto falava sobre um acontecimento recente, mas o balão por cima dizia o contrário do que lhe saia pela boca "Mas será que não me vão falar? Deve ser porque eu também não lhes ligo nenhuma. Devem achar que se não conseguem nada de mim também não vale a pena perder tempo a falar comigo".
Olhou para outro lado e observou um casal que conversava com outro grupo. Uma das mulheres sorria e acenava com a cabeça, mas o seu balão dizia "Que seca! E eu com tanta coisa para tratar! O que estou aqui a fazer? Será que pertenço aqui?". Mas continuava a sorrir, com um sorriso que se tornava cada vez mais forçado - ou seria ela que o ia assim por ter lido o balão que lhe pairava sobre a cabeça?
Tentou mudar a disposição que a começava a afectar e olhou para a sua família, aquela que sempre lhe dera ânimo e pela qual faria qualquer sacrifício.
Certamente que ali não encontraria diferenças entre o que se dizia e o que se sentia.
Mas até aqui os balões eram tão diferentes do que se observava...
Viu aquela mulher linda e forte que era a sua tia sorrir e brincar com a neta, enquanto o balão dela pingava/chovia com as lágrimas que ela tentava esconder de todos.
Leu no seu balão "Sorri, tens de ser forte. Ninguém pode perceber o que se passa e como estás".
Viu-a olhar para o marido, para o filho e leu no seu balão "É injusto pensar isto, com o amor e carinho que recebo deles, mas como eu gostava que ele aqui estivesse também!".
Olhou para a sua mãe, sorrindo, falando... mas com o balão a dizer "Quem me dera poder fazer mais. Quem me dera poder dar algum tipo de apoio. Quem me dera poder tirar este peso de cima dela, fazer algo para que não sofra sozinha. O que posso fazer para que ela fique bem!".
Mais adiante conseguia ver um balão, não percebia bem de quem (estava um pequeno grupo), mas conseguia ler perfeitamente "Mas porque é que ela não se arranja. Olha que roupa a daquela mulher. Eu teria vergonha de sair assim à rua. Olha aquele a um canto, nem fala com ninguém, é mesmo anti-social... deve achar que é melhor que os outros. E estas crianças todas, já não se dá educação? Fazem o que querem. Mas até são engraçadas!".
Levantou-se... chegava de ler balões!
Mas enquanto caminhava para a janela, para apanhar um pouco de ar, ainda apanhou com um balão, eventualmente que se tinha desprendido da cabeça de alguém... que dizia simplesmente "Será que isto não acontece por causa .... Tenho de perguntar, porque só pode ser.... Ah, mas eu vou saber, ah se vou!"
Sentiu-se muito cansada... porque será que lhe tinham dado aquele "poder"?
Ela não o queria, preferia manter-se na ignorância do que as pessoas realmente pensavam e ser feliz na sua ilusão de que tudo estava bem!!!
Queria poder fechar os olhos e não ler! Queria ignorar todos aqueles balões, aquelas frases, aquelas letras que se atravessavam em frente dos seus olhos.
Mas não conseguia parar de ler, não conseguia deixar de ver como era diferente o que via acontecer e o que lia em cada balão.
Preferia poder continuar a acreditar que o que diziam, o que faziam era sentido e não apenas actos de circunstância, simbolismos politicamente correctos.
Ela queria continuar a acreditar que os pensamentos acompanhava os gestos e palavras de quem os proferia.
Mas aqueles balões continuavam a persegui-la, a mostrar-lhe a ilusão em que tinha escolhido viver.
Nesse momento uma corrente de ar gelado entrou na sala e todos aqueles balões se desprenderam das cabeças das pessoas e voaram em direcção a ela.
Sentiu-se encurralada... tentou escapar, mas não conseguia. Não a deixavam avançar, bloqueando o caminho.
E o pior é que ninguém parecia dar por nada!!!
Tentou agarrar naqueles balões, naqueles pensamentos... tentou destruir tudo aquilo que lhe bloqueava o caminho, mas todos eles se escapavam por entre os dedos, misturando frases soltas e pensamentos diversos.
O pior é que quase nenhum daqueles balões podia ser considerado "positivo"...
Havia um que dizia "Porquê ela??? Porque não eu?? Não é justo!!! O que posso fazer? Com quem posso falar?", outro que dizia "Hoje tenho de ir tratar das plantas, ainda tenho de acabar um trabalho, não esquecer de dar de comer ao cão", aquele que dizia "Queria tanto que não fosse nada, que amanhã acordasse e tudo isto tivesse sido apenas um sonho mau!", ainda um que dizia "E eu a dizer que um raio não cai duas vezes no mesmo sítio!!! Como posso reunir todos para ajudar? Que dizer para mostrar que estou aqui para o que for preciso?". No meio de todos estes, havia os mais pequeninos, que deviam ser das crianças que corriam de um lado para o outro, onde se lia "Quero colo!" ou "Quero ir brincar com o João ao novo jogo da playstation que o pai me deu", "Quero pessego"....
Desistiu de os apanhar... ainda a considerariam louca se a vissem a gesticular pelo meio da casa, pois era óbvio que mais ninguém os via.
Sentou-se e fechou os olhos, assim não tinha de os ler, não precisava de se sentir inundada com aquelas frases e pensamentos soltos, tão difícieis, tão pesados na sua dor escondida ou nas suas questões egocêntricas.
Nisto sentiu que um braço a estava a abanr e ouviu uma voz que lhe dizia:
- Adormeceste? No meio deste barulho todo?
Era uma das suas primas.
Sem perceber muito bem onde estava, olhou primeiro para cima da cabeça dela e depois em volta.
Uffffaaaaaa!!!!
Tinha apenas sido um sonho mau. Um daqueles pesadelos de romance de cordel barato.
Tinha-se sentado um pouco no sofá e devia ter adormecido.
É o que dá não ter horários para dormir ou para acordar!!!
Mas não conseguia afastar aqueles balões que lera, não conseguia afastar aqueles pensamentos, expostos assim por cima da cabeça de pessoas que ela tão bem conhecia, e que tanto contrastavam com o que o exterior fisico deixava ver ou as suas palavras deixavam transparecer.
Será que estava rodeada de pessoas tão "pequeninas", tão viradas para si que não eram capazes de dizer o que realmente pensavam?
Será que era necessário viver naquele mundo de aparências, de ser, dizer, fazer o que era socialmente aceite, ou o que esperavam delas?
Não queria acreditar que todos aqueles sorrisos (ou ausência deles), não tivessem correspondência nos sentimentos de cada uma daquelas pessoas.
Ao longo do dia aquele sonho, aquela imagem não a largava, e decidiu prestar mais atenção às pessoas e ao que diziam e como diziam, pois sentia que havia uma razão de ser para aquele sonho, naquele momento.
E realmente, mesmo que não fosse generalizado, apercebeu-se que vivia numa familia "de aparências".
Todos aparentavam uma coisa... mas sentia-se que era só a camada exterior, a fachada.
Havia amor entre todos eles, isso era óbvio, senão nem estavam ali reunidos naquele momento, mas esse sentimento de amor estava isolado dos outros sentimentos, preso nas teias das pequenas tricas e questões mal resolvidas, estava espartilhado por sentimentos de "ódios" mal resolvidos, invejas não assumidas, tristezas escondidas, dores camufladas.
E, tal como já acontecera no seu sonho, voltou a sentir uma profunda tristeza!
Acreditara que numa situação de crise as pessoas esqueceriam as suas diferenças e desavenças e colocariam uma pedra no assunto, passando para uma nova etapa.
Acreditara que o amor familiar, maternal, fraternal, ...., era superior a qualquer questão de somenso importância!
Mas tal como no seu brusco acordar, que a tirara daquele pesadelo de balões de banda-desenhada cheios de penamentos ocultos, a realidade atingiu-a de chofre, quase a derrubando.
Ninguém ali se apercebia que a vida é demasiado curta para não dizer o que se pensa, para se ficar agarrado a mágoas durante anos!
Todos se agarravam a coisas do passado, próximo ou longíncuo, recusando-se a largar aquele "peso" extra para melhor e mais honestamente viverem o presente!
Todos aqueles balões do seu sonho, eram as divergências ocorridas no passado, com mais ou menos importância, mas a que as pessoas que a rodeavam insistiam em se agarrar, impedindo-as de ver a realidade, de apreciar a vida, de serem verdadeiramente solidários e unidos e, mais importante, impedindo-as de RECOMEÇAR!
Ninguém ali, exceptuando as crianças, com a sua doce inocência, conseguia ter consciência do peso que é carregar aqueles "balões" cheios de pensamentos negativos, intrigas, tricas, mágoas, tristezas, dores e sofrimento.
Juntou-se a um grupo e integrou-se na conversa, mas com a plena consciência que um dia alguém veria o peso do SEU balão, e leria nele a tristeza de perceber como temos tendência a deixar que as pequenas coisas do passado continuem a ganhar peso, transformando-se em gigantescas bolas de neve que nos arrastam com elas, em vez de as encararmos como os sacos de lastro de um balão, que devem ser cortados para nos permitir voar!
E sorriu e brincou com tudo e com todos, sentindo na alma a dor de saber que não podia chegar ao pé dos outros e abaná-los, espancá-los, gritar-lhes "Nada disso interessa!!! Passou!!! Interessa é o hoje e o que podemos fazer para ser unidos!!! Para nos ajudarmos e apoiarmos!!!"
E teve esperança que um dia, em qualquer altura, alguém conseguisse também ler os "balões" e percebesse que nada importa mais do que apoiar a familia e os entes amados, e ser apoiado por ela(es)!!!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A última aula (Como atingir os seus sonhos de criança)

Tinha que partilhar convosco este vídeo e esta incrível história.
Este homem é um professor universitário, pai de 3 filhos e que só tem alguns meses de vida por causa de um cancro pancreático.
Na sua última aula na universidade escolheu este tema fabuloso e é muito interessante e inspirador - Como realizar os seus sonhos de infância.
Peço desculpa de não ter traduzido ou legendado, mas preferi colocar o vídeo original e não algumas edições mais "manhosas" que podem fazer perder o sentido.
É uma lição de vida, dado por quem está a morrer e encara isso de uma forma extremamente saudável e positiva, falando dos seus sonhos de infância e de como todos nós os podemos atingir.
Os que pensam ter anos de vida podem aprender muito com esta palestra.
Aproveitem!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

DREAMS

Mais uma música com uma letra fabulosa, porque importa sempre sonhar!!!

oh my life is changing everyday
In every possible way
And oh my dreams
It's never quite as it seems
Never quite as it seems

I know i felt like this before
But now i'm feeling it even more
Because it came from you
Then i open up and see
The person falling here is me
A different way to be

I want more, impossible to ignore
Impossible to ignore
And they'll come true
Impossible not to do
Impossible not to do

And now i tell you openly
You have my heart so don't hurt me
You're what i couldn't find
A totally amazing mind
So understanding and so kind
You're everything to me

Oh my life is changing everyday
In every possible way
And oh my dreams
It's never quite as it seems
'cause you're a dream to me
Dream to me

domingo, 20 de abril de 2008

Arbitragem em PT - sonho ou pesadelo

Como agora tenho esta mania que sou escritora... decidi escrever os meus pensamentos sobre o que se passa (ou o que sinto) hoje em dia em relação à arbitragem de pólo aquático em Portugal.

Para quem não sabe, sou árbitro de pólo aquático.
Ou melhor... hoje em dia nem sei como me classificar, pois tirei o curso há 11 anos, tinha a categoria de árbitro nacional... mas apitei mais jogos na minha estadia em Marselha do que em Portugal em todos estes anos.
Depois de me ter cansado de nem ser chamada para árbitro (em 2001, depois de regressar de França) ou ser a 11ª escolha, chamada na véspera em desespero de causa... há mais de 1 ano que acedi a voltar a arbitrar, com a condição de fazer uma reciclagem antes disso (sempre são muitos anos sem apitar... e apesar de ter visto e presenciado CENTENAS de jogos nacionais e internacionais, para não dizer milhares, tenho a perfeita noção que "uma coisa é estar de fora... outra de apito na boca")... e nunca fui chamada para reciclagens, arbitragens de escalões jovens para praticar ou readquirir reflexos.. nada!
Ou me chamam para oficial, ou para tapar-buracos deixados por outros árbitros... na véspera dos jogos... ahhh e de 2ª divisão ou mesmo um de 1ª...

Por isso... decidi passar para o papel o que sentia... (é o texto que se segue):

ESTOU FELIZ

Hoje acordei e, finalmente, percebi que a arbitragem de pólo aquático tinha mudado!!!
Quase ao fim dos 4 anos da nova direcção e de 3 direcções… finalmente viu-se um projecto realizado e uma estrutura para a arbitragem. Nem sei dizer a alegria que sinto!
Estou feliz porque depois de ter tirado o curso há quase 11 anos… finalmente apito jogos de forma regular (consegui fazer a reciclagem porque tanto me bati, apitei um torneio de juvenis e passei para as divisões superiores – 2ª e 1ª)
Estou feliz porque valeu a pena não ter voltado a jogar nem me ter ligado a nenhum clube, para não prejudicar a minha carreira de árbitro (embora ache que devia ter dito que queria ser internacional em vez de dizer que queria ser árbitro para ajudar a modalidade… mas o que interessa é que estou a APITAR)!
Estou feliz porque a arbitragem passou a ser uma arbitragem Nacional. Existe um quadro de árbitros definido, categorias que tem de se cumprir, os árbitros são colocados nos jogos de acordo com a sua categoria e o nível do jogo…
Estou feliz porque ligo para o responsável pela arbitragem e tenho uma resposta rápida. Ou no pior dos casos ele responde à minha mensagem ou mail no mesmo dia (acabaram os inúmeros contactos sem resposta). Fico tão mais tranquila, pois sei que tenho um interlocutor para falar.
Estou feliz porque existe um plano de formação e acompanhamento dos árbitros e deixou de se pensar que formar árbitros era dar um curso e explicar as regras e depois eles sabiam tudo e o suficiente para andarem sozinhos sem supervisão. Hoje em dia há um quadro de formadores certificados (CAP) que depois da formação fazem o acompanhamento dos novos árbitros durante um mínimo de 5 a 10 jogos. Não é uma excelente razão para se estar feliz?
Estou feliz porque deixou de se pensar que jogos de infantis, juvenis, juniores, 2ª divisão ou “jogos que não decidem nada” são menos importantes que os outros e todos os jogos de Campeonatos Nacionais (e mesmo regionais) têm sempre 2 árbitros e 2 pessoas nomeadas para a mesa (ok… às vezes só se consegue uma, mas graças às acções de formação nos clubes, todos eles têm pessoas formadas para fazer mesa e que até recebem por isso!)
Estou ainda mais feliz por perceber que a arbitragem deixou de ser uma coisa para amigos e conhecidos e passou a ser uma coisa feita por mérito do árbitro (independentemente de ser do Norte, Sul, Centro… ou Cascos de Rolha)!
Estou feliz porque os clubes foram envolvidos neste processo de mudança. Hoje em dia os treinadores compreendem a dificuldade dos novos árbitros e convidam-nos para praticarem nos seus jogos de treino! E que os treinadores são os primeiros a dar o exemplo.
Estou feliz por a mentalidade de todas as pessoas envolvidas no processo ter mudado, por se pensar na modalidade em primeiro lugar e em protagonismo depois, por se pensar nos árbitros, treinadores, atletas, clubes… como merecedores de respeito…
Nunca pensei estar tão feliz por ser árbitro e fazer parte da equipa de arbitragem em Portugal.
E então se vos disser que estou feliz por….. por…… por …..
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxtrrrrrrrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiimmxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
O despertador tocou e quase caía da cama….
Já nem me lembro porque estava tão feliz… mas de repente tive um choque de realidade… e vi que não só nada tinha mudado, como as coisas tinham piorado.
A minha vontade começa a ser desistir e deixar de vez a arbitragem!!!
Há anos que se fala, mas nada é feito.
Nunca me quis ligar a nenhuma entidade (e tenho amigos em todas elas) porque me apercebo que na maior parte dos casos o objectivo é poder, ou guerrilhas, ou usar como base de lançamento ou projecção internacional (que me desculpem as pessoas que considero amigas... mas é um sentimento meu).
Já vi algumas mudanças de direcção na FPN… já lidei com muita gente (esta “coisa” de fazer locução, de ter estado na selecção, conhecer muitos jogadores e árbitros internacionais, … permite isso) e aquilo que observo é que cada um critica o predecessor… mas faz igual ou pior!!!
E fico triste… porque vejo uma modalidade a tentar crescer… mas sem bases, sem incentivo, sem moralidade… quer da arbitragem, quer de diálogo, quer de colaboração com clubes e associações.
Hoje em dia assisto a algo que nunca vi antes (se calhar não ligava tanto… sei que é o que vão dizer) … que é o facto de existirem cada vez mais pessoas a desistir de arbitrar, ou por estarem desmoralizadas ou/e por terem perdido a vontade de se investir.
E se há algum tempo eu as criticava por isso… hoje estou a um PEQUENINO passo de fazer parte desse grupo.
Se antes havia guerras entre Norte e Sul… agora sinto uma separação total.
Sinto que quem faz parte do Sul é “palha” para encher… aliás… nem se conta com a maior parte deles.
Diz-se que se deram cursos, que se formaram quadros. Desculpem?!
Provavelmente estou errada (assumo) … mas não se faz um árbitro por dar um curso… para isso, ele vai a qualquer site, descarrega as regras, estuda e passa num exame!!!
Da mesma forma que um jogador demora alguns anos a fazer (há sempre excepções… raras), um árbitro não passa a ser um bom árbitro porque aprendeu (ou decorou) as regras para um exame. Qualquer árbitro precisa praticar muito e acima de tudo ser acompanhado!!! Se possível por quem o formou.
Como se pode falar em criar quadros se as pessoas não são acompanhadas?
É a mesma coisa que reciclagens! Estão previstas nos regulamentos, mas que eu tenha conhecimento, nunca foram feitas (e andei à procura no site da FPN para ver se havia alguma coisa – assumindo na minha inocência que se falamos de um quadro nacional, será a FPN a organizar a reciclagem). Eu ando a pedir uma há algum tempo e… nada.
Muitas pessoas pensam que tenho “medo” de apitar 2ª ou 1ª divisão (como me pediram já várias vezes… na minha função de “tapa-buracos”)… mas trata-se de uma questão de credibilidade, coerência e honestidade (se não para com os outros, para comigo). Se o regulamento diz que um árbitro que não apite há algum tempo, deve descer de categoria ou fazer uma acção de reciclagem, coisa que defendo acerrimamente, porque havia eu de ser diferente?
Quer dizer… até sou diferente… pois recuso-me a apitar jogos de 2ª ou 1ª divisão sem ter passado por isso. Mas infelizmente… os torneios e Campeonatos Nacionais de escalões jovens passam… e eu não sou convocada (não sou caso único… são muitos). Ou melhor ainda… já dei conhecimento desta posição em relação a arbitrar de todas as formas possíveis (pessoalmente, por mail, por msn, para a FPN, etc.)… mas sou ignorada, pois se for preciso até me chama para fazer mesa… mas apitar é só para alguns…
Se calhar devia estar no Norte (e eu DETESTO assumir guerrilhas parvas e “lados”)… mas mesmo os árbitros ou oficiais do Norte se queixam que não são chamados…
Se calhar devia fazer parte do grupo restrito… ou ser mais “intima” de quem de direito…
Não estou com isto a querer criticar quem está a apitar ou a razão porque foi convocado(a)… mas ninguém me explica a razão de tantos árbitros nem serem contactados (inclusive já me ofereci para ir a jogos onde sabia que faltavam elementos da equipa da arbitragem, pagando a deslocação do meu bolso… claro que sem resposta) e de existirem tantos jogos de infantis, juvenis e juniores a serem apitados por árbitros internacionais, só por um árbitro, sempre pelas mesmas pessoas… já para não falar em 2ª divisão que na maior parte das vezes só tem um árbitro (estou a exagerar… um bocadinho) e raramente tem mesa (só mais um bocadinho… pouco… de exagero).
Porque se passa isso?
E não me digam que é por as pessoas nunca estarem disponíveis… porque muitas vezes falo com árbitros (defeito de conhecer muitos) que me dizem que nem foram contactados.
Não percebo porque depois há esta admiração por as pessoas ao fim de algum tempo se cansarem e preferirem privilegiar a sua vida pessoal em detrimento da arbitragem (para onde foram por paixão).
Bolas… se até eu que sacrifiquei sempre a minha vida pessoal pelo pólo (e até aceitava só fazer mesas… e nem receber… ou faltar a jantares de família ou de amigos como já sucedeu esta época), só pelo respeito que as equipas e jogadores me merecem… me sinto “usada”, explorada… e começo a estar cansada… e a pensar que se calhar os outros é que tem razão!!!
E mais cansada fico quando vejo as atitudes tomadas em relação a novos árbitros.
Revolta-me pensar que há pessoas que apitam há imenso tempo e nem uma porcaria de equipamento lhes deram!!! E apitam jogos do Nacional e de seniores (e aqui tanto há pessoas do Norte como do Sul).
Será que equipamento é só para alguns (e eu até tenho… se bem que nem perceba porquê… porque não me deixam fazer reciclagens ou apitar escalões jovens…)???
De que grupo/seita/região deve uma pessoa ser para que possa evoluir e aprender enquanto árbitro?
O que é preciso fazer para que se contactem todos os árbitros existentes para que não seja necessário haver provas inteiras a serem apitadas pelo DTN (para que se possa dedicar à sua função deixando a arbitragem para quem quer ser e seguir a carreira de árbitro)? E nem me falem em filiações… porque nem eu estou filiada (lapso meu que nem me lembrei ou fui lembrada disso) nem muitos dos árbitros que andam a apitar no nacional… e há muitos outros que nunca apitaram e estão como nacionais…
Como fazer com que os clubes não se sintam revoltados com as pessoas que lhes apitam os jogos (e penso que a maioria hoje em dia começa a compreender que não é pela falta de experiência ou conhecimento do árbitro que está a apitar mas sim pela falta de planeamento, organização e acima de tudo… ACOMPANHAMENTO e comunicação). Até porque estes árbitros nem tem a culpa de não ter tido acompanhamento, e até tem a coragem de assumir um desafio, muitas vezes superior às suas capacidades… naquele momento da sua formação/evolução.
Afinal estava tão feliz… e na verdade este pesadelo é real.
Será que algum dia vou deixar de viver este pesadelo (sim… eu vivo as coisas que me apaixonam… e o pólo aquático e a arbitragem sempre me apaixonaram) e conseguir viver aquele sonho que me estava a deixar tão feliz?
Será que algum dia os clubes vão conseguir participar no processo de formação e as pessoas vão ter uma pessoa que dê a cara pela arbitragem e que seja contactável (por muito difíceis que sejam as situações)?
Será que vale a pena continuar a sonhar que para ser árbitro não é preciso fazer parte do grupo A, B ou C que se dá bem com o CA… e basta ser árbitro e estar disponível?
Eu sou idealista… mas cada vez mais penso que não consigo ser assim tão idealista.
E se bem que saiba que a arbitragem tem as suas “ovelhas negras”… hoje em dia não consigo criticar muitos árbitros por terem passado a estar indisponíveis por sistema… Se eu que me disponibilizava sempre ou arranjava maneira de “tapar os buracos” dos outros… me sinto revoltada de ser chamada para apitar jogos de 2ª divisão em 10ª escolha e sem que tenham contactado árbitros mais experientes!!!
Se eu começo a pensar que é melhor ir para a praia e quem faz as convocatórias ou colocou as coisas neste estado que se “lixe”… e sempre fui “comendo e calando” por respeito às equipas… e ia sempre… para que ao menos estivesse lá alguém… mesmo quando estava na rua e nem equipamento tinha... como posso criticar os outros?!
Realmente… nunca estive tão triste com a arbitragem como agora…
Nada mudou (tanta conversa… tanta critica a quem lá estava antes…) só que a “Máfia” passou a ser no Norte em vez de ser do Sul!!!
A decisão que aparentemente terei de tomar….ou vou para o Norte e pode ser que, se for boa menina e me der com as pessoas certas e calar a boca (não comento mais que isto)… vá apitar alguns jogos (que me desculpem os meninos que não apitam mesmo sendo bons árbitros e do Norte)… ou desisto disto… pois o que aparentemente se quer quando se está à frente… é poder… e eu já não tenho idade para andar nestes jogos.
Dei e darei sempre o possível à modalidade… mas pela modalidade e não para que me conheçam!!! Para me conhecerem… não preciso desses protagonismos ou “amizades”…

Fica a tristeza… depois da felicidade… que afinal não passava de um sonho sempre adiado, aparentemente uma utopia sem solução L
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