sexta-feira, 26 de junho de 2009

Humor negro e impróprio

Quem me conhece sabe que sou especialista em gaffes, em dizer as coisas erradas no momento errado, que tenho um sentido de humor muito particular (e impróprio)... etc.
Especialmente nos momentos dolorosos, em que tento animar as pessoas que me rodeiam e que estão a sofrer... parece que não consigo parar de dizer asneiras, especialmente porque tento animar as pessoas com piadas e já devia ter percebido que não nasci para humorista!!!

Acontece sempre nos piores momentos, de repente aquela frase que nunca devia ser dita... sai disparada pela boca... logo quando mais valia nem ter existido... e depois parece que a "diarreia mental" não pára e ao tentar corrigir aquela "piada" vou piorando a situação.

Um exemplo?
A minha avó estava no leito do hospital preocupada que eu não ficasse com os brincos que ela tinha colocados e que me tinha deixado em herança... e queria tirar os brincos para eu os levar logo.
E, como era habitual, disse-lhe que não os queria, que ela devia ficar com eles e que eu tinha muito tempo para os usar, quando ela morresse.
Infelizmente esse momento chegou mais depressa do que gostaria...
Bem... no seu funeral eu contei esta situação... mas em vez de parar na minha resposta... tinha que completar com "aquela" frase que faz brilhar os clarões de inteligência por cima da minha vasta "cabeleira loira":
- Eu disse isso para ela não se preocupar. Não era preciso morrer logo só para eu ficar com os brincos!!!
Aiiiiiiiii e acham que disse só uma vez???
Não!!!
Tive de contar a historia a mais do que uma pessoa...
Uma verdadeira "diarreia cerebral" que não parecia querer parar....
Até que uma alma caridosa (gracias sister) me disse que podia ser mal compreendida e era melhor não contar mais essa "piada"... aiaiaiaiai.

Outro exemplo?
Velório... tudo em silêncio (tinha sido uma pausa nas rezas dos terços)... e dedico-me a reparar nos ramos de flores que enchiam a pequena sala mortuária.
E onde pousam os meus olhos?
Numa linda palma de antúrios!!!
Para quem não conhece a planta, vejam a imagem...E o que me passa pela cabeça?.... só ideias tristes, realmente.
Nuvem - Olhem só para aquele ramo... para aquele que está de lado...
Pessoa - Qual?
Nuvem- Aquele que está no canto... aquele branco... em que nem se vê a flor, só aquela coisa cor-de-rosa ali no meio... espetada...
Pessoa - Sim???
Nuvem - Achas normal mandar aquilo para um funeral? Acho um bocado indecente...
Pessoa - Porquê?
Nuvem - Já viste bem aquela flor? Aquele ramos é daqueles que devia vir com bolinha no canto... é um bocado indecente...
Pessoa - aiiiiiii essa cabeça.... (mas a maioria fazia um esforço para não rir... até porque era um velório).

Vejam vocês as flores e imaginem o que parecem (especialmente nas brancas com o ... em cor-de-rosa....)

Achavam que parava por aqui?
Não!!!
Continuava....
Na manhã seguinte...
Nuvem - Olha... murcharam...
Pessoa - O quê?
Nuvem - aquelas flores que ontem estavam tão assanhadas....
Pessoa - aiiiiii
Nuvem (em vez de ficar calada) - talvez um pouco de água as arrebite...
Depois de molhar um pouco...
Nuvem - Olha só que alegria... subiram logo... estavam a murchar... devia ser de estar num velório...
(e no "balão" que aparecia por cima da minha cabeça nestes momentos só se lia - mas não me calo??!!!)

A última.... porque são tantas e tão impróprias...
Há um costume de ter uma tacinha (deve ter um nome técnico, mas não sei qual é) com um instrumento dentro em que se atira água (presumo que benta) sobre a urna do falecido...
No dia seguinte...
Nuvem - Se calhar devíamos rodar a coroa que está em cima da urna...
Pessoa - Porque?
Nuvem - olha só para aquele lado que está sempre a ser regado, como está florido e viçoso...
Pessoa - ????
Nuvem - e se calhar devíamos ir rodando as coroas, assim aproveitam todas para ser regadas...
Pessoa - cof cof (esta até era mais ou menos gira... e verdadeira... mas estavamos num velório... além de que bastava dizer uma vez e não era preciso repetir a toda a hora... e sempre que havia o concurso de ver quem conseguia atirar a água mais longe...)

Ao passear pela net descobri neste blog (Teme os Ninjas) um post hilariante que me fez lembrar alguns destes meus "melhores" momentos, nomeadamente no recente funeral da minha avó (em que parecia doida com as frases que saiam da minha boca, como já puderam comprovar pelos exemplos acima).

Aqui vos deixo o texto (e, devo acrescentar... como eu o compreendo....)

Impróprio

Sou daquele género de pessoas que, não gostando de ver um amigo triste, tenho tendência a tentar anima-lo(a) com piadas. Umas com graça, outras sem (depende se a Graça está lá ou não). No entanto tenho, por regra, uma falta de sentido de oportunidade atroz e um timming grotesco. Por este motivo, assiduamente acabo a pensar "porque c*&#$%o é que havias de dizer aquilo?!". Eu e os que me rodeiam. E o pior é que depois não consigo parar, querendo sempre emendar a falta de oportunidade da prévia piada com outra que, no momento, me parece adequada.
Claro que este problema atinge o seu auge nos funerais. São autênticos orgasmos de estupidez, que se alcançam no preciso momento em que finalmente a minha consciência me grita "CALA-TE SEU PAQUIDERME ESTÚPIDO! CHEGA!".

Imaginemos que faleceu, digamos, um primo (para não ser muito próximo) de um amigo meu:

Ninja: Lamento muito, os meus pêsames Amigo. Eram muito chegados?
Amigo: Mais ou menos, não éramos muito, mas até nos falávamos com frequência.
Ninja:Bom, então ainda bem.
Amigo: Hmm?
Ninja: Podia ser pior! A tua mãe por exemplo.
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: *Riso nervoso para indicar que era uma piada*

- Silêncio -

Ninja: Está tudo muito calado...
Amigo: O que esperavas, é um velório!
Ninja: Principalmente o teu primo.
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: Mas está com boa cara, calma! Para um morto claro...

- Silêncio -

Ninja: Queres uma pastilha-elástica?
Amigo: Não obrigado.
Ninja: Oferecia ao teu primo, mas ele já não pode...
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: Percebeste?... Porque está mo...
Amigo: Eu percebi!

- Silêncio -

Ninja: Ei, olha só o decote daquela gaja!
Amigo: É a irmã dele.
Ninja: Ah, desculpa... Mas aquilo é de acordar um morto.
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: *Afunda a cara nas mãos*

- Silêncio -

Ninja: Vou até lá fora um bocado.
Amigo: Prometes?
Ninja: Sim... Agora mesmo. Aqui está um ambiente de cortar à faca.
Amigo: *Perplexidade*
Ninja: Percebeste?... Porque ele morreu esquartejado naquele acidente com os cutel...
Amigo: Vai embora!
Ninja: Já não tenho vontade.
Amigo: *Afunda a cara nas mãos*

Inspirando fundo, e depois de me concentrar, tento dizer algo reconfortante:

Ninja: Ao menos agora está num lugar melhor.
Amigo: Obrigado por te controlares.
Ninja: Isto se no Céu aceitarem encomendas partidas.

Alguém atrás de mim alguém grita:

Familiar: Oh pá, morre de uma vez!
Ninja: Ei, não havia necessidade... Isso foi completamente desnecessário.

Imagem retirada da internet

2 comentários:

Water disse...

sabes meu amor... como te compreendo.. o problema não és tu nem sou eu... o problema são mesmo os outros que não tem um sentido de humor refinado como o nosso.

Carla Cruz disse...

Bem... Eu pelo menos senti-me "feliz" por, para variar, não ser eu a fazer os comentários "brilhantes"! ;-)

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