terça-feira, 24 de janeiro de 2017

24/365 - Ao 4º dia fez-se luz

Hoje fez 4 dias que o Senna entrou na nossa vida.
E, finalmente, ele conseguiu perceber que é melhor comer de manhã, senão fica todo o dia sem comer!
Foi também o dia em que ficou mais tempo sozinho de manhã (6h), em que voltou a passear de carro para ir buscar a dona pequenina e em que foi completamente mimado.
Teve finalmente direito à sua coleira (a que tinha trazido do canil tinha parafusos saídos), a duas caminhas novas e fofas (1 pata a caixa onde dorme de noite e outra para ter na sala quando está ao pé de nós).
Com o embalo aproveitámos para lhe oferecer também o cinto para o carro e uma roupinha quentinha para os passeios nocturnos.
Devo admitir, ele está cada vez mais ligado a nós, mas também cada dia mais mimadão - Já dá pequenas rosnadelas/ganidos/latidos a pedir festas, enquanto nos bate com a patinha e se coloca de pernas para o ar!
E a felicidade da minha pequena nuvenzinha não tem explicação - decididamente o trabalho que vai dar compensa na alegria que ela expressa diariamente!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

20/365 - E a vida nunca mais voltará a ser a mesma!

Há anos que a nuvenzinha pedia um cão ou um gatinho.
Sempre lhe expliquei que a mamã não podíamos ter um gato porque a mamã era muito alérgica e não podíamos ter um cãozinho porque não seria justo para ele ficar todo o dia sozinho em casa, pois saímos cedo e voltamos tarde.
Ela já estava mais ou menos mentalizada, o que não a impedia de pedir sempre às fadinhas, ao Pai Natal e a todas as personagens mágicas que lhe oferecessem um cão ou gatinho de verdade.
Com o desemprego, a melhoria de ânimo e a disponibilidade de tempo, achei que tinha chegado o momento de lhe dar essa alegria, responsabilidade e um amigo para a vida.
Uma vez que do lado da tia materna não ia ter nenhuma ajuda, falei com a tia-avó paterna, que colabora numa associação, para saber se tinham cães pequeninos, e lá fomos nós depois das aulas ver os cães que tinham - até porque a pequena nuvenzinha tem medo e cães pequeninos e que saltem ou ladrem muito (está muito habituada ao grande Serra da Estrela do avô).
A minha ideia, ao chegar à Associação S. Francisco de Assis com ela, seria de nos oferecermos como voluntárias, numa fase inicial, para ela ver o trabalho que dá, se habituar aos cães, e depois logo se via como corria - nota-se que vivo numa nuvem?
Mal saiu do carro já estava histérica de ver tantos cães. Fomos com uma das voluntárias e a tia-avó para a zona onde estavam os dois cães mais pequenos para adopção e fiquei a ver a reação dela.
Um deles era um rafeiro, estilo mini labrador preto, novinho, lindo, muito brincalhão e sempre a pedir festas. O outro era um rafeirito pequenino, muito traumatizado, de olhos verdes, que tinha pavor das pessoas e dos outros cães e tremia por todos os lados e fugia.
Eu fui logo ter com o cãozinho preto, que só tinha o enorme defeito do nome (Benfica), mas ela quando viu os saltos e latidos fugiu aos gritos, era muito para ela. Foram com ela ver o outro cão que, quando se aproximou dela e ela lhe colocou a mão em cima, deixou de tremer e ficaram os dois sentados às festas!
Estava escolhido o cão!
A tia-avó-madrinha ficou logo toda contente e a dizer se queríamos trazer logo o cão, mas eu disse que não, que ainda tínhamos de pensar bem se conseguíamos ter um cão, que não estávamos sequer preparadas em casa para ter cão (não havia rigorosamente nada, nem comida, nem cama, nem trela, nada). Queria falar com a nuvenzinha, explicar as responsabilidades, ver se conseguíamos ficar com um cão e, se fosse o caso, então voltávamos para o levar. Queria também vir mais alguns dias com ela para se ambientarem os dois e ver como se davam antes de ir com ele para casa.
Ela estava louca de alegria, sempre a pedir ara levarmos o cão, e a minha tia só dizia que eu era uma sádica maldosa, porque ambas sabíamos que eu ia levar o cão, mas eu sempre lhe disse que não, que íamos pensar.
Fomos embora....
A tia-avó-madrinha ficou lá a ver se o cão estava vacinado e desparasitado, quando iria ser esterilizado e o que era preciso para ser adoptado, para depois nos dizer.
Já ia a meio caminho de casa quando recebi um telefonema. Era ela, a dizer que podia ir lá buscar o cão, que tinha tudo pronto e nos ofereciam ração, trela, cama, mantas, etc.!
Sem dizer nada à nuvenzinha voltei para trás.
Ela ouviu o telefonema e viu a voltar para trás, mas eu disfarcei e disse que era uma amiga a pedir para ir buscar o filho para jantar que ela não tinha carro - e a minha pequenita, inocentemente, acreditou!
Quando percebeu que estávamos a regressar à Associação mal queria acreditar que o sonho de uma vida se ia concretizar!
Saímos do carro, ela foi brincar com o cão, que tinham trazido novamente para a entrada, enquanto eu fui tratar da papelada. Ainda aí ela não sabia o que eu estava a fazer - eu dizia que estava a tratar dos papeis para que pudéssemos ir tratar do cão, como voluntárias na semana seguinte. Ela ia acreditando, tentando não pensar que poderia estar na realidade a adoptar o cão.
Quando finalmente nos trazem a ração e uma cama ela não resistiu mais e todas as suas incertezas se tonaram certezas "Mamã, vamos mesmo , mesmo ficar com o cão?"
Repetia incessantemente a mesma questão, com medo que não fosse verdade e abraçava-se a mim e ao cão a chorar de alegria. Coitadinho dele, que estava aterrorizado, com tanta gente e confusão.
No fim de tudo tratado, lá encontrei um saco-cama no carro que se tornou automaticamente na manta do cão e, com muito carinho e apoio da voluntária, lá o conseguimos colocar no carro um cão que tremia descontroladamente. Mais uma vez, quando ela entrou e se sentou ao lado dele com a mão sobre ele, o cão derreteu e acalmou!
Só tivemos tempo de passar no veterinário para lhe dar um comprimido para as pulgas e carraças (adoro, evita as coleiras, que me esqueço sempre de renovar), comprar shampoo para o primeiro banho e rumar a casa, para o inicio de uma nova vida a 3.
Conheçam o Senna.... Ayrton Senna

PS - Era o nome que tinha no canil e ela não quer mudar

domingo, 15 de janeiro de 2017

15/365 - Conversas (ir)reais

Toca o telemóvel e atendo. Do outro lado uma voz jovem de homem:
- Bom dia. Daqui fala XPTO da Meo. Tenho o prazer de estar a falar com?
- Se ligou para mim da Meo deve saber com quem está a falar, não?
- (micro pausa) Estou bem a falar com o titular do nº 96123456?
- Certo
- Nesse caso tenho o prazer de estar a falar com?
- Como referiu, com o titular do telefone 96123456
- (nova micro pausa) E não me quer indicar o nome?
- Bem, deixe-me ver se percebi bem, está-me a ligar da MEO, a operadora do número, para o número do qual já referi ser titular, e não tem registo de quem sou?
- (pausa) É que estamos com o sistema em baixo e não conseguimos ter acesso a esse registo (boa escapatória).
- Muito bem, e a que se deve este telefonema?
- Estou a falar com a Dona?
- (tive pena...) Nuvem
- Muito bom dia D. Nuvem. Estamos a ligar para saber o seu grau de satisfação com o serviço da MEO. É um bom momento para responder a algumas questões?
- Se forem rápidas...
- Muito obrigada. serão apenas alguns minutos. Devo no entanto avisá-la que no sentido de garantir a qualidade dos nossos serviços as nossas chamadas são gravadas. Autoriza?
- Claro. Autoriza que eu faça o mesmo?
- Desculpe, não percebi.
- Se vocês gravam as chamadas para controlo da qualidade dos serviços, eu vou gravar para controlo da veracidade das coisas que me dizem. Autoriza?
- Penso que não temos indicação contrária. (grande hesitação na voz, mas recuperou depressa)
- Diga então quais as questões que tem de fazer.
- Muito bem D. Nuvem, gostava que nos indicasse, numa escala de 1 a 10, em que 1 significa nada satisfeito e 10 muito satisfeito, qual o seu grau de satisfação com a MEO
- 3
- Certíssimo! E usando a mesma escala de 1 a 10, em que 1 significa nada satisfeito e 10 muito satisfeito, qual a probabilidade de recomendar a MEO aos seus amigos e familiares?
- 0
- Muito bem. Atendendo a que vejo aqui que o seu tarifário é o YTRO Family, a que estão associados 3 números, que já não existe e que tem condições muito desactualizadas e desvantajosas já para si, gostava de lhe propor o novo tarifário YTRO family 2016.
- Desculpe, não me tinha dito que não conseguia ver o nome do titular do número porque não tinha sistema? Como consegue agora ver qual o tarifário?
- (pausa... devia estar a pensar que lhe estava a tramar o guião) Efectivamente o sistema já está activo e conseguimos ver as informações D. Nuvem. Como estava a dizer, vimos que o seu tarifário já é muito antigo e gostávamos de lhe oferecer o novo tarifário family, com muito mais vantagens para si.
- Muito bem, e quais são essas novas condições tão vantajosas? (digo eu, enquanto penso que ele não ouviu nada do que disse até ali...)
- Muito bem. (deve ser tique ou fazer parte do guião, estar sempre a dizer "Muito bem"). Hoje em dia tem 2.000 minutos e SMS para todas as redes, assim como 1GB de internet  e acesso aos hotspots por X€, correcto?
- Sim, é isso mesmo.
- E diga-me D. Nuvem, esses minutos são suficientes para si e para os outros números associados?
- Sim, chegam bem.
- E em relação ao 1GB de internet associada a cada cartão, é suficiente ou seria vantajoso terem mais internet?
- Não, é suficiente, se bem que mais internet nunca se recusa.
- E viajam muito para fora de Portugal?
- Não, preferimos viajar cá dentro.
- Então, com base no que referiu, temos para lhe propor o novo tarifário YTRO family 2016, em que tem os mesmo 2.000 minutos e sms, só que passa a ter 3 GB de internet em cada cartão e 200 minutos ou sms para usar em roaming por ano! E tudo isso pelo mesmo valor que está a pagar agora! Não é fantástico?
- Então, se percebi bem, o que me está a dizer é que vão actualizar o tarifário para as condições actuais, é isso?
- É isso que temos para lhe propor D. Nuvem.
- Por mim não há problema, acho excelente e de bom tom que actualizem os tarifários dos clientes para as condições em vigor sem os obrigarem a nova fidelização pelo mesmo tarifário (já sabia que estava a lançar lenha na fogueira).
- (nova pausa) D. Nuvem, se calhar não fui claro. Esta nova oferta implica um novo período de fidelização de 24 meses!
- (tentando controlar um misto de riso e irritação pelo péssimo serviço, mas o desgraçado do operador não tem a culpa de não arranjar mais nada e ter ido parar a um call center e logo da MEO....) Então deixe-me ver se percebi. Eu digo que não estou satisfeita com a vossa operadora, que nunca a recomendaria e mesmo assim propõem-me continuar com uma nova "oferta" que não é mais do que manter-me a pagar exactamente o mesmo que pago agora (e que em qualquer concorrente é substancialmente mais baixo), adicionando mais 2 GB de internet móvel que não preciso e roaming que não uso. E para isso ainda tinha de me fidelizar por mais 24 meses. É isso que me está a propor?
- (pausa) Bem, D. Nuvem, é a melhor oferta que temos para lhe fazer, não acha que são condições vantajosas para si?
- (tentando manter o máximo de paciência possível, com dificuldade já). Acha normal estar a dizer-me que não me baixam a mensalidade, que contratualmente não podem baixar até final de 2017 mesmo não estando fidelizada, que me oferecem algo que não me interessa e que por isso ainda me tinha de prender a um péssimo serviço por mais 24 meses?
- Pense só que com mais Internet móvel consegue navegar sem restrições, além de que se viajar para o estrangeiro não tem problemas com custos pois tem o roaming incluído.
- Muito obrigada pelo contacto, mas não estou interessada.
- Mas há alguma coisa que considerem uma vantagem num tarifário móvel que a faça reconsiderar?
- Sim, se não tiver de pagar nada para continuar cliente da MEO.
- Sabe que isso não podemos fazer, mas olhe que lhe estamos a oferecer excelentes condições!
- Só para terminar a conversa, que parece que é para os apanhados, não só não me está a oferecer melhores condições, pois mantenho o mesmo valor e tenho de ficar 24 meses presa à vossa empresa, como se reparar há milhares de tarifários muito melhores que o que temos e muito mais em conta com melhores condições, não percebo a insistência. Agradeço o contacto, mas vou ter de desligar.
- D. Nuvem, agradecemos o tempo que nos dispensou e pedia apenas alguns minutos para responder a umas breves questões sobre esta chamada e....
(nem vale a pena continuar....)

Honestamente, sei que é muito difícil trabalhar num call center, especialmente no da MEO, que é dos piores que já vi e é a empresa com pior serviço ao cliente que conheço, mas será que nunca ouviram falar de uma coisa chamada Escuta Activa? Poderiam ter tantos benefícios com isso, em vez de estarem a seguir guiões que não os vão ajudar a chegar aos clientes ou resolver situações (muito menos a fidelizar).
Confesso - há muitos momentos em que acho que os telefonemas da MEO são mesmo conversas irreais, porque é impossível que aquilo se passe num mundo real!
Só tenho pena de terem conseguido destruir uma empresa que era excelente... a TMN.

sábado, 14 de janeiro de 2017

14/365 - Comunicação e Liderança

A paixão pela comunicação, segundo a família e os amigos mais próximos é algo que nasceu comigo.
Segundo eles, a liderança também sempre foi algo inato em mim, mas a minha baixa auto-estima ou o facto de eu sempre achar normal o que faço nunca me deixaram acreditar muito nisso.
O facto de ser uma daquelas pessoas que pode receber 99 criticas boas (em 100) e só vai prestar atenção à negativa, pode não ajudar. Isso ou o perfeccionismo extremo em alguns aspectos da vida.
Há alguns anos cruzei-me com os Toastmasters, através da minha prima, mas o ser mãe solteira e o exagero de horas que dedicava à minha actividade profissional, associados a um esgotamento físico e psicológico, nunca me tinham motivado para descobrir mais sobre esta organização.
Só em Maio de 2016, depois de começar a ter tempo livre é que consegui participar nas primeiras reuniões. E fiquei rendida!
Não é à toa que o lema é "Where leaders are made"!
O espírito de partilha é absolutamente fantástico, a aprendizagem, a evolução que se pode ter enquanto comunicador, líder e criador de projectos é absolutamente incrível.
Se em 2016 acabei por não me dedicar como podia e devia, seja por factores externos seja mesmo por factores de motivação pessoal, 2017 começou da melhor forma com a nomeação para uma função no clube, com a participação num TLI (Toastmasters Leadership Institute) dinâmico, divertido, cheio de bons momentos, humor e entusiasmo por partilhar conhecimento!
Recomendo vivamente que conheçam um pouco melhor sobre os Toastmasters aqui (e sobre os Toastmasters em Portugal aqui) e, se puderem, vão a uma reunião a um clube da vossa preferência! Ou digam algo e venham ao meu ;)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

13/365 - Sexta-feira 13

Dizem a sexta-feira 13 é um dia de azar, mas aqui em casa foi dos dias mais felizes deste ano! E claro que tinha de escrever sobre ele.
Quando comecei a preparar este texto sobre o nosso dia escrevi naquilo que achei ser uma forma "inspirada", poética mesmo. Mas a verdade é que a poesia está nas pequenas coisas, e hoje o dia foi recheado de tantas memórias bonitas que nos encheram de felicidade às duas, que não é preciso poesia!
Depois de uma manhã em que veio cá a casa o primeiro técnico da minha operadora de serviços de comunicação que, ao fim de muitos anos (mais de 15), me resolveu todos os problemas da casa (tomadas arrancadas da parede e fios descarnados, box TV que até barulho fazia e o apoio técnico achava que bastava fazer restart de cada vez, novo router em que finalmente há Internet por toda a micro casa, ligações em todos os quartos e melhor ligação na sala, tudo arranjado e dentro das paredes e/ou calhas), o dia só podia correr bem!
Seguiu-se uma rápida conference call com a Holanda e, sem dar conta, já estava na hora de ir buscar a minha pequena nuvem, que ia finalmente perder o medo (pânico) que a acompanha há 3 anos e aprender a andar de bicicleta sem rodinhas!
Confesso que estava muito céptica sobre esta decisão, pois já tínhamos tentado aulas, tentado as duas... e o pavor sempre a dominou e bloqueou, mas hoje ela estava feliz, radiante e muito confiante!
Quando se sentou na bicicleta percebi que até já lhe está pequena, mas teve tão pouco uso que quando fomos encher os pneus e acertar o banco acharam que era nova. Ela só me fez um pedido, para não a ir ver com a monitora e a deixar ir sozinha (um orgulho para mim este pedido dela, que até então nunca queria sequer subir com um monitor sem ser agarrada "às minhas saias").
Só posso dizer que fiquei verdadeiramente de coração cheio, feliz como um passarinho, quando 15 minutos depois de ter subido com a monitora (que me pareceu super querida)... a vi a andar sozinha sem rodinhas! Ao fim de 45 minutos já andava às voltas pelo campo sozinha!!! Se isto não é felicidade pura, não sei o que será!
E o orgulho que senti não tem comparação ao que ela sentia, que mal se sentou no carro ligou a literalmente toda a família a contar a novidade! A cara dela resplandecia de orgulho e felicidade por ter superado o bloqueio e ter percebido que, no fundo, até é fácil andar de bicicleta.
Depois da aula de ballet (ensaio para o espectáculo) e para terminar em beleza (para ela), esta sexta-feira 13 de muita sorte e alegrias, só nos restava uma coisa.... a mamã quebrar (excepcionalmente?) uma regra que tínhamos definido para este ano (bolas... durou só 13 dias?)... e fomos jantar ao seu sítio preferido - Burguer King!
Só espero que todas as sexta-feira 13 sejam como esta, pois seremos sempre muito, muito felizes!

PS - Aproveitámos o telefonema à madrinha e, como ela anda ganha prémios em tudo o que é rifas, aproveitámos e pedimos para ela nos dizer os números do totoloto. Sabemos que podemos confiar na melhor madrinha de sempre para amanhã, quando ganharmos,s podermos resolver os problemas financeiros da família próxima e deixar os avós viverem com tranquilidade e sem stresses!  :)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

12/365 - Perdoar ou não perdoar?

Recebi esta imagem.
Quem a enviou indicava que nunca perdoaria, pois tinha dado amor, carinho, cuidado e não tinha recebido nada, antes pelo contrário.
Da minha parte, chamem-me inocente, ingénua, otária, mas perdoaria, como sempre perdoei e continuo a perdoar tudo e todos.
Talvez seja parecida com a minha avó, que sempre dizia "perdoo mas não esqueço"...
Mas a verdade é que na maioria dos casos perdoo e esqueço, ou enterro tão fundo no coração (e na alma) que na maioria dos casos sou pisada uma e outra vez pelas mesmas pessoas, fico negra de tanta pancada que levo, magoada até ao mais profundo do meu ser, mas continuo a repetir os mesmos erros, especialmente quando se trata de família ou amigos chegados, e a perdoar uma e outra vez!
Porque prefiro acreditar que as pessoas não fazem por mal, tiveram um mau dia, mudaram (como eu mudo e mudei ao longo dos anos), não tem um fundo mau, etc.
Somos MUITO mais felizes quando perdoamos e seguimos em frente com a nossa vida do que quando vivemos amargurados e a repisar as mágoas que temos!
Serve de algo não perdoar? Ganhamos algo com isso?
E vocês, o que fariam?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

11/365 - Gratidão

Mudar!
Pensar positivo (ainda mais do que as pessoas acreditam que penso)!
Ser Grata!
Esquecer/Ignorar o que não me faz feliz!

Alguns dos lemas de vida que tem sido descurados nos últimos anos, seja pelo cansaço extremo a que me deixei chegar (mental e físico), seja pelo desgaste emocional e financeiro das situações vividas nesse período.
É uma opção, nem sempre bem entendida e que nem sempre eu própria consigo cumprir, pois é fácil ceder ao facilitismo da "vitimização". Mas tenho tantos exemplos assim, de pessoas que culpam tudo e todos pelo que lhes acontece, em vez de assumirem os erros e lutarem para se erguerem que me recuso a ser esse tipo de pessoa, ou esse tipo de modelo, para a minha filha!
Não vivo de aparências, mas não apregoo as minhas desgraças ou as mágoas. Se as tenho, ou quando existem, faço como os cães e vou para o meu canto remoer um pouco, para depois regressar alegre e feliz como sempre, "esquecendo/ignorando" tudo o resto, pois é irrelevante.
Se é uma máscara? Sim, muitas vezes é uma máscara! Porque não gosto de andar a reclamar de tudo, porque não gosto de me queixar e sobrecarregar os outros com os meus problemas, mas sobretudo porque acredito piamente que tudo tem um propósito e uma solução e que com o tempo tudo de resolve! E também porque aprendi, com o tempo, que não é por nos queixarmos que as coisas se resolvem, nem as pessoas ficam melhores...
Há algum tempo, num almoço, perguntaram-me "Como estás?"
Respondi que estava bem, como sempre respondo. A reacção que recebi (a esperada de quem fez a pergunta) nunca deixa de me surpreender " Bem?! Bem?! Como podes dizer que estás bem se estás desempregada e tens uma filha para sustentar e uma casa para pagar? Achas que isso é estar bem?..."
A verdadeira "mentalidadezinha" de merda! Parece que se espera que as pessoas chorem os seus males e andem para aí a queixar-se a torto e a direito ou sempre de má cara. É que nem se tenta ver mais além...
Quando fiz as duas biópsias com uma remoção de tumor pelo meio, também me perguntavam como estava, e também ficavam com uma cara estranha quando respondia que estava muito bem.
Não sei se é um hábito tipicamente português, se faz parte da cultura ou tradição, ou se é algo das pessoas que me rodeiam... mas só estão bem a queixar-se ou a chafurdar na desgraça dos outros - é tudo uma desgraça. Como é que chegámos a este ponto?
Porque é que diria que é algo que me preocupa (ainda) não ter O trabalho, se posso ver pelo lado positivo como uma forma de me cultivar através dos cursos que faço, melhorar o meu CV, encontrar um novo rumo, fazer voluntariado, estar com a minha filha e, acima de tudo, recuperar energias física e mentais?
Há que ser honesta, são muitos mais os motivos para agradecer e ser positiva do que os que existem para enterrar a cabeça na areia: tenho uma filha linda que me adora, uma casa, comida na mesa, o que vestir e calçar, uma família (imperfeita, mas que existe e está lá para o melhor e o pior, nem que seja como exemplo do que não fazer), poucos mas bons amigos, o mar perto de casa, estou a fazer um curso que é interessante e um excelente complemento para a minha carreira, tenho saúde e dois braços para trabalhar... o que mais se pode pedir?
Não digo que se tenha de andar todo o dia, ou todos os dias, sorridente e a cantar! Não sejamos extremistas. Nem que se tenha de andar todo o dia com uma máscara colocada, para que os outros não percebam os nossos problemas. O segredo é mesmo esse - é que não deve ser uma máscara!
Os problemas existem, vão existir sempre enquanto não lidarmos com eles e os resolvermos, ou enquanto os ignorarmos ou não tivermos forças de os enfrentar. Temos é de conseguir ver o lado positivo da coisa (o que nem sempre é fácil, especialmente quando existem "estrelinhas" pelo meio), aproveitar o momento e não focar no negativo.
Simplista? Talvez. Nem sempre eu consigo, ainda há muito trabalho pela frente.
Mas muito possível. Porque estamos rodeados de pessoas das quais dependemos e que dependem de nós e energia positiva atrai energia positiva (sempre acreditei nisso).
Alguns exemplos:
Se estou no parque a brincar com a minha filha, porque é que vou estar a remoer no stress que algumas situações familiares me causam, em vez de aproveitar estes momentos com ela para ser feliz e criar memórias felizes?
Se estou a almoçar com uma amiga, porque é que vou perder tempo a queixar-me da vida, quando podemos estar a falar de coisas tão mais agradáveis e a fazer projectos futuros?
Se  estou a namorar, porque é que me vou focar em tudo o que pode dar errado, ou tudo o que ele tem de mal, ou todos os problemas que eu possa ter ou na nossa bagagem, em vez de me focar no quão felizes somos juntos e no que podemos construir?

GRATIDÃO!
Praticar, hoje e sempre - ser grata pelo que tenho! Porque é preciso tão pouco para ser(mos) feliz(es)! 
E o desafio deste ano é, também, praticar a gratidão. Diariamente escrever 3 coisas pelas quais estou grata e ver, no final do ano, a evolução!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

10/365 - TERMINOU! Esquecer? Perceber? Aprender?

O post de hoje é um "repost" de uma das primeiras coisas que escrevi quando iniciei este blog há muitos anos atrás. 
Não só porque esta semana de regresso às aulas tem sido mais dura que o esperado e com o cansaço acumulado a inspiração começa a falhar (e ainda só passaram 10 dias do desafio), mas também porque ao reler achei que se mantinha super actual... 
Nunca ninguém sonha passar por uma ruptura, mas a verdade é que a maioria passa por isso num momento ou noutro na vida. E o apoio dos amigos é importante, da família.
Então vamos tentar não dizer as coisas erradas, pode ser? A intenção é a melhor, já se sabe, mas as palavras, sobretudo em momentos de fragilidade emocional, podem ser esmagadoras e ferir ainda mais...

Está tudo acabado ! Terminou ! Morreu tudo entre nós ! Quero o divórcio! Não te quero ver mais! Esquece que existo! Já não gosto mais de ti! Preciso de espaço! Etc…..
Tudo isto são expressões para dizer que a nossa relação com alguém acabou (amigos, família, namorados ou esposos, …).

E qual é a reacção dos que nos são próximos (ou afastados) e que se preocupam connosco?
Ainda bem… Estás melhor assim… Não te merecia… Esquece…. A vida continua e só tens é de olhar para a frente…etc. etc.
Tudo é feito ou dito para nos confortar… Mas… será que se analisam bem as coisas?

Primeiro que tudo…porque terminou uma relação?
Com excepção da morte de alguém, que não se pode evitar (e sobre a qual falarei um dia), tudo o resto não pode nem deve ser atribuído a uma só pessoa.
Por muito solidários que queiramos ser com a pessoa que nos é querida… este tipo de expressões só pode ajudar quem se quiser colocar no papel de vítima!

Esquece?!
Como se pode esquecer num dia, ou numa semana, ou no tempo que for preciso… uma relação que se tinha com alguém?
Como se apagam todas as recordações que partilhámos com esse alguém?
Os projectos feitos em conjunto? As alegrias, as dificuldades?

Hoje em dia parece que se vive num mundo sem sentimentos, em que tudo é imediato e não se deve nem se pode sofrer uma perda… tem de se seguir em frente… o futuro é que interessa.
Concordo que deixar passar a vida a olhar para o passado e para o que acabou é um erro, mas acima de tudo é necessário saber porque se chegou a esse estado de perda.
E… pela minha experiência pessoal… só perdemos alguém na vida por… falta de comunicação!
Numa relação (seja de amizade, seja de amor, seja de que tipo for…) existem sempre 2 pessoas. É alimentada por 2 pessoas.
Há alturas em que uma delas contribui mais, outras em que recebe mais do que dá, outras em que se calhar só recebe… mas está sempre presente.
E se as coisas começam a ser difíceis (alguém conhece uma relação, de qualquer tipo, que não tenha tido altos e baixos?), é com base na comunicação que se resolvem.
A verdade é que hoje em dia as pessoas só comunicam no início da relação… e por norma, a partir daí, idealizam o resto ou sonham com o que gostavam que a outra fosse, sem verdadeiramente olhar para ela, ouvir, compreender ou aceitar…. E acima de tudo sem falar!
É cada vez mais complicado encontrar amigos que comuniquem regularmente e da mesma forma que comunicavam ao início, casais que partilhem o que sentem como partilhavam no início, etc….
O tempo, a vida rotineira, a correria do dia a dia fazem com que as pessoas deixem de dar valor à comunicação. Espera-se que o outro perceba, conheça os sinais… adivinhe… mas… falar, comunicar, dizer o que se passa e sente… isso é mais complicado. Não há tempo! Não é preciso!
Por isso é que se chega a um ponto de ruptura? Não por culpa de um ou de outro… mas porque se deixam acumular as coisas sem se falar delas, sem se tentar perceber, resolver.
E não é a forma como se apresenta a ruptura que deve contar e ser valorizada… mas sim o facto de se ter chegado a esse ponto.
Muitas vezes há sinais… que são visíveis. Outras vezes não há sinais (ou não se querem ver). Mas a ruptura chega porque uma das partes desiste (ou nunca o fez) de falar. De comunicar, de partilhar.
Num casamento, numa amizade, numa relação de qualquer tipo… não pode ser só um lado a dar e outro a receber. Não deve haver um lado que aguenta tudo e outro que recebe. Um lado que é forte e outro fraco. Um lado que quer fazer o outro feliz e o outro que só quer receber felicidade.
Tem de ser uma partilha… de bom, de mau, de felicidade, de infelicidade, mas acima de tudo… de muita comunicação.
Nos casamentos diz-se que é para o bem e para o mal… e a verdade é que, muitas vezes, as pessoas se afastam no mal…
Há muitas pessoas que tem bastante dificuldade em exprimir sentimentos (e os homens em particular, muitas vezes pela forma negativa como foram educados ou a sociedade encara esse tipo de comunicação vinda de um homem). Ou que acham que aguentam tudo… mas a verdade é que… se não se conseguirem abrir, se não conseguirem partilhar o que querem, o que gostam, o que estão a sentir… nunca vão ser completas… nem felizes…e não vão aguentar!
Não se pode pedir abertura a outra pessoa, sem se estar preparado para dar e receber essa mesma abertura.
Qualquer relação é feita de reciprocidade… e sem ela… nada existe ou pode ser construído.

Por isso, da próxima vez que alguém perto de vocês termine uma relação… não digam para esquecer, para andar para a frente, etc…. De certeza que eles já sabem tudo isso.Perguntem antes se comunicavam? Se quando estavam felizes ou tristes falavam sobre isso? Procuravam soluções? Se quando estavam juntos partilhavam os sentimentos e opiniões ou só as coisas boas e guardavam as más?
Ou se apenas se limitavam a andar juntos, de “olhos fechados”, fingindo que estava tudo bem… e só quando uma das partes decidiu que não estava bem e queria sair… é que se aperceberam que as coisas nunca foram ditas ou faladas…

A felicidade numa relação vem de dentro, da partilha – e de aceitar que se podem partilhar as coisas más e os maus sentimentos.E se terminou… mais do que pensar em esquecer…se valeu a pena….no sofrimento que se sente… na forma como terminou….
Pensem se fizeram tudo ou disseram e ouviram tudo o que deviam?
Se conseguiram aceitar as diferenças de opinião, gostos, personalidade do outro lado?
Se conseguiram aceitar as semelhanças de feitios e caracteres de cada um?
Se falaram sobre os diferentes horários de cada um, de prioridades, de espaços, …?
Se tentaram perceber se estava tudo a ser dito ou se, como eu, estavam a viver numa nuvem… negra?
Se lutaram para ter uma relação ou esperaram que fosse tudo um mar de rosas e ignoraram os espinhos?

Se fizeram sempre tudo isto…. Tenho muitas dúvidas que verdadeiramente consigam terminar a relação…
E se, apesar de tudo isto, terminou… então é porque efectivamente não eram feitos para estar numa relação… e com tudo isto sempre feito… não fica mágoa, não há dor, não há sofrimento… pois é uma decisão consensual – são demasiado diferentes para estar numa relação de qualquer tipo.

TERMINOU com dor, mágoa, sofrimento (de um ou ambos os lados)... Não é a forma como acabou que é importante ou doi mais(apesar de contar para a dor)…. Mas o facto de se ter falhado…de ter acabado…e de na maior parte dos casos ser por se ter esquecido uma coisa tão simples e básica como… COMUNICAR!

Pensem nisto da próxima vez que disserem a alguém para esquecer e seguir em frente, pois se as pessoas não tiverem presente o que falhou e o que podem e devem mudar… não serve de nada atribuir a culpa à outra parte…porque nunca se vai esquecer!
Mais do que esquecer… percebam!
E percebam que esquecer… leva o seu tempo. E cada pessoa é diferente da outra e precisa de espaço e tempo para si antes de esquecer (uns esquecem na hora, outros em 24h, outros num ano, outros … nunca esquecem).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

9/365 - As mães são bipolares, não são?

Já muita gente falou neste tema, é algo em que penso recorrentemente e só posso concluir que a verdade é que, como mães, só podemos ser esquizofrénicas ou bipolares. Senão, usando apenas um "suponhamos" e ignorando o óbvio, que somos as melhores mães do mundo, que só usamos disciplina positiva e parentalidade positiva, nunca gritamos e acima de tudo nunca damos uma palmada no rabo, mesmo a sério, claro.... vejamos alguns exemplos:
Num momento estamos a gritar " Ou arrumas já tudo ou vai direitinho pela janela fora!!!". No momento seguinte estamos a abraçar e a dar beijinhos e a ajudar a arrumar porque ficaram a fazer beicinho ou a chorar por estarmos zangadas ou tristes!
Num momento estamos a dizer, com a nossa cara de bruxa má "Vais já para a cama e nem quero ouvir mais um pio!" e logo a seguir estamos a ajudar a deitar, a dar beijinhos, a ler uma historia e a dizer "amo-te muito, sonhos cor-de-rosa!" com a voz mais melosa do mundo!
Num momento estamos em profundo stress e completamente descabeladas, para sair de casa de manhã com mil e um sacos e mochilas, aos gritos que estamos atrasados (como sempre). A seguir estamos a sentar com cuidado no carro, a dar um beijo e vamos a cantar todo o caminho até à escola!
Num momento fugimo para a casa de banho, porque precisamos de respirar e de um tempo para nós, no momento seguinte depois da porta se abrir e entrarem "para não estarmos sozinhas", estamos a contar-lhes histórias enquanto a nossa privacidade foi, literalmente, pelo cano.
Num momento estamos a dizer que não podem comer chocolates, gomas ou bolachas porque está na hora de comer, mas nós estamos escondidas na cozinha a "preparar" a comida e a enfardar pão com manteiga, batatas fritas ou bolachas às escondidas!
Num momento só queremos um dia de descanso, um fim de semana de paz e sossego, mas na mesma tarde em que o conseguimos já estamos mortas de saudades e ansiosas por um telefonema!
Num momento ansiamos pelo tempo em que eram bebés e dependiam de nós, no seguinte pelo momento em que serão crescidos para programas a dois.
Num momento não os deixamos levar aquela roupa porque é simplesmente horrível, no seguinte estamos a comprar-lhes os sapatos de brilhantes mais pirosos do mundo só porque... são tão giros e ela adora!
Num momento estamos irritadíssimas porque fazem caretas com a comida e não querem comer, demoram horas ou, sem provar, olham e dizem que não gostam. No momento seguinte estamos a tentar controlar o riso (por os genes serem tão fortes), já que quando lhes dizemos que tem de comer tudo, "pois há muitas crianças que não tem nada para comer e deviam agradecer por ter comida", eles respondem o mesmo que nós respondíamos na sua idade "Mamã, mas se tem fome podes dar a minha comida que eu não quero!" 
Como estes há tantos, mas tantos mais exemplos a dar... que podíamos estar aqui a noite toda.
O top dos tops é acabar de gritar/zangar/castigar/aborrecer com algo e logo a seguir dar abraços, carinhos, beijinhos, miminhos e dizer palavras de amor para os deixar a descansar tranquilos, sabendo que por mais asneiras que façam vamos sempre amá-los mais que à vida!
Quem é que também acha que é bipolar em relação aos filhos?


domingo, 8 de janeiro de 2017

8/365 - Birras em 2017

Para 2017, a minha adorável nuvenzinha tem 3 desejos:
- Ir à Disneylandia no Natal
- Ter um cão ou um gato
- Que a mamã tenha um trabalho novo

O primeiro implica poupar muito dinheiro e vai ser complicado, pois já foi um esforço ir em 2016, o segundo ainda mais complicado vai ser, pois a mamã é alérgica a gatos e por muito que adore cães não acredita muito em cães fechados em apartamentos*, mas o terceiro é simplesmente adorável e ela explicou que não basta ser um trabalho novo, quer que seja um em que a mamã possa ser feliz, ter muito dinheiro e tempo para estar com ela!

Depois de falarmos as duas sobre os nossos desejos para este novo ano, chegámos à conclusão que temos um desejo comum - acabar com as birras, os gritos, as respostas tortas e as irritações sempre que as coisas não lhe agradam (e eu controlar a minha impaciência e irritação com as mesmas birras e gritos, que sempre foi algo que me tira logo do sério).
O remédio para encontrámos para as duas? Respirar fundo e.... um abraço apertado seguido de um pedido de desculpas!

Ainda só passaram 8 dias, ela continua a ter momentos de frustração (é um dos seus grandes eixos de progresso, saber lidar com esses sentimentos e com a irritação), mas passam rapidamente com um abraço. A melhor parte é que a iniciativa já parte dela em algumas das vezes, quando me vê mais calada ou a afastar para respirar e não dizer nada que não devo ("mamã, um abraço para fazer as pazes?") ... e as coisas retomam o seu ritmo normal e feliz, como deve de ser quando uma mãe e uma filha se amam.

A meta é conseguirmos, as duas, melhorar muito neste aspecto, diminuir as birras, aumentar o dialogo positivo e construtivo (ela bloqueia muito) e chegarmos ao fim do ano ainda mais unidas!

Um desafio acrescido se avizinha, pois amanhã começam as aulas e o acordar (ainda) mais cedo - vamos ver se as coisas continuam no bom caminho!


*Se souberem de um Toy Poodle ou um Chevalier king Charles para adopção ou doação avisem, são as únicas excepções admitidas cá em casa, mas como sou contra comprar cães quando há tantos a precisar de serem adoptados, só mesmo se for oferecido ou adoptado :)

sábado, 7 de janeiro de 2017

7/365 - A igreja

A igreja é pequena, muito pequena (é uma antiga ermida).
Está a precisar de obras urgentes (somos sempre relembrados disso em cada celebração). O telhado tem a madeira a ceder, a tinta das paredes está a cair, os bancos estão velhos... e no entanto o que se sente é amor e alegria!
Os mais pequeninos sentam-se do lado direito, os mais crescidos do lado esquerdo e o grupo de jovens na frente, com a viola ou os seus instrumentos (hoje era um Djembé) e as vozes bem afinadas. Os adultos ficam nas filas atrás ou, como no meu caso, no "andar de cima". Tanto o pároco como os seus ajudantes são simplesmente... fabulosos, ou não fossem Consolata!
A minha fé, ou falta dela, sempre foi algo controverso ao longo da minha vida. Cresci como católica praticante até ao Crisma. Com a morte do meu irmão a fé sofreu um grande abalo e mesmo sendo catequista, os escândalos e abusos da igreja acabaram por a destruir, pelo menos na parte do ir à missa ou das confissões, que confesso sempre ter achado um pouco hipócritas.
No entanto, esta igreja, este padre, este grupo de jovens, a minha filha e a sua alegria contagiante, a alegria que se vive nestas missas estão a conseguir reconciliar-me com a minha fé.
Apesar de a ter batizado (quase mais como tradição familiar, confesso, e noutra igreja), nunca lhe quis impor nenhuma fé. Sempre desejei que ela estudasse as diferentes religiões, como eu fiz e, se se identificasse com alguma, seria livre de a seguir.
Mas um dia, ao acompanhar a amiga à catequese, ela apaixonou-se! Adorou a catequese, adorou a missa e ficou convertida - nasceu uma "beata"!
Hoje em dia ela desiste de ir ao teatro, a festas de anos, a saídas.... para não faltar à catequese e à missa! Só mesmo por algo muito especial (ou alguém) é que ela abdica destes seus momentos.
E como a compreendo!
Começam sempre com a catequese, que é à base de actividades de carácter lúdico-social e no final tem uma missa especialmente vocacionada para os jovens, dos mais pequeninos que iniciam o seu caminho na fé aos mais crescidos. A missa é muito musical, com a maioria das orações a serem cantadas pelo grupo de jovens, orientados por missionários Consolata com vozes simplesmente incríveis! Em quase todas as missas há um ecrã onde estão a ser projectadas as leituras ou as letras das músicas e das orações, para que todos possam seguir. Os sermões são curtos, muito interactivos, com questões e brincadeiras com os jovens, de forma a que compreendam o que foi dito de uma forma adequada e adaptada a eles. As músicas das orações são também, por vezes, em dialectos africanos, com tanta musicalidade que os jovens até dançam ao ritmo delas! Mesmo o momento da comunhão é lindo, com os mais pequeninos a também irem "comungar", com os bracinhos cruzados em frente do peito e o pároco a dar-lhes a benção!
Mas, o mais especial, para mim, é mesmo a oração do Pai Nosso! Não há missa nenhuma que este momento não me traga lágrimas aos olhos de emoção! É a introdução e os gestos, é o facto de todos eles darem as mãos e criarem uma enorme corrente que atravessa toda a igreja de um lado ao outro de entre todas as filas enquanto rezam o Pai Nosso, é a alegria com que se dão à oração... simplesmente ... sem palavras!
Será que é agora que me concilio com a minha religião?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

6/365 - Coração de ouro

Muitas vezes tenho dúvidas se estou a fazer as coisas bem, se lhe estou a transmitir os valores certos, se não está excessivamente mimada. E depois há aqueles momentos em que o coração derrete.
O primeiro tinha sido no dia de Natal.
Depois de acordar, de ter corrido para a sala e ter visto que o Pai Natal tinha comido tudo e lhe tinha deixado o presente sonhado, vira-se para mim com o ar mais triste do mundo e diz:
- Mamã, fizemos um grande erro!
Perguntei o que tinha acontecido, qual o problema e respondeu, novamente com o ar mais pesaroso do mundo:
- Mamã, o Pai Natal é tão querido, traz presentes a todos os meninos, anda por todo o lado, mas nunca ninguém lhe dá um presente! Nós devíamos ter dado um presente ao Pai Natal mamã!
Claro que prometi que para o ano lhe deixaríamos um presente, pois este ano ele já não voltava.
Pois acreditam que hoje se passou o mesmo?
Como ela passou esta semana com a avó, quando fui ter com ela levei os presentes e o bilhete que os Reis Magos tinham deixado quando cá passaram. Abriu todos no carro a caminho de casa e as exclamações de alegria eram mais que muitas, pois, surpreendentemente, deram tudo o que ela queria (como é que eles sabem estas coisas?).
Mas no final veio o silêncio... e com voz triste lá me disse:
- Mamã, também não deixámos nenhum presente aos Reis Magos! Eles também trazem presentes aos meninos, também andam por todo o lado e ninguém pensa neles! 
Anuí e disse que tinha toda a razão. Perguntei o que gostava de lhes deixar. A resposta dela foi simplesmente deliciosa:
- Mamã, este ano já não podemos deixar nada, que eles já foram embora, Mas vamos pensar em prendas para todos para o ano, pode ser mamã? Eles são sempre tão queridos, sabem sempre o que eu gosto, trazem prendas para todos os meninos e eu gostava muito, muito de lhes dar prendas. Podemos para o próximo Natal deixar uma prenda ao Anjinho de Natal*, ao Pai Natal e aos Reis Magos?
Como poderia negar isto? 
Especialmente a uma criança que adora dar presentes a TODA a gente no Natal. Até na escola entrega um mimo a todas as pessoas, da cozinheira à senhora da portaria, passando por todas as auxiliares (sim... este ano foram "só" 43).
Pode ter birras, ser mimada... mas tem um coração de ouro! 

* O Anjinho de Natal é o anjinho que todos os dias do calendário do advento lhe vem trazer uma tarefa para fazer e depois na manhã seguinte lhe deixa um miminho

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

5/365 - Estacionamento

 Ia começar por dizer que "poucas coisas me irritam tanto como quem estaciona mal"... mas com o meu mau feitio não seria bem verdade!
Uma das constatações do último ano é que a falta de civismo das pessoas ao estacionar cresce de dia para dia e é gritante.
Não vou sequer dedicar-me ao fenómeno das grávidas, idosos ou pessoas com deficiência que insistem em querer estacionar naqueles lugares reservados que TODOS sabem serem para jovens, executivos apressados que "demoram só um minuto", homens grávidos ou pessoas que sofrem de estupidez crónica devidamente comprovada!
Hoje vou dedicar-me ao fenómeno das pessoas que não conseguem perceber para que servem aquelas riscas que alguém se deu ao trabalho de pintar no chão e que, como são "menos dotadas" a nível intelectual, acreditam serem marcas para estacionar os carros!
Mas será que ainda não perceberam que aquelas riscas não passam de arte? Sim, arte!
Ou, no máximo, uma forma de ocupar e dar trabalho a pessoas que de outra forma não teriam o que fazer para ganhar algum dinheiro extra e ocuparem os dias. Há que gastar tintas, investir no embelezamento das cidades e das estradas (afinal tudo cinzento fica feio) e, ao mesmo  (investir na economia), tempo (prevenir a ociosidade), dar trabalho a pessoas que de outra forma ficariam em casa sem nada para fazer (diminuição das desigualdades sociais).
Não consigo perceber como ainda há quem se dê ao trabalho de fazer manobras para tentar encaixar os carros entre as riscas - só posso concluir que são... otários!!!
Ainda não perceberam que o desafio é ver quem consegue meter a risca melhor entre as rodas do carro (NUNCA, mas NUNCA o carro entre as riscas!!!)? Ou, o top dos tops, conseguir que o carro fique atravessado e assim conseguir ter as rodas de trás numa risca e as da frente noutra risca?
Isso sim, meus amigos, é saber estacionar, e à patrão!!!
Agora aqueles choninhas que insistem em estacionar o carro em filinhas certinhas lado a lado, dentro das risquinhas para que os outros consigam abrir as portas e sair sem riscar o carro do lado, honestamente... deviam ir novamente para a escola de condução! Mas tem algum sentido isso?! Será que não tiveram aulas de condução? De código da estrada?
Pode ser que agora com as imagens finalmente percebam que, a melhor forma de estacionar, sempre que houver riscas no chão, NUNCA é entre as riscas (não foi para isso que elas foram colocadas, ok?), mas sim da forma mais artística que conseguirem de forma a pisarem pelo menos uma das riscas, idealmente as duas para serem uns verdadeiros Ases da estrada!


PS - para quem possa não ter percebido, este post é uma ironia à estupidez que reina em quem não sabe respeitar os outros quando estaciona os carros

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

4/365 - Cinderela no Gelo

Mais um dia de férias da Miss, mais uma actividade há muito planeada - o muito aclamado Cinderela no Gelo.
Há hora marcada lá estávamos, com a miss muito ansiosa. Foram muito simpáticos e colocaram-nos mesmo na frente ao centro, em vez de ficarmos na lateral onde eram os bilhetes que tinhamos.
Depois dos avisos que não se podia filmar e só se podiam tirar fotos sem flash, começou o espectáculo. Foi quando houve um momento de desilusão da miss (e devo confessar que meu) - nenhuma das cabeças de cartaz estava presente (Rita Ribeiro, Nuno Guerreiro e Liliana Santos). Se para a Liliana Santos havia um aviso na entrada a dizer que não iria no dia 8 (hoje é dia 4), nada indicava que nenhum deles estaria presente hoje, o que acho que seria de bom tom, pois as pessoas compraram bilhetes com base na comunicação das estrelas do show!
Passada a desilusão inicial, aproveitámos o espectáculo ao máximo e, mesmo com outras estrelas, valeu mesmo a pena!
Apesar de a minha pequena nuvenzinha ter preferido outro principe e Cinderela (gostava mais da cara dos outros), no final confessava que tinha adorado tudo! Apaixonou-se pela música (fez-me comprar o CD que estamos a ouvir em repeat no carro desde esta tarde), cenários, encenação, actores (com aquela excepção...), danças, ... enfim, por tudo!
No fim estava tão encantada que até quis tirar foto com todo o elenco (ela que é sempre tímida para isso) e depois até quis uma só com a Cinderela!
Apesar de termos outros actores (que constavam também no programa), foi uma excelente ideia ir hoje de tarde, já não era período de férias para a maioria das escolas,  estava tudo tranquilo e foi muito fácil tirar as fotos com toda a simpática equipa de actores!
Há alguns anos que acompanhamos as encenações feitas por esta companhia e adoramos sempre!
Recomendo vivamente - e se ainda não viram aproveitem para ver, estão em cartaz até dia 8 de Janeiro no Alegro de Alfragide!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

3/365 - A solidão

Poderia escrever muito sobre isto, mas a Lénia, no seu Not So Fast, escreveu tão melhor do que eu, parecia que me estava a retratar:

"Talvez fosse o final da solidão, pensei, não sabendo ainda que era apenas o princípio" - João Tordo.
Guerra antiga, esta. Uma vida inteira sozinha. Sem amarras. Sem pertencer a lado nenhum. Sem me sentir suficiente para fazer ninho. Um coração sedento de carinho, vazio de tudo. Ainda assim, um coração disposto a dar. Um coração disposto a partir-se em milhares de bocadinhos. Prefiro isso a não sentir. Até podia resguardar-me e defender-me e montar toda uma muralha à minha volta, tornar-me inatingível, inalcansável, impenetrável. Mas, e depois? Isso é viver? Isso é alguma coisa? Para mim, não. E sei que esta falta de defesas me torna um alvo fácil. Sei que estou mesmo a jeito de me estraçalhar em menos de nada. Já aconteceu. E depois? Depois juntei os bocadinhos e colei-os como pude. Ficaram resquícios, claro que sim. Ficou aquela certeza de que nunca serei suficiente. De que haverá sempre um "mas" guardado para mim.Tenho sido talvez demasiado transparente nesta fase que estou a passar. Não tenho escondido os danos. Não tenho fugido do mundo. Não tenho fingido. Dei o corpo às balas. E morri.Tenho tentado conhecer-me neste processo. Sempre disse que era bicho do mato, solitária e abandonada. Demorei a perceber que sou eu que afasto as pessoas. Que sou eu que não me apego. Não me agarro. Porque não acredito que alguém queira agarrar-se a mim. E deixo-me ficar. Sossegada e sozinha no meu canto. Agora, talvez demasiado transparente, tenho recebido coisas de sítios que eu achava que nem sabiam que eu existia. Amigos antigos, que o tempo e a vida levaram para longe, voltaram para me dar um carinho. Para me dar força. Para me dizer que vale a pena. E eu... eu fujo. Aceito o que me dão, mas não me deixo ficar. Finjo que está tudo bem, não quero que as pessoas se incomodem comigo e saio de cena. Porque acho sempre que não mereço que percam tempo comigo. Porque nunca ninguém me olhou nos olhos para me dizer "quero-te aqui comigo". Seja de que forma for. Ou talvez o tenham feito e eu não tenha visto. Ou talvez eu tenha tanto medo de ser abandonada, deixada para trás, rejeitada que não faço casa em lado nenhum.Sou a pessoa mais carente que conheço. E tudo o que eu queria era aprender a aceitar o que me dão e a não pedir nada. Mãos abertas para aceitar o que chega, mãos abertas para deixar voar o que não quer ficar. E um abraço apertado no final da solidão.

A verdade é que, como ela, com o tempo aprendi a fingir cada vez melhor. Mesmo aqueles que me conhecem bem (ou pensam que sim) dificilmente conseguem perceber se estou bem ou mal. Aprendi que é melhor estar sempre bem, aprendi que não está lá ninguém quando preciso de ajuda, porque aprendi que tenho de ser a força motor que puxa tudo e todos.
E não faz mal.
Faz parte da vida (pelo menos da minha).

Como ela, nunca consegui fazer parte de nenhum grupo, nunca consegui sentir que me integrava, saltitava de lado para lado como borboleta - e sempre acharam que era uma fantástica RP :)

Sempre ouvir que "és tão forte", ou "aceitas tudo tão bem", ou "não sei como consegues"... sem mostrar absolutamente nada se me estão a magoar ou a deitar abaixo com negativismos e toxicidade é uma arte que fui aperfeiçoando ao longo dos anos!

Talvez seja assim, talvez sejam fases, talvez seja necessário ser assim... quando se tem filhos não nos podemos ir abaixo, quando temos um pai em constante depressão e que depende de nós para (quase) tudo não podemos fraquejar, quando a super-mulher que é a nossa mãe já está cansada de levar o mundo aos ombros e mostra claros sinais de depressão, temos de a apoiar e não sobrecarregar mais...

Mas se pensar bem, a verdade é só uma: não vale a pena que se incomodem comigo, eu estou bem, estou sempre bem - são 33 anos de aprendizagem :)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

2/365 - Oceanário, peixes e birras

Último dia de férias antes do regresso às aulas (meu).
O dia perfeito para arruinar mais algumas decisões de Ano Novo!
Com bilhetes para o Oceanário e a necessidade de pijamas novos para a pequena nuvem, lá rumámos nós ao maior antro de consumo de Lisboa.
Objectivo: Entrar, comprar pijamas, entrar na loja espanhola para ver se tinha vestidos para ela e sair rapidamente.
Resultados: Entrámos, fomos ver os pijamas, comprámos uns sapatos de brilhantes (que ela disse logo que a avó ia odiar), uma chávena térmica para a mamã se habituar ao chá de noite e saímos. Fomos almoçar junk food porque "ainda me faltam 2 bonecos para acabar a colecção mamã" e só depois é que demos uma passagem rápida em duas (sim, não foi só na loja prevista) lojas para ver se encontrávamos algum vestido ou sweat para ela.
Quando finalmente fomos para o Oceanário já passava das 15h. De notar que a vontade dela não era muita, mas achei que fosse cansaço, afinal o espaço é muito giro!
Entrámos e ela sempre a furar pelo meio de toda a gente ia vendo o que a apaixonava - 15 minutos no aquário gigante logo na entrada, uma breve passagem pelos papagaios e quando chegámos aos pinguins foi a loucura! Estava na hora de serem alimentados e estivemos lá uns bons 20 minutos a ver tudo.
Mas a paixão acabou aqui. Depois tudo teve um ritmo muito mais rápido, especialmente porque encontrou um mapa e o que queria era ir riscando o que estava feito e faltava ver.
Descemos ao piso inferior e ficou fascinada com uma das monitoras, que lhe mostrou pele e dentes de tubarão, explicando de quais eram, como os tinha obtido e  como eles comiam. Aproveitou para ficar um pouco a ver a vida marinha. Mas a pausa foi sol de pouca dura. Já estava farta e só queria "picar ponto" e ir embora, passava o tempo a puxa-me e a dizer para irmos. Parámos ainda um pouco nos peixes chatos de areia, de onde afinal já não queria sair e ainda noutra zona do aquário central, mas depois foi rápida a sair.
Já no exterior perguntei se tinha gostado. Disse que.... sim.... mas aqueles sim de "frete" ...para agradar! Como a resposta fora muito evasiva perguntei se não gostava do Oceanário e, perante a resposta dela, não pude evitar uma gargalhada interior - estará a passar demasiado tempo com a avó?
" Mamã, são peixes!!! O que há para ver? Vemos e acabou! Já quando venho com a escola estou sempre a perguntar à professora quando vamos embora. É giro, mas não para estar aqui parada a olhar para os peixes sem fazer nada!"
Seguiu-se um erro crasso, digno de uma mãe "principiante". Fomos a outro lado ver se tinham o pijama que queria e se podia andar na pista de gelo que lá tinham, mas... ela adormeceu no carro!
Claro que quando acordou estava INSUPORTÁVEL com birras de sono (a genética é mesmo uma coisa tramada)... foi terrível, especialmente quando lhe disseram que não podia andar logo na pista e tinha de esperar e eu disse que era muito tarde e se voltava noutro dia!  Parecia que uma criança possuída na minha frente e não a pequena e adorável nuvenzinha. Houve birras, gritos, bater.. um pouco de tudo o que me leva a paciência aos limites.
Consequência: Explicação que esse tipo de comportamento não era admissível, especialmente quando repetido à exaustão e que tinha como consequência perder regalias, como ver TV. Na continuação e como continuava a ser casmurra (ok, ok, continuamos nos genes) devolvi-lhe a minha metade do colar do coração, explicando que não queria ser a melhor amiga de uma pessoa com aquele tipo de comportamento! E ela sempre impassível e sem dar a mínima parte de fraca e ainda a dra resposta de quem se faz de forte e parece estar a "gozar com a nossa cara" - para não se perceber o quanto está a sofrer!
Só já em casa da avó, onde vai passar o resto da semana, lhe caiu a ficha, quando eu me ia embora. Ela nem ia dar beijos de despedida, mas quando a avó disse para vir soçobrou em lágrimas... que eu não queria ser mais amiga, que ela tinha sido má....
Lá tivemos a conversa mãe e filha, os abraços apertados para consolar os soluços que lhe saiam descontroladamente do peito e voltei a colocar o colar, com grande alegria dela.
Confesso: Este início do ano e estas birras estão a colocar à prova toda e qualquer resolução e qualquer vontade de disciplina positiva (especialmente com o cansaço), mas está na hora de mudar atitudes e comportamentos e ou é agora ou pode ser tarde de mais. E um dos valores que para mim é fundamental é o respeito à família, especialmente aos pais e avós!
Momento fofo do dia: Quando questionada sobre quais tinham sido os desejos para o Ano Novo, a resposta foi "Queria muito ter um gato! Ou podia até ser um cão! Mas de verdade. Ahhhh, e que a minha mamã encontrasse um trabalho!"
Dá-me cabo da paciência, mas é o meu amor maior!

domingo, 1 de janeiro de 2017

1/365 - Ano Novo Vida Nova?

Primeiro dia de 365 páginas em branco. O momento das grandes resoluções e decisões, com a motivação ao rubro!
Primeiro minuto do ano, primeiras decisões:
- comer melhor e perder peso
- cozinhar mais
- ter mais paciência com a nuvenzinha, não gritar tanto e estudar mais e aplicar mais os principios da disciplina positiva
- treinar mais
- ler mais
- conviver mais
- escrever mais
- estudar mais
- arranjar novo trabalho que me apaixone
- afastar as pessoas tóxicas que me sugam energias (no mínimo)
- dedicar-me a voluntariado
- ver menos TV e sair mais e fazer mais actividades outdoor
- Ter a casa arrumada e organizada
- Criar uma rotina de trabalhos de casa, estudo e actividades extra-curriculares
- Ter horários mais rígidos para a hora de dormir e ler sempre uma história
- Dormir na cama :)
- Não comer fast-food nem refrigerantes 
- Tirar muito mais fotos com a máquina e trabalhar a parte da fotografia
- Poupar o máximo de dinheiro possível
- Não fazer compras por impulso e comprar só o indispensável
- Fazer o máximo de coisas em casa para comprar o mínimo possível
Segundo minuto do ano:
- Esquece lá isso, a única decisão é mesmo ganhar o Euromilhões. Assim posso ajudar tudo e todos e garantir o futuro da nuvenzinha!

A verdade é que todos os anos se tomam (sim, não sou só eu) imensas decisões, particularmente no final do ano. Escrevem-se listas, estamso todos super motivados e convictos que "este ano é que é"!
Mas normalmente no dia 15, já a maioria das pessoas não se lembra de metade do que decidiu.

Claro que no meu caso nem é preciso chegar a dia 15, basta acordar para que metade das resoluções vá logo ao ar! 
Resumindo o primeiro dia: a pequena miss dormiu pouco, pelo que passou o dia birrenta e refilona como só ela sabe, como tal lá se foi a resolução da paciência ao ar! Com tanta birra e cansaço acabámos por sair tarde de manhã, fomos almoçar com a avó e depois ficámos por lá em vez de sair (sim, adormeci), pelo que lá se foi a resolução de sair mais e fazer mais actividades (nem me lembrei que era o último dia do Cascais Christmas Village). Viemos para casa para ela começar a fazer os TPC da escola (sim... estão atrasados), e foi um berreiro e birras contínuas porque ODEIA ter de corrigir as coisas (os genes são tramados). Chegou uma das minhas melhores amigas para jantar e a resolução de ser mais paciente com ela continuava a ser constantemente adiada! E então na hora de dormir foi completamente posta de lado.... estava tudo espalhado por todo o lado, do quarto dela, ao meu, casa de banho, sala... todo o lado. E sem nenhuma intenção de limpar ou arrumar! Bolas... assim não há resolução de Ano Novo que aguente! Depois de mais uma crise de birras de sono, depois de uma explicação sobre as consequências de ficar tudo desarrumado, lá conseguimos pelo menos manter uma resolução e ler a primeira história do livro de 365.
Decididamente.... não nasci para resoluções de Ano Novo!

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