Um blogue criado para partilhar pensamentos, alegrias, tristezas... o que acontece quando se vive numa nuvem... e por vezes se cai ao chão.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Parabéns Vovó
Hoje fazes 97 anos !!!
Muitos parabéns avó, tenho a certeza que a festa aí em cima está ao rubro e o sol brilhou ainda mais iluminado pelo teu sorriso e gargalhadas!
Um beijo enorme da tua neta (e bisneta) que nunca te esquecem!
quinta-feira, 26 de julho de 2012
FELIZ DIA DOS AVÓS
Porque é o dia dos avós.
E a minha princesa tem os melhores avós do mundo!!!
E só tenho pena que não tenha conhecidos os meus avós, pois ia ser duplamente abençoada, mas o que vale é que ela os vê todos os dias e fala com eles e eles estão sempre ao nosso lado.
E claro, não podia esquecer os melhores avós do MUNDO - OS MEUS!!!
FELIZ DIA DOS AVÓS!!!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
2 anos já passaram
Mas ao mesmo tempo são 2 anos em que tenho a certeza que ela está bem, em que sinto a sua presença a cada dia, em que olho para a nuvenzinha e vejo o pequeno milagre que ela é e em que tenho a certeza que a minha avó teve "mão" (sim, chamem-me louca, mas tenho e certeza que está relacionado). E em que espero vir a tornar-me metade da mulher que ela sempre foi, em que espero conseguir transmitir os valores que ela tão bem transmitiu à minha mãe e a mim!
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Parabéns Vovó
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Dedicada às avós
Ele estava brincando na rua com alguns coleguinhas e uma hora entrou em casa perguntando:
A vovó se assustou com a pergunta, pensou e achou que seria melhor dizer a verdade:
Paulinho satisfeito com a resposta voltou para a rua para brincar.
Dentro de instantes ele entra em casa novamente todo esbaforido e diz:
domingo, 6 de junho de 2010
1 ano de saudade
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Parabéns Avó
Hoje terias seguramente toda a família à tua volta para te mimar e acarinhar como merecias!
Hoje terias ao colo a tua mais recente bisneta, a mais ansiada!
Hoje estarias com "ciúmes" da atenção que se dá aos bebés da família!
Hoje estarias feliz e com os olhos brilhantes de teres a tua família à tua volta e veres como eras amada!
Hoje estaríamos a rir de como tinhas aguentado para a tua festa dos 89 anos!
.....
.....
Mas hoje, só fica a saudade da tua ausência.... mas nem por isso deixamos de celebrar, porque ...
Hoje farias 90 anos e és a MINHA avó!
sexta-feira, 12 de março de 2010
Definição de avó
É tão delicioso que não resisti a partilhar e dedicar a todas as avós da minha família (especialmente a minha madrinha e a minha mãe), bem como a todas as avós que por aí andam espalhadas por este mundo.
Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo.
'Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem 'Despacha-te!'.
Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando nos contam historias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes.
As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não tiver Televisão'.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
A última prenda de Natal da avó
Chegou hoje a última prenda de Natal que receberei da minha falecida avó!A sua última prenda é algo que há muito tempo desejava e nunca tinha podido comprar - só mesmo com a ajuda dela (e da minha mãe, claro).
Como é que a minha avó me deu esta prenda tendo falecido em Junho?
A verdade é que ela era muito poupada (resultado das muitas dificuldades que passou na vida) e depois do seu falecimento as suas poupanças foram repartidas pelos seus 3 filhos.
A minha mãe decidiu que esse dinheiro era para nós (as netas), como última prenda da avó que tanto adorávamos, e foi assim que tive a prenda de Natal dos meus sonhos (sou modesta nos sonhos, eu sei), oferecida por aquela que foi a melhor avó do mundo!
E é uma prenda tão linda!!!
Também deu para comprar um bom zoom (e estabilizado, que com a idade o Parkinson progride), o que fez com que esta prenda seja um sonho tornado realidade!
Claro que já andámos a brincar com ela (o meu amor até esperou que eu chegasse antes de a abrir e experimentar) e é verdadeiramente espantosa - agora já não há desculpas para não tirar o sonhado curso de fotografia.
Mesmo com saudades da avó... hoje estou feliz, porque terei sempre comigo a sua última prenda, a prenda perfeita da avó perfeita (com a ajuda da mamã, não esquecer)!!!
sábado, 13 de junho de 2009
Santo Agostinho
Como tal, aqui fica a oração que deram à minha madrinha no dia da missa do 7º dia e que ajuda neste momento de dor, transmitindo paz e sossego:
do Ceú onde agora vivo,
este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
Não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encanto de Deus
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,
uma enorme ternura
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo, pensa nesta casa
onde um dia estaremos reunidos
para além da morte,
matando a sede na fonte inesgotável
da alegria e do amor infinito.
Não chores,se verdadeiramente me amas!
Santo Agostinho
E, no seguimento desta, outra oração, do mesmo santo, que me enviaram hoje (obrigada P.) e que me acalma e conforta o coração:
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Porque eu estaria fora de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista ?
Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e se me amas,
não chores mais.
Dia da Mãe 2009
Uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida foi ler este texto (escrito pela minha madrinha, como prenda do dia da mãe 2009), durante a missa de corpo presente, no funeral da minha avó....DIA DA MÃE
3 de Maio de 2009
Mais uma vez foste tu mesma!
Arestas sofridas e desgastadas pela vida...
estruturas fragilizadas e cansadas de tantos caminhares...
não rejeitaste enfrentar mais uma nova situação.
Mais uma vez foste tu mesma!
E com o coração cheio de amor, coragem, fé e muita abnegação, deste talvez o último passo mais difícil da tua vida.
Tomaste "aquela decisão" que para todos nós ainda estava muito longe... pensando sobretudo em mim, mas também em nós e em ti.
Mas Deus vai continuar ao teu lado, providenciando tudo para que encontres sempre o que necessitas.
Com muito amor,
(texto escrito às três e meia da manhã)
Avó
Morreu a minha avó!Morreu a pessoa mais especial que conheci...
Desapareceu a razão que me levava a correr as lojas de "souvenirs das cidades do mundo por onde passava...
Faleceu a pessoa que iluminava uma sala com o seu sorriso e com o seu sentido de humor...
Morreu aquela pessoa que passava pelas filhas e netas que chegavam para a ver... só para acarinhar um dos cães que as acompanhavam (Top, Nikko, Leão, Figo)...Desapareceu aquele brilho nos olhos da minha avó ao ver um boneco de peluche, ao receber uma prenda, um carinho, um sorriso...
Morreu aquele sentido de humor especial que só a minha avo tinha e entendia (e que levou inclusive a que me dissessem "qualquer pessoa que não vos conhecesse e te ouvisse dizer o que dizes á tua avó ficaria chocada... mas a tua avó ainda é pior que tu, entende e brinca, tem um sentido de humor fabuloso..."), aquele brilho irónico nos olhos... aquele meio sorriso de quem quer brincar e se faz de zangada...
Faleceu aquela avó que pela gulodice, aquele prazer em comer "as partes porcas do porco", os doces mais doces... se esquecia de tudo...
Morreu aquela pessoa que resplandecia quando aprendeu a enviar sms... que adorava aprender coisas novas e se orgulhava de ver e responder a sms (e foi há tão pouco tempo... ainda em Janeiro estávamos a passear por Viseu, a escolher vestidos... a enviar sms a todos... a comer gelados no MacDonald's...)
Faleceu... a minha avó!
Lutou, contra tudo e contra todos... passou o marco dos 89 anos em sofrimento numa cama do hospital, pedindo para só celebrar os anos quando saísse de lá...Deixou-se ir, para junto do marido, do neto que tanto amava... e descansa agora em paz.
Já não sofre, mas também nunca mais nos vamos rir das suas histórias, encantar com o seu riso genuíno, o seu carinho, a alegria que sentia quando via um cão, quando passeava o Figo...
Queria escrever mais... queria descrever a pessoa maravilhosa que era (com todos os seus defeitos)... a falta que me(nos) vai fazer... mas faltam as palavras... falta-me ela!!!
Nunca mais vou conseguir viajar sem aquele sentimento de perda... de não ter a minha avó a quem levar um "souvenir"... a quem encantar com as fotos e postais...
Mas a vida segue em frente e sei que está bem, junto dos seus santos e anjos, junto dos que sempre amou!
Aspectos que não vou esquecer nunca destes dias de dor:
A dor silenciosa e forte da minha mãe, a dor e solidão da minha madrinha, a dor do meu tio, o carinho e tristeza da minha imã... as mensagens de apoio e a dor de toda a família...
As palavras que proferiram as suas amigas freiras durante o seu velório e o carinho que tinham por ela ("sempre bem-disposta.... lia tão bem durante a Eucaristia.... era tão nossa amiga.... falava tanto nas filhas e no filho, netos e bisnetas... sempre foi muito próxima da igreja e notava-se que era especial...")
As palavras proferidas durante o velório pela sua amiga e o sentimento de perda das pessoas que com ela privaram ("dava tão bons conselhos.... era tão bem disposta... ajudou-me tanto...")
O pranto sentido de uma das residentes do lar que com ela almoçava e o sentimento de perda que deixou ("era a alegria e a alma daquele lar.... ainda na última noite que a vimos nos disse - Vá meninas, vamos dormir para amanhã acordarmos sorridentes e bem dispostas... nunca a a vou esquecer... era um sol que nos iluminava...nunca lá apareceu ninguém como ela, nem vai aparecer... era a alegria daquele lar")
As palavras que a minha mãe proferiu - "É muito triste o dia em que deixamos de ser filha e passamos a ser só mãe"
A visita feita por todos os enfermeiros e enfermeiras que cuidaram dela nos últimos tempos de vida e o carinho que por ela sentiam ("era tão educada... sempre a brincar... via-se que era uma senhora...")
O poema que a minha madrinha lhe tinha escrito no dia da mãe deste ano e que me pediram para ler na missa de corpo presente (e a ovação que ouvi quando consegui chegar ao fim sem sufocar com as lágrimas e a dor de o ler a olhar para o caixão da minha avó.....)
As lágrimas da minha irmã e do João no cemitério...
O carinho e apoio do meu amor ao longo destes dias...
A "ironia" de ver a quantidade de flores que acompanharam a minha avó no seu funeral... ela que sempre foi alérgica aos cheiros (mas que amava as flores e plantas)...
A quantidade de pessoas que passaram pelo seu velório e a acompanharam no seu funeral e na missa de 7º dia
As palavras amigas e o sermão a ela dedicado que fez o padre Abel na sua missa de 7º dia
A visão do seu casaca de quadrados preferido, que comprara o ano passado e que estava à espera dos dias de sol para o poder passear e exibir (só o usara uma vez para tirar fotos para enviar à família, orgulhosa com a sua compra).... quando fomos desfazer o seu quartinho no lar...
O oração de Sto Agostinho que deram à minha madrinha na missa do 7º dia
Todo o apoio e acompanhamento que o meu pai fez ao longo da sua doença e até ao fim
O terço de Lourdes que encontrámos (finalmente) na carteira com que andava (e que sempre a acompanhava) e o terço do Vaticano que mantinha na sua mesinha de cabeceira... recordações de viagens que fiz por ela (já que não podia visitar esses locais tão especiais para ela)... um deles colocado sobre o seu coração para a acompanhar para sempre...
O último beijo que lhe dei em vida.... e o último que lhe dei antes de fecharem o caixão!
Os netos Marinho e João, bem como os "genros" João e Francisco (em representação das netas) a transportarem o seu caixão...
A sensação de a minha avó ter esperado por mim para finalmente descansar em paz...
A visão da sua casa, a casa de tantos anos, de tantas noites (mal dormidas naquele sofá)... vazia....
Ver o seu quartinho do lar... sem ela... e depois sem as suas coisas...
Tantas... tantas coisas que me marcaram nestes dias....
Mas não é o momento de falar delas.... a dor é muita... a saudade e a ausência estão muito presentes... só queria deixar aqui alguns momentos... de homenagem a uma GRANDE MULHER!
Sei (sinto) que a avó está bem, melhor do que se tivesse conseguido superar esta batalha impossível...
Sei (sinto) que não tem dores, não está curvada, e nos observa lá de cima, alta e elegante, sorridente, ao pé de todos os que ama... mas a saudade persiste em todos nós que a conhecemos, amámos e aqui ficámos!
Descansa em paz avó... nunca serás esquecida!
domingo, 31 de maio de 2009
89 ANOS
E digo faz porque já passa da meia-noite e, por isso, mesmo que receba um telefonema indicando que o pior aconteceu... já ninguém lhe tira o mérito de ter chegado aos 89 anos.
Há menos de uma semana ninguém acreditaria que ela chegaria ao dia de hoje.
Ainda há poucos dias nos chamaram para informar que não devia passar desse dia.
Mas a minha avó é uma lutadora.
Uma pessoa que nunca revelou as dores e tristezas que lhe iam na alma.
E que, como boa casmurra que é, não vai desistir desta batalha pela vida sem dar luta!
Todas as horas são uma batalha vencida, todos os dias um milagre que acontece.
Mas, até que me provem o contrário, continuo a acreditar em milagres, e continuarei a dar força para que ela não desista, para que ela consiga vencer a morte e ficar junto de nós mais um pouco.
Ainda não me viu ser mãe, ainda não viu tanta coisa... não pode partir ainda!!!
Mas uma coisa é certa... por muito que ela lute, por muito que acredite que pode vencer... não quero que sofra!
Espero encontrá-la hoje, dia do seu aniversário, num dos seus dias "bons", em que não sente tantas dores, em que reconhece as pessoas e até brinca com elas.
Desejo sinceramente que, pelos seus 89 anos, possa ter um dia assim... e não um daqueles dias em que nos dizem... "não sabemos se passa de hoje"... "está a piorar a cada hora que passa".... ou em que nem consegue falar com as dores que tem.
Acima de tudo, espero que esteja/fique bem e que não esteja a sofrer.
E nada nem ninguém nunca vai conseguir diminuir o orgulho que tenho de ser sua neta e de, apesar do mau feitio (que está nos genes) e da casmurrice, a minha avó ser a mulher com mais fibra que eu conheço... e que transmitiu essa força, garra, coragem e fibra às mulheres da família (a minha mãe e madrinha são exemplos vivos disso).
PARABÉNS AVÓ - CONSEGUISTE CHEGAR AOS 89 ANOS... JÁ SÓ FALTAM 29 PARA CUMPRIRES O QUE O DR JOÃO DISSE - NÃO DESISTAS SEM DAR LUTA!!!
Aqui fica um pequeno apanhado de fotos da minha avó nos últimos anos (com algumas mais antigas)... uma pequena homenagem para uma GRANDE MULHER, que espero consiga vencer mais esta batalha!!!
sábado, 23 de maio de 2009
Querido, mudei a sala
Como não sei dar prioridades ás coisas que me apaixonam, estava a tentar fazer tudo ao mesmo tempo, mas lá consegui ir colocando ordem na "coisa" e parece que as coisas estão bem encaminhadas.
Hoje decidi partilhar convosco a primeira remodelação, que está quase completa (só falta tirar a tinta das janelas, envernizar e reparar as janelas, colocar os objectos de decoração e fotos, alguns quadros... mas o principal está feito e a sala está muito acolhedora e convidativa!!!
Quando lá cheguei, eis o que encontrei:
A casa era uma casa que tinha estado desabitada durante muito tempo, que fora construída por baixo de outra... e tinha o mínimo para sobreviver... uma cama e uma mesa que servia de secretária de trabalho... caixas e caixotes estavam empilhados à volta, criando um aspecto desolador e ... nada convidativo.Atendendo aos limitadíssimos recursos financeiros de que dispúnhamos, parecia ser uma tarefa gigantesca transformar aquele espaço em algo acolhedor, agradável....
As janelas estavam pintadas num castanho terrível, com tinta nos vidros... mal pintadas, mal acabadas...
Uns cortinados sintéticos presos a "algo" como um varão, mas dobrado, arqueado... (que desapareceram logo, guardados no fundo de uma caixa - pois eram coisas da mãe dele).
Caixas e caixinhas, com aparelhagens, malas, sacos... tudo se misturava no chão... e não havia nenhum local para uma pessoa se sentar a não ser na "cama".
Nesta altura a minha avó, que infelizmente se vira "forçada" a ingressar num lar (por motivos de saúde e de melhor acompanhamento) decidiu desfazer-se da casa e ofereceu-me os seus sofás e cadeirões (onde eu dormira tantas e tantas vezes, e onde sempre me recordava de ver o meu avô fazer as suas paciências, ou a minha avó a ver as suas missas na TV)... e as coisas começaram a compor-se.
As campanhas de empresas como Moviflor e Conforama ajudaram a conseguir um mínimo de material (secretária e móvel TV) a uns preços muito reduzidos e com vantagem de pagamento em reduzídissimas prestações sem juros (mais tarde farei um post sobre a minha "fantástica" experiência como cliente Moviflor e publicidade enganosa) e as coisas começavam a ganhar forma:
O problema nesta altura era ver como se podia organizar a sala, pois o sofá era muito grande (e confortável), bem como os cadeirões, e a secretária escolhida não era propriamente pequena... e com uma sala minúscula, como compor tudo sem criar grandes desiquilibrios e com conforto?E como retirar dali todo aquele "lixo" que ensombrava tudo?
Nesta altura recebi a notícia que toda a família tinha levado da casa da minha avó tudo o que queriam/precisavam e que podia lá voltar e ver se havia algo que quisesse.
Com grande alegria minha verifiquei que podia levar o móvel de canto da minha avó (onde estava a sua colecção de pratos de Natal da Vista Alegre, que apesar de serem herança, tinham ficado para trás), assim como a mesinha de centro (que me recebia com flores e recordações das minhas viagens, que a avó sempre adorou, cada vez que entrava em casa da minha avó), bem como uma mesinha de vidro que a minha avó tinha no seu quarto, onde tinha as fotos da sua família (dos filhos às bisnetas) e os seus santos.
Com estes simples complementos, já consegui ver a nossa salinha a tomar forma.
Um novo problema surgia... que tipo de cortinados colocar, o que colocar nas paredes?
Mas as coisas, que pareciam simples e compostas, estavam longe de ter terminado.
Quando colocamos o móvel de canto onde tínhamos planeado... vimos que havia uma tomada enorme que o impedia de estar perto da parede (é uma casa com mais de 30 anos, e apesar de ter tido remodelações há cerca de 9/10 anos, manteve as características antigas, com os fios eléctricos por fora das paredes e com grandes tomadas exteriores. Tínhamos de mudar aquela tomada de sítio...
Uma visita a algumas lojas de decoração e de bricolage (IKEA e Leroy Merlon) ajudaram a ter as ideias para a fase final da sala - umas prateleiras para colocar na parede, uma tapete e uma forma diferente de decorar as janelas.
Finalmente chegava o dia....
No dia 21/05, cheios de coragem, decidimos que íamos fazer a sala.
Depois de um início mais atribulado (mudar a tomada de local provou ser muito mais complicado que previsto), fomos colocar as prateleiras.
Para variar, decidimos fazer de cima para baixo (em vez do contrário), para podermos colocar na altura certa a prateleira superior, sem estar em cima dos fios eléctricos que estavam na parte superior da parede... e apesar das prateleiras terem ficado lindas, o material com que as paredes foram feitas não seria o ideal e os buracos para as fixar acabaram por ficar mais inclinados que o previsto, obrigando a retirar os elementos laterais que uniam as prateleiras, por não estarem alinhados como desejável (mas, honestamente, até gosto mais das prateleiras como estão).
Depois das prateleiras passámos aos estores (a forma encontrada para decorar a janela complementando o estilo da sala), em madeira, que compráramos baratíssimos no IKEA.
Colocámos presos no tecto, criando assim uma falsa ideia de uma janela maior do que é.
No móvel de canto (que finalmente ficara bem colocado, sem nenhuma tomada a interferir), colocaram-se os troféus...
Chegara o momento de limpar a sala, tirar o resto de "lixo", arrumar tudo... para se colocar o último elemento, o tapete.
E quando colocámos o tapete, alguns livros na estante.... e olhámos para a sala... só me apetecia sorrir!!!
Ainda falta muita coisa - algun(s) candeeiro, mudar o candeeiro de tecto, objectos de decoração, plantas.... mas o aspecto da sala ficou tão diferente e acolhedor... nem dá vontade de sair de lá!!!
Aqui vos deixo a sala "quase completa" para verem se não é caso de dizer - querido, mudei a sala!
E, mais importante, os móveis que a minha avó nos deu (alguns deles rejeitados pelas pessoas a quem os queria dar) ganharam nova vida e permitem manter sempre presente os meus avós e os seus objectos.São recordações de uma vida que ajudam no recomeço de outra!
sábado, 2 de maio de 2009
Avós, aniversários e Dia da Mãe
Tudo isto porque a minha avó, elemento fundamental e sempre presente nas celebrações do dia da mãe (desde que me lembro), este ano está bastante doente, fragiliazada e.... num lar!!!
E já para não falar que este ano, o dia da mãe calhou exactamente no mesmo dia em que o meu avô, se fosse vivo, faria 96 anos (morreu em 1997)!!!!
É uma coisa que me custa muito, e que custa muito à minha madrinha e mãe... e imagino que custe aos restantes elementos da família.
Sempre foi uma pessoa lutadora, que encarou e venceu inúmeros desafios na vida... mas que desde Janeiro abateu, perdeu a vontade de combater, a energia de viver...
Em Janeiro teve uma micro-fractura numa vértebra e ficou impossibilitada de viver na casa onde viveu nos últimos anos da sua vida (30 anos), onde o meu avô morreu, a casa que mobilaram e arranjaram ao gosto deles e onde ela se sentia bem, rodeada das suas recordações e lembranças.
Mas com o seu agravamento de saúde em Janeiro tornou-se impossível viver sozinha na sua casa - impossível subir os 3 andares (sem elevador), impossível estar sem assistência ou sem apoio especializado (com risco de fracturar a coluna), impossível pensar em fazer as lides da casa sem assistência.
Foi para casa da minha madrinha, onde esteve durante dois meses a ser assistida em tudo pelo genro (médico) e pela filha (que estava, nessa altura, a lutar contra uma reincidência de cancro e a meio dos tratamentos de quimioterapia), com o apoio da minha mãe e o meu (sempre que possível), por forma a que não estivesse sozinha e se sentisse bem e acompanhada!
Mas a sua situação piorava e tornava-se impossível e insustentável permanecer na casa da minha madrinha - pelo feitio dela (que é muito próprio e que a idade não ajuda a "suavizar"), pela implicância de sempre com o meu tio, pelo seu sofrimento em estar mal, em saber que precisava de assistência e sentir que estava a sobrecarregar a minha madrinha que estava muito frágil.
Foi quando chegou o momento que nunca pensei que viesse a acontecer (ou pelo menos tão cedo) - aquele em que ela, para aliviar o sofrimento da minha madrinha e permitir que ela ganhasse forças e energias para recuperar da sua doença....decidiu que tinha de ir para um lar, onde poderia ser cuidada e tratada.
E aí a minha vida, da forma como a vivi, voltou a mudar.
Sei que poderia estar mais presente, dar mais assistência, mas 350km e trabalho 7/7 são difíceis de conciliar com visitas mais frequentes - assumo isso.
Depois da decisão, comunicada aos filhos, de ingressar no lar, o processo foi relativamente simples, graças aos bons contactos do meu tio e mesmo aos dela (por ter ingressado num lar católico).
Mas não consigo deixar de estar triste, não só por a saber (e ver) num lar, como pelas condições em que está - num quarto pequenino, em que nem pode ter quadros ou prateleiras nas paredes, com um micro-roupeiro e uma cómoda como únicos espaços para ter as suas fotos e "bugigangas", uma pequena camilha e uma cadeira, com uma cama de solteiro.
A minha avó que sempre adorou as suas plantas, não pode ter plantas.
Que sempre adorou as suas pequenas bugigangas e prendas dos netos e amigos, os "milhares" de fotos da família... vê-se confinada a este espaço.
E com a sua doença (osteoporose muito avançada) não pode fazer esforços, tem medo de andar sozinha na rua (pouco antes de ter esta crise nas costas tinha caído na rua e andou quase um mês com um olho completamente negro e com bastantes mazelas, e antes tinha caído em casa e "esmagado" um aquecedor e batido com a cabeça....) e acaba por estar muito confinada ao quarto e ao espaço do lar.
Se não fosse pela presença da minha madrinha, que a vai visitar e buscar para sair, da minha mãe, que vem quase todos os fins de semana para a ver e estar com ela, ou mesmo minha (em muitos fins-de-semana)... aquela senhora independente e forte estava confinada a acordar, comer, descansar, comer, dormir, comer, dormir!!!
Ela não tem coragem de sair sozinha, quase não come no lar (está tão magra!!!)... e apesar de ter bastantes visitas das suas amigas freiras e alguns amigos de longa data... nota-se que sente a falta do seu espaço, da sua família.
Uma coisa é estar em casa, no seu espaço, e não ter a visita de todos os elementos da família e só de alguns.
Outra é estar num lar (que já por si é um espaço deprimente) e nem ter toda a família a visitar.
E com o aproximar do dia da mãe, com o aproximar do seu aniversário, do aniversário do meu avô, tudo isto me entristece e me faz viver e encarar estas datas de forma diferente!
Desde que ingressou no lar que ela se tenta convencer que foi a melhor decisão da vida dela... e que insiste em que se desfaça a casa dela, aquela onde viveu anos com o meu avô e se reparta tudo pelos filhos e netos e se dê o restante às freiras.
Compreendo a sua decisão de desfazer a casa, pois não vai nunca regressar (além de ser impossível ela subir e descer aquelas escadas, ela nunca se sentiu bem com a vizinhança) e precisa da assistência e apoio que o lar pode proporcionar.
Ao início chocava-me a velocidade com que ela se queria desfazer das coisas e dar logo tudo, mas hoje em dia consigo compreender e mesmo aceitar muito melhor tudo isso!!!
Além de ser uma pessoa muito prática (para quê manter uma casa onde não se vai regressar?), ela gostava que as suas coisas fossem entregues (levadas) pelos filhos e pelos netos e que o resto fosse entregue às freiras que sempre a apoiaram ao longo dos anos (pois sempre viveu para e em função da sua religião/religiosidade) - E assim, o dinheiro que vai poupar na renda serve para pagar os tratamentos de fisioterapia a que se deve submeter regularmente para as dores intensas que tem nas costas.
Mas nem isto conseguiu reunir a família!!!
Porque não há tempo, não querem nada, não podem ver.... há tantos argumentos para não se visitar uma pessoa de idade que está muito só, para não se cumprir um desejo de visitar a casa onde viveu e levar consigo as recordações/artigos/objectos que se lhe foram oferecendo ao longo dos anos e que ela (por motivos logísticos) já não pode guardar....
O pior é que ela, na sua boa-vontade, é incapaz de dizer às pessoas para irem buscar as coisas que ela quer /deve fechar a casa - ela pensa mais nos outros que nela e desculpa sempre tudo e todos pela falta de tempo ou disponibilidade!
Ela prefere estar a pagar renda de uma casa vazia e desocupada, onde só estão móveis e ofertas de uma vida, esperando que filhos e netos encontrem tempo e vontade para lá passar a buscar algo que os faça recordar a avó (e o avô)....do que pedir às pessoas para irem lá para ela rapidamente, para que ela possa fechar de vez a casa e poupar esse dinheiro (que faz falta a quem vive de uma reforma).
Será egoísmo não pensar nisso?
Será comodismo não se querer deslocar a visitar uma avó (mãe) que não se sabe quantos mais anos vai estar presente na nossa vida?
Não sei... nem vou sequer julgar!
Não me compete e não tenho nenhum direito a fazê-lo!!!
Pessoalmente, e na minha postura de vida, prefiro fazer os sacrifícios que forem necessários para ver a minha avó bem e feliz (o sorriso dela quando a vou buscar ao lar, quando a levo a sair, quando lhe digo que fico com aquele objecto ou artigo da casa dela que ela queria que ficasse na família.... nada o paga)!!!
Não vou tanto como gostava, mas vou sempre que possível, o que também ajuda a aliviar a minha madrinha da "carga" de ajudar sempre a minha avó e estar sempre presente, possibilitando que também ela possa ter alguns momentos de "vida", possa ganhar energias para lutar contra o seu cancro, possa ter momentos para "namorara" com o meu tio, visitar amigos e netas!
E sendo amanhã o dia da mãe e do aniversário do meu avô, mais se reflectem em mim esta mistura de emoções.
Compreendo os meu primos que avisaram que não tinham disponibilidade para ir a casa da minha avó, mas que pediram para se colocar de lado os artigos que queriam guardar, como recordações de família ou para as suas filhas.
Mas não consigo compreender que nem se diga nada, que não se visite, que não se permita fechar uma casa.... porque não há tempo, não há.... nem sei.
Porque, quer se goste ou não, o tempo faz-se!
O tempo cria-se!
Principalmente se considerarmos que, como princípio de vida, a família deveria estar sempre em primeiro lugar - especialmente no caso dos elementos mais idosos.
Amanhã vai ser um dia da mãe/avó com os elementos femininos da família (mãe, madrinha, mana, eu, avó), mas em que a minha avó vai estar fora do lar, vai sorrir por saber que as filhas e netas já escolheram o que queriam e que os filhos da minha madrinha já pediram o que queriam e já se separou, vai receber as suas prendas e lembranças, vai ficar feliz por termos levado o que nos pediu para guardarmos e acima de tudo vai ficar feliz de estar rodeada da família.
Não quero com isto descriminar a família do meu tio (que adoro), nem dos meus primos... mas... custa-me pensar na minha avó sozinha nas datas especiais (especialmente nos últimos anos de vida) como o dia da mãe ou o dia de anos.
Custa-me saber que as disputas familiares, os problemas pessoais e profissionais, a falta de tempo, a ordem de prioridades.... vários aspectos se coloquem à frente da felicidade e bem-estar da pessoa mais idosa da família.
Que haja tanta coisa mais importante do que dar algum tempo para garantir o bem-estar e alegria da avó, que não se consiga arranjar tempo para visitar uma casa e poder dizer " já pode dizer às freiras para levarem tudo, para assim se fechar a casa e poder poupar a renda", que se pense que um telefonema substitui um beijo, um passeio, uma companhia.....
E por isso... o dia da mãe será triste e nostálgico, mas com o lado MUITO bom de ver a alegria nos olhos da minha avó quando a for buscar ao lar, quando vir as filhas, netas e genro (a família possível) que querem /podem/tentam celebrar com ela o dia da mãe... quando souber que já quase toda a sua família tem uma recordação das coisas que guardava em casa - e o prazer de não passar sozinha o dia que seria o aniversário do meu avô, o homem com quem esteve casada mais de 55 anos (57?)
Só gostava... sinceramente.... que se conseguissem colocar todas as divergências de lado e se conseguisse reunir toda a família para uma MEGA FESTA de aniversário para ela!
Sei que é impossível, e quando o tentei o ano passado só consegui arranjar problemas e discussões.... mas não custa sonhar, pois não?
Tinha sonhado que ela ia regressar a casa e ficar no seu cantinho, com as suas coisas - não aconteceu e não vai acontecer, porque ela quer mesmo fechar a casa o mais depressa possível.
Tinha sonhado que num fim de semana se reunia a família e cada um levava o que queria, gostava, precisava, tinha oferecido, e ela podia dar o resto e fechar a casa... não aconteceu!
Será que algum dia um dos meus sonhos para a minha avo e o seu bem-estar e felicidade se vai realizar?
Espero que sim, pois ela merece ser acarinhada e acompanhada nos seus últimos anos, especialmente quando está... num lar!!!
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Família e coragem
A avó que educou o seu neto, actualmente com 16 anos, que tem paralisia cerebral e que superou todas as dificuldades de habitação e trabalho para que ele tivesse tudo, e o pai que decidiu fazer um triatlo Iron Man (o mais difícil no mundo, com 3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida) porque os olhos do seu filho brilhavam ao ver na TV os atletas.
Verdadeiros exemplos para cada um de nós!!!
segunda-feira, 2 de junho de 2008
88 anos
Foram 88 anos de uma vida preenchida por muitas alegrias e tristezas, altos e baixos, mas que culminaram em 3 filhos, 6 netos e 4 bisnetas.
Ao preparar um álbum fotográfico que retratasse a sua vivência ao longo dos anos, pude ver as diferentes fases da sua vida (e da dos filhos e netos).
Tendo saído de Portugal para Angola, conseguiu construir lá uma vida desafogada para si e proporcionar um futuro aos filhos como ela nunca tinha tido.
Apesar de ter sido “escorraçada” da terra onde tinha escolhido ficar o resto dos seus dias, onde tinha investido sangue suor e lágrimas, conseguiu regressar e reconstruir uma nova vida. Mas as marcas feitas pela forma como teve de sair de Angola (com espingarda apontada e a possibilidade de em ½ hora trazer uma mala e nada de jóias ou dinheiro ou algum bem material) ficaram para sempre gravadas nela.
Já na segunda metade da vida, conseguiu superar a morte do meu irmão (o seu afilhado), a doença prolongada do meu avô e o seu falecimento, a separação da minha mãe e o divórcio do meu tio, o afastamento da família, o cancro da minha madrinha, e tantos, tantos outros problemas de saúde que a afectaram ao longo dos anos.
Sempre tentou ajudar os filhos e os netos (muitas vezes até acima das suas reais possibilidades) e sempre tentou tirar o maior partido do que tinha.
Com uma fé inabalável, quem lhe tira os seus padres, freiras, religião, orações, igrejas… tira tudo!
É teimosa e casmurra (mas esse é um sinal de família, tal como o queixo grande), mas “adopta” campas no cemitério onde vai regularmente ver o meu avô, ajuda as freiras, a igreja e “cansa” os seus santinhos de tantas orações e pedidos para a sua família.
Adoro ver como se “faz de parva” e sempre vai conseguindo saber aquilo que os filhos lhe querem esconder para a “proteger”. E adoro o facto de ser uma mulher muito mais forte do que a sua frágil imagem deixa perceber!
O álbum que lhe preparei foi um trabalho muito duro, prolongado, cansativo, mas que me permitiu conhecer melhor a minha avó e a minha família, até pelas fotos que me enviaram para incluir no álbum!
No início achei que ter trabalhado todas estas fotos para as colocar numa moldura digital, seria um trabalho “ingrato” e talvez fosse muita tecnologia para ela, mas hoje acho que foi uma excelente ideia. Até porque não me posso esquecer que a minha avó sabe trabalhar com o telemóvel (e ler sms e tudo), com o leitor de dvd e que adora mexer em botõezinhos.
E a cara dela quando começou a ver as fotos?!
O prazer de rever os pais dela, os dias em Angola com o meu avô e com os filhos e netos pequeninos, a família a crescer até chegar às bisnetas!!!
Como a moldura vem com um comando que lhe permitirá mudar de foto todos os dias, vai ficar horas a ver as fotos. Aliás, com as centenas de fotos que incluí, pode até mudar de foto de manhã à tarde e à noite que terá sempre uma foto diferente para ver!
Valeram a pena os dias sem dormir a preparar as fotos, o esforço e o cansaço da viagem para a Guarda, só para ver a cara de felicidade quando nos viu chegar para partilhar com ela este dia tão especial. E a felicidade com que começou a ver as fotos do álbum e mandava parar quando aparecia uma foto antiga e nos explicava quem era, ou perguntava onde estava determinada foto de determinada época!
Quanto à sua festa de anos, só posso dizer que foi um dia muito bem passado, com um EXCELENTE almoço feito pela minha madrinha, com a presença do meu
A felicidade dela ao ver o bolo (aquela é a foto preferida da família e que ilustra bem a boa disposição e o bom humor dela, especialmente ao agarrar numa garrafinha de … Alma), ao ter à sua volta uma parte da família, ao abrir as prendas (é bem verdade que de velho se volta a menino) são coisas que não se podem pagar, nem se vão apagar da memória de quem lá esteve tão cedo!
Adorei estar com todos, adorei ver o dinamismo da minha avó, invejei-lhe a idade, a família e o que construiu e só espero que para os seus 99 anos consiga fazer um trabalho mais perfeito, mais bonito, e que todos estejamos juntos - porque a minha avó é a pedra que ainda vai reunindo a família à volta dela e merece um esforço da parte de todos.
Pessoalmente, continuo a sentir pena de não se ter conseguido reunir toda a família para esta celebração, pois tenho a certeza que seria um dos momentos mais felizes dos últimos anos para a minha "velhota" querida, mas pode ser que no futuro se consiga.
Devo salientar que a minha avó tem uma osteoporose em estado muito avançado, mas não deixa que isso a impeça de viver a sua vida independente e de estar na sua casa (mesmo ficando mais pequenina e curvada a cada dia que passa). E apesar disso e de todas as alergias e maleitas de que sofre (real ou menos real)... a cara, o sorriso, a alegria... são sempre as mesmas ao longo dos anos!!! Nada a impede de parecer cada dia mais nova, mais sorridente, com um aspecto que não mudou nada nos últimos anos (ok, está mais pequenina, mas é só).
Não sei se são os seus santinhos, as suas rezas, os seus adorados padres, freiras e afins que a ajudam a manter a sua vitalidade apesar dos percalços que a vida lhe colocou, mas a verdade é que vai sobrevivendo e rejuvenescendo a cada dia.
Para mim, a minha avó (se lhe tirar a parte das orações, rezas e adoração pelos padres, e tirar também as ideias muito conservadoras sobre o papel das mulheres no casamento, a adoração a Salazar e mais uns pequeninos defeitos), é uma das pessoas que mais admiro e que me serve de exemplo para muita coisa, pela sua coragem, determinação e amor incondicional à família.
Acima de tudo, espero chegar a esta idade e conseguir ter realizado metade das coisas que a minha avó realizou e ter a família que a minha avó conseguiu ter, pois é uma das coisas que mais “invejo” e admiro na minha adorada “velhotinha”!
sábado, 3 de maio de 2008
Feliz Dia Da Mãe
Hoje é dia da MÃE!!!E digo MÃE porque não há nada melhor nem maior realização no mundo do que ser MÃE!
Apesar da tristeza de não ser mãe (e não dar netos à minha), queria aqui deixar um enorme beijo a todas as mães que conheço, amigas, primas, tias, irmã, avó, mãe, etc.
Mas em especial, não podia deixar de falar das MÃES que marcaram a minha vida.
- A minha avó.
Com o seu feitio, a sua maneira de pensar de há quase dois séculos, todos os seus defeitos e virtudes. Mas que é e sempre foi uma mulher de coragem, que mudou de país e conseguiu construir uma fortuna ao lado do marido, criar 3 filhos e um futuro para os netos. E quando lhe retiraram tudo à força, já com mais de meio século de vida, regressou e reconstruiu uma vida, com coragem, força e determinação.
Que tem as suas manias (não as temos todos), com os seus santos (ok… exagera por vezes), com as suas crenças e doenças (já tem idade para isso), com os seus favoritismos (conhecidos de todos e que já fazem parte dela), mas é um exemplo de como sobreviver a todas as dificuldades que a vida nos coloca e mesmo assim manter a coragem e ter uma família que se reúne à sua volta.
E que, com aquela idade (quase 88 anos)já usa as calças e roupa mais desportiva (a vitória do conforto ou do frio?), com sabe trabalhar o telemóvel, dvd, cartão Multibanco e só não trabalha com um computador porque é… casmurra (mas isso é de família e sai à neta - a mais nova, claro)! - A minha madrinha.
Que esteve sempre a meu lado quando precisava.
Que superou um cancro com coragem, força e determinação.
Que luta pela sua família e que procura superar todas as pedras que lhe colocam no caminho com cara alegre.
Que também teve de reiniciar a sua vida, depois de ter crescido noutro continente e com outras condições. E que apesar de tudo o que passou, sofreu, sofre… ainda escreve, se dedica às netas e sofre em silêncio pelo que a fazem viver.
Enfim, que … é a minha madrinha, um exemplo. - A minha irmã.
Que apesar das dificuldades, vive a vida que escolheu, a fazer o que sempre disse que faria.
Com os “filhos” que sempre escolheu ter e junto do homem que a consegue “aturar” e a compreende e com quem partilha a paixão.
E que apesar do seu mau feitio e de estar sempre às “turras” comigo é e será sempre… a minha irmã – uma mãe dedicada aos seus “filhos” - e em breve netos. - E por último, mas mais importante que todas as outras, à minha mãe!
Não há palavras para descrever o quanto me serve de exemplo!
A importância que tem e terá na minha vida.
A coragem que teve e tem… Uma pessoa que tinha tudo e que se viu forçada a mudar de país e recomeçar do zero, com 2 filhos pequenos e outra quase a nascer.
Que passou dificuldades e privações para dar aos filhos tudo o que podia.
Que trabalhava noite e dia para que nada faltasse.
Que sofreu a perda do único filho e apesar de nunca ter superado a dor (tal como o meu pai – mas que pais superam a dor de perder um filho, especialmente de forma brutal?) conseguiu seguir e esconder a dor pelas filhas e continuar com coragem.
Que voltou a estudar depois dos 50 e que se licenciou, fez uma tese fabulosa e tirou um mestrado enquanto trabalhava e cuidava das filhas.
Que não deixa de trabalhar para garantir que nada falta às filhas, apesar de poder estar a gozar a sua reforma e fazer o que quiser.
Que está lá sempre que preciso dela (ou quando acha que posso precisar) e que me apoia e incentiva em tudo o que faço (mesmo que não o diga directamente).
Que nunca me disse “eu avisei” quando eu caía da minha nuvem e que sempre me deixou fazer as minhas asneiras (de qualquer forma eu sempre as faria).
Que tem pavor que ande de mota, mas nunca disse nada!
Que finalmente chegou ao divórcio e pode seguir com a sua vida, sempre tentando não falar ou influenciar opiniões e incentivando contacto com o meu pai (não que fosse importante para mim, pois para mim pais são pais e um divorcio implica sempre “culpa” dos dois lados...).
Que me faz muitas vezes sentir pena de não lhe dar os netos que gostava de ter e mesmo assim diz que não se importa, pois “adopta” netos nas crianças que ensina!
Que sofre com as carências dos miúdos que ensina e que os ajuda não só em termos de ensino mas com apoio mais “material” (roupas, equipamentos, livros e acima de tudo muito amor).
Que passou de “Sra. directora”, com as suas saias e saltos altos, para uma mãe moderna e desportiva (só tem de parar de ter a roupa igual à minha e mais pares de ténis que eu), jovial, que não parece ter a idade que tem (mas nisso os meus pais são iguais).
Que gostava de me ver feminina de saias e saltos altos, mas que não critica o andar de roupa larga.
Que é brutalmente honesta quando não estou bem vestida – sim… que mãe (a não ser a minha) se vira para a filha e diz “Estás gorda. Está na hora de fazeres dieta!”? E que sabe o que dizer quando não quer que eu compre algo que me fica mal mas que eu adoro…
Que me conhece melhor que qualquer outra pessoa (e eu sou muito difícil de conhecer… escondo bem as minhas cartas) e me defende com unhas e dentes, apesar de todos os defeitos.
Que teve uma grande paralisia facial e que teve de fazer meses e meses de tratamento e mesmo assim se recusou a faltar às aulas para os alunos não perderem! E suportou em silencia a mágoa de ser ver “transfigurada” (apesar de para mim continuar e ter sempre sido a mais bonita mãe do MUNDO).
Que sofre da Doença de Meunier (será que é assim que se escreve?) mas se recusa a deixar abater por isso… (apesar das casmurrice e dos sustos que por vezes me dá).
Tanta, tanta coisa que podia dizer sobre a minha mãe…
Mas basta dizer que, sem o seu apoio (mesmo à distância, muitas das vezes), sem o seu exemplo, sem a força serena e sofrida que sempre me transmitiu, sem os seus conselhos (muitas vezes depois da queda – mas eu também só os ouço nessa altura), sem a sua presença – não seria metade da pessoa que me orgulho de ser hoje!
E como poderão ver pela sequência "desfocada" em que tentei apanhar avó e filhas juntas… quando estamos em frente de um bom almoço… ninguém para quieto!!!
Saliento o facto de verem como a minha mamã foi e é sempre a mãe mais linda do MUNDO E ARREDORES!
Espero que gostem e, novamente, para todas estas MÃES que estão presentes na minha vida, mas muito especialmente para a MINHA – um grande beijo e que tenham um dia muito, muito feliz, junto dos filhos, netos, amigos, família!




