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domingo, 21 de dezembro de 2008

Diário de um aluno do futuro

Sei que por vezes exagero com os textos sobre e de professores, mas esta pérola que a seguir reproduzo está boa demais para não partilhar com todos, por isso... lá terá de ser.

Devido a um estranho alinhamento de planetas, apareceu-me na mesa, a seguir ao jantar, por magia, um diário vindo do futuro que, dentro de umas décadas, terá pertencido a um aluno que hoje deve ter à volta de 11 anos e está a viver as reformas do nosso sistema de ensino. Passo a transcrever alguns excertos:

29 de Junho de 2009
paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pabaixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.

29 de Junho de 2010
passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12... f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo...
ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é q é uma sócia sbem:
a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç...
a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd gente se balda...

29 de Junho de 2011
Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disse-me q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...

29 de Junho de 2013
Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...

29 de Junho de 2014
Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprendermos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceram-me de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.

29 de Junho de 2015
Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.

29 de Junho de 2016
Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...

29 de Junho de 2017
Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C.
Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso.
Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.

29 de Junho de 2019
Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.

29 de Junho de 2021
Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaram-se. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.

29 de Junho de 2023
Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.

29 de Outubro de 2023
Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.

29 de Agosto de 2029
O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço.
A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.
Imagem: Gettyimages

sábado, 19 de julho de 2008

Uma porta que se abre???

Hoje apetece-me escrever a partir da imagem - uma porta que se abre para um futuro azul, a minha cor preferida.
Porquê este estado de alma, de espírito?
Nem sei bem explicar porquê, e talvez o segredo seja isso - deixei de pensar no porquê de as coisas acontecerem e passei a viver o que acontece , sem analisar.
Sinto-me feliz.
Como já disse anteriormente, sei que é uma felicidade com data de validade, quem sabe ilusória, mas não me interessa.
Sinto-me bem e vou aproveitar enquanto puder.
Há o reverso da medalha, que é estar a sobrecarregar a minha mãe, mas as coisas estão a compor-se e com sorte daqui a um mês tudo estará de volta aos eixos e conseguirei compensá-la.
E, no seguimento das frases que decidi aplicar na minha vida (os famosos "clichés" - desculpa os parêntesis B), hoje o meu ex falou comigo pelo messenger, e eu consegui estar a falar com ele e, pela primeira vez, sentir-me bem!
Não sei se é por ter resolvido no meu coração as coisas do passado e finalmente ter enterrado (ou escondido) a mágoa...
Não sei se é por ele ter sido para mim uma pessoa tão especial e importante que continuo a preocupar-me com a sua felicidade e que esteja bem...
Ou se é simplesmente porque gosto que as pessoas que significam ou significaram algo para mim continuem presentes na minha vida (de alguma forma) e estejam bem.
Quando penso nisso, não sei se é porque consigo finalmente, quem sabe pontualmente, lidar com elas e superar, ou se simplesmente sou uma parva ingénua (o mais provável)!
Mas sinto-me bem por ter conseguido falar com ele.
Por ele ter, de alguma forma aberto o seu coração e aceitado algumas das suas "fraquezas" e que ajudaram na ruptura, por ter falado dos problemas que tem (e como é difícil fazer com que aquele homem fale de si e dos seus problemas) e por, de alguma forma, as coisas terem sido naturais, sem mágoas, sem queixas, sem ressentimentos.
E como eu conheço aquele homem e me identifico com muitas das coisas que ele vive, pois tal como eu (e outra pessoa na minha vida) ele sempre viveu em função dos outros, de garantir que todos estavam bem (colegas de trabalho, família, filhos, amigos, namorada) esquecendo-se muitas vezes do mais importante - DELE!!! E de ser feliz ou estar feliz - pois se estiver feliz, os outros estarão seguramente (ou parecerão) muito mais felizes!
E finalmente ele admitiu que é verdade. Que sempre viveu assim. E ele ainda é pior que eu (pois eu vivo as coisas no momento, sem pensar nas consequências ou no fim), pois ele vive a procurar o pior cenário e, fatalmente, ele acontece (com tanta procura e antecipação... é normal).
E soube bem ouvir o que dizia, falar com ele de tantas coisas e tão poucas. E sobretudo de sentir, no meio da tristeza das suas palavras, do cansaço, da preocupação... umas gargalhadas pelas minhas historias!
Pois é, se calhar aquela teoria de que tanto se fala, "O Segredo", tem algum fundamento, pois quando esquecemos os problemas, as mágoas, os ressentimentos, etc., e nos concentramos nas coisas boas, em aproveitar as oportunidades e o que o mundo tem para nos oferecer... parece que atraímos coisas boas!
Mas atenção, este estado de alma em que estou também não me fez cega.
O meu lado negro e céptico (a outra metade) continua presente e sabe que as coisas tem um fim.
Mas em vez de viver em função desse fim, e de antecipar o que pode acontecer, escolhi viver em função do que o futuro me reserva.
Escolho viver em função de descobrir o que está por trás da porta nº 1 - a porta azul!!!
E, se não gostar do que encontrar, a solução é simples - fecha-se a porta e abre-se a porta número 2 ou 3.
Não quero é continuar a olhar para a porta fechada e a chorar o que lá tinha ou poderia ter!
Não serve de nada, só para perder tempo de vida!
A vida é tão curta, que mais vale ir logo abrir outra porta, viver outro momento!
E por isso estou feliz.
E sinto-me em paz comigo mesma, tranquila, calma.
Sem hipocrisias!
Dizendo e vivendo o que sinto quando o sinto!
Amanhã..... é um outro dia.
Logo veremos como se vive!
Verei o que a porta azul me reservou para viver, pois o sol brilha lá fora e a vida é bela!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Un jour viendra

Pode ser o cantor "pimba" da música francesa...
Pode ser tudo o que quiserem, mas para mim não deixa de ser um grande cantor, com uma grande voz e que tem musicas lindíssimas (especialmente as que são escritas pelo filho).
Adoro esta música e dedico àquela pessoa que conheci em Maio e nem reparou nisso (e não, não estou apaixonada, mas com o tempo poderia muito facilmente ficar)!



Un jour viendra tu me diras "je t'aime"
Du bout du cœur...
Mais le dire quand même
Un simple mot, et l'aveu
D'une larme au bord de tes yeux
Feront de moi un homme heureux

Un jour viendra, tu sauras
Toutes ces choses
Qui ont fait ma vie
Bien plus noire que rose
Tu comprendras mes pudeurs
Et tous ces mots qui me font peur
Que j'ai cachés... Comme un voleur

Toi c'est le ciel qui t'a envoyée
Vers moi pour me réapprendre à aimer
Attends... Laisse faire les jours
Laisse le temps au temps... et à l'amour

Un jour viendra tu me dira "je t'aime"
Et j'aimerai...

Un jour viendra tu me diras "je t'aime"
Du bout des yeux...
Mais le dire quand même
Dans le ciel de ton regard
Lire ton désir est ma victoire
Un jour viendra... Tu m'aimeras

Toi, c'est la vie qui t'a envoyée
Vers moi... Qui n'ai jamais fait
Que passer
A côté des choses essentielles
Par défi pour brûler mes ailes

Un jour viendra tu me diras "je t'aime"
Et j'aimerai

Attends... Laisse faire les jours
Laisse le temps au temps... Et à l'amour

Un jour viendra, tu me diras "je t'aime"
Et je t'aimerai, je t'aimerai, je t'aimerai
Je t'aimerai

domingo, 13 de abril de 2008

Princípio do Vazio

Este é um ficheiro que recebi hoje da minha mãe e que me fez pensar (tenho andado a pensar muito ultimamente... ou tenho muito tempo livre... ou é para contrariar o louro do cabelo que está de volta).
Desde que me lembro, sempre fui muito agarrada às minhas coisas. Não no sentido de serem só minhas, pois não tenho o mínimo problema em emprestar ou dar as minhas coisas a quem precisa ou mas pede.
Penso que em criança também seria assim, apesar de ter a noção de que seria mais "agarrada" ao que era meu. A minha mãe poderá corrigir-me se estiver errada, mas acho que nunca me importei de partilhar o que era meu (e se não for o caso - já evoluí nesse aspecto!!!).
Também acredito que pode vir de uma infância que, embora feliz (à sua maneira), nunca foi de grandes luxos. E de uma auto-estima muito baixa (isso aí poderíamos passar horas a falar disso, do que a causou... podíamos aplicar técnicas freudianas... mas não vale a pena - fica para outras alturas).
Mas sempre coleccionei tudo o que me davam, pois sempre representaram momentos na minha vida que me marcaram. Ou porque tinha ganho em alguma prova desportiva, ou porque tinha sido uma aluna ou atleta a oferecer, ou alguém que significava algo, ou tinha ganho... não sei... tudo para mim tem um significado.
Na roupa também era muito assim (era?! ainda sou... mas em recuperação). Era porque estava mais gorda e depois emagrecia, então ficava com a roupa grande para se aumentasse de peso. Era porque estava a engordar e então ficava com a outra roupa para quando emagrecesse. era porque era a roupa que eu tinha feito, ou que me tinha sido oferecida. Eram os meus sapatos (mais ténis) que eu adorava e estavam todos rotos e defeituosos, mas eram os primeiros que comprei.
Quando andava a arrumar as coisas para a ex-mudança para a Holanda é que me apercebi da quantidade de coisas a que me agarrava (sejamos honestos... ainda tenho muitas mais do que o necessário). Eram os livros e cadernos da faculdade (para quê? não vou voltar àquele curso), eram dezenas de desenhos de miúdos com quem trabalhei, toda a bonecada que me tinham oferecido ao longo dos anos, velas, cristais, jarras, etc., etc. Já para não falar dos inúmeros serviços de louças, copos, faqueiros, etc... (desvantagens de ter sido a primeira e única rapariga da família a ir viver sozinha?!).
Eu não sou capaz de "reciclar" nada... nem mesmo as coisas de que não gostava nem um pouco, pois tinham sido oferecidas.
Pode vir de um síndrome de nunca ter tido muita coisa e nunca ter querido sobrecarregar os meus pais com isso (que para dificuldades já bastavam as que se passavam e as que a morte do meu irmão originaram)... mas ao mesmo tempo penso que não tem sentido... pois nunca fui de poupanças ou precaver o futuro (sempre fui mais de "chapa ganha, chapa gasta".. e se possível a oferecer coisas que as outras pessoas que me eram próximas precisavam). E se queria alguma coisa em especial... trabalhava para isso (como fiz aos 14 anos quando quis comprar os meus primeiros ténis de marca... os meus lindos ADIDAS; ou aos 16 para a minha primeira aparelhagem...).
Pode vir de um sentimento de ... auto-estima... ofereceram-me aquilo, por isso gostavam de mim! É possível. Por baixo da aparência forte e independente esteve durante muito tempo (será que não está ainda) uma necessidade grande de ser amada e apreciada... mas não penso que isso seja o mais relevante, pois com o passar dos anos aprendi que os verdadeiros amigos e pessoas que nos amam... pelo que somos... acabam por estar sempre presentes. E, sejamos honestos, eu é que me afasto sempre... sou distante, deixo o espaço para as pessoas que sinto precisarem mais de atenção do que eu.
Será que me agarro a tudo para não passar mais dificuldades? Para que não tenha de depender de terceiros ou sobrecarregar alguém com as minhas necessidades? Também não penso que seja isso. Tirando este pequeno momento de fraqueza em que me encontro (há que aproveitar enquanto dura)...sempre procurei ter as minhas coisas e lutar por elas... e sejamos honestos... nunca passei assim tantas dificuldades como isso (é certo que detesto açorda e papas de pão... e que isso terá uma razão no meu subconsciente... mas nunca passei fome, nunca fui privada de nada importante, sempre tive as minhas bolas de futebol e ténis para jogar... e não é isso que conta?).
Ou será que me agarro às coisas porque significavam pequenas vitórias na vida? Consegui comprar isto, consegui ganhar aquilo, ofereceram-me isto - faço parte de... sou importante para... ou representavam ofertas de namorados ou pessoas por quem era/fui apaixonada (e isso... ainda hoje sou incapaz de me desfazer... demorei 10 anos a autorizar que fosse dado um casaco enorme e rasgado do meu grande amor, algumas das peças de roupa que lhe(nos) tinha feito... mas foi a única coisa que consegui fazer... tudo o resto... ainda está numa das gavetas a esvaziar...).
Não acredito que as pessoas guardem as coisas por terem medo que lhes falte no futuro (apesar de que, se pensarmos bem... guardar roupas de todos os tamanhos pode, de forma implícita, significar que se escusa de estar novamente a gastar dinheiro naquilo), pelo menos eu não penso assim.
E quanto a guardar rancores, ressentimentos, etc... quem pensar isso de mim... conhece mesmo só a parte superficial...
Eu irrito-me com as pessoas, chateio-me (tenho o famoso "mau feitio" - para quem não conhece a minha irmã)... posso até (como costumo dizer) "matar" alguém na minha vida... mas acaba sempre por ser sol de pouca dura. Deve ser de estar perto do sol aqui na nuvem... mas com o tempo acabo sempre por esquecer o que se passou. Acho que a vida é muito curta para estarmos "para sempre" chateados com algo ou com alguém. Não é um processo imediato (sou sincera)... e muitas vezes quando não gosto de algo ou de alguém... é complicado ceder. Mas se observar bem... toda a gente tem um lado bom, um lado positivo. É só uma questão de valorizar esse lado e esquecer o outro. O que, também acarreta um lado mau - arriscamos-nos a ser pisados!
Como tudo na vida... o esquecer os ressentimentos, etc... deve ser usado com moderação e bom-senso. Mas deve ser sempre usado! Porque... ninguém é perfeito, nada é sem falhas... e nós somos muito mais imperfeitos do que poderemos algum dia imaginar!
Por isso... aos poucos vou limpando as minhas "gavetas", os meus "armários" e o meu coração... pois é sempre preciso espaço para novas coisas e novas emoções.
Quanto a isso não tenho problemas - acredito no futuro e em novas oportunidades (por favor... numa família "disfuncional" como a minha... se eu não me libertasse destes sentimentos... não sei se iria muito longe).
Tenho é de trabalhar na parte de... não me agarrar a tudo o que recebo, a tudo o que tenho (acho que é mesmo mais na parte de roupa e calçado... porque o resto... já fui duramente criticada e "castigada" por não ser minimamente agarrada aos valores materiais da vida) e ter mais espaço na minha casa... nos meus armários.
No coração? Há e haverá sempre espaço livre para o que vier - as coisas más partem o coração para sair... por isso quando ele se recompõe... está novamente cheio de espaço para as coisas boas que vierem.

Agradeço do coração o texto enviado - pois é mesmo uma fonte de reflexão - além de ter percebido a "indirecta" (acho que foi muito directa) sobre a roupa, sapatos, gavetas e armários (sim, porque os bonecos já foram, poupanças não há.... estou pronta para o futuro!).

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