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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Diferenças 1968-2008

Um texto que recebi por mail.
será que evoluimos assim tanto?
Será que estes aspectos assinalados reflectem evolução?

Melhoramos muita coisa, evoluimos, mas será que os valores morais melhoraram?
Será que não nos tornámos fracos?
Dependentes de todas as teorias, doenças, médicos, curas... tudo e mais alguma coisa?
Vivemos num mundo mais rápido, mais evoluído, mas igualmente mais poluido, mais pobre, com mais guerras e morte... mais medo, ansiedade, stress...

Fica a dúvida!

Vejamos como mudaram os tempos...

  • Situação: O fim das férias.

Ano 1968:
Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar.
Ano 2008:
Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e caganeira.

  • Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.

Ano 1968:
Não se passa nada.
Ano 2008:
As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.

  • Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga.

Ano 1968:
O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
Ano 2008:
A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

  • Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.

Ano 1968:
Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.
Ano 2008:
A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a Moura Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

  • Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.

Ano 1968:
Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.
Ano 2008:
Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

  • Situação: O Luís parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.

Ano 1968:
O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.
Ano 2008:
Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

  • Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria abraça-o para o consolar.

Ano 1968:
Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.
Ano 2008:
A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego.
Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

  • Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado 'chocolate' ao outro.

Ano 1968:
Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa.
Amanhã são colegas.
Ano 2008:
A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

  • Situação: Fazias uma asneira na sala de aula.

Ano 1968:
O professor espetava duas valentes lostras bem merecidas. Ao chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito'
Ano 2008:
Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.

É o que temos !!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pensamentos de Drumond de Andrade

Alguns pensamentos/definições que recebi, atribuidos a Drumond de Andrade, para reflectir.

Eterno:
É tudo aquilo que dura apenas uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata!

Fácil / Difícil:
  • Fácil é ouvir a música que toca,
    Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando as nossas escolhas erradas.
  • Fácil é ditar regras,
    Difícil é segui-las. Ter a noção exacta das nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
  • Fácil é perguntar o que deseja saber,
    Difícil é estar preparado para ouvir essa resposta. ou querer entender a resposta.
  • Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade,
    Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
  • Fácil é dar um beijo,
    Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.
  • Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida,
    Difícil é entender porque pouquíssimas delas te vão aceitar como és e te fazer feliz por inteiro.
  • Fácil é ocupar um lugar na agenda telefónica,
    Difícil é ocupar o coração de alguém. saber que se é realmente amado.
  • Fácil é ver aquilo que queremos enxergar,
    Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
  • Fácil é sonhar todas as noites,
    Difícil é lutar por um sonho.
  • Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar,
    Difícil é mentir para o nosso coração.
  • Fácil é dizer "olá" ou "como estás?",
    Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém das nossas vidas...
  • Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados,
    Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela, que toma conta do nosso corpo como uma corrente eléctrica quando tocamos a pessoa certa.
  • Fácil é querer ser amado,
    Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e entregar-se. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
  • Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir,
    Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. e com confiança no que diz.
  • Fácil é falar quando se tem palavras em mente que expressem a nossa opinião,
    Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
  • Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre essa situação,
    Difícil é viver esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem para o fazer.
  • Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo nos deixa irritados,
    Difícil é expressar amor por alguém que realmente nos conhece, nos respeita e nos entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.
Adoro estes textos, que me foram enviados com uma apresentação feita com imagens do carnaval de Veneza, com as suas máscaras tão conhecidas.
E a verdade é que vivemos tapados por máscaras invisíveis.
Todos optamos pelo fácil e apesar de conhecer o difícil escolhemos colocar a máscara e fingir que está tudo bem.
Todos vivemos com uma máscara, tentando agradar a tudo e a todos, não falhar a ninguém, manter as aparências e muitas vezes receamos ser verdadeiros, tirar a máscara e assumir o difícil, não pela dificuldade da questão, mas pela forma como seremos encarados.
A maioria prefere estar no meio de uma multidão de máscaras, de hipocrisia, falsidade, facilidade do que assumir a diferença, escolher o caminho difícil mas, no fim do dia, ter a consciência tranquila.
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