domingo, 14 de setembro de 2008

Quem sou eu???

Um texto que nos faz pensar, enviado hoje pela mamã:
Nesta altura da vida já não sei mais quem sou... Vejam só que dilema!!!
Na ficha da loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR.
Para a Receita Federal CONTRIBUINTE, se vendo algo importado
CONTRABANDISTA.
Se revendo algo MUAMBEIRO, se o carnê tá com o prazo
vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR.
Para votar
ELEITOR, mas em comícios MASSA, em viagens TURISTA, na rua caminhando PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE.
Nos
jornais viro VÍTIMA, se compro um livro LEITOR, se ouço rádio OUVINTE.
Para o Ibope ESPECTADOR, para apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR.
Se sou botafoguense, SOFREDOR.
Agora, já virei GALERA. (se trabalho na
ANATEL , sou COLABORADOR ) e, quando morrer... uns dirão... FINADO, outros .... DEFUNTO, para outros ... EXTINTO, para o povão ... PRESUNTO.
Em certos círculos espiritualistas serei ... DESENCARNADO,
evangélicos dirão que fui ...ARREBATADO.
E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um IMBECIL !!!
E pensar que um dia já fui mais EU.

por Luiz Fernando Veríssimo.

Are you Lonesome tonight

Gracias B, é mesmo uma das minhas músicas preferidas do Rei.
E perfeita para estes dias.

Are You Lonesome Tonight?
Do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
Does your memory stray
To a bright summer day
When I kissed you and called you sweetheart?
Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
Do you gaze at your doorstep
And picture me there?
Is your heart filled with pain,
Shall I come back again?
Tell me, dear, Are You Lonesome Tonight?

I wonder if you're lonesome tonight
You know someone said that the world's a stage
And we each must play a part.
Fate had me playing in love with you as my sweet heart.
Act one was when we met, I loved you at first glance
You read your lines so cleverly and never missed a cue
Then came act 2, you seemed to change, you acted strange
And why I've never known.
Honey, you lied when you said you loved me
And I had no cause to doubt you.
But I'd rather go on hearing your lies
Than to go on living without you.
Now the stage is bare and I'm standing there
With emptiness all around
And if you won't come back to me
Then they can bring the curtain down.


Is your heart filled with pain?
Shall I come back again?
Tell me, dear, Are You Lonesome Tonight?

sábado, 13 de setembro de 2008

Adivinhem

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ODEIO

Odeio o modo como falas e o teu corte de cabelo
Odeio como conduzes o meu carro e como te olhas ao espelho
Odeio as tuas botas e como me vês transparente
Odeio se tens sempre razão e Odeio quando me mentes
Odeio se me fazes rir sem parar e quando me fazes chorar
Mas aquilo que mais Odeio é não conseguir não te amar
in: dez coisas que odeio em ti

Amores e Desamores - 2

Tudo começou quando chegou de férias...
Ao chegar ao aeroporto naquela manhã teve um novo choque de realidade, que a arrancou daquele mundo cor-de-rosa em que ela insistia em viver.
Ela sabia que ele estava a trabalhar, que tinha reuniões, mas algo dentro do seu coração sempre tinha sonhado que ele lhe dizia isso, mas estaria ali, à sua espera, com aquele sorriso radioso, uma rosa e um beijo apaixonado, como anteriormente.
Mas não, efectivamente estava sozinha e depois de levantar as malas foi apanhar o comboio para casa.
Enviou-lhe uma mensagem a dizer que tinha chegado e qual o comboio que ia apanhar e seguiu para casa, que estava cansada, transpirada e queria descansar e tomar um banho que lhe lavasse da alma a tristeza de estar sozinha.
No seu coração alimentava ainda a esperança que ele a fosse buscar à estação, mas efectivamente o dia devia estar muito preenchido e na estação apanhou o táxi para casa.
Não queria estar a pensar muito, pois a realidade é que se ela estava de férias ele não estava, mas algo lhe dizia que as coisas não eram tão idílicas como pareciam e que algo estava mal.
Eram aqueles pequenos sinais de alerta, mas que ela sempre escolhera ignorar, atribuindo tudo isso ao seu romantismo exacerbado e exagerado.
E desta vez não seria diferente, pensou ela enquanto apanhava a chave e entrava em casa!
Ele chegou a casa às 18, cansado, mas mais apaixonado que nunca e lamentando não ter podido estar com ela quando chegara.
Tal como tantas vezes antes, ela não teve coragem de lhe dizer que queria era estar com ele, por isso saíram e foram a um evento no clube, onde ele queria mostrar a namorada... E ela aguentou de cara alegre aquelas 2h de conversa numa língua que ela não entendia e no meio de pessoas que não lhe diziam nada.
Mas o ar radiante dele compensava tudo isso, iludia-se ela, mais uma vez.
O grande "sinal" de que algo tinha mudado, pelo menos para ela, chegou na noite seguinte, véspera do seu aniversário.
É certo que ela sempre lhe tinha dito que não ligava a isso, que já tinha passado os 30 e que aniversários eram coisa de criança.
Claro que, para variar, o que ela dizia era uma coisa, o que sentia era outra, mas ela sempre achara que ele sabia perceber e entender isso.
E especialmente tendo em conta o dia que era!!!
Tinham combinado as coisas para esse dia, mas ele tinha de arranjar maneira de destruir os seus sonhos e ilusões.
Deitada na cama, sem conseguir dormir, na sua cabeça ecoavam as palavras que ele, inocentemente, tinha dito:
- Amanhã, em vez de ires cedo comigo, porque não ficas a dormir e depois apanhas o comboio para lá? Eu não posso almoçar contigo porque tenho uma reunião, mas posso vir contigo e depois jantamos com os miúdos.
Apesar de saber que ele tinha dito isso com a melhor das intenções, pensando nela e que poderia descansar... tudo o que lhe vinha à cabeça era:
- Mas será que ele não sabe que a estação de comboios fica a mais de 40 minutos a pé e que nem sei qual o autocarro para lá? O que vou ficar a fazer em casa sozinha? Porque nem consegue almoçar comigo nos meus anos, dia dos namorados? O que se passa?
Sabia que estava a ser injusta, infantil mesmo, mas não conseguia tirar isso da cabeça e com essas palavras a ecoarem ela não conseguia encontrar o sono.
Era o sinal e ela não o devia ter ignorado, devia ter dito o que sentia, a sua revolta com as palavras dele, mas sentindo que estava a ser infantil, optou por se calar e guardar a mágoa no fundo do coração.
Na manhã seguinte levantou-se cedo e foi buscar as prendas dele, cuidadosamente escondidas, pois mesmo sendo o aniversário dela, era o dia deles e tinha de ser celebrado!
Acordou-o:
- Amor, vi isto e não consegui resistir, pois era a tua cara!!!
Entregou-lhe o postal, cuidadosamente escolhido na véspera na papelaria da esquina, que tinha uns postais deliciosos, o peluche do seu animal preferido, e que ele coleccionava há anos, onde tinha enrolado o relógio lindíssimo que lhe tinha trazido.
O seu ar feliz e surpreendido foi a melhor prenda daquela manhã, apesar de ele ter conseguido estragar o ambiente levantando-se e dizendo:
- Amo-te. E adoro o meu relógio! Mas agora descansa e dorme. Depois vais lá ter e eu apanho-te para virmos jantar com os miudos!
E começa novamente o seu diálogo interior, cego, surdo e mudo para o exterior do seu coração:
- Mas o que se passa???
- Será que ele não vê que já estou acordada e que quero ir com ele e aproveitar os momentos que temos juntos?!
Todas estas questões lhe atravessam a cabeça, mas sem energia para mais nada volta-se a deitar, vendo pela janela o pequeno lago com as suas grandes árvores e pensando que o dia, que ele tinha sonhado ser passado a dois recheado de pequenos gestos, ia ser longo e solitário.
Quando desce, já a meio da manhã, vê que ele tinha estado a enfeitar a sala com cartazes de parabéns e pequenas decorações festivas.
Mas nesta altura a desilusão já se tinha apoderado de tal maneira que nada a animava e, num gesto de raiva, arrancou tudo e arrumou cuidadosamente!
A única coisa que ela queria era passar aquele dia com ele, eram pequenos gestos românticos e... nada daquilo era um gesto romântico!
Sim, porque na sua cegueira, nos seus sonhos e ilusões desfeitos, nada daquilo era considerado romântico.
E daí em diante o dia só piorou e, no fundo, sentia que a culpa era toda sua, pois se tinha dito que não se importava com nada, que não era preciso nada de especial, sempre tinha sonhado que ele ia compreender, que ele ia saber que ela adorava pequenos gestos e atenções nesse dia.
Por isso como o podia culpabilizar de ser cego e surdo?
Simultâneamente, não tinham falado tantas vezes dos outros anos, dos outros namorados e das suas "falhas "naquele dia?
Não lhe tinha ele prometido que nunca seria assim?
De tarde o seu telefonema, mais uma camada de "boa disposição" para o aniversário mais solitário de que se recordava:
- Amor, estou atrasadíssimo, as coisas estão demoradas, apanho os miúdos e encontramo-nos no Mac? Ainda bem que não vieste, pois acho que não conseguia dar-te boleia... Amo-te muito e PARABÉNS!
Fabuloso!!!
Mesmo o que se sonha para passar o dia de anos.
O monstro estava completamente solto, estava cega de tristeza, dor, desilusão e só lhe apetecia agarrar nas malas e ir embora.
E por uma coisa tão pequena!!!
Lá se encontraram ao fim do dia e foram ao Mac, e depois regresso a casa, deitar os miúdos e "relaxar" na sala, enquanto ele procurava casas na Internet.
Surpresas? Nada!
E sentada no sofá ela não conseguia deixar de olhar para ele e pensar porque é que será que ela tinha de viver sempre no seu mundo de fantasia e não conseguia viver no mundo real?
Ele olhava para ela sem perceber o que se passava e ela, cada vez se afundava mais no seu silêncio, na sua decepção, na sua tristeza de perceber que, mais uma vez, todas as conversas, todas as coisas faladas entre eles, todas as suas ilusões e devaneios românticos.... tinham caído em saco roto.
Tinha imaginado tantas possibilidades românticas com que ele a surpreenderia... um bolo surpresa no Mac, com os miúdos, ou uma rosa, um postal, ... algo!!!
Mas não.... o dia tinha sido muito ocupado para que ele desse importância ao aniversário que ela escolhera passar com ele.
- Vou-me deitar!- disse-lhe ela passado um bocado, derrotada pela ausência de uma prenda, um gesto simbólico... algo!!!
- Já?! Ok, eu já vou! - a surpresa na cara dele demonstrava que não se apercebia de nada, e isso enfurecia-a tanto!
Despiu-se e deitou-se, triste, desiludida, devastada com a forma como o dia tinha passado, ela que tinha sonhado tanto com aquele dia.
Ele subiu e cuidadosamente sentou-se ao lado dela, estendendo-lhe um pequeno embrulho, que ela nem precisou de abrir para saber o que era.
- Nem me deixaste dar-te a tua prenda de anos! - diz-lhe ele, como quem pede desculpa.
Sem sequer a abrir, agarra nela e coloca na mesinha.
- Obrigada! - diz. controlando-se para que a dor e desilusão não transpareçam, pois afinal ele não sabia o quanto a tinha desiludido, não só ao longo do dia, mas especialmente com aquela prenda!
- Não abres?
Fazendo um esforço, lá abre a prenda e, surpresa, era algo que já tinha (afinal era coleccionadora).
Era demais para as forças dela!!!
Por mais que tentasse, por mais que quisesse ser justa... aquela prenda era demais!
Sempre tinha dito que ele a conhecia melhor que qualquer outra pessoa, tinham falado tanto, ele devia conhecer tão bem e, aparece-lhe com uma prenda que qualquer pessoa que não a conhecesse podia ter comprado?
Onde estava aquele homem das rosas no aeroporto? Do DVD de lareiras e do tapete felpudo no chão?
Onde estava o namorado que a tinha surpreendido com uma pulseira antes de ela ir de férias, para que ela a usasse a pensar nele?
- Não gostas? Já tinhas? - pergunta ele, ansioso com a sua prenda.
- Gosto, e não tinha. - responde, tentando fazer uma cara alegre, mas as forças escapavam.
- Mas o que se passa? O que tens? - pergunta ele, sabendo que algo se passa.
- Gostava de ter passado mais tempo contigo, queria ter podido organizar as coisas para passarmos o dia juntos, mas como disseste que não fazia mal, aproveitei para avançar as coisas no trabalho.
Estas palavras ainda vieram reforçar mais a sua convicção que algo ia mal, pois sabia que lhe tinha dito que não fazia mal e escusava de estar a faltar ao trabalho por causa dela, mas ele esperava o quê?! Que ela lhe dissesse que faltasse ao trabalho para passarem juntos o dia de anos dela?! Isso não se pede, faz-se, se houver interesse.
- Paulinha, diz-me o que tens que estou preocupado. - repete ele com carinho.
E na cabeça dela desfilavam as prendas que tinham falado milhares de vezes, os gestos românticos que tinha idealizado... e a realidade do que tinha recebido e do dia que teve.
Não a interpretem mal, não é uma pessoa materialista! Mas era o dia deles E o dia dos anos dela!
- De todas as prendas que me podias ter dado, escolheste a que menos significado tem para mim, pois é a que qualquer pessoa que não me conheça pode dar, sabendo que iria sempre gostar! - responde ela, triste e querendo estar sozinha.
- Não digas isso! Nem sabes o que corri para a encontrar, porque é algo que coleccionas. - responde ele, começando a perceber a sua tristeza.
- Andei de uma ponta à outra para te encontrar isto, e só hoje é que percebi que podia encontrar em qualquer lado, mas acredita que não sabia e que até falei com amigos do comité olímpico - continua ele, tentando explicar o porquê.
- Sei que falhei em não te ter dado nada no nosso dia, principalmente sabendo que odeias prendas "duplas" e depois da prenda que me deste e que eu adoro, mas não conseguia pensar em nada e estava com pouco tempo - continua ele, cada vez se "enterrando" mais e cada vez mais infeliz!
Neste ponto ela já estava de rastos, sentia-se injusta e ingrata por estar desiludida com aquele dia, com aquela prenda, com o facto de ele a conhecer tão mal que nem percebia que ela não queria uma prenda "pedida" ou um dia organizado por ela, mas que queria surpresas, romance, mistério.
E acima de tudo não queria discutir com ele, nem queria ver a tristeza nos olhos dele, pois ele não tinha a culpa de ela ser assim.
- Está tudo bem, foi só a surpresa. Fiquei triste com a prenda porque esperava algo diferente, mas percebo que me quiseste surpreender e o trabalho que tiveste. Não ligues, deve ser da idade.
A tristeza dele, ao perceber a dor dela, foi algo que a magoou mais do que qualquer acção ou pensamento que tivesse tido, pois não conseguia desviar de si a ideia de que estava a ser extremamente injusta com ele!
Conversaram durante um grande bocado, ele explicando o trabalho a encontrar a prenda, ela escutando tudo e tentando não deixar transparecer a dor que sentia por ter finalmente compreendido que a vida real é muito diferente da vida que se sonha.
Quando finalmente adormeceu, ela continuou acordada por muito tempo e, pela primeira vez desde que namoravam, só pensava no quanto queria estar em casa, junto dos seus, e no quanto se sentia sozinha ali.
Hoje, sentada em frente ao mar, recordando este episódio, ela só pensava que devia ter percebido que as coisas iam acabar, pois ficou claro que ele nunca a compreenderia, nem ela seria capaz de viver aquela vida de aparente "normalidade".
E por mais que falassem de tudo, ele nunca perceberia que há coisas que uma mulher não diz ou pede, mas que sonha que a surpreendam com elas!!!!
Especialmente se essas coisas dizem respeito a gestos românticos, datas importantes, eventos marcantes!

domingo, 7 de setembro de 2008

A história das coisas

Recebi este vídeo por mail (desta vez enviado pela minha mãe).
É um vídeo que está legendado em português (do Brasil) e que aconselho a que vejam, independentemente de ser um pouco longo (cerca de 20 minutos).
É um vídeo que contêm informações diferentes das que recebemos através dos meios de informação e dos noticiários e analistas económicos, tem várias denúncias mas não é eco-chato, e com o seu grafismo simples mas de produção cuidada leva-nos a visitar a historia, economia e antropologia sem ser chato e sem darmos conta do tempo passar.
Se não tem tempo agora vejam num fim-de-semana, mas aconselho que que divulguem pelos amigos também.
Eu gostei!

Sorte Grande

Só porque hoje ouvi esta música ao almoço, que adoro, e que não me sai da cabeça... não sei porquê...

A minha sorte grande
foi você cair do céu
minha paixão verdadeira

viver a emoção
ganhar teu coração
pra ser feliz a vida inteira

É lindo teu sorriso
o brilho dos teus olhos
meu anjo querubim

O doce dos meus beijos
o calor dos meus braços
perfume de jasmim

Chegou no meu espaço
mandando no pedaço
um amor que não é brincadeira

Pegou me deu um laço
dançou bem num compasso
de prazer levantou poeira

Poeira, poeira, poeira
levantou poeira

A minha sorte grande foi você cair do céu
minha paixão verdadeira
viver a emoção
ganhar teu coração
pra ser feliz a vida inteira

É lindo teu sorriso
o brilho dos teus olhos
meu anjo querubim

O doce dos meus beijos
o calor dos meus braços
perfume de jasmim

Chegou no meu espaço
mandando no pedaço
um amor que não é brincadeira

Pegou me deu um laço
dançou bem num compasso
de prazer levantou poeira

Poeira, poeira, poeira
levantou poeira

Poeira, poeira, poeira
levantou poeira

Amores e Desamores - 1

- Amo-te - dizia aquele sms que ele lhe enviou à noite, altas horas da madrugada, no dia do seu aniversário.
Derreteu-lhe o coração e a alma, até porque era a primeira vez que o dizia, mas não se deu por vencida e, como a vontade de picar é mais forte do que ela respondeu:
- Vê-se mesmo que estás com os copos.
E virando-se para o lado adormeceu, sozinha, sem a sua presença, os seus braços e o seu cheiro para a embalar.
No dia seguinte falaram pela Internet, único meio de alimentarem aquele amor, atendendo à distância que os separa.
Como ele não se descosia, ele teve de o espicaçar e dizer-lhe que ele tinha aproveitado bem a festa de anos para apanhar uma grande bebedeira.
- Bebi uns copos, mas não me embebedei, nem perto disso! Porque dizes isso?
- Por causa da tua mensagem de ontem à noite – diz ela sem se descoser...
- Qual? A que te dizia que te amo? - diz ele com um pequeno emoticon divertido
- Essa mesmo!
- Não estava com os copos, mas se o problema é esse, posso dizer-te agora o mesmo, que te amo!
E aí... ela ficou sem reacção e todos os seus fantasmas, dúvidas e “traumas” entraram em conflito.
Por um lado ela sentia que amava de todo o seu coração aquele homem grande, com uma elegância desengonçada e com um coração enorme preso num corpo com olhos tristes.
Por outro, o que seria que ele amava?
A ela, como pessoa?
Ou seria que amava o facto de ter com quem falar, quem o ajudasse e apoiasse e então em vez de ser amor era um sentimento de dívida e de gratidão aquilo que o levava a proferir tal palavra, sagrada na linguagem dos amantes.
E então, antes mesmo de poder raciocinar claramente, a tempestade desencadeou-se
- Sabes o que significa a palavra para mim para a estares a dizer assim?
- Claro que sei, senão não a utilizava! - responde ele.
Mas ela não se deva por vencida, ainda não chegava
- Mas como podes dizer que me amas se nem me conheces? Ao fim deste tempo todo ainda nem sabes o meu nome, não sabes nada de mim?
- Sei como és, o que fazes, que estás sempre presente e a apoiar-me e basta para saber que te amo!
Qualquer pessoa dita “normal” estaria feliz com esta resposta, mas a ela não lhe bastava, era um amor demasiado difícil e complexo de assumir para que lhe bastasse isso.
E ela sabia que era sempre a mesma coisa, o querer mais e mais, sentir -se amada por si e não por um sentimento de gratidão em relação ao que faz pelos outros, precisar de "provas" que era uma das prioridades da vida de quem estava com ela, por mais complexa que fosse.
- E o que tu fazes por mim? E quando estás tu presente para mim? O que sabes tu de mim?
Escrevia estas palavras e pensava no quão injusta estava a ser com ele, pois se o papel dela era ingrato e não era justo, o dele não o era menos.
A dor dele sentiu-se nas palavras que ele escreveu a seguir... mas apesar do sentimento de culpa, o “monstro” que se apodera dela nestas alturas não desistia, pois só conseguia pensar que precisava dele e ele não estava, não pensando que ele não sabia nada dela tanto por culpa dele, que nunca quis saber, como por culpa dela, que nunca partilhou nada.
- Não me podes amar, ou não sabes o que é amar. O que sabes de mim? O que sou, o que quero, como estou? Só sabes que gostas de mim porque me preocupo contigo e te ajudo, mas isso não é amar! Para se amar há que conhecer a outra pessoa, senão não podes dizer que amas!
E aí ele conseguiu cair no isco, na armadilha que o monstro dentro dela preparara e... “afogou-se” com a pior coisa que poderia dizer naquele momento:
- Tens razão, não sei nada de ti e se calhar não te amo.
Foi tudo o que o monstro precisava para desaparecer e deixar a dor de ouvir aquelas palavras, que se tinham procurado, pescado com arte, mas que não se queriam ouvir.
Não há nada pior para matar um monstro que cria a discórdia, fomenta as tempestades internas e o caos entre a mente e o coração do que ... dar-lhe razão!
- Se calhar não sei o que é amar, ou não sei o que entendes por amar. Tenho de pensar nisso e equacionar o que sinto! - completa ele.
Estas palavras, consequência de todo o diálogo que tinham estado a desenvolver e que aqui não se reproduziu por inteiro por ser de foro íntimo dos dois amantes, destruíram todas as ilusões dela.
Como pode um homem dizer que ama uma mulher para depois sucumbir nas sementes da dúvida que ela própria ardilosamente atirara?
Porque é que ela não consegue aproveitar aqueles momentos de felicidade, aquela declaração de amor tão pura e sincera e precisava de ir provocar a confusão que só serve para a destruir a ela.
Todas estas questões ecoaram na sua cabeça a partir do momento em que leu aquelas palavras e adormeceu o monstro que guiara até ao momento os seus dedos através do teclado do computador.
Mas nem isso a travava, parecia guiada por uma força demoníaca que estava apostada em destruir qualquer sentimento que existisse.
- Bem, se não sabes o que sentes, não vou ser eu a dizer-te. Mas não se deve nunca dizer a uma pessoa que é amada para a seguir se dizer que não se sabe. Aconselho-te a que penses muito bem da próxima vez que usares esse termo – diz-lhe ela, ferida no seu amor-próprio, despeitada, triste.
E sabendo que quem tinha provocado tudo isso tinha sido ela e as suas questões, dúvidas, medos e inseguranças, retirou-se e desligou, para mais uma noite de insónia e solidão.
Porque será que não consegue aceitar um amor simples e sincero?
Terá sido tão magoada, tão enganada que não consegue acreditar que possa ser amada?
Ou será porque a situação é tão complicada, a nível pessoal, profissional e amoroso, que precisa de mais apoio, confiança, provas de amor do que as pessoas que vivem uma relação dita “normal”?
Porque tem de aparecer aquele “monstro” a lançar a dúvida e a insegurança em vez de aproveitar os momentos e gozar a vida?
Porque tem de querer sempre mais e mais?
Pior ainda, porque acha que o facto de se dar tem de significar que os outros vão dar de volta?
Todas estas perguntas a atormentam enquanto se enrola no sofá do quarto, pensando como se pode amar um homem e procurar sabotar qualquer sentimento que ele possa ter por ela, analisando ao detalhe o que ele sente e porquê, procurando e apontando todas as falhas em vez de realçar as qualidades!!!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Punhetas, Roberto Leal e Jô Soares

Lindo!!!
Vale a pena ver este excerto de uma entrevista desse grande humorista e o à-vontade num tema tão... divertido:

Formigas

Um dos insectos que mais abomino e que actualmente parece estar em todo o lado aqui no prédio, inclusive nos andares mais altos, como o 10º!!!
Todos os Verões, nos últimos 3 anos, o prédio sofre uma invasão de formigas, supostamente a fugirem do intenso calor que se faz sentir na rua.
Ainda por cima daquelas formigas pequeninas, irritantes... (apesar de saber que, no fundo, são todas irritantes)
Mas devo comunicar que as formigas de minha casa são especiais e diferentes das do resto do prédio!!!
Falando com alguns vizinhos, descobri que as formigas em casa deles procuram, como seria suposto e natural, as coisas doces, frutas, xaropes, comida de bebé, etc.
As minhas não são assim, são como eu... especiais e especialmente diferentes!!!
Aqui em casa, tirando o primeiro ano em que elas apareceram quando me esqueci de um copo de batido de frutas vazio na minha secretária (o que fez com que nunca mais conseguisse fazer um batido), as minhas formigas aparecem nos locais mais exóticos e extraordinários:
  • Aparecem na casa-de-banho, na banheira - devem estar cheias de calor e a pensar que um banhinho frio é que caía bem.
  • Aparecem no fogão - devem gostar do petiscos que cozinho e ficam logo ali à espera que eu acabe de cozinhar para se refastelarem de algum resto salgado que tenha salpicado.
  • Aparecem no lava-louça - estas devem ser as que decidiram que a banheira era muito grande e preferem ficar num sitio mais pequeno, em que estejam perto da comida e a seguir possam tomar um banhito de imersão.
A verdade é que nunca me aparecem formigas nas coisas doces, mas sim nas salgadas!!!
E também são muito "requintadas" para irem ao caixote do lixo, mesmo que esteja cheio de coisas doces ou salgadas - isso não é para as "sras" formigas que aqui passam!!!
Se deixo um prato sujo ou uma panela no lavatório... é certo e sabido que vou ter pelo menos uma ou outra formiga a ir inspeccionar os restos e a fazer a sua critica culinária.
Mas desde a minha última "matança" na cozinha, elas adoptaram uma estratégia diferente.
Agora já não vem a habitual fila de formiguinhas buscar alimento...
Não, isso era muito fácil para mim!!!
Agora enviam uma, ou algumas, exploradora(s) (por norma vem uma... algumas vezes um grupo, mas nunca mais de 5 ou 6). E quando são "abatidas" ou sucumbem ao repelente de formigas que tenho de espalhar regularmente... passo a assistir a pequenos grupos ou formigas isoladas que vem prestar a sua última homenagem aos cadaveres das suas companheiras e que, por sua vez, se lhes juntam, fazendo com que um pequeno cadáver ou dois, ao fim de 2 ou 3 dias, se transforme num pequeno cemitério para 10 ou 20 formiguitas.
Uma coisa devo dizer, é enternecedor ver todas aquelas pequenas formiguinhas a vir prestar a sua última homenagem e cometerem suicídio só para prestarem a sua homenagem às suas valentes predecessoras!!!
Ou será que acham que a elas não vai acontecer o mesmo?!
Falando a sério um bocadinho - alguém sabe de um método infalível para que elas não voltem?!!!
Preferia que acabassem de vez a fazer funerais regulares - até porque não me gosto de considerar "assassina" e queria que as pobres formiguinhas pudessem viver felizes com as suas famílias - LONGE DA MINHA CASA!!!

Novo dicionário de "Protuguês"

Para quem quer compreender o dialecto que falam actualmente a maioria das pessoas com quem nos cruzamos, aqui vos deixo esta pérola que o meu tio me enviou.
É verdade que falta o "tipo" e o "bué da fixe" mas, meu querido tio, o "bué" já está "tipo" no dicionário da academia, dahhhhhh (também se esqueceram desta)!!!
Para rirem e meditarem sobre o futuro da nossa língua...
  • Alevantar
    O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!
  • Amandar
    O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'
  • Aspergic
    Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.
  • Assentar
    O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
  • Capom
    Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!
  • Destrocar
    Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
  • Disvorciada
    Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.
  • É assim...
    Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.
  • Entropeçar
    Tropeçar duas vezes seguidas.
  • Êros
    Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
  • Falastes, dissestes...
    Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES..
  • Fracturação
    O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial. Casa que não fractura... não predura.
  • Há-des
    Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?
  • Inclusiver
    Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'.
  • Mô
    A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
  • Nha
    Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.
  • Númaro
    Também com a vertente 'númbaro'. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!
  • Parteleira
    Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
  • Perssunal
    O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.
  • Pitaxio
    Aperitivo da classe do 'mindoím'.
  • Prontus
    Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
  • Prutugal
    País ao lado da Espanha. Não é a Francia.
  • Quaise
    Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
  • Stander
    Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis. O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...
  • Treuze
    Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.
  • Lidel
    Não confundir com Fidel. Onde vais? Vou ao Lidel Comprar Cebolas

Sinto, logo escrevo

Já vos aconteceu terem milhares de palavras a gritar na cabeça e não as conseguirem dizer?
A mim acontece sempre, principalmente se é para falar do que sinto.
Os meus amigos criticam e brincam com isso, dizendo que nunca viram uma RP ou responsável de eventos que tanto fala dizer que não consegue falar!!!
Mas é verdade, quando se trata de falar de sentimentos, de emoções, as palavras amontoam-se na cabeça, gritam o que querem dizer, mas da boca não sai nada!
Não sei se é para não magoar as pessoas que me rodeiam, se é porque quando saem são sempre mal interpretadas, se é porque não quero que soem como criticas... não sei, mas não consigo que saiam, e por isso comecei a escrever.
São palavras confusas as que saem para o papel, mas pelo menos dá uma certa coerência à confusão que elas criam quando se revoltam na cabeça por não as conseguir traduzir em sons.
E não é um facto recente, só que a idade, os mal-entendidos, as desilusões, os desgostos só serviram para agravar esta situação.
A maior parte das pessoas prefere falar.
Dizem-me muitas vezes "porque não falas?" ou "agarra no telefone e liga", mas lembro-me que já em criança detestava telefonar e muitas vezes convencia os meus irmãos a fazerem por mim os telefonemas mais simples.
Excesso de timidez?
Talvez, mas acho que é mais excesso de má-compreensão.
As palavras escritas podem por vezes magoar mais do que as faladas, mas são verdadeiras, são a expressão dos sentimentos, sejam eles claros ou confusos.
E a verdade é que desde sempre eu adorava escrever, apesar de não ter a disciplina e força de vontade de escrever regularmente, pois tenho vários diários começados (e nunca acabados) milhares de cartas trocadas com amigos e correspondentes... enfim, o costume... as coisas que me apaixonam mesmo são começadas mas sem força para as acabar.
Sei que tenho de melhorar, aprender a dar voz às palavras, mas por agora só lhes consigo dar expressão escrita... Pode ser que no futuro consiga dar-lhes voz!
Até porque penso ou escrevo o que sinto, sem reflectir, sem censura... e muitas vezes, à posteriori, ao pensar no que escrevo (sim, por norma não estou a reler) há tantas outras coisas que surgem, que gostaria de ter dito ou escrito e não consegui na altura...
Para ser escritora teria de escrever, reflectir sobre isso, parar e sempre que pensar sobre o assunto completar o meu primeiro texto... e eu sou mais impulsiva, a escrita é mais terapia... é mais pensar e deixar escapar pelos dedos (em substituição da voz) o que está no coração (mais do que na cabeça)...
Aqui ficam igualmente algumas citações sobre escrever, de que gosto muito:
  • Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido (Jules Renard)
  • Escrever é batermo-nos com tinta para nos fazermos compreender (Jean Cocteau)
  • Devemos escrever para nós mesmos, é assim que poderemos chegar aos outros (Eugène Ionesco)
  • Escrever é por em ordem as nossas obsessões (Jean Grenier)
  • Não se pode escrever nada com indiferença (Simone de Beauvoir)
  • Viver é lutar contra os demónios do coração e do cérebro. Escrever, é pronunciar sobre si o último julgamento (Henrik Ibsen)
  • Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve (Vergílio Ferreira)
  • Os escritores raramente escrevem o que pensam. Limitam-se a escrever o que pensam que os outros pensam que eles pensam (Elbert Hubbard)
  • Escrever é sempre esconder algo de modo que mais tarde seja descoberto (Italo Calvino)
  • Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial (Virginia Woolf)
  • Escrever é também não falar. É calar-se. É gritar sem ruído. (Marguerite Duras)
  • É a escrever mal que se aprende a escrever bem (Samuel Johnson)
  • As mulheres escreveram o poema do amor; os homens comentaram-no, mas não o compreenderam (Arsène Houssaye)
  • Escrever é como fazer amor. Não te preocupes com o orgasmo, preocupa-te com o processo (Isabel Allende)
  • Escrever não é fácil nem difícil, antes possível ou impossível (Camilo Cela)
  • Para escrever, só é preciso ter alguma coisa para dizer (Camilo Cela)
  • O meu psicanalista é a minha máquina de escrever (Ernest Hemingway)
Não quero dizer com estes pensamentos que me considere escritora - LONGE DISSO!!!
De escritora não tenho nem quero ter nada, mas há dois pensamentos sobre escrever que me são particularmente queridos, por me identificar bastante com eles e são o de Elbert Hubbard e o de Ernest Hemingway.
O primeiro porque me faz pensar que eu vivo a vida e actuo de acordo com o que eu penso que os outros pensam que eu devo ser.
O segundo porque não há melhor terapia, melhor "alívio" do que escrever para exorcizar todos e quaisquer "fantasmas" que nos atormentem.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vazio

Hoje pensava escrever, partilhar mais alguns sentimentos ou emoções, mas a verdade é que não consigo!
Escrever sempre foi uma terapia, uma forma de exorcizar fantasmas e pensamentos, mas quando começa a ser demasiado analisado por quem me está mais próximo, quando constantemente procuram ler nas entrelinhas, procuram agir em função do que imaginam que está escrito e não se diz... torna-se uma prisão maior do que não escrever!
Mas a verdade é que, para além de não me apetecer ser analisada, me sinto vazia!!!
Vazia de sentimentos, de emoções, de vontades, ... de tudo!
Talvez seja cansaço (de não fazer nada, como dirão alguns, com razão), talvez seja tristeza de não ser correspondida, desilusão de ser sempre a última prioridade para todos, raiva de dar tudo e ficar com os restos, tristeza de esperar retornos que nunca chegam, de ser demasiado idealista e/ou romântica...
Pode ser de não dormir o suficiente... ou de dormir demais!
Não sei....
Mas... sinto-me oca, vazia, fútil.
Será que cansei de estar sempre a dar e não receber?
Será que me apercebi que sou egoísta e não o quero assumir?
Não sei...
Sei que não consigo encontrar um rumo, que não consigo encontrar paz, e que não consigo sentir uma emoção correcta ou verdadeira.
Sei que me sinto sozinha, abandonada... que queria ter alguém que se preocupasse comigo, que procurasse estar comigo, que sentisse quando preciso estar com ele...
Sei que um dia vai aparecer, mas neste momento sinto-me sozinha, mais sozinha que nunca!
Talvez seja por isso que hoje me sinto tão oca, tão sem sentir, tão.... falsa nas minhas convicções e paixões.
Talvez por ter compreendido que na verdade não tenho os amigos que queria ou pensava e que os verdadeiros amigos, aqueles que não me abandonavam, estão a milhares de quilómetros.
Talvez por sentir que não sei amar ninguém, ou sentir amada...
Também não importa, porque amanhã será outro dia, a véspera de mais um fim de semana sozinha no meio da multidão!
O sol vai brilhar e os sentimentos vão mudar, a vida continuar.
Amanhã vou sentir de novo, mas hoje.... não consigo!

Chefe

Um elefante vê uma cobra pela primeira vez.
Muito intrigado pergunta:

- Como é que fazes para te deslocar? Não tens patas!

- É muito simples - responde a cobra - rastejo, o que me permite avançar.

- Ah... E como é que fazes para te reproduzires? Não tens tomates!

- É muito simples - responde a cobra já irritada - não preciso de
tomates, ponho ovos.
- Ah... E como é que fazes para comer? Não tens mãos nem tromba para levar a comida à boca!
- Não preciso! Abro a boca assim, muito grande, e com esta enorme
garganta engulo a minha presa directamente.
- Ah...
Ok! Ok! Mas então, resumindo, rastejas, não tens tomates e só tens garganta...
Só podes ser Chefe!!!


É por estas e por outras que, apesar de não ter tomates, nunca conseguirei ser "Chefe"!!!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Vivo para ela(e)

Uma das minhas músicas preferidas, e com uma letra lindíssima, cantada por dois artistas espantosos e numa esplêndida interpretação de patinagem sobre o gelo.
Thanks P. for the music and the message that came along ;-)
Aqui deixo o vídeo e a letra em italiano (original) e inglês:


Vivo per lei da quando sai / I live for her, you know, since
la prima volta l'ho incontrata, / the first time I met her.
non mi ricordo come ma / I do not remember how, but
mi è entrata dentro e c'è restata. / she entered within me and stayed there.
Vivo per lei perchè mi fa / I live for her because she makes
vibrare forte l'anima, / my soul vibrate so strongly.
vivo per lei e non è un peso. / I live for her and it is not a burden.

Vivo per lei anch'io lo sai / I live for her too, you know,
e tu non esserne geloso, / and don't be jealous:
lei è di tutti quelli che / she belongs to all those who
hanno un bisogno sempre acceso, / have a need that is always switched on
come uno stereo in camera, / like a stereo in the bedroom,
di chi è da solo e adesso sa, / to someone who is alone and now knows
che è anche per lui, per questo / that she is also for him; for this reason
io vivo per lei. / I live for her.

È una musa che ci invita / She is a muse who invites us
a sfiorarla con le dita, / to brush her with the fingers.
attraverso un pianoforte / Through a piano
la morte è lontana, / death remains far away;
io vivo per lei. / I live for her.

Vivo per lei che spesso sa / I live for her who often knows
essere dolce e sensuale / how to be sweet and sensual;
a volte picchia in testa ma / sometimes she stuns you but
è un puguo che non fa mai male. / it is a blow that never hurts.

Vivo per lei lo so mi fa / I live for her. I know she makes me
girare di città in città, / travel from town to town
soffrire un po'ma almeno io vivo. / and suffer a little, but at least I live.

È un dolore quando parte. / It is painful when she leaves.
Vivo per lei dentro gli hotels. / I live in hotels for her.
Con piacere estremo cresce. / It grows with supreme pleasure.
Vivo per lei nel vortice. / I live for her in the vortex.
Attraverso la mia voce / Through my voice
si espande e amore produce. / it expands and produces love.

Vivo per lei nient'altro ho / I live for her, I have nothing else,
e quanti altri incontrerò / and how many others I shall meet
che come me hanno scritto in viso: / who, like me, have written on their faces
io vivo per lei. / "I live for her."

Io vivo per lei / I live for her
sopra un palco o contro ad un muro / on a dais or against a wall
Vivo per lei al limite. / I live for her to the limit.
...anche in un domani duro. / ... also in a harsh tomorrow.
Vivo per lei al margine. / I live for her to the very edge.
Ogni giorno / Every day
una conquista, / a conquest;
la protagonista / the protagonist
sarà sempre lei. / will always be her.

Vivo per lei perchè oramai / I live for her because now
io non ho altra via d'uscita, / I have no other way out,
perchè la musica lo sai / because, you know, music
davvero non l'ho mai tradita. / is something I have truly never betrayed.

Vivo per lei perchè mi da / I live for her because she gives me
pause e note in libertà. / rests and notes with freedom.
Ci fosse un'altra vita la vivo, / If there were another life I'd live it,
la vivo per lei. / I'd live it for her.

Vivo per lei la musica. / I live for her, music.
Io vivo per lei. / I live for her.
Vivo per lei è unica. / I live for her, she is unique.
Io vivo per lei. / I live for her.
Io vivo per lei. / I live for her.
Io vivo per lei / I live for her.

Pleonasmos, Tautologia,

Obrigada por esta pérola tio!
Aproveitei para encontrar outra (e há tantas deles fabulosas) :)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Amor I love you

De mim para...

Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma
Me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pras paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão

É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui?

Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu gostar de você
Isso me acalma
Me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pras paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão

É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui

Meu peito agora dispara
Vivo em constante alegria
É o amor que está aqui

Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you

Olvidarme de ti



Llevo ya pa´ 15 dias
sin dejarte de probar
y van pasando los días
y no te puedo olvidar

Llevo ya pa´ 15 años
sin alejarme de tí
y van pasando los días
y no hay quiien se aleje de ti
porque no hay quiien se olvide de ti
no haaaaaaaaay


Llevo ya pa´ 15 dias
que no te he vuelto a probar
y van pasando los dias
y no te puedo olvidar
de vez en cuando voy buscando
si hay alguna solución
no sé, si esto es vicio, si es el mono o es amor
porque no hay quien se aleje de ti
porque no hay quien se olvide de ti
no hay, no hay, no hay
no hay, no hay, no hay

Que a ver si cuando "va para" ya de meterte drogas
que a ver si cuando "va para" ya de bebe alcohol
que a ver si cuando "va para" ya de fuma esas hierbas
que a ver si cuando "va para" de meterte de tó
será mejor, será mejor , será mejor que dejes
las fiestas será mejor
para, para, para, para chiquillo si a ver si tu para
si a ver si de una vez tú para...

Fugir

Às vezes só me apetecia que fosse possível realmente fugir e estar na minha nuvem, sozinha, a ver o mundo e as pessoas que passam dentro dos aviões, algumas fugindo também para locais exóticos ou diferentes, outras fugindo de si, dos seus problemas, da sua vida.
Gostava de poder realmente fugir deste mundo terreno, que apesar de ter tanta beleza está repleto de falsidade, de hipocrisia, de interesses pessoais, políticos, ambições desmedidas.
Um mundo onde não se sabe amar, onde se procura o interesse, o prazer imediato e instantâneo e se evitam discussões, comunicar, partilhar.
Tal como muitas outras pessoas, eu também tenho os meus momentos.
Aqueles em que acho que sou forte, invencível, linda, "poderosa", mas depois há os outros, de solidão, de fraqueza, de tristeza, de doença, em que descubro os verdadeiros amigos ou a força de um amor.
Tenho os momentos em que adoro o que faço, acho que nada me consegue derrubar, e depois tenho os outros, em que me encontro caída no chão, a odiar o que tenho de fazer para sobreviver.
E nesses momentos gostava de estar na minha nuvem, aquecida pelo calor do sol na ausência de braços que me confortem, observando as coisas, mas distante, sem as sentir, sem as viver.
Mas como não se pode viver numa nuvem, fica a intenção de fuga, uma e outra vez adiada, uma e outra vez superada pela força de viver, de ser mais forte que o cinismo e mentira que me rodeiam.
A cada vontade de fugir fica o optimismo que amanhã será um dia melhor, que amanhã o sol brilhará e vai conseguir aquecer-me, mesmo estando longe da minha nuvem, mesmo sem observar os aviões que passam, mesmo sem conseguir fugir...
E a cada grito de liberdade, a cada grito de "Foge!" vai renascer a esperança de encontrar aqueles braços que me vão fazer querer ficar e enfrentar a vida, como ela é em vez de como eu gostava que fosse!!!

Para a minha mãe

Obrigado porque tiveste na tua vida um lugar para a minha vida, renunciando a tantas coisas boas que poderias ter saboreado. Porque - mais do que isso - fizeste da tua vida um lugar para a minha. E de muitas maneiras morreste para que eu pudesse viver.
Porque não eras corajosa, mas tiveste a coragem de embarcar numa aventura que sabias não ter retorno.
Porque não fizeste as contas para avaliar se a minha chegada era conveniente: abriste simplesmente os braços quando eu vim.
Porque não só me aceitaste como era, como estavas disposta a aceitar-me fosse eu como fosse. Porque dirias "o meu filhinho" mesmo que eu tivesse nascido deformado e me contarias histórias ainda que eu tivesse nascido sem orelhas. E me levarias ao colo mesmo que eu fosse leproso. E, mesmo com tudo isso, me mostrarias com orgulho às tuas amigas. Porque seria sempre o teu bebé lindo.
Devo-te isso, embora não tenha acontecido, porque o farias.
Obrigado porque não tiveste tempo para visitar as capitais da Europa. Porque as tuas amigas usavam um perfume de melhor qualidade que o teu. Porque, sendo mulher, chegaste a esquecer-te de que havia a moda.
Porque não te deixei dormir e estavas sorridente no dia seguinte. Porque foste muitas vezes trabalhar com manchas de leite na blusa. Porque me sossegaste dizendo "não chores, filho, que a mãe está aqui", e estar no teu regaço era tão seguro como dormir na palma da mão de Deus.
Obrigado porque é pensando em ti que posso entender Deus.
Obrigado porque não tiveste vergonha de mim quando eu fazia birras nos museus, ou me enfiava debaixo da mesa do restaurante porque queria comer um gelado antes da refeição. E porque suportaste que eu, na adolescência, tivesse vergonha de que os meus amigos me vissem contigo na rua.
Obrigado porque fizeste de costureira e aprendeste a fazer bolos. Porque fizeste roupas e máscaras para as festas da escola. Porque passaste uma boa parte dos fins de semana a ver jogos de rugby ou de futebol para que - quando eu perguntasse "viste-me, mãe, viste-me?" - pudesses responder com sinceridade e orgulho "é claro que te vi!".
Obrigado por o teu coração ser do tamanho de me teres dado irmãos. Como eu seria pobre se não os tivesse!
Obrigado pelas lágrimas que choraste e nunca cheguei a saber que choraste.
Obrigado porque me ralhaste quando me portei mal nas lojas, quando bati os pés com teimosia, quando "roubei" batatas fritas antes de o jantar estar servido, quando atirei a roupa suja para um canto do quarto. Obrigado por me teres mandado para a escola quando não me apetecia e inventava desculpas. E por me teres mandado fazer tarefas da casa que tu farias bem melhor e muito mais depressa.
Obrigado por teres mantido a calma quando eu num dia de chuva fui consertar a bicicleta para a cozinha, ou quando arranjei uma namorada de cabelo verde...
Obrigado por teres querido conhecer os meus amigos, e por todas as vezes que não me deixaste sair à noite sem saberes muito bem com quem ia e onde ia.
Obrigado porque eu cresci e o teu coração parece ter também crescido. Porque me deste coragem. Porque aprovaste as minhas escolhas, e te mantiveste a meu lado apesar de ter passado a haver a distância. Porque levantas a cabeça - mesmo sabendo que eu estou muito longe - quando vais na rua e ouves alguém da multidão chamar: "mãe!".
Obrigado por guardares como tesouros os desenhos que fiz para ti na escola quando era, como hoje, o Dia da Mãe. E por ficares à janela a ver partir o carro, quando me vou embora, comovendo-te com os meus sinais de luzes.
Obrigado - já agora... - por não teres esquecido quais são os meus pratos favoritos; por o sótão da tua casa poder ser uma extensão do sótão da minha casa; por teres ainda no mesmo lugar a lata dos biscoitos...

Paulo Geraldo

O Pote Rachado

Mais uma história, para reflectirmos no que somos, como nos vemos e como devíamos ver:
Havia na Índia um carregador de água que transportava - em ambas as pontas de uma vara que levava atravessada no pescoço - dois potes grandes de barro.
Um dos potes tinha uma racha e o outro era perfeito.
O pote perfeito chegava sempre cheio ao final do longo caminho que ia do poço até à casa do patrão.
Mas o pote rachado chegava apenas com metade da água.
E assim, durante dois anos, o carregador entregou diariamente um pote e meio de água em casa do seu senhor.
O pote perfeito, é claro, estava orgulhoso do seu trabalho.
O pote rachado, porém, estava envergonhado da sua imperfeição. Sentia-se miserável por apenas ser capaz de realizar metade da tarefa a que estava destinado.
Depois de perceber que, ao longo de dois anos, não tinha passado de uma amarga desilusão, o pote disse um dia ao homem, à beira do poço:
- Estou envergonhado e quero pedir-te desculpa. Durante estes dois anos só entreguei metade da minha carga, porque a minha racha faz com que a água se vá derramando ao longo do caminho. Por causa do meu defeito, tu fazes o teu trabalho e não ganhas todo o salário que os teus esforços mereciam.

O homem ficou triste com a tristeza do velho pote, e disse-lhe com compaixão:
- Quando voltarmos para casa do meu senhor, quero que repares nas flores que se encontram à beira do caminho.
De facto, à medida que iam subindo a montanha, o pote rachado reparou em que havia muitas flores selvagens à beira do caminho e ficou mais animado.
Mas no final do percurso, tendo-se vazado mais uma vez metade da água, o pote sentiu-se mal de novo e voltou a pedir desculpa ao homem pela sua falha.
Então, o homem disse ao pote:
- Reparaste em que, ao longo do caminho, só havia flores de teu lado? Reparaste também em que, quando vínhamos do poço, todos os dias, tu ias regando essas flores? Ao longo de dois anos, eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se tu não fosses assim como és, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.

Pensamentos

Na ausência de inspiração para escrever, alguns pensamentos famosos que para mim tem muito sentido:
  • O que os outros pensam de nós teria pouca importância se não influenciasse tão profundamente o que pensamos de nós mesmos quando tomamos conhecimento da opinião alheia
  • A importância de uma pessoa não se constata quando estamos com ela, mas sim quando sentimos a sua falta!
  • Quero-te, não por quem és, mas por quem sou quando estou contigo! (Gabriel Garcia Marquez)
  • Never say goodbye when you still want to try.
    Never give up when you still feel you can take it.
    Never say you no longer love a person when you can't let go.
    If you love someone, tell them...for hearts are often broken by words left unspoken.
  • I love you not only for what you are, but for what I am when I am with you.
    I love you not only for what you have made of yourself, but for what you are making of me.
    I love you for the part of me that you bring out. (Elisabeth Barrett Browning)
  • O amor só encontra o seu significado no momento da separação.
  • Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças ?
  • A ausência tanto é um remédio contra o ódio como uma arma contra o amor.
  • O amor calcula as horas por meses, e os dias por anos; e cada pequena ausência é uma eternidade.
  • A ausência só mata o amor quando ele já está doente na data da partida.
  • Distância e longa ausência prejudicam qualquer amizade, por mais desgostoso que seja admiti-lo. As pessoas que não vemos, mesmo os amigos mais queridos, aos poucos se evaporam no decurso do tempo até ao estado de noções abstractas, e o nosso interesse por elas se torna cada vez mais racional, de tradição.
  • O amor não é união de lugares, senão de vontades; se fora união de lugares, pudera-o desfazer a distância, mas como é união de vontades, não o pode esfriar a ausência.
  • O tempo e a ausência combatem o amor pela memória, a ingratidão pelo entendimento e pela vontade.
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