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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

3/365 - A solidão

Poderia escrever muito sobre isto, mas a Lénia, no seu Not So Fast, escreveu tão melhor do que eu, parecia que me estava a retratar:

"Talvez fosse o final da solidão, pensei, não sabendo ainda que era apenas o princípio" - João Tordo.
Guerra antiga, esta. Uma vida inteira sozinha. Sem amarras. Sem pertencer a lado nenhum. Sem me sentir suficiente para fazer ninho. Um coração sedento de carinho, vazio de tudo. Ainda assim, um coração disposto a dar. Um coração disposto a partir-se em milhares de bocadinhos. Prefiro isso a não sentir. Até podia resguardar-me e defender-me e montar toda uma muralha à minha volta, tornar-me inatingível, inalcansável, impenetrável. Mas, e depois? Isso é viver? Isso é alguma coisa? Para mim, não. E sei que esta falta de defesas me torna um alvo fácil. Sei que estou mesmo a jeito de me estraçalhar em menos de nada. Já aconteceu. E depois? Depois juntei os bocadinhos e colei-os como pude. Ficaram resquícios, claro que sim. Ficou aquela certeza de que nunca serei suficiente. De que haverá sempre um "mas" guardado para mim.Tenho sido talvez demasiado transparente nesta fase que estou a passar. Não tenho escondido os danos. Não tenho fugido do mundo. Não tenho fingido. Dei o corpo às balas. E morri.Tenho tentado conhecer-me neste processo. Sempre disse que era bicho do mato, solitária e abandonada. Demorei a perceber que sou eu que afasto as pessoas. Que sou eu que não me apego. Não me agarro. Porque não acredito que alguém queira agarrar-se a mim. E deixo-me ficar. Sossegada e sozinha no meu canto. Agora, talvez demasiado transparente, tenho recebido coisas de sítios que eu achava que nem sabiam que eu existia. Amigos antigos, que o tempo e a vida levaram para longe, voltaram para me dar um carinho. Para me dar força. Para me dizer que vale a pena. E eu... eu fujo. Aceito o que me dão, mas não me deixo ficar. Finjo que está tudo bem, não quero que as pessoas se incomodem comigo e saio de cena. Porque acho sempre que não mereço que percam tempo comigo. Porque nunca ninguém me olhou nos olhos para me dizer "quero-te aqui comigo". Seja de que forma for. Ou talvez o tenham feito e eu não tenha visto. Ou talvez eu tenha tanto medo de ser abandonada, deixada para trás, rejeitada que não faço casa em lado nenhum.Sou a pessoa mais carente que conheço. E tudo o que eu queria era aprender a aceitar o que me dão e a não pedir nada. Mãos abertas para aceitar o que chega, mãos abertas para deixar voar o que não quer ficar. E um abraço apertado no final da solidão.

A verdade é que, como ela, com o tempo aprendi a fingir cada vez melhor. Mesmo aqueles que me conhecem bem (ou pensam que sim) dificilmente conseguem perceber se estou bem ou mal. Aprendi que é melhor estar sempre bem, aprendi que não está lá ninguém quando preciso de ajuda, porque aprendi que tenho de ser a força motor que puxa tudo e todos.
E não faz mal.
Faz parte da vida (pelo menos da minha).

Como ela, nunca consegui fazer parte de nenhum grupo, nunca consegui sentir que me integrava, saltitava de lado para lado como borboleta - e sempre acharam que era uma fantástica RP :)

Sempre ouvir que "és tão forte", ou "aceitas tudo tão bem", ou "não sei como consegues"... sem mostrar absolutamente nada se me estão a magoar ou a deitar abaixo com negativismos e toxicidade é uma arte que fui aperfeiçoando ao longo dos anos!

Talvez seja assim, talvez sejam fases, talvez seja necessário ser assim... quando se tem filhos não nos podemos ir abaixo, quando temos um pai em constante depressão e que depende de nós para (quase) tudo não podemos fraquejar, quando a super-mulher que é a nossa mãe já está cansada de levar o mundo aos ombros e mostra claros sinais de depressão, temos de a apoiar e não sobrecarregar mais...

Mas se pensar bem, a verdade é só uma: não vale a pena que se incomodem comigo, eu estou bem, estou sempre bem - são 33 anos de aprendizagem :)

quinta-feira, 15 de março de 2012

4 ANOS DE BLOG

ORA BOLAS!!!!
Estava convencida que tinha sido a 15/03... nem escrevi nada antes para celebrar hoje... e vai daí e foi no dia 13/03/2008 que este pequeno cantinho nasceu.

Apesar de estar um pouco ao abandono não está esquecido e é uma parte de mim que aqui se encontra.
Foi uma excelente terapia amorosa, desabafos pessoais, opiniões, partilhas, alegrias... é um pouco de mim que aqui está e estará sempre.

Confesso que ando sem inspiração, sem cabeça e sem vontade, mas sei que um dia tudo vai voltar aos eixos e vou poder continuar aqui as minhas divagações, espelhar um pouco do que sou para que no futuro a pequena nuvenzinha possa conhecer um lado da mamã que nem todos conseguem ver.

E para celebrar (mesmo que atrasada), nada melhor que umas gomas caseiras (ando a testar as receitas das coisas para a festa de anos da princesa).
Aqui ficam algumas imagens (da próxima não passo por açúcar no fim... ficam pegajosas e não precisam de mais açúcar)

Muito açúcar para celebrar estes 4 anos de vida!!!

PARABÉNS A MIM  E AO BLOG :)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Eu não o conseguiria dizer/pensar/sentir melhor

E é mesmo isto, sem tirar nem por!

Da Miss Daisy
Cada vez mais me apercebo de que há grandes desgostos que sofremos e que na altura nos parecem insuportáveis de aguentar e aceitar, mas que com o tempo percebemos que o que a vida nos fez, foi, sem tirar nem pôr, um favor. É o nosso destino ou o que quer que seja que existe e nos guia, que nos está a dar outra oportunidade de sermos felizes, noutro lugar. Porque no lugar onde estávamos, na situação em que estávamos, existia tudo menos felicidade. Acho mesmo que o grande problema é que enfrentamos um grande desgosto como uma enorme perda, algo irreparável e eterno. E não é. Tudo é efémero, nesta vida. E só se gostarmos de sofrer é que nos vamos permitir continuar agarrados a um passado, a um momento, a um sentimento. O mundo é mais ou menos um relógio que, alheio aos problemas das pessoas que por ele se regem, continua a fazer movimentar os ponteiros e a fazer o tempo avançar. Já dizia William Shakespeare...

domingo, 3 de outubro de 2010

Asas para Voar

O Miguel é enfermeiro. Tem uma sensibilidade e criatividade (para a escrita é a que conheço melhor) acima da média - expressas no seu blog.
Mas, como tantos outros, descobriu que aqui não conseguiria dar as melhores condições de vida à família e como tal vai emigrar e perseguir o seu sonho e realização.
E só nos pede para o ajudar-mos a divulgar o blog que criou onde vai colocar à venda todos os objectos ligados à sua vida de cá, por forma a conseguir ir com a família (são 4) para o seu novo projecto com o mínimo de artigos.
Chama-se Asas para Voar e vão lá encontrar de livros a objectos para a casa... tudo!
Visitem e, se puderem, divulguem pelos vossos contactos.
Porque não custa ajudar aquela família a voar e ainda ficar com artigos de qualidade a bons preços!

domingo, 5 de setembro de 2010

Bem vindos à Holanda!


Recentemente conheci o Blog do João, escrito pela sua mamã Vânia.
O João é um benfiquista espantoso, um bebé muito desejado que tem paralisia cerebral (entre outros problemas), mas com uns pais incríveis que o amam incondicionalmente e apoiam em todos os sentidos e que se tem desenvolvido rodeado de muito amor.
E o blog da viagem do João tem uma introdução fabulosa, que reflecte os pais que tem e que nunca pára de me emocionar quando a leio e que não resisto a partilhar:

"Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias - para a ITÁLIA! Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos! O Coliseu. O Davi de Michelângelo. As gôndolas em Veneza. Você pode até aprender algumas frases em italiano. É tudo muito excitante-
Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia! Você arruma suas malas e embarca. Algumas horas depois você aterrissa. O comissário de bordo chega e diz:
- BEM VINDO À HOLANDA!
- Holanda!?! - Diz você. - O que quer dizer com Holanda!?!? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu sonhei em conhecer a Itália!
Mas houve uma mudança de plano vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar.
A coisa mais importante é que eles não te levaram a um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar diferente.
Logo, você deve sair e comprar novos guias. Deve aprender uma nova linguagem. E você irá encontrar todo um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes.
É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor, começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrants e Van Goghs.
Mas, todos que você conhece estão ocupados indo e vindo da Itália, estão sempre comentando sobre o tempo maravilhoso que passaram lá. E por toda sua vida você dirá: - Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planejado!.
E a dor que isso causa nunca, nunca irá embora. Porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.
Porém, se você passar a sua vida toda remoendo o fato de não ter chegado à Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais sobre a Holanda. "
BEM VINDO À HOLANDA
por Emily Perl Knisley, 1987




Imagens retiradas da Internet

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E não é que ganhei um selinho?

E não é que a For You, deste delicioso blog, me desafiou a receber um selinho para partilhar alguns "segredos"?
As regras são simples:

Para participar neste desafio é necessário:

1º Seguir as regras;

2º Levar o selo acima que identifica quem está, esteve ou estará no desafio;

3º Completar as seguintes frases:

a) Eu já ...

b) Eu nunca ...

c) Eu sei ...

d) Eu quero ...

e) Eu sonho ...

4º Depois de completar a frase com as respostas indicar 5 blogs para dar sequência ao desafio.

Como tal, aqui vão as respostas:

a) Eu já fiz tantas loucuras por amor...

b) Eu nunca acreditei poder vir a ter um filho e ... agora já lá vão quase 20 semanas de felicidade intensa...

c) Eu sei que o meu amor (a minha cara-metade) e a minha família são as coisas mais importantes da minha vida...

d) Eu quero poder dar sempre tudo de mim a todas as pessoas que amo e poder garantir que estarão sempre bem... e se puder ganhar o euromilhões ou totoloto (mesmo não jogando) ia ajudar muito...

e) Eu sonho ter uma grande casa, ver todos bem na vida à minha volta (família e amigos) e ter uma grande família para amar e cuidar (e, novamente, ganhar o totoloto e euromilhões ajuda nisso)

E agora indicar 5 blogs para dar sequência ao desafio....
Aqui vou ter de subverter as regras, pois não vou indicar blogs... todos os que leram a mensagem podem considerar-se desafiados - se ainda não tiverem recebido o selinho, que isto tem uma tendência para dar a volta ao mundo depressa.

E se esperavam grandes revelações... fica para outra vez (hehehehe)!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

E a fama continua

Mesmo durante esta semana, cheia de trabalho, consegui aparecer em mais um blog.
Desta vez foi no blog da Isa, um blog giríssimo que vive ... com os pés dos visitantes e os locais onde eles pisaram.
Atendendo a que foi um verão selvagem... ali ficaram os meus pézinhos "surfistas" ao pé do rio a ver passar os aviões que iam apagar os fogos que rondavam...
E podem ver os meus chinelos de Verão preferidos... confortáveis como só eles!

É este o preço da fama e de gostar de um blog giro como este.

Passem lá e participem!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pretugês e acordo hortugráficu

Muito se fala nos acordos ortográficos, na qualidade do Anónimoensino de hoje, que os jovens não sabem escrever, etc...
Não consegui resistir a publicar este comentário, retirado de um blog desportivo por onde passo pontualmente... pois ilustra bem a realidade actual do nosso português.

É que... os erros são tantos, mas tantos, que às tantas já nem conseguia ler bem....
Não sei se ria ou se chore... (diz ela enquanto esfrega a cara com incredulidade perante o texto...)
É que é mesmo caso para falar num "Pretugês" derivado do "acordo hortugráficu"...
Será que jogam tão bem como escrevem?
Anónimo disse...

enfim ,o XPTO e o ABCD sao os arroaceiros lalalal ,mas ainda nao vi nenhum de voces a faser melhor que eles .
se a alguem que deu tudo o que tinha pela PTYD forao eles ,se a alguem que nunca deichou este clube cair forao eles ,porque sera que estao na seleçao ?porque sera que vos metem tanto nojo ?
se nao fossem grandes voces nao falavao deles ,porque nao falao dos outros ??
porque os outros nao fogem de voces ,estes 2 lutam contra 7 jogadores ,contra os arbitros e nunca os virao desistir ...
ganhem vergonha ,e em ves de ficarem aqui a TENTAR deitalos a baixo porque nao os infrentao dentro de agua ?ou sera que la dentro nao sao todos do mesmo tamanha ??
enfim ,XPTO e ABCD ja joguei com voces e contra voces ,e tenho a diser que me orgulho disso ,nao é por estes invejosos que vao cair ...
o clube mais novo de todos os participantes neste campeonato é o que da mais qe falar ,pra verem como voces sao uma merda ,enfim .
ja agora ,senhor NPTD ,senhor FRHT e senhor PRNJ ,nao percao o vosso tempo a tentarem afundar estes miudos ,voces e que ficao mal vistos ,nao sao eles ahahah

cuidem-se amigos ,para o ano a PTYD vai voltar a limpar o regional e o nacional de juvenis como fes em infantis no ano passado ,nao se esqueçao :D

PS - editei os nomes, pois acho que quando se colocam estas coisas em blogs se devem respeitar as pessoas... e sendo um comentário anónimo... "tinha" de editar...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Humor negro e impróprio

Quem me conhece sabe que sou especialista em gaffes, em dizer as coisas erradas no momento errado, que tenho um sentido de humor muito particular (e impróprio)... etc.
Especialmente nos momentos dolorosos, em que tento animar as pessoas que me rodeiam e que estão a sofrer... parece que não consigo parar de dizer asneiras, especialmente porque tento animar as pessoas com piadas e já devia ter percebido que não nasci para humorista!!!

Acontece sempre nos piores momentos, de repente aquela frase que nunca devia ser dita... sai disparada pela boca... logo quando mais valia nem ter existido... e depois parece que a "diarreia mental" não pára e ao tentar corrigir aquela "piada" vou piorando a situação.

Um exemplo?
A minha avó estava no leito do hospital preocupada que eu não ficasse com os brincos que ela tinha colocados e que me tinha deixado em herança... e queria tirar os brincos para eu os levar logo.
E, como era habitual, disse-lhe que não os queria, que ela devia ficar com eles e que eu tinha muito tempo para os usar, quando ela morresse.
Infelizmente esse momento chegou mais depressa do que gostaria...
Bem... no seu funeral eu contei esta situação... mas em vez de parar na minha resposta... tinha que completar com "aquela" frase que faz brilhar os clarões de inteligência por cima da minha vasta "cabeleira loira":
- Eu disse isso para ela não se preocupar. Não era preciso morrer logo só para eu ficar com os brincos!!!
Aiiiiiiiii e acham que disse só uma vez???
Não!!!
Tive de contar a historia a mais do que uma pessoa...
Uma verdadeira "diarreia cerebral" que não parecia querer parar....
Até que uma alma caridosa (gracias sister) me disse que podia ser mal compreendida e era melhor não contar mais essa "piada"... aiaiaiaiai.

Outro exemplo?
Velório... tudo em silêncio (tinha sido uma pausa nas rezas dos terços)... e dedico-me a reparar nos ramos de flores que enchiam a pequena sala mortuária.
E onde pousam os meus olhos?
Numa linda palma de antúrios!!!
Para quem não conhece a planta, vejam a imagem...E o que me passa pela cabeça?.... só ideias tristes, realmente.
Nuvem - Olhem só para aquele ramo... para aquele que está de lado...
Pessoa - Qual?
Nuvem- Aquele que está no canto... aquele branco... em que nem se vê a flor, só aquela coisa cor-de-rosa ali no meio... espetada...
Pessoa - Sim???
Nuvem - Achas normal mandar aquilo para um funeral? Acho um bocado indecente...
Pessoa - Porquê?
Nuvem - Já viste bem aquela flor? Aquele ramos é daqueles que devia vir com bolinha no canto... é um bocado indecente...
Pessoa - aiiiiiii essa cabeça.... (mas a maioria fazia um esforço para não rir... até porque era um velório).

Vejam vocês as flores e imaginem o que parecem (especialmente nas brancas com o ... em cor-de-rosa....)

Achavam que parava por aqui?
Não!!!
Continuava....
Na manhã seguinte...
Nuvem - Olha... murcharam...
Pessoa - O quê?
Nuvem - aquelas flores que ontem estavam tão assanhadas....
Pessoa - aiiiiii
Nuvem (em vez de ficar calada) - talvez um pouco de água as arrebite...
Depois de molhar um pouco...
Nuvem - Olha só que alegria... subiram logo... estavam a murchar... devia ser de estar num velório...
(e no "balão" que aparecia por cima da minha cabeça nestes momentos só se lia - mas não me calo??!!!)

A última.... porque são tantas e tão impróprias...
Há um costume de ter uma tacinha (deve ter um nome técnico, mas não sei qual é) com um instrumento dentro em que se atira água (presumo que benta) sobre a urna do falecido...
No dia seguinte...
Nuvem - Se calhar devíamos rodar a coroa que está em cima da urna...
Pessoa - Porque?
Nuvem - olha só para aquele lado que está sempre a ser regado, como está florido e viçoso...
Pessoa - ????
Nuvem - e se calhar devíamos ir rodando as coroas, assim aproveitam todas para ser regadas...
Pessoa - cof cof (esta até era mais ou menos gira... e verdadeira... mas estavamos num velório... além de que bastava dizer uma vez e não era preciso repetir a toda a hora... e sempre que havia o concurso de ver quem conseguia atirar a água mais longe...)

Ao passear pela net descobri neste blog (Teme os Ninjas) um post hilariante que me fez lembrar alguns destes meus "melhores" momentos, nomeadamente no recente funeral da minha avó (em que parecia doida com as frases que saiam da minha boca, como já puderam comprovar pelos exemplos acima).

Aqui vos deixo o texto (e, devo acrescentar... como eu o compreendo....)

Impróprio

Sou daquele género de pessoas que, não gostando de ver um amigo triste, tenho tendência a tentar anima-lo(a) com piadas. Umas com graça, outras sem (depende se a Graça está lá ou não). No entanto tenho, por regra, uma falta de sentido de oportunidade atroz e um timming grotesco. Por este motivo, assiduamente acabo a pensar "porque c*&#$%o é que havias de dizer aquilo?!". Eu e os que me rodeiam. E o pior é que depois não consigo parar, querendo sempre emendar a falta de oportunidade da prévia piada com outra que, no momento, me parece adequada.
Claro que este problema atinge o seu auge nos funerais. São autênticos orgasmos de estupidez, que se alcançam no preciso momento em que finalmente a minha consciência me grita "CALA-TE SEU PAQUIDERME ESTÚPIDO! CHEGA!".

Imaginemos que faleceu, digamos, um primo (para não ser muito próximo) de um amigo meu:

Ninja: Lamento muito, os meus pêsames Amigo. Eram muito chegados?
Amigo: Mais ou menos, não éramos muito, mas até nos falávamos com frequência.
Ninja:Bom, então ainda bem.
Amigo: Hmm?
Ninja: Podia ser pior! A tua mãe por exemplo.
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: *Riso nervoso para indicar que era uma piada*

- Silêncio -

Ninja: Está tudo muito calado...
Amigo: O que esperavas, é um velório!
Ninja: Principalmente o teu primo.
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: Mas está com boa cara, calma! Para um morto claro...

- Silêncio -

Ninja: Queres uma pastilha-elástica?
Amigo: Não obrigado.
Ninja: Oferecia ao teu primo, mas ele já não pode...
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: Percebeste?... Porque está mo...
Amigo: Eu percebi!

- Silêncio -

Ninja: Ei, olha só o decote daquela gaja!
Amigo: É a irmã dele.
Ninja: Ah, desculpa... Mas aquilo é de acordar um morto.
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: *Afunda a cara nas mãos*

- Silêncio -

Ninja: Vou até lá fora um bocado.
Amigo: Prometes?
Ninja: Sim... Agora mesmo. Aqui está um ambiente de cortar à faca.
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: Percebeste?... Porque ele morreu esquartejado naquele acidente com os cutel...
Amigo: Vai embora!
Ninja: Já não tenho vontade.
Amigo: *Afunda a cara nas mãos*

Inspirando fundo, e depois de me concentrar, tento dizer algo reconfortante:

Ninja: Ao menos agora está num lugar melhor.
Amigo: Obrigado por te controlares.
Ninja: Isto se no Céu aceitarem encomendas partidas.

Alguém atrás de mim alguém grita:

Familiar: Oh pá, morre de uma vez!
Ninja: Ei, não havia necessidade... Isso foi completamente desnecessário.

Imagem retirada da internet

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

LawRD - Muchbeta ao ataque

E aí está, mais um caso de sucesso na família!
Desta vez, o meu primo João (Braz Pereira).
Como se não bastasse ser filho de uma mulher como a minha madrinha, pai de duas meninas lindas como a Alice e a "minha" Clarinha, é sócio de uma nova empresa que promete já ser um caso de sucesso!!!
A MuchBeta lançou agora um conceito inovador (LawRD) e no própria dia de lançamento foram logo notícia de destaque num blog com grande visibilidade.
Aqui vos deixo a notícia:


O LawRD é um dos mais recentes e entusiasmantes projectos que tive oportunidade de observar nos últimos tempos. É, de forma sucinta, “uma ferramenta de apoio à gestão de escritórios de advogados, capaz de proporcionar aos seus responsáveis acesso à informação mais relevante e crítica para a performance do seu negócio”.

Está a ser desenvolvido pela MuchBeta, está a dar os primeiros passos em termos de exposição realmente pública mas já “circula” por aí, em situações de utilização bem real, há algum tempo.

A receptividade tem sido a melhor e a aposta no conceito de SaaS (Software as a Service) comprovou-se (como é esperado) uma excelente solução e orientação em termos de modelo de distribuição e rentabilização de um produto online.

Também com a intenção de lhe disponibilizar o melhor “serviço” possível, estive à conversa com o João Lopes Martins, CEO da MuchBeta, S.A. e uma das faces visíveis de um projecto empresarial do qual, aposto, ainda muito vamos ler e ouvir.

[2.0WM] Esta ideia do LawRD surgiu de onde? Como perceberam que o mercado tinha abertura suficiente para um produto desta natureza? Como perceberam que isto “estava a dar”?

[JLM] A nossa ideia inicial era fazer bons Serviços (SaaS desde o inicio). Os “advogados” surgiram pela necessidade de nós próprios virmos a ter a necessidade de ter bons serviços de apoio jurídico, que como sabes são muitos caros ! Nesse momento percebemos que o mercado não tinha uma ferramenta simples e dedicada de timetracking e report … começamos por aí !

[2.0WM] Quando é que iniciaram então o verdadeiro desenvolvimento do LawRD?

[JLM] O desenvolvimento do LawRD, propriamente dito, pode dizer-se que terá começado no último quadrimestre de 2008. A visão do futuro do nosso negócio passa pelo desenvolvimento de uma framework proprietária sobre a qual faremos todos os desenvolvimentos e o seguimento dos diferentes Serviços (internos e externos ) que possamos vir a criar.

[2.0WM] Dispuseram então de apoio /consultadoria técnica da parte de advogados ou outros profissionais da Justiça?

[JLM] Foi a partir do primeiro contacto com o potencial apoio jurídico futuro que decidimos criar o produto. Assim, foi com o apoio de duas excelentes sociedades de advogados do Porto que fizemos o levantamento de necessidades, o desenho da aplicação e mesmo um primeiro protótipo que uma dessas sociedades usa actualmente.

[2.0WM] Quais foram os maiores obstáculos e dificuldades com que se depararam ao longo do processo?

[JLM] Questão delicada ;) Apesar de 6 de nós já termos trabalhado juntos, de nos conhecermos bastante bem e estarmos alinhados na generalidade dos objectivos propostos: montar uma nova estrutura, com novos e grandes objectivos, novas responsabilidades e novos métodos, tem sido um processo de crescimento ex novo. Montar uma empresa que quer ser uma máquina estruturada, oleada, ágil e flexível … todo este processo está já identificado como o grande desafio !

O primeiro resultado está à vista: temos o LawRD online … continuaremos a aprender e a melhorar processos!

[2.0WM] Sentem que o target a que se destina o produto está receptivo a este tipo de tecnologia, i.e., o software já assusta muita gente, o software online não assusta ainda mais?

[JLM] Estamos certos que SaaS fará parte do futuro do software e da Internet ! E nós queremos lá estar !

A adopção do novo modo de fazer não será Universal, não será para todos, não será sequer, de inicio, uma facilidade, mas temos sinais que as vantagens apresentadas ultrapassarão muitas das dúvidas que vão surgir e que os testemunhos de ganhos de produtividade e rentabilidade irão quebrar muitas barreiras !

[2.0WM] E quanto ao modelo de comercialização? As pessoas entendem bem o “aluguer” de uma aplicação na web?

[JLM] A comercialização ainda vai começar. Optamos por não badalar, não ir falando antes de termos um bom produto para oferecer. Fomos sondando, e as perspectivas são animadoras, a principal critica até tem sido em relação ao preço (mensalidade): têm-no achado muito baixo !

Acredito que há já muitos profissionais à procura deste tipo de solução … iremos ter com eles, com estes early-adopters!

[2.0 WM] Tive oportunidade de reparar que o LawRD está muito bem organizado em termos da distribuição da informação. O acesso directo e cruzado a essa mesma informação parece ter sido umas das vossas preocupações. É assim? Houve uma preocupação especial que se prende de alguma forma com o target a que se destina? É essencial ter a informação à “mão-de-semear”?

[JLM] O LawRD foi pensado não para gerir processos judiciais mas como “produto anti-crise”! Para uma gestão efectiva das sociedades de advogados como negócio, para dar relatórios de situação de produtividade e rentabilidade. É claro que acaba por oferecer muito mais do que isso mas, essencialmente, está pensado para ser usado pelo utilizador médio de informática, altamente user-friendly, “sem instalações, formações ou outras confusões”, mas nem este público deixa de ser muito exigente.

Já fizemos de tudo para Internet! Sabemos que usabilidade e acesso imediato à informação são factores chave de sucesso para a utilização destas ou quaisquer outras ferramentas web. O LawRD está desenhado e arquitectado para ser intuitivo e agradável! O factor critico são os dados! Se não os inserirem não têm output!

lawrd004

[2.0WM] Expectativas em termos de utilizadores para o primeiro ano do LawRD?

[JLM] A nossa perspectiva passa por atingir um número próximo dos 5 000 utilizadores no primeiro ano de LawRD online.

[2.0WM] Quanto à segurança? Estão preparados para lidar com a responsabilidade que virá do facto de serem (até determinado ponto) os responsáveis pela salvaguarda do tipo de informação que os V/ clientes poderão vir a confiar ao LawRD?

[JLM] Estamos preparados e apostados em fazer desse factor crítico uma das maiores vantagens da nossa oferta. Temos competência interna a esse nível, trabalhamos “em cima” dos servidores da Amazon, assim como apostamos na certificação dos serviços por entidades externas internacionais, idóneas e reconhecidas.

[2.0WM] O vosso esforço de divulgação irá localizar-se apenas em Portugal ou já olham para outras terras?

[JLM] Para nós não faz sentido desenvolver este tipo de serviços SaaS exclusivamente para Portugal. Estamos certos que teremos por cá um bom território de teste e aprendizagem de mercado inicial, é, sem dúvida, o nosso mercado preferencial mas … estamos na Internet!

De início, lançámos o LawRD em 2 idiomas: português e inglês, mas brevemente apresentaremos maior oferta, a seguinte será por certo em castelhano. Temos como mercado alvo, de maior esforço comercial inicial, a Europa e a América Latina.

[2.0WM] Quantas pessoas são a MuchBeta e o que fazem por aí?

[JLM] Somos 9. Jogamos em 4×2x3 ;)

Na Pole-position o Nuno Santos (CTO), Jorge Oliveira (CISO), Nelson Teixeira (CDO) e o Fernando Martins (COO);

Na Linha Criativa: Luís Vaz (Creative Director) e Dionísio Souto Abreu (Copy).

Linha de Ataque: João Braz Pereira (CCO), Daniel Nunes (CFO) e João Lopes Martins (CEO)

[2.0WM] Têm já mais algum projecto “no molde” ou vão agora dedicar algum tempo exclusivamente ao LawRD e admirar a obra feita?

[JLM] O LawRD é “só” o primeiro projecto da mB, outros virão! Por agora vamos acompanhar o crescimento do LawRD, finalizar todo a sua estrutura de seguimento, facturação, feedback, gestão de “Afilliates”, e arrumar a nossa própria Intranet.

Mais informação em Bloguite.com

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Sentimento

Acho que só hoje é que realmente me apercebi que ter um blog exige bastante responsabilidade.

Quando criei este blog foi mais para ser um escape, um diário, uma forma de dizer o que sentia e assim libertar a minha alma, aquilo que me pesava, sem ter de estar a falar dessas coisas e podendo manter a fachada de forte que tão bem me parece ficar.
Foi como uma forma de partilhar alegrias e dores sem ter de encarar as pessoas para falar delas (gosto de resolver as minhas coisas no meu cantinho, sozinha... e detesto falar de coisas más... detesto estar a trazer de novo a dor ou mágoa à superfície em público).

Não me tinha apercebido que era uma forma de as pessoas me conhecerem (sabia que era uma forma de me conhecerem... não me apercebi da importância desse facto) e que o facto de não escrever, para quem me estava mais próximo, até poderia ser um sinal preocupante (donde se pode ver que venho de uma família de pessimistas, pois em vez de assumirem que não escrevo por estar ocupada ou por estar bem... assumem que me isolei - hehehehe).

É verdade que adoro escrever (mal, com muitas reticências, com as minhas divagações, com parentesis por todo o lado...) e que adoro poder expressar o que me apetece, sem ter de responder a padrões de qualidade, sem pensar em publicar... só pelo prazer de escrever. Talvez um dia, quando finalmente assumir que vou ser "grande" me decida a estudar as regras da escrita... só para as poder subverter (sim... esta coisa de regras definidas nunca foi muito a minha área...)

Também é verdade que escrever me dá tendência para a tristeza, para recordar coisas que não quero recordar, para pensar em coisas que não quero pensar... e que por vezes me dedico a outras coisas só para me ocupar (ou ocupar a cabeça) e me esqueço de ... escrever aqui!
Pois também não vou nem quero, de forma nenhuma, fazer diste um blog de tristezas e desencantos.

Não vou ceder à tentação fácil de pensar que daqui a nada tenho 40 anos e continuo solteira, com mau feitio, sem filhos, com poucos amigos (mas bons) e que até no trabalho que é a minha paixão na vida, não consigo acertar com o local certo!

Isso seria fácil demais - e eu não gosto de coisas fáceis! Assim como detesto tristezas e vitimizações!
Aliás... se as coisas são fáceis demais ... é certo e seguro que eu vou encontrar a forma de as complicar.

Por outro lado (desculpa tio) também não vou parar de me entregar com paixão a tudo o que faço ou a quem amar. Doí quando acaba, doí quando se é incompreendida, dói quando se pensa que se dá tudo e depois levamos um pontapé... mas negar isso seria negar a minha essência, aquilo que sou.
E se há uma coisa que aprendi na vida é que mais vale sofrer porque acabou, do que sofrer por não tentar.

Além de que há muitos, MUITOS, muitos anos (para não dizer, no meu tempo...) que minha filosofia é e sempre foi... se estás mal, se está infeliz... olha à tua volta. Há de certeza alguém mais triste, mais infeliz, alguém que precisa da tua ajuda. E enquanto te concentras a ajudar os outros, a dar tudo por eles, a viver com paixão... esqueces que tens problemas... e eles perdem importância - e muitos até desaparecem.

E por falar em tristezas e mágoas, aqui deixo um pequenino texto que recebi hoje:
“ Não te deixes abalar pelo fato de um dia teres demonstrado os teus sentimentos a quem não soube valorizá-los.
O que importa é que soubeste assumi-los sem medo e essa pessoa um dia vai ver o quanto perdeu.
Às vezes construímos pequenos sonhos em cima de grandes pessoas, mas com o passar do tempo, percebemos que grande mesmo eram os sonhos, pois as pessoas eram pequenas demais para eles...”
Adorei!!!
Não por me ter feito lembrar o que sofri (ai a tentação de o enviar para o estrangeiro), mas porque reflecte o que penso... o que sou!

Mesmo que algumas vezes doa, me sinta injustiçada... há sempre outra nuvem no céu, há sempre sol... e estou viva, tenho uma família, amigos, um tecto - o que mais posso pedir?!

Por isso... se encher o blog de "palha" que me diverte ou que me faz pensar, se estiver alguns dias sem escrever, se escrever 3 ou 4 mensagens (nunca sei se é post, mensagem, nota, ...) num dia ou numa noite... significa que estou bem... que estou ocupada... que estou a preencher o meu tempo... e que estou a reaprender a ser feliz (ou como me disseram recentemente, a reaprender a "chorir"), que sou EU (com palha e profundidade, com intelectual e superficial, com paixão e tristeza, ...).

Bem ou mal, feliz ou infeliz... esta sou eu!

Uma nuvem cheia de contradições, que sonha com o impossível e que luta pelo seu ideal (mesmo que sejam só moinhos de vento).
Que diz o que pensa (o que sente é mais complicado) e que tira as palavras directamente do coração para a boca... a maior parte das vezes sem as deixar passar pelo cérebro antes de as pronunciar - e que perde muitos "amigos" por isso!
E alguém que ESCOLHEU que estava na altura de se deixar cair e estar um bocadinho no seu cantinho (a curar todas as feridas, novas e antigas, mas que precisavam de ser tratadas e de descanso)... decidiu que estava na altura de deixar passar a tempestade e ganhar forças antes de continuar a subir... mas que será sempre uma nuvem... azulinha... redondinha... T2 :-)

Um beijo a todos!!!
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