quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Gosto de ti

Para não variar, volto ao tema do gostar/amar de alguém.
Hoje penso no "gosto de ti", no sentido romântico do termo, pois há que compreender que se hoje em dia há muitas pessoas que usam livremente o termo "amo-te", também há muitas pessoas não usam o "amo-te" e usam antes em opção o "gosto de ti".
E há tantas pessoas que dizem livremente (e ousarei dizer "impunemente") Gosto de ti!
Terão noção do que significa ouvir isso?
Terão noção que quando não é sentido ou acompanhado por acções pode doer tanto ou mais do que ouvir um "amo-te" sem sentimento?
Mas afinal mo que significa "gosto de ti"?
E é possível "gostar" de alguém sem ter envolvimento físico/sexual com essa pessoa?
Quando falo deste "gostar" não me refiro aos amores platónicos ou unilaterais, mas sim ao caso de duas pessoas que estão juntas, que se dizem "gostar" uma da outra, mas em que uma das partes (ou ambas) não são capazes de um envolvimento físico (ou de levar a relação até ao fim).
Será que é possível dizer que se gosta de alguém, ou que se tem uma relação com alguém sem ter o envolvimento físico/sexual, desejo?
Sempre defendi (e defendo) que o aspecto físico/sexual de uma relação é o menos importante, mas não posso considerar ou assumir que seja desnecessário ou irrelevante.
Como podem duas pessoas dizerem que gostam uma da outra, que tem ou querem ter uma relação, sem que existam todas as componentes que fazem de uma relação... uma RELAÇÃO?
Como se pode dizer que "gosto de ti" sem sentir desejo, intimidade, sem comunicação, sem partilha, sem cumplicidade?
Como podem duas pessoas estar juntas, partilhar um espaço, uma vida, uma cama... e estar cada uma para seu lado?
Será que se deve aqui usar o termo gostar?
Será que neste caso as pessoas que dizem "gostar" da outra não se estão a enganar a elas próprias misturando sentimentos de amizade, gratidão, dívida, solidão, sustento, companheirismo... o que seja.... com sentimentos românticos, amor, paixão?
Será que duas pessoas que estão juntas mas sem desejo e paixão, podem assumir que estão a viver uma relação romântica, um amor?
Será que pode haver uma relação sem paixão, sem desejo?
Porque pelo que vejo à minha volta, muitas vezes usa-se a palavra "amo-te" demasiado livremente, mas há muita gente que também usa o "gosto de ti" num sentido incorrecto, enganador.
Gostar de alguém, como amor, como relação a dois, como romance, implica que se tenha encontrado uma pessoa com quem nos sentimos bem em todos os aspectos, físicos e emocionais.
Para mim, Gostar de alguém (com G grande) implica que é com aquela pessoa que eu quero partilhar os meus pensamentos e sentimentos, que desejo, sou apaixonada por aquela pessoa, que é aquela pessoa que eu quero ter a meu lado na vida e na cama e que quando estou com ela nada mais importa.
Idealista?
Utópica?
Romântica?
Ingénua?
Talvez tudo isso e nada disso.
Talvez por isso seja tão difícil encontrar alguém que goste de mim... complexa, apaixonada, contraditória.
Porque a maioria das pessoa que conheço ou com quem me tenho cruzado gosta pelos motivos errados.
Gosta como um sentimento de dívida ou gratidão.
Gosta porque o parceiro é bonito (gosta da embalagem... e quando ela se estragar?).
Gosta porque o parceiro está sempre disponível (e quando não estiver?).
Gosta porque lhe faz as vontades todas (e quando deixar de fazer?).
Gosta porque o escuta (e quando quiser ser escutado? quando não falar?).
Gosta porque é melhor do que estar sozinho (e vivem uma vida de solidão a dois).
Gosta porque os companheiros são bons pais para os filhos (e a pessoa deve-se anular toda a vida em função disso?de gratidão por serem bons pais?).
Enfim, tenho a sensação que hoje se usa o gostar como se usa o amar, pelos motivos errados.
Gostar sem desejar é o que temos com os amigos, conhecidos.
Gostamos das pessoas que nos rodeiam, com quem saímos, com quem passamos momentos divertidos, que até nos podem ajudar nos momentos de dificuldade.
Mas Gostamos (em alguns casos Amamos) aquela pessoa que nos faz brilhar os olhos quando a vemos, que mesmo após anos de convivência ainda nos faz "nós" no estômago quando a vemos, ainda nos faz sentir desejo quando nos deitamos ao pé dela, quando lhe damos a mão, quando a abraçamos, quando ouvimos a sua voz, quando partilhamos algo.
Gostamos daquela pessoa que nos ouve, que nos apoia, mas que também partilha connosco os seus momentos bons e maus, que fala connosco.
Muitas vezes começamos por Gostar e acabamos a Amar.
Outras vezes descobrimos que pensávamos Gostar, mas final era só gostar, tínhamos carinho mas não Gostávamos da pessoa.
Mas nunca poderemos dizer Gostar de alguém que não nos atrai, com quem não sentimos desejo, ou com quem estamos a pensar noutras coisas ou pessoas.
Nesses casos talvez seja melhor reconsiderar e pensar como queremos definir a relação com essa pessoa... ou o que deveremos dizer em vez de lhe dizer "Gosto de ti"...
Porque não se deve escolher gostar de alguém porque... algo!
Gostar não é uma escolha, é um sentimento, não deve ser racionalizado.
O simples facto de racionalizarmos o porquê de escolher gostar de alguém... já indica que não Gostamos dessa pessoa.
Porque se Gostamos da pessoa, é impossível definir o porquê, pois são tantos factores.
Mas só conseguimos resumir esse sentimento através de... "gosto porque não consigo estar longe dela, não consigo imaginar não partilhar tudo com ela".
Por isso, será que Gostam de alguém?
Ou se pensarem bem, chegam à conclusão que afinal o que se passa é que gostam de um bom amigo com quem até passam bons momentos, mas não Gostam dele o suficiente para o desejarem?

5 comentários:

O QUATORZE disse...

Olá Boa Tarde
Efectivamente os casais estão mudados no que respeita a tratamentos pessoais em relação aos seus sentimentos entre estes.
Desapareceu uma grande parte do glamur, embora pense que deve haver por ai uns casais, os do tempo de namoro que digam “AMO-TE” e as excepções que declaram toda vida amor ao parceiro(a).
Amizade
Luís

nuvem disse...

Olá
pois, eu continuo a achar que quando se diz a alguém que se gosta dela (independentemente de se dizer Gosto ou Amo) significa que se declara amor eterno, pois o que interessa é que quando assumimos os sentimentos por alguém é para durar e não para acabar daqui a nada.
E se dizemos que Gostamos/Amamos é porque é aquela pessoa que nos completa, que é mais do que amigo, é companheiro, confidente, parceiro, amante....
E continuo à espera de encontrar quem seja capaz de viver assim, pois tenho a certeza que existe por aí, nem que tenha que cair da nuvem mais algumas vezes até acertar :)
Mas sou optimista :)

Anónimo disse...

aqui esta um assunto pertinente..lol
eu acho q uma ppl passa por todas essas fases do gostar na vida.. e poucas sao as ppl q amam de verdade.. eu axo q hj em dia as ppl ate podem se juntar por amor.. mas nao o preservam.. deixam se cair na rotina da vida e passados uns anos esse amor passou a carinho e gratidao pela pessoa q esta cnn..
pq o problema de td é a nossa vida. é ela q no fundo nos impede de viver livremente o q sentimos.
no meu ver qd se diz q s ama tem de ser mt sentido. algo q saia da boca tao naturalmente como um ola. a maior parte das pessoas nao passa da paixao. aqueles momentos bosn passados com uma pessoa.

Anónimo disse...

Olá! Boa tarde! proponho uma reflexão ou exercício! Uma pessoa que se conhece por computador sendo que passadas 3 ou 4 semanas, algumas semanas existe algo em comum e uma voz diz " gosto de ti". Como ficariam nesta situação»

Nuvem disse...

Olá Anónimo
Não digo que não há situações em que as pessoas não se aproximem virtualmente. Conheço muita gente que se apaixonou assim e estão juntos à anos.
Mas será que, numa relação meramente virtual, o "gosto de ti" não se poderá comparar ao AMO-TE tão livremente usado pelos adolescentes (e não só) hoje em dia?
Pode-se gostar de alguém com quem só se fala pela internet, mas será um gostar real se não houver contacto pessoal? Será que não se idealiza a pessoa?
de há 4 anos para cá fiquei ainda mais cínica em relação ao gostar e amar... mas nunca se sabe...

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